terça-feira, 16 de setembro de 2014

A 'escolha de sofia' do PSDB: aderir a Marina para abocanhar cargos ou votar em Dilma para não morrer




Com o cada vez mais evidente fiasco da candidatura Aécio, tucanos que têm algo mais na cabeça além do cenário imediato da eleição começam a botar na mesa duas alternativas:
  • apoiar Marina, em troca de cargos numa possível futura administração, já que programas são semelhantes; 
  • ou pensar menos no curto prazo e votar em Dilma para evitar vitória de Marina e assim manter o PSDB como principal partido de oposição e tentar uma vitória em 2018 com um candidato mais preparado.

Os que pensam em apoiar Dilma não irão fazê-lo em público declarando voto na candidata petista, o que seria suicídio. Mas, na prática, devem liberar e estimular o voto nela. Ou nulo.

Os que pensam desse modo usam como argumento o moribundo DEM, que já foi "o maior partido do ocidente", quando era a ARENA da ditadura, e depois transformou-se no PDS, dividiu-se e virou PFL, que optou por ser uma costela do PSDB, virou DEM, e agora ninguém o chama nem para formar chapa em sindicato dos lançadores de anões. O mesmo pode acontecer com o PSDB se aderir a Marina, pensam esses tucanos.

Já a outra corrente tucana, pragmática, imediatista, prefere negociar apoio a Marina. Eles julgam que ela não tem capacidade nem equipe para governar o Brasil. E os que estão com ela vieram do ninho tucano. Portanto, Marina, na prática, apenas choca os ovos que darão vida e poder a eles.

Os primeiros têm como certa a vitória de Dilma e querem marcar posição como principal partido de oposição ao governo.

Os outros acham que "fundido, fundido e meio". Marinamente, ora acham que ela pode ganhar, dora acham que não... Diferentemente dos mineiros, esses tucanos não são solidários nem no câncer, e querem o poder a todo custo, ainda que seja em ninho alheio, como o chupim. Se Marina perder, adaptam FHC e lançam um "esqueçam quem eu apoiei", voltam a criticá-la e a apoiar Serra.

Fato é que a História está aí para mostrar que os que tomam decisões medíocres têm destino à altura.

OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Duas tartarugas podem definir vitória de Dilma ainda no primeiro turno


Aécio e Marina. Ou vice-versa

Todo mundo conhece a história do indeciso que recebeu como missão tomar conta de duas tartarugas. Ora ele corria para uma. Ora para outra. Acabou deixando as duas fugirem.

O mesmo está acontecendo na corrida presidencial. A oposição segue indefinida entre Aécio e Marina. Foi Aécio. Depois Marina. Novamente Aécio, quando Marina passou o tucano. E agora novamente Marina, quando Aécio parece caso perdido.

Enquanto isso, Dilma dispara na frente e pode até vencer no primeiro turno.

OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quatro tuiteiros escrevem ao Blog do Mello sobre o processo movido por Aécio Neves contra 66 de nós




Publico a seguir depoimentos de quatro dos tuiteiros processados pelo candidato do PSDB à Presidência da República Aécio Neves. O meu publiquei aqui: Processo de Aécio contra 'tuiteiros' é pura incompetência, desprezo à liberdade de expressão e até possível vendetta.

O Blog está aberto a outros dos 66 que queiram dar seu depoimento. Basta enviá-lo a meu e-mail, que vou atualizando a postagem. 


@turquim5

É com muita surpresa e indignação que repudio a volta da censura no Brasil, uma vez que discordo totalmente do que é alegado sobre o meu perfil, @turquim5, no Processo nº 1081839-36.2014.8.26.0100.

Informo ainda que já constitui advogado e este me representará, no sentido de exigir que as alegações caluniosas sejam comprovadas, o que eu tenho convicção de ser impossível, uma vez que são MENTIROSAS e, portanto, iremos atrás da justiça para que caibam as punições a quem, de alguma forma, quer me calar a todo e qualquer preço, inclusive passando por cima dos direitos e garantias fundamentais que são assegurados pela Constituição deste país.

Venho frisar que utilizo a rede social Twitter porque a entendo no sentindo amplo de rede social, que permite a explanação de meus ideias, o compartilhamento deles para com quem quer que seja e a interação de quem se identifica com ele. Estou na rede há mais de 5 anos,  sempre fazendo amizades e retuitando tudo que julgava conveniente, do mesmo modo que todos que estão na rede o fazem. Ratifico aqui, que nunca houve a utilização da rede com MÁ-FÉ ou intuito de prejudicar quem quer que seja. Comento sobre política sim, porque sou livre para fazê-lo. Todavia, como é de fácil verificação, comento sobre futebol, Olimpíadas, Copa do Mundo, esportes em geral e até sobre o clima me permito comentar. O Ministro Luis Roberto Barroso, durante o seminário “Justiça e Imprensa — Temas e Propostas”, discorreu sobre o tratamento da imprensa a pessoas públicas: “Quem aceita ter uma vida pública, fica exposto a todo o tipo de crítica e tem que conviver com isso com serenidade e grandeza.”
 
Jamais utilizei meu perfil para  caluniar o Senador Aécio Neves, o que eu faço é apenas comentar o que já é largamente disseminado na internet como um todo. Tudo o que eu falo, alguém na grande mídia já falou antes, como pode-se verificar no vídeo  do apresentador Danilo Gentili, visualizado por milhares de vezes no youtube . Tudo o que tuíto, eu cito fontes. Não me permito ser leviano com meus seguidores e jamais persegui a uma pessoa no singular. O que eu faço é defender o governo que me identifico, e isso me é permitido em um Estado Democrático de Direito. Já se passaram várias oposições desde que entrei na rede e nunca mudei meu comportamento por ser o opositor x ou y. Costumo informar a fonte daquilo que estou comentando, mesmo que isso não seja obrigação nenhuma minha.

Quanto às acusações, no mínimo cômicas, de que eu seria um robô ou de que receberia qualquer coisa em troca de minha militância, desafio qualquer pessoa a provar que eu ganho algo ou que algum dia já ganhei em troca do que tuíto e/ou discurso na minha vida pessoal.

Eu milito desde os 14 anos e nunca mudei de lado. Tenho convicção de que mereço, no mínimo, respeito.

Solicito, diante do exposto, que o Twitter Brasil mantenha minha conta ativa até que alguma autoridade judicial decida pelo contrário, sob pena de estar me cerceando ao censurar meus direitos e garantias fundamentais e, concomitantemente, de todos os meus 12 mil seguidores, que, de alguma forma, se sentem oprimidos toda vez que tentam me calar.

Por fim, desejo que se esclareça que defendo Lula e Dilma porque não penso só em mim, mas sim no Brasil como um todo, que tanto progrediu e poderá se beneficiar ainda mais, caso continue nas mãos certas.

Forte abraço!
@turquim5


@rbene

No domingo à tarde, soube que o candidato Aécio Neves resolveu mover uma ação contra o Twitter para revelar as identidades de 66 tuiteiros, entre eles eu (@rbene). Seus advogados alegam que faço parte de uma “rede virtual de disseminação de mentiras e ofensas” contra ele, “o que sugere uma atuação orquestrada, quiçá paga, para detrair sua honra, nome e história”.

Acho estranha essa ação, considerando que até então tinha pouco mais de mil seguidores no Twitter (em dois dias, ganhei outros 200, com a repercussão do caso). Acho mais estranha ainda porque trata-se de um pleiteante à presidência da República, que no meu entender deveria lidar melhor com críticas. Se houve calúnia ou difamação de minha parte, e ela for comprovada pela Justiça, estou pronto para repará-la, pedindo desculpas e o que mais os doutos entenderem que devo. Havendo ou não, eu gostaria das desculpas do Sr. Aécio Neves também. Me fere o trecho em que sugere que minha atuação naquela rede pode ter sido “paga”. Nunca me filiei a qualquer partido, nunca recebi um centavo que fosse de qualquer político ou intermediário.

Pelo contrário, sempre achei que chegava a ser tímida a minha atuação no debate político do meu país, considerando as posturas de alguns colegas professores que muito admiro. E de repente sou citado numa ação por um candidato que constantemente é acusado de cercear a liberdade de expressão de jornalistas em seu estado de origem. A iniciativa judicial é também um meio de inibir a ação de quem quer tão somente se expressar. Sei muito bem a diferença entre uma opinião negativa e uma difamação. Mas, claro, é um juiz que vai estabelecer isto.

Lamento muito que agora deva “me ocupar de uma defesa”, quando é a liberdade de opinião que está sob ataque. Não me refiro apenas ao candidato, mas também à maioria dos meios de comunicação de massa que insistem em fingir equilíbrio na cobertura política, quando na verdade são tendenciosos como tantas vezes atores de internet revelaram – no caso mais recente, pesquisadores do IESP-Uerj com o seu Manchetômetro.

Segue o jogo. Continuarei me expressando da forma que achar melhor. Sou um professor e preciso fazer isso por dever de ofício. Também porque confio que meus alunos (mesmo os eleitores de Aécio) compreendem o quanto esta postura é importante para a cidadania.


@seontasa

Sou o número 61 da Lista dos Twitteiros que Aécio deseja calar.

Não sou um robô. Tampouco fake. Meu twitter é @seontasa porque peguei as duas últimas letras de cada palavra do MEU NOME e juntei. (SE+ON+TA+SA).

Tenho 55 anos e aposentei-me em 2012, depois de 35 anos de serviço na CAIXA, onde lutei anos a fio contra o desejo privatista do Governo FHC. Não quero que este sofrimento se repita. 

Sou, hoje,  um pequeno empreendedor da Construção Civil.

Quando estou disponível, GRITO em defesa do que acredito. Minha arma é meu LIVRE PENSAR e o teclado do meu computador.

O Twitter é minha voz. As pessoas a quem sigo e as que seguem a mim, são as ondas que irradiam meu grito. (Obrigado, seguidores!)

A acusação que recai sobre mim e sobre os outros 65 é que formamos uma REDE. Que compartilhamos links em uma REDE. Incrível, não?

E Isto, é fato!

Ao que parece, somos melhores que a Marina, que não conseguiu montar sua REDE.
Ora, o que é o Twitter? Não seria uma R E D E? Posso compartilhar meus pensamentos e links fora da REDE? É proibido participar do Twitter?

Não quero me calar! Não vou me calar! Não vou permitir que calem a mim!.

Temos que reagir conjuntamente!

@ReginaSalomo

Eu sou um dos 66 tuiteiros que os advogados do Aécio Neves identificaram que ... tuítam.Uso o tweetdeck, posto regularmente, dou RT nos posts de que gosto, curto outros, comento alguns,quando tenho tempo até declaro o meu afeto,posto versos,posto músicas. Sou também um dos 66 tuiteiros que os advogados do Aécio Neves não foram capazes de identificar como militantes, preferindo enquadrá-los como robôs pagos para difamar o Aécio.

Difamados fomos nós, os militantes,de quem foram retiradas a ideologia que defendemos e a vontade política que nos move para sermos caracterizados como robôs. Difamados fomos nós, os militantes,a quem se negou a prática voluntária da defesa de nossos candidatos para nos impingir uma pretensa remuneração. Difamados fomos nós, os militantes, a quem nos confundiram com 66 dos 9000 robôs publicamente contratados para atuar na rede pelas candidaturas tucanas.

Mais do que difamados, fomos também ultrajados por essa tentativa de censurar o nosso direito da livre expressão. Esse país,que lutou tanto para garantir a liberdade na diversidade e o respeito na divergência;esse país,que lutou para garantir o direito da crítica e o fim da censura,não pode permitir que se autorize a intimidação de seus cidadãos.

Somos pessoas sérias e não estamos brincando de falar mal do Aécio. Não se inventaram fatos: divulgou-se o que a mídia tem publicado. Por horror ao moralismo,por repúdio à invasão de privacidade,eu não me referi a notícias – e até poderia,pois elas foram fartamente veiculadas e insinuadas pela mídia – sobre a vida do candidato. Por outro lado, como mineira,sou testemunha das gestões do candidato e me senti na obrigação responsável de torná-las públicas.

A falta de prática do Aécio de ter críticas às suas gestões e à publicização de fatos a ela relacionados – eu,mineira,tomei conhecimento dos aeroportos,por exemplo,junto com todo o povo brasileiro- o tornou muito sensível à ocorrência absolutamente normal, em governos democráticos, da crítica e da divergência. Seu costume de atuar por constrangimento e intimidação com quem o critica publicamente – Carone, a blogueira, os processos para retirada de links na internet,etc,etc,etc – o levou novamente a agir por hábito e atiçar os advogados sobre nós.

Minha militância de mais de 35 anos me ensinou que sempre precisaremos de simbólicos 66 para se garantir os direitos de milhões. Então,sou a 59ª que aqui está para berrar,indignada,contra a censura e contra a intimidação e para defender, entusiasmada, o direito de livremente opinar, de ser divergente, de criticar, e de militar pelas causas em que se acredita.




OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Quadro comparativo do Brasil de 2002 com o de 2013, em todas as áreas. Informe-se para votar consciente




Com este quadro você vai ter argumentos baseados em dados, com fontes seguras e oficiais (especificadas ao final), para conversar com amigos e familiares e assim conseguir fazer uma comparação entre os governos Lula e Dilma e os anteriores, que as candidaturas Marina e Aécio querem trazer de volta.

É isso que está em jogo: a continuidade do governo de mudanças Lula-Dilma ou a volta ao passado. Compare.

O BRASIL REAL - DE 2002 A 2013

Por Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. Fonte: Pátria Latina


1. Produto Interno Bruto: 
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões

2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil

3. Dívida líquida do setor público: 
2002 – 60% do PIB
2013 – 34% do PIB

4. Lucro do BNDES:
2002 – R$ 550 milhões
2013 – R$ 8,15 bilhões

5. Lucro do Banco do Brasil: 
2002 – R$ 2 bilhões
2013 – R$ 15,8 bilhões

6. Lucro da Caixa Econômica Federal:
2002 – R$ 1,1 bilhões
2013 – R$ 6,7 bilhões

7. Produção de veículos: 
2002 – 1,8 milhões
2013 – 3,7 milhões

8. Safra Agrícola: 
2002 – 97 milhões de toneladas
2013 – 188 milhões de toneladas

9. Investimento Estrangeiro Direto: 
2002 – 16,6 bilhões de dólares
2013 – 64 bilhões de dólares

10. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares

11. Índice Bovespa: 
2002 – 11.268 pontos
2013 – 51.507 pontos

12. Empregos Gerados: 
Governo FHC – 627 mil/ano
Governos Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano

13. Taxa de Desemprego: 
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%

14. Valor de Mercado da Petrobras: 
2002 – R$ 15,5 bilhões
2014 – R$ 104,9 bilhões

15. Lucro médio da Petrobras: 
Governo FHC – R$ 4,2 bilhões/ano
Governos Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano

16. Falências Requeridas em Média/ano: 
Governo FHC – 25.587
Governos Lula e Dilma – 5.795

17. Salário Mínimo: 
2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)

18. Dívida Externa em Relação às Reservas:
2002 – 557%
2014 – 81%

19. Posição entre as Economias do Mundo:
2002 - 13ª
2014 - 7ª

20. PROUNI – 1,2 milhões de bolsas

21. Salário Mínimo Convertido em Dólares:
2002 – 86,21
2014 – 305,00

22. Passagens Aéreas Vendidas:
2002 – 33 milhões
2013 – 100 milhões

23. Exportações:
2002 – 60,3 bilhões de dólares
2013 – 242 bilhões de dólares

24. Inflação Anual Média:
Governo FHC – 9,1%
Governos Lula e Dilma – 5,8%

25. PRONATEC – 6 Milhões de pessoas

26. Taxa Selic:
2002 – 18,9%
2012 – 8,5%

27. FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário

28. Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas

29. Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas

30. Capacidade Energética: 
2001 - 74.800 MW
2013 - 122.900 MW

31. Criação de 6.427 creches

32. Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados

33. Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos profissionais): 50 milhões de beneficiados

34. Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza

35. Criação de Universidades Federais: 
Governos Lula e Dilma - 18
Governo FHC - zero

36. Criação de Escolas Técnicas:
Governos Lula e Dilma - 214
Governo FHC - 11
De 1500 até 1994 - 140

37. Desigualdade Social: 
Governo FHC - Queda de 2,2%
Governo PT - Queda de 11,4%

38. Produtividade: 
Governo FHC - Aumento de 0,3%
Governos Lula e Dilma - Aumento de 13,2%

39. Taxa de Pobreza:
2002 - 34%
2012 - 15%

40. Taxa de Extrema Pobreza:
2003 - 15%
2012 - 5,2%

41. Índice de Desenvolvimento Humano:
2000 - 0,669
2005 - 0,699
2012 - 0,730

42. Mortalidade Infantil:
2002 - 25,3 em 1000 nascidos vivos
2012 - 12,9 em 1000 nascidos vivos

43. Gastos Públicos em Saúde:
2002 - R$ 28 bilhões
2013 - R$ 106 bilhões

44. Gastos Públicos em Educação:
2002 - R$ 17 bilhões
2013 - R$ 94 bilhões

45. Estudantes no Ensino Superior: 
2003 - 583.800
2012 - 1.087.400

46. Risco Brasil (IPEA):
2002 - 1.446
2013 - 224

47. Operações da Polícia Federal:
Governo FHC - 48
Governo PT - 1.273 (15 mil presos)

48. Varas da Justiça Federal:
2003 - 100
2010 - 513

49. 38 milhões de pessoas ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)

50. 42 milhões de pessoas saíram da miséria

FONTES:
47/48 - http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
39/40 - http://www.washingtonpost.com
42 - OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU
37 - índice de GINI: www.ipeadata.gov.br
45 - Ministério da Educação
13 - IBGE
26 - Banco Mundial

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ao estilo do 'jornalismo investigativo' de Veja, reportagem completa sobre as Confissões de Civita: "Serra é o chefe de tudo"




(O Blog diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado por nossa equipe, que atravessou a Dutra numa Kombi comprada com o Bolsa-Twitter, Civita não foi encontrado, não quis dar entrevista, mas não desmentiu nada. A maior parte desta reportagem foi copiada da própria Veja, trocando apenas os nomes das pessoas para dar veracidade às informações) Obs:Tudo aconteceu há dois anos, quando Civita ainda estava vivo, pois esta é uma reportagem mãe dinah, mas não chico xavier...

Os segredos do tucanoduto. Civita acusa: 'Serra me usou como um boy de luxo. Mas agora vai todo mundo para o ralo'


Faltavam catorze minutos para as 2 da tarde da última sexta-feira quando o empresário Roberto Civita, presidente da revista Veja e do Grupo Abril, parou seu carro em frente a um bar, em São Paulo. Responsável pelas mais infames acusações aos governos dos presidentes Lula e Dilma, ele tem cumprido religiosamente a tarefa de ir até esse modesto bar numa região pobre da grande São Paulo. Desce do carro, vai até o balcão e é servido com sua bebida preferida, que sorve numa talagada. Chega mais cedo para evitar ser visto pelos outros bebuns e vai embora depressa, cabisbaixo. "O PSDB me transformou em bandido”, desabafa. Civita sabe que essa rotina em breve será interrompida. Ele não tem um átimo de dúvida sobre seu futuro.


Nessa mesma sexta, Civita havia organizado em mega-encontro, com mais de mil empresários do Brasil e do exterior.  Chamou o ilustre economista Paul Krugman e também o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Ambos confirmaram presença. Mas, em cima da hora, a presidente arranjou uma desculpa para não comparecer e o ministro abandonou a mesa de debates, sem dar satisfações. "Ali, foi selado meu destino" - acredita Civita.

Pessoas próximas ao empresário afirmam que Civita teria responsabilizado o candidato tucano à prefeitura de São Paulo, José Serra, pelo vexame que deu em público. Meneando a cabeça, ele saiu exclamando para quem quisesse ouvir: “Eu avisei ao Serra que ia dar merda! Eu avisei!”.

Apontado como o responsável pela engenharia que possibilitou ao PSDB e até recentemente ao DEM montar o maior esquema de espionagem, baixaria e calúnia da história, Civita enfrenta um dilema. Nos últimos dias, ele confidenciou a pessoas próximas detalhes do pacto que havia firmado com os tucanos. Para proteger os figurões, conta que assumiu a responsabilidade de cometer crimes que não praticou sozinho, mas com a ajuda de Carlinhos Cachoeira e seu grupo de arapongas, que faziam as “reportagens investigativas” de Veja, para defender interesses dos demo-tucanos. Civita manteve em segredo histórias comprometedoras que testemunhou quando era o "predileto" do poder, relacionadas à privataria e aos escândalos da área de saúde do governo FHC, comandada por José Serra. Em troca do silêncio, recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema teve suas entranhas expostas pela Policia Federal, de que nada aconteceria a ele nem a Demóstenes Torres. Com a queda de Demóstenes, logo após a prisão de Cachoeira, além de ter a equipe da revista desfalcada, Civita tentou um último subterfúgio para não naufragar: mandou fazer uma capa de destaque com a presidente Dilma.

Serra ficou enfurecido e o ameaçou. "Ele disse que abriria o jogo e mostraria que por trás de Carlinhos Cachoeira estava Policarpo, e por trás de Policarpo, eu".

Civita guarda segredos tão estarrecedores sobre o tucanoduto que não consegue mais reter só para si — mesmo que agora, desiludido com a falsa promessa de ajuda dos poderosos que ele ajudou, tenha um crescente temor de que eles possam se vingar dele de forma ainda mais cruel. Os segredos de Civita, se revelados, põem o ex-presidente FHC e José Serra no epicentro do maior escândalo de corrupção da história, a privataria tucana. Puxado o fio da meada, vêm juntos o caso Banestado, o Proer, a venda da Vale, o Fonte Cindam, a lista de Furnas. Sim, e, no comando das operações, Serra. Sim. Serra, que, fiel a seu estilo, fez de tudo para não se contagiar com a podridão à sua volta, mesmo que isso significasse a morte moral e política de companheiros diletos. Civita teme, e fala a pessoas próximas, que se contar tudo o que sabe estará assinando a pior de todas as sentenças — a de sua morte: "Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje".


(continue lendo a reportagem completa aqui: http://blogdomello.blogspot.com.br/2012/09/os-segredos-do-tucanoduto-e-sua-relacao.html)





OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Processo de Aécio contra 'tuiteiros' é pura incompetência, desprezo à liberdade de expressão e até possível vendetta


Eu, robô

O candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) acionou o Twitter na Justiça de São Paulo para descobrir dados cadastrais e registro eletrônico de 66 usuários da rede social apontados como supostos integrantes de uma "rede virtual de disseminação de mentiras e ofensas". Na ação, o tucano sugere que os usuários seriam pagos para compartilhar ataques e usariam robôs para publicar conteúdo negativo sobre ele.[Fonte: R7]

Entre os acusados, este "robô" que vos escreve há nove anos este blog, que, em 2008, em votação livre e auditada pela internet, ficou em sétimo lugar entre os melhores blogs políticos do Brasil:

1. Nassif
2. Mino
3. Dirceu
4. Reinaldo
5. Azenha
6. Cidadania
7. Mello
8. Amigos do Presidente Lula
9. Desabafo País
10. Rovai
Daí vem o primeiro tópico do título desta postagem, a incompetência de Aécio e sua tropa de advogados. Incompetência dupla. Porque seria facílimo perceber que não sou um robô. E, pior, no período de 29 de maio a 25 de agosto (a ação foi proposta no dia 26) o robozinho aqui deu umas 30 tuitadas aproximadamente (que robozinho preguiçoso!... É tipo aecinho...). Destas, apenas uma se referia ao pobrezinho, e vai reproduzida a seguir:


Será que na verdadeira tropa de advogados do candidato não tinha unzim pra pedir a um estagiarim pra dar juma olhada nos 66 tuiteiros ou robôs a modi identificá quem é quem?

Desprezo à liberdade de expressão é evidente. Se, ainda candidato, ele se comporta assim, imagina se chegasse à Presidência... Iria transformar o Brasil numa grande e silenciosa Minas, sob censura nos seus governos, como denuncia Altamiro Borges (outro robô (kkk) acusado):

“O Aécio vive posando por aí de defensor da liberdade de expressão. Diz diante dos holofotes que a regulamentação dos meios é censura”.
“Só que todo mundo sabe que ele um grande censor. É só acompanhar a história da imprensa em Minas Gerais. É uma imprensa totalmente controlada por ele e pela irmã Andrea Neves. Os jornalistas têm a cabeça pedida por telefonema”.
“O Aécio é um oligarca de Minas. Um senhor de escravos de Minas.O processo contra os 66 tuiteiros retrata o jeito truculento de Aécio agir. Comprova que ele é um grande censor”.
“O Aécio não aceita críticas. Ele gosta muito da companhia da midiazona que não foi atrás dos ‘aecipoportos’, por exemplo. Ele detesta que fiquem lembrando dos aecioportos”.
“Outro motivo para estar nervosinho, esperneando, são as pesquisas eleitorais. Ele, que achava que iria o segundo turno, está correndo o risco de perder até em Minas Gerais” [Fonte: Viomundo]

A possível vendetta me veio a partir de um raciocínio. Eu me perguntava a troco de que, a essa altura do campeonato, eleição praticamente perdida, quando candidatos nessa situação buscam uma saída honrosa, Aécio proporia uma ação como essas, que só o levaria do nada a lugar algum.

Aí me lembrei que ele não é muito chegado ao trabalho, nada aprovou no Senado, e mesmo quando governador de Minas vivia no Rio (o que repete como senador). Veio à minha cabeça, então, que essa poderia ser uma ação interna, de gente da campanha.

Foi quando me lembrei de um editor da Veja que saiu da revista para a campanha de Aécio, que recebeu uma crítica forte do Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, que já foi homem forte lá na Abril, e que também está na lista dos tuiteiros robôs (kkk).

O jornalista Otávio Cabral, editor executivo da Veja, deixou a revista para se juntar à campanha de Aécio Neves.
A pergunta que emerge é: quando, em outros tempos, um editor executivo deixaria a Veja para fazer uma campanha que, muito provavelmente, vai terminar em lágrimas?
Isso quer dizer: a não ser que ocorra uma surpresa espetacular, e nada até aqui sugere que possa ocorrer, Cabral arrumou um emprego de cinco meses.
É a morte da perspectiva de carreira na Veja e, de um modo geral, na mídia impressa.
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Cabral provavelmente mudará de ramo. Primeiro, porque a mídia em que é especializado é moribunda.
Segundo, porque ele se queimou consideravelmente ao fazer o serviço sujo para a Veja contra Dirceu, de quem ele escreveu uma infame biografia que se celebrizou pelo copioso número de equívocos.
Cabral estará para sempre associado ao desvario editorial da Veja dos últimos anos. É o final de linha de uma trajetória pouco edificante no jornalismo.
(...)Quem pode sair sai da Veja e da Abril – nem que seja, como aconteceu com Cabral, para pegar uma emprego de cinco meses para cuidar de um cavalo em quem ninguém aposta.{Fonte:DCM]
Terá o ex-editor de Veja assumido a imagem de Aécio como cavalo, aproveitado para cavalgar seu ressentimento pelas palavras de Paulo Nogueira e, através do processo, promover sua vendetta particolare?...

Para encerrar, republico trecho da nota da coligação do candidato perdido, onde se lê que "Por equívoco, foram incluídos na lista perfis reais, cuja atuação não se confunde com  as ações criminosas que estão sendo identificadas. Esses nomes serão excluídos da ação, uma vez que manifestação de opinião não se confunde com ações ilegais de calúnia e difamação".

Dezenas de milhões de reais investidos numa campanha e eles movem um processo, em nome do candidato, com "equívocos" desse tamanho... É muita incompetência junta para tentar vencer uma eleição presidencial, não?

Recado para o candidato: Senhor Aécio, quem se preocupa com a imagem que outros tentam construir a seu respeito, deve, antes e primordialmente, cuidar de sua própria imagem. Seu jeito cambaleante no Bar Cervantes do Rio de Janeiro e na entrevista ao Estadão, em que se portava como um joão bobo rodopiando, não causam boa impressão em ninguém. Aja de modo a não precisar fugir do bafômetro também durante a eleição.

Alias, não seria bom se tivéssemos exames antidoping para candidatos?


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Afinal, qual o poder de voto dos evangélicos? Ou: Se Malafaia é tão poderoso porque seu candidato tem apenas 1%?




Bastaram quatro tuitadas de um pastor histriônico no Twitter para a candidata Marina Silva (PSB, enquanto não consegue armar sua Rede) mudar seu programa de governo no aspecto relativo a direitos LGBT.

Muitos também se rendem, por causa do tal poderio dos evangélicos, esse grupo que parece palheta de inúmeras cores mas, dizem, vota em bloco e abarcaria imenso poder de voto.  

Segundo o Censo 2010 do IBGE, os que se dizem evangélicos são 42,3 milhões de fiéis, ou 22,2% da população. A Igreja Católica fica com uma quantidade quase três vezes maior, 64.6%.

Segundo afirmação desses pastores - o histriônico Malafaia à frente -, o candidato do "povo evangélico" para a presidência da República este ano é também um outro pastor, o Everaldo.

No entanto, segundo pesquisas do Ibope e do Datafolha publicadas ontem, o pastor tem apenas 1% das intenções de voto.

Afinal, qual o verdadeiro poder de voto dos evangélicos?

Se todos os que assim se confessam estiverem em idade de votar e o fizerem, 22,2%. Então, por que o Everaldo tem apenas 1%? Explica aí, Malafaia.

Na verdade, o voto dos evangélicos parece se direcionar aos proporcionais, antes que aos majoritários. É aí que eles concentram suas forças. Tanto que o número de pastores candidatos à Câmara dos Deputados "subiu de 193, em 2010, para 270 neste pleito, um aumento de 40%. Como termo de comparação, somente 16 padres católicos são candidatos em todo o País. A bancada evangélica projeta um crescimento de 30%, podendo chegar a 95 deputados federais e senadores. Atualmente, ela conta com 73 congressistas, de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar". [Fonte].


É com esse poder de voto não nas urnas para os majoritários mas no Congresso para dobrá-los e colocar os avanços do país de joelhos, que contam os evangélicos. Para isso valem-se de um poder que cresce isento de impostos e que se apresenta de bolsos bem abertos para os dízimos dos fieis. Dízimos que são injetados nas campanhas a fim de eleger um número cada vez maior de evangélicos...

Parafraseando um dito popular: Dízimo a quem doas que dir-te-ei quem és.


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Importado pela equipe de Marina, desembarca no Brasil o responsável pela ideia do confisco do Plano Collor




Chegou ao Brasil o economista André Lara Resende, que, segundo o ex-presidente Fernando Collor, foi quem primeiro lhe apresentou a ideia de um confisco para "enxugar" o mercado. A informação é de Luis Nassif, que a obteve do ex-presidente, numa entrevista pelos 15 anos do Plano Collor, publicada na Folha [grifo meu]:

A decisão do bloqueio de cruzados foi tomada em uma reunião na casa do ex-ministro Mário Henrique Simonsen, presentes Collor, Simonsen e os economistas Daniel Dantas e André Lara Resende, recorda-se ele.

A conversa sempre esbarrava na questão da liquidez. André era mais falante, Dantas, mais quieto, Simonsen observava. Lá pelas tantas, Lara Resende foi ao ponto:
"Presidente, sem conter drasticamente a liquidez, não haverá como resolver esse problema
!".


(...) No primeiro dia de governo, o presidente Fernando Collor decretava o bloqueio de todos os depósitos que excedessem NCz$ 50 mil (cruzados novos), da conta corrente à poupança. Foi além: impôs um IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) de 15% sobre todos os ativos não-financeiros, como ouro e ações.

Os prejuízos aos brasileiros não ficaram restritos àquela época. Hoje, quase 25 anos após o confisco, o país tem 900 mil ações na Justiça para resgatar R$ 50 bilhões dos bancos. Se a Justiça reconhecer esse direito, os R$ 50 bi que os bancos terão que desembolsar podem desestabilizar o sistema financeiro nacional, segundo avaliação do governo.

Economistas do perfil de Lara Resende (em geral, ligados ao tucanato e à equipe de FHC, de que Lara Resende foi um dos membros) têm reclamado da liquidez, do que consideram salário mínimo elevado e desemprego baixo. Isso favoreceria a inflação. Tanto do lado de Marina quanto do de Aécio, querem arrochar, segurar salários e aumentar o desemprego para "desaquecer" a economia.

A pergunta que muitos já se fazem é: Será que, junto ao Banco Central independente (defendido pelo programa de governo de Marina), virá mais um confisco por aí, caso Marina se eleja?


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Serra não é pai dos genéricos nem do programa anti-AIDS. Mas foi uma mãe para Vampiros e Sanguessugas



José Serra diz que é economista. No entanto, ninguém sabe em que faculdade ele teria obtido o diploma. O conselho de classe não o reconhece.

José Serra diz que é engenheiro. Idem item anterior.

José Serra diz que é o pai do programa dos medicamentos genéricos. É mentira. O decreto 793 que criou os genéricos foi assinado em 5 de abril de 1993, no governo do presidente Itamar Franco, pelo então presidente e seu ministro da Saúde, Jamil Haddad [confira decreto aqui].

José Serra diz que criou o programa de combate à AIDS brasileiro, que é exemplo para o mundo todo. É mentira. Reportagem da melhor jornalista especializada em medicina no Brasil, Conceição Lemes, publicada no Viomundo historia o programa [repare que o nome de Serra só aparece no último parágrafo, em 1998, quando os primeiros passos do programa são de 15 anos antes]:

1983. É implantado no Estado de São Paulo o primeiro programa de controle da aids no Brasil.  O seu coordenador era o dermatologista Paulo Roberto Teixeira Leite. Na sequência, é criado o programa no Estado do Rio de Janeiro. Começa também a organização do embrião do Programa de Aids do Ministério da Saúde.
1984. O Programa de Aids do Ministério da Saúde surge no âmbito da Divisão de Dermatologia Sanitária, que tinha como chefe a dermatologista Maria Leide de Santana. José Sarney era o presidente da República e Carlos Santana, ministro da Saúde. Nessa época, chegam ao programa Lair Guerra de Macedo Rodrigues (bióloga), Pedro Chequer (médico epidemiologista e sanitarista), Euclides Castilho (médico epidemiologista), Luís  Loures (clínico geral, na época), Celso Ferreira Ramos-Filho (infectologista), entre outros grandes nomes.
 “A Lair manteve diálogo constante com o Paulo Teixeira”, frisa Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que, desde as primeiras reuniões, participou do Programa Nacional de Aids. “A Lair sempre o chamou para essas reuniões.”
1986. O ministro da Saúde, Roberto Santos, cria oficialmente o PN-DST/Aids no governo do presidente José Sarney.  Em 1985, porém, alguns dos seus núcleos já funcionavam.
1991. Começa a distribuição gratuita do AZT (único antirretroviral disponível) e de alguns medicamentos para infecções oportunistas. Foi Lair Guerra de Macedo que, numa das viagens ao exterior, trouxe escondidas na bagagem as primeiras caixas de AZT que chegaram ao Brasil.
1992. O atendimento é ampliado. O Ministério da Saúde inclui os procedimentos para tratamento da aids na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).  O cardiologista e professor Adib Jatene, considerado um dos maiores cirurgiões cardíacos do país, assume o Ministério da Saúde, colocando Lair na coordenação-geral do PN-DST/Aids. Fernando Collor de Mello era o presidente da República.
“A eficiência com que Lair comandou o setor trouxe as primeiras perspectivas otimistas sobre o controle da doença”, observa Jatene. “Foi sua capacidade de propor, sua coragem de defender e sua eficiência em executar que nos colocaram na direção correta, consolidada por tantos que, com competência e dedicação,mantiveram as ações em crescendo, garantindo, em área tão sensível, o reconhecimento de uma liderança que partiu de Lair.”
Mariângela Simão faz coro: “A doutora Lair foi a pioneira. Foi quem colocou – e com sucesso! — a aids na agenda política do governo”.
Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo, acrescenta: “O professor Jatene também foi fundamental. Se ele não tivesse a visão estratégica de que o Brasil tinha que produzir os próprios antirretrovirais, não se teria garantido o acesso universal ao tratamento antiaids. Foi dele a decisão política de fabricar no País o AZT e o ddI [didanosina, outro antirretroviral] ”.
1993. O AZT começa a ser produzido no Brasil.
 1995.  Em janeiro, o professor Adib Jatene assume o Ministério da Saúde pela segunda vez. Moderniza o PN-DST/Aids, dando-lhe novo rumo e capacidade econômico-gerencial. Permanece até novembro de 1996. Nesse período, são dados três passos vitais: apoio aos projetos das ONGs ligadas à área de prevenção e tratamento de HIV/aids; as primeiras recomendações para utilização dos “coquetéis” antirretrovirais; decisão de comprar os inibidores da protease, a nova família de drogas anti-HIV, que começava a ser comercializada.
“Em março de 1995, editamos a portaria ministerial regulamentando a compra e a distribuição de medicamentos para HIV/aids, para garantir acesso gratuito ao tratamento”, relembra Jatene.  “Em 1996, convocamos uma reunião em Brasília com 60 infectologistas para debater qual seria a atitude mais adequada do Ministério da Saúde em relação ao ‘coquetel’. Ele já existia, era capaz de controlar os sintomas e permitir sobrevida longa aos pacientes com aids, permitindo que mantivessem suas atividades profissionais. A recomendação foi de que fornecêssemos os antirretrovirais a todos os pacientes com aids.”
Pela primeira vez no mundo, essa proposta era apresentada. Sensibilizado com o problema, o senador José Sarney, então presidente do Senado, apresentou e conseguiu aprovar contra a opinião de alguns setores do governo (do presidente Fernando Henrique Cardoso), a Lei 9313 de 1996.
“Com a Lei Sarney, o Ministério da Saúde ficou legalmente autorizado a disponibilizar gratuitamente os antirretrovirais”, continua Jatene. “O Brasil se tornou o primeiro país a abordar a aids não apenas nos aspectos educativo e preventivo, mas também ao oferecer o tratamento mais eficaz de forma universal e gratuita.”
Mário Scheffer reforça: “Sem a Lei Sarney a distribuição gratuita e universal dos antirretrovirais não teria se tornado política de Estado, realidade até hoje”.
1998. Em 31 de março, José Serra assume o Ministério da Saúde. O PN-DST/Aids existia, o acesso universal ao tratamento antiaids era real e alguns antirretrovirais já estavam sendo fabricados no Brasil.[Fonte]
Mas José Serra não ficou de braços cruzados no ministério da Saúde. Não podemos negar suas realizações, sem cometer uma injustiça. Vamos a ela.

Foi durante a gestão de José Serra que teve início o que viria a se tornar conhecido como o Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia dos sanguessugas ou máfia das ambulâncias.

O esquema funcionava tão bem, que o principal beneficiado por ele, o dono da Planan, Luiz Vedoin, queria Serra presidente em 2002:

"A quadrilha dos sanguessugas começou a funcionar em 2000, segundo a Polícia Federal.
Serra foi questionado sobre a declaração de Luiz Vedoin, um dos donos da Planam, de que torcia pela vitória do tucano na eleição presidencial de 2002. A Planam forneceu ambulâncias superfaturadas a prefeituras por meio de emendas feitas por parlamentares. Vedoin disse que os pagamentos pelas ambulâncias nunca atrasavam no governo FHC e que, por isso, queria que Serra fosse eleito presidente."

"A quadrilha dos sanguessugas começou a funcionar em 2000 [Serra ministro], segundo a Polícia Federal.
Serra foi questionado sobre a declaração de Luiz Vedoin, um dos donos da Planam, de que torcia pela vitória do tucano na eleição presidencial de 2002. A Planam forneceu ambulâncias superfaturadas a prefeituras por meio de emendas feitas por parlamentares. Vedoin disse que os pagamentos pelas ambulâncias nunca atrasavam no governo FHC e que, por isso, queria que Serra fosse eleito presidente." [Fonte: Folha]
Também durante a gestão de Serra à frente do ministério da Saúde funcionou a todo vapor a Operação Vampiro.

O candidato a governador de São Paulo José Serra tem assuntos pendentes em Brasília. Entre março de 1998 e fevereiro de 2002, quando ocupou o cargo de ministro da Saúde, seis subordinados dele se juntaram à máfia dos “vampiros” para comprar derivados de sangue com dinheiro público – e a preços superfaturados. Todos foram indiciados; cinco deles, por formação de quadrilha. O relatório sigiloso da Operação Vampiro, que a Polícia Federal finalizou em agosto, concluiu que existia uma “organização criminosa” controlando as compras de hemoderivados na gestão Serra. Na quinta-feira 21, o procurador da República Gustavo Pessanha dava os últimos retoques no texto da denúncia que apresenta à Justiça Federal de Brasília, nesta segunda-feira 25. Empilhados, os documentos alcançam um metro de altura. Há detalhes no inquérito que podem trazer mais dores de cabeça para José Serra. Para começar, a investigação prova que Serra sabia da existência da quadrilha.

Em suas investigações, a Polícia Federal descobriu que, em 2001, chegou uma denúncia anônima encaminhada diretamente a José Serra e protocolada no Ministério da Saúde. Segundo o relatório da PF, a denúncia “dá conta da prática de diversos crimes”. Havia dois acusados. Um deles era Platão Fischer Puhler, diretor do Departamento de Programas Estratégicos e um dos homens de confiança do ministro. O outro era o empresário Jaisler Jabour, que mais tarde se descobriu ser o chefe do braço na iniciativa privada dos vampiros. Segundo a denúncia, Platão estava cometendo “as maiores barbaridades” no milionário setor de compras, em parceria com Jabour. Ele dizia que a preferência dos envolvidos era por compras internacionais, que facilitariam depósitos em contas bancárias estrangeiras. “O que está ocorrendo nesta área é um escândalo”, dizia a denúncia. A polícia constatou que Serra recebeu o documento. E leu. O que fez Serra? Em vez de protocolar um ofício formal na PF, mandou o próprio Platão, o acusado, ir lá para denunciar a si mesmo. Curiosamente, nada aconteceu. [Fonte: IstoÉ]
Assista ao vídeo de uma solenidade em que José Serra entrega algumas das ambulâncias superfaturadas:



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Serra já tem programa para depois das eleições: depor na PF sobre corrupção em seu governo

Serra vai ter que falar sobre corrupção em seu governo


Dia 7 de outubro, dois dias após a votação do primeiro turno das eleições deste ano, o ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro das Operações Vampiro e Sanguessuga, José Serra, já tem programa marcado, e nada agradável.

A Polícia Federal intimou o ex-governador paulista e candidato ao Senado José Serra (PSDB) para depor sobre os contatos que manteve com empresas do cartel de trens que atuou no Estado entre 1998 e 2008, de acordo com documento obtido pela Folha.

A polícia quer saber se o tucano, quando era governador, atuou a favor das multinacionais CAF e Alstom numa disputa com outra empresa do cartel, a Siemens, como sugerem e-mails e o depoimento de um executivo à PF.

No inquérito conduzido pelo delegado Milton Fornazari Júnior, três das sete concorrências sob investigação foram realizadas durante o governo José Serra (2007-2010). [Fonte: Folha de S.(de Serra?) Paulo]

Se perder a eleição para o Senado, Serra fica sem a cobertura da imunidade parlamentar. E este é só o primeiro dos muitos depoimentos que terá de prestar sobre corrupção... Agenda cheia garante que pelo menos de tédio ele não morre.

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Madame Flaubert, de Antonio Mello

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