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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

‘O meu carro, se me permite a expressão, não há cu de peruano que aguente’, diz Gabeira

Quando se junta cu e peru, o pau come (epa!) ou então é ai, ui, ai, ui, aaai, uma loucura!... Mas isso é coisa da vida particular de cada um.
Menos quando entra na reta dinheiro público. Menos ainda quando quem usa dinheiro público de forma irregular é ninguém menos do que o Indiana Jones da moral e dos bons costumes, o Super-Ético Fernando Gabeira, aquele deputado do PV que disse que o ex-deputado Severino Cavalcanti era uma vergonha para a Câmara dos Deputados, exatamente por causa de sua política de merrequinhas. (Clique aqui e ouça a entrevista exclusiva que fiz com Severino Cavalcanti quando Gabeira foi flagrado em outro “desvio ético”).
Explico: A Folha (aquele jornal que publica fichas policiais falsas, que diz que a ditadura foi branda, e que emprestou carros para torturadores passearem com torturados até a “solução final”) publicou ontem uma reportagem (aqui, para assinantes) mostrando que teve acesso a “dados sigilosos” (como? Com que intenções? Eles procuraram os quebradores de sigilo ou foram por eles procurados?) que mostram que deputados usaram ilegalmente verbas indenizatórias da Câmara em suas campanhas políticas de 2008. Entre eles, Gabeira:
Um dos expoentes da Câmara, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) utilizou parte da verba indenizatória na disputa à Prefeitura do Rio em 2008: usou R$ 6.600 para alugar o carro que o transportou durante a campanha. Gabeira disse não considerar incorreta a atitude, porque a Câmara permite o aluguel de carros e porque ele repassou um carro seu (um Gol) para uso do gabinete.
"O meu carro, se me permite a expressão, não há cu de peruano que aguente. Os caras andavam comigo em um Gol, não dava para colocar quatro pessoas", disse ele -que, após as eleições, não cobrou mais da Câmara gastos com aluguel de carro. Gabeira disse que isso ocorreu porque ele comprou um carro para uso do gabinete.
Ao ver a cara de pau dessas éticas figuras, me recordo de um filme de Godard (não me perguntem qual, porque aí já seria muito para minha memória de pouquíssimos RAMs) em que o sujeito diz que quando ouve falar em ética (ou moral, sei lá, não recordo), “tenho vontade de puxar meu talão de cheques”. É isso.
Vomitar também vale, e além do mais é menos dispendioso (OK, menos chique também...)...
(Só pra não encerrar assim no ar: Alguém sabe a origem dessa expressão "asssim não há cu de peruano que aguente"?)

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Trem desgovernado de Serra parte montanha abaixo

Atenção direitistas raivosos, doutos preconceituosos, porcalistas e seu porcalismo, blogueiros de esgoto, colunistas de aluguel, viúvas de FHC, o trem desgovernado da candidatura Serra vai partir.
Primeiro apito: - Siiiii...
Segundo apito: - Fu....
Terceiro apito: - Siiifuuuu...
(sai o trem)
Sifu, Sifu
Sifu, Sifuuuu
Sifu, Sifu
Sifuuuuuu, Sifuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

PIG faz mal à saúde das empresas, descobrem Samsung e LG

A imagem aí de cima é uma reprodução de um box publicado no Globo de sábado. Mostra o tremendo prejuízo que grandes empresas estão amargando por apostarem na crise propagada pelo PIG e seus colunistas (todos eles ainda recebendo milhares de reais para darem palestras para executivos país afora).

O box foi encaixado numa reporcagem sobre a movimento recorde de venda de televisores de LCD no país. A Samsung já se conforma: não vai conseguir atender de 30% a 35% das encomendas. A LG, de 20% a 25%. Imagine o quanto isso representa de prejuízo.

Já a Philips afirma que está tudo OK. Porque “houve prioridade para os mercados emergentes”. Ou seja, eles acreditaram no país, e que a crise seria uma marolinha, como afirmou o presidente, ridicularizado pelo PIG.

No entanto, reparem que o título de O Globo ainda continua brigando com a matéria: Modelos em falta por causa da crise. Errado. O correto é: Modelos em falta porque não houve crise.

Como a Carolina da canção de Chico, o PIG continua mirando um público cada vez menor e um mundo cada vez mais ultrapassado pela realidade, enquanto o tempo passa na janela e só Carolina não vê.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ride, ridentes!

Este poema, do russo Victor Vladimirovitch Khliebnikov, transcriado por Haroldo de Campos, publico em homenagem a todos aqueles que riem não para expressar alegria ou felicidade, não para demonstrar paz de espírito ou tranquilidade, mas riem do humor chulé, preconceituoso, aqueles que riem dos que não sabem falar “corretamente” o português, os que riem dos bêbados, dos loucos, dos mendigos, e riem também dos que não seguram os talheres da forma tal, ou não usam a roupa que seria “correta”; aqueles que mentem, manipulam as notícias, reclamam do Bolsa Família e das cotas, enquanto sorridentes bebem vinhos de milhares de reais e comem trufas brancas; os que brindam aos trabalhadores escravos de suas fazendas e ao novo rolar de suas dívidas bilionárias; aqueles que acham que têm uma certa superioridade e por isso sorriem suas prosperidades, enquanto o mundo desaba a seus pés, vagarosamente. Sorriam, e leiam:

Encantação pelo riso

Ride, ridentes!
Derride, derridentes!
Risonhai aos risos, rimente risandai!
Derride sorrimente!
Risos sobrerrisos – risadas de sorrideiros risores!
Hílare esrir, risos de sobrerridores riseiros!
Sorrisonhos, risonhos,
Sorride, ridiculai, risando, risantes,
Hilariando, riando,
Ride, ridentes!
Derride, derridentes!

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Karl Marx influenciado pelo PIG sobre Simón Bolívar?

Ninguém sabe com 100% de certeza o que aconteceu na História. Já se disse que ela é sempre aquela contada pelos vencedores. Em geral, os poderosos e sua mídia (o PIG através dos tempos), que só são contestados com relevância agora, com o surgimento da internet.

Li um artigo de Paulo Guedes em O Globo hoje e fiquei com a impressão de que Karl Marx se deixou levar pelo eurocentrismo e acreditou nas informações da imprensa espanhola, que desenhou Simón Bolívar como um covarde, traidor:

Seu biógrafo, Karl Marx, admitiu numa carta a Engels que “seria ultrapassar todos os limites querer apresentar como um novo Napoleão o mais covarde, brutal e miserável dos canalhas”.

Curioso é que essa versão de Marx não é corroborada nem pela imprensa antichavista e, portanto, antibolivariana. Criticam Chávez, Evo, Corrêa e até o casal Kirchner, mas Bolívar é preservado.

Será que Karl Marx comprou a versão do PIG da época ignorando completamente o materialismo histórico?

Leia o artigo completo de Paulo Guedes:

Raízes do socialismo bolivariano

Simón Bolívar nasceu em Caracas em 24 de julho de 1783, filho de uma família da nobreza crioula da Venezuela.

De acordo com os costumes dos americanos ricos da época, foi mandado para a Europa aos 14 anos de idade. Esteve presente na coroação de Napoleão Bonaparte como imperador, em 1804. Tenho simpatia pela figura histórica de Simón Bolívar, o Libertador. Compreendo a impaciência de Hugo Chávez com uma elite política corrupta, incompetente e sem consideração pela miséria dos povos latinoamericanos. Compreendo também sua solidariedade com os países vizinhos. Mas temo que o socialismo bolivariano se torne mais uma tragédia de reengenharia social para o círculo de influência chavista.

E também uma guerra expiatória desse fracasso contra países que não aderirem, como a Colômbia.

Prossegue o biógrafo: “No comando de Puerto Cabello, a mais sólida fortaleza da Venezuela, Bolívar dispunha de uma guarnição numerosa e grande quantidade de munição. Mas, quando os prisioneiros espanhóis se rebelaram, apesar de desarmados, Bolívar partiu precipitadamente durante a noite com seus oficiais. Ao tomar conhecimento da fuga de seu comandante, a guarnição retirou-se do local.

A balança pendeu em favor da Espanha, obrigando o general Miranda, comandante supremo das forças insurgentes, a assinar o Tratado de La Victoria, devolvendo a Venezuela ao controle espanhol. Miranda tentaria embarcar em La Guaira num navio inglês, mas foi convencido por Bolívar a ficar pelo menos uma noite no local. Às 2 horas da madrugada, com Bolívar à frente, soldados armados apoderaramse da espada e da pistola de Miranda e lhe ordenaram que se levantasse e se vestisse. Puseramno a ferro e o entregaram aos espanhóis. Despachado para Cádiz, na Espanha, Miranda morreu acorrentado, após alguns anos de cativeiro.” “

Em direção a Valência, Bolívar deparou com o general espanhol Morales à frente de 200 soldados e cem milicianos. Ao ver dispersada sua guarda, Bolívar fez meia-volta com seu cavalo, fugiu a toda velocidade, passou por um vilarejo num galope desabalado, chegou à baía próxima e embarcou, ordenando a toda a esquadra que o seguisse e deixando seus companheiros em terra privados de qualquer auxílio.

Piar, homem de cor, general conquistador das Guianas, que ameaçara levar Bolívar à corte marcial por deserção e covardia, não poupava de ironias o “Napoleão das Retiradas”.

Bolívar aprovou um plano para se livrar dele. Sob falsas acusações de ter conspirado contra brancos, planejado um atentado contra Bolívar e aspirado ao poder supremo, Piar foi levado a julgamento por um conselho de guerra, condenado à morte e fuzilado em 16 de outubro de 1817. Seu biógrafo, Karl Marx, admitiu numa carta a Engels que “seria ultrapassar todos os limites querer apresentar como um novo Napoleão o mais covarde, brutal e miserável dos canalhas”.

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