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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O livro de papel não morreu, nem o jornal. E o PT precisa criar o seu

Sei que tem muita gente respeitável que defende que a Internet e as preocupações ecológicas e com desenvolvimento sustentável tornaram obsoletos os meios de papel: jornais, revistas e até os livros.

Mas, experimente deixar qualquer um desses objetos num banco de praça, nas salas de espera de consultórios... Ninguém resiste - caso o material seja atualizado, claro.

Repare nas aglomerações em torno dos jornais e revistas expostos nas bancas.

O povo - nós! - gostamos de saber do que se está falando, o que está acontecendo, "qual é a última".

No entanto, o PT, há 12 anos no poder, não tem um veículo de comunicação nacional, que dispute nas bancas aqueles olhares ávidos por notícias.

E as notícias que esse público recebe são as dos adversários do PT, a mídia corporativa que defende os rentistas, o Mercado.  E pauta as discussões entre colegas de bar, de trabalho, da família.

Há um sentimento concreto de que  aquilo que é impresso se sobrepõe a todo o mais. É a famosa lei dos bicheiros: Vale o escrito, mas o escrito EM PAPEL.

Por que não temos um jornal de esquerda (cobro isso aqui no blog há anos - e olha que este é meu décimo ano), um jornal de esquerda que represente esse eleitorado que vota há 12 anos em Lula e Dilma?

Por que temos que chegar nas bancas (e também nos rádios e TVs) e só lermos, ouvirmos e assistirmos os discursos daqueles que derrotamos nas urnas?

Tínhamos que ter um jornal que contratasse pesquisas sobre a seca em São Paulo, por exemplo. Por que só fazemos isso nas eleições?

Informação é como o amor, segundo  aquela canção, ela "precisa, para viver, de emoção e de alegria, e tem que regar todo dia".

E nada melhor que um jornal de distribuição nacional diário nas bancas todos os dias.

Se os perdedores podem, por que os vencedores não?

30% da água de SP foge pelo ladrão. Quem é o ladrão e quem mais consome a água que falta na sua casa

Para tentar tirar o corpo fora, o governador Alckmin e a Sabesp estão querendo criar uma rede de intrigas entre vizinhos para que um denuncie o outro por lavar o carro, a calçada ou dar descarga demais.

Isso tudo é uma impostura. E explico por quê:

31% de toda a água de São Paulo é desperdiçada, vai para o lixo, graças aos vazamentos que a Sabesp não corrigiu.

Sobram 69%. A agricultura fica com 70% deles. A indústria com 22% e o consumidor, que está sendo apontado como vilão esbanjador, com míseros 8% - ou seja, em torno de 5,6% do total da água distribuída.

Portanto, meu amigo paulista, não caia na empulhação que querem lhe enfiar goela abaixo. Se todos os paulistas não consumirem uma gota de água sequer a economia para o sistema será de míseros 5,6%.

O maior vilão, aquele que não economiza, não produz, não gera riqueza é o vazamento que a Sabesp não cuida nem cuidou.

Repito: se todos os paulistas não usarem uma gota de água a economia será de 5,6%.

O desperdício pelos vazamentos não consertados pela Sabesp é de 31%.

Nao brigue com seu vizinho. Una-se a ele e cobre dos culpados, a Sabesp e o governo de São Paulo.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

'Pacote de maldades' de Dilma fez a alegria do Mercado, dos banqueiros e tucanos, e aumentou o descrédito na política e nos políticos

O pior do "pacote de maldades" de Dilma (Levy é subordinado a ela) não é o pacote em si, mas o descrédito da política como mediação das demandas da sociedade. A desmoralização do PT.Dar razão aos risinhos debochados dos que acham que políticos são todos iguais.

O simbólico do pacote fica mais explícito em números: o governo pretende economizar R$ 18 bilhões com as novas regras para o seguro desemprego (lado do trabalhador), mas com a outra mão aumenta a Selic três vezes, o que significa praticamente tirar os 18 bilhões dos trabalhadores e repassá-los aos rentistas (lado do Mercado).

Dilma tenta se blindar com o silêncio e a sinalização da ida à posse de Evo Morales e não a Davos.

Foi importante para marcar nossa união com a América Latina. Mas em Davos é que estava sendo jogado o jogo, aquele quem é quem e como se define no mundo, e a mensagem do Brasil foi oposta à que se escolheu e se votou na campanha.

Qual eleitor de Dilma se sentiu representado por Joaquim Levy e suas declarações neolibelês em Davos?

O mutismo da presidenta pode, e deve, até garantir a Dilma aprovação em próximas pesquisas, porque o povão não está nem aí para essas medidas (só vão doer quando apertarem o bolso), mas elas "correm por fora", minam a credibilidade e podem se transformar de um momento a outro num tsunami, como o que ocorreu em junho de 2013 e jogou a popularidade da presidenta no chão.

Dilma cometeu seu pior erro, o que não é de se estranhar para quem se cerca de CardoZzzzzo e Mercadante: feriu de morte a imagem da "Coração Valente". Acovardou-se diante dos rentistas, do Mercado, deu a eles mais do que os cortes no seguro desemprego e os três aumentos da Selic. Deu a eles aos olhos da população, especialmente aos eleitores de Dilma, que foram os derrotados que venceram a eleição.

Só nos resta torcer para que o estrago sofrido não tenha sido grande para o governo.

Mas para a política com certeza foi.

E, de sobra, para o PT, que com o pacotão da Dilma (embora seja governo o partido não é o governo) cai ainda mais em descrédito.

Vamos esperar que o silêncio de Dilma seja quebrado por um pacotão de bondades, em respeito aos que lhe deram votos confiando em sua história e seus compromissos, estabelecidos desde o governo Lula, ao qual ela sucedeu como CONTINUIDADE.

Que ela se lembre disso. Porque muitos de nós não nos esquecemos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Vazamento seletivo das operações da PF tem três objetivos. Nenhum a favor do país

A divulgação pela mídia corporativa de dados de investigações da Polícia Federal protegidos por sigilo, por determinação da Justiça, tem três objetivos, um claro e dois escondidos.

O claro é fustigar o governo até o limite da exaustão, buscando o maior lucro possível, que é seu enfraquecimento até o ponto de um possível impeachment.

Os outros dois são:
Dar aviso aos corruptos para que limpem suas contas.

Temos vários exemplos sobre isso, e o caso do diretor da Petrobras Cerveró é apenas mais um.

Corrupto ou não, culpado ou não, ele correu ao cartório em setembro do ano passado, assim que seu nome entrou na berlinda, como mostra esta nota da coluna do Ancelmo, de O Globo, de 21 de setembro de 2014.

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O ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró esteve terça-feira, dia 16, no cartório do 14º Ofício, em Ipanema, no Rio, com direito a uma sala reservada.
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O último objetivo é, depois de esgotado todo o fustigamento ao governo, dar a porta de saída a seus pares, anulando toda a investigação, POR CAUSA DOS VAZAMENTOS ILEGAIS, como aconteceu na Satiagraha e na Castelo de Areia.

Anotem ai: a operação Lava Jato vai ser anulada e todos os acusados vão ficar impunes, porque o objetivo de todo esse processo não é melhorar o país, mas apenas ajustar o governo às demandas do capital.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Prefeito do PT implanta Tarifa Zero em Maricá e diz que mobilização popular pode levar transporte público gratuito a todo o país



Enquanto em várias cidades do país as pessoas vão às ruas protestar contra o aumento das passagens de ônibus, uma cidade do Rio de Janeiro vira notícia no Brasil inteiro por oferecer, desde dezembro último, Tarifa Zero, ônibus de graça para a população. Essa cidade é Maricá.

O Blog do Mello procurou o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que também é presidente do PT no estado do Rio de Janeiro, para saber como funciona a Tarifa Zero na cidade e se essa gratuidade pode ser levada ao Brasil inteiro, especialmente a metrópoles como Rio e São Paulo.

MELLO – Prefeito, como Maricá conseguiu oferecer a seus moradores aquilo que os movimentos populares estão reivindicando nas ruas, transporte público gratuito?
QUAQUÁ -  É fácil! Basta querer enfrentar o poder político e econômico dos empresários de ônibus, que são uns dos maiores financiadores de campanhas hoje em todo o Brasil.

MELLO – Pois é, mas exatamente por isso fica difícil. Como enfrentar e fazer valer o direito do cidadão contra esses que o senhor mesmo definiu como alguns dos maiores financiadores de campanhas políticas?

QUAQUÁ - O direito de ir e vir é um preceito constitucional e o transporte uma obrigação do Estado, segundo a  Constituição. Só que no Brasil os interesses privados sequestraram esse direito da cidadania. Como a educação e a saúde, o transporte também deveria ser público e gratuito.

MELLO – E como isso foi posto na prática em Maricá?

QUAQUÁ - Para garantir esse direito, eu criei uma autarquia pública, fiz um investimento razoavelmente modesto para o beneficio gerado, com os recursos dos royalties do Petróleo.

MELLO – Que investimentos foram esses? 

QUAQUÁ – Compramos 13 ônibus. Isso não chegou a 7 milhões de reais. E não gastamos mais que 700 mil com o custeio mensal. Ainda pretendemos comprar mais 20 micro-ônibus elétricos, sem emissão de CO2, para completar a frota e trazer a população de diversos bairros para as nossas linhas circulares.

MELLO – Qual a porcentagem da população que já utiliza o transporte gratuito?

QUAQUÁ - Mais de 70%, de um extremo a outro do município. São mais de 200 mil passageiros transportados em menos de 30 dias! Em 2016 queremos que todo o sistema seja público e gratuito. Além de tudo de excelente qualidade, com motoristas treinados para o atendimento humanizado, ar condicionado, wi-fi e elevador para cadeirantes em toda a frota.

MELLO – Mas, prefeito, isso tudo parece um sonho de todo cidadão. Maricá é o município brasileiro com o maior número de habitantes a adotar a tarifa zero. Mesmo assim tem pouco mais de 140 mil habitantes. A cidade recebe royalties do petróleo. Essa gratuidade pode ser levada a todo o Brasil, mesmo a metrópoles como Rio e São Paulo?

QUAQUÁ - Direitos de cidadania só são conquistados através de mobilização popular e luta de massas. Em geral, os políticos não se movimentam para garantir direitos por conta própria. Só a pressão popular faz avançar os direitos do povo. O movimento pelo passe livre está criando as condições políticas e a consciência social de que é um direito o transporte público e gratuito. Espero que nosso exemplo em Maricá contribua para essa luta nacional.

MELLO – Mas, trazendo para a realidade. Como isso se daria em uma cidade sem os royalties do petróleo e com população bem maior que Maricá?

QUAQUÁ - Claro que as metrópoles também podem ter transporte gratuito. Acredito que essa agenda deveria ser assumida também pela presidenta Dilma. Não se gastaria muito se Governo Federal, Estados e municípios cofinanciassem um sistema público e gratuito nas cidades acima de 100 mil habitantes, por exemplo.



Madame Flaubert, de Antonio Mello

domingo, 18 de janeiro de 2015

Papa Francisco surpreende ao dizer que não tinha resposta para pergunta de menina de 12 anos

O papa Francisco não cansa de surpreender positivamente o mundo. Começou por ser um argentino que não é marrento.

E segue derrubando dogmas e surpreendendo a esquerda e deixando atônita a direita, como alguém disse que faria.

Agora, nas Filipinas, questionado por uma menina de 12 anos, o papa, o infalível, o representante de Deus na Terra, como aprendi menino, disse que não tinha resposta :

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"Hay muchos niños rechazados por sus padres, hay muchos que se convierten en víctimas y les pasan muchas cosas horribles, como la droga o la prostitución . ¿Por qué Dios permite que pasen estas cosas, aunque no sea culpa de los niños? Y, ¿ por qué hay tan pocas personas que nos ayuden?", le preguntó Gljzelle Palomar, de 12 años, al papa.

Emocionado, el Sumo Pontífice comentó que ella era la única que había hecho una pregunta "para la cual no hay una respuesta" , no pudiendo siquiera expresarlo en palabras "sino en lágrimas", dijo Francisco, que pidió compasión por los marginados. [Fonte]

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Não é pouca coisa, num mundo de tantas "certezas" e ódios provocados por elas, o papa oferecer ao mundo o socrático "não sei".

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Parem as máquinas! FHC ganha prêmio Personalidade do Ano por não contribuir com nada há 12 anos


A notícia bomba saiu na super prestigiada coluna do ex-porta-voz de Fernando Collor Claudio Humberto:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje aos 83 anos de idade, vai receber o título de “homem do ano” mais de doze anos depois de entregar o poder ao sucessor Luiz Inácio Lula da Silva, em 1º de janeiro de 2003

É sensacional. O sujeito ganha um prêmio por NÃO ter feito nada...

Os tucanos adoraram. Afinal, desde que o inoperante senador nota zero Aécio Neves ganhou o Prêmio Pior Senador do Brasil, nenhuma outra nulidade do partido havia ganho qualquer prêmio por não fazer absolutamente nada.

Agora, uma certa Câmera de Comércio Brasil-EUA, uma ONG não vinculada ao governo dos Estados Unidos e que tem como únicos e exclusivos Platinum Members Itaú e Bradesco, premia o ex-presidente por sua absoluta irrelevância.

FHC é um fenômeno.
  • Conhecido como Pai do Real, embora o verdadeiro seja Itamar Franco
  • Durante seu governo, fez a Globo sustentar uma repórter na Espanha baseado na hipótese de que ela teria um filho seu
  • Após o governo, registrou o filho com a repórter e só mais adiante descobriu que o filho não era dele
  • Defende a maconha, o que nunca fez como presidente, embora diga que nunca fumou nem cigarro nem sequer viu cocaína na vida
  • Reconhecido como principal líder tucano, embora jamais tenha liderado uma manifestação partidária nas ruas
  • Recebe R$ 22 mil por mês da USP há 45 anos anos, sem trabalhar

Ele e a tal Câmera se merecem.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Acusado por um cego e um esquizofrênico, negro está na solitária há 42 anos nos EUA

Pelo título parece piada. Mas só se for dos Gentilis da vida, que não têm graça nenhuma para quem é o alvo.

Nos EUA,  Albert Woodfox mofa numa solitária de três metros por dois há inacreditáveis 42 anos. Por um crime que ele nega ter cometido e pelo qual foi condenado à prisão perpétua por depoimentos de um cego e um esquizofrênico.

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Preso por roubo no fim da década de 1960, Woodfox fundou uma unidade do movimento Panteras Negras, grupo radical de defesa dos negros americanos, na prisão de Angola, na Louisiana. Ele pretendia lutar contra as violações dos direitos humanos que ocorriam na prisão.

Em abril de 1972, o guarda penitenciário Brent Miller, 23, foi morto a facadas enquanto fazia a ronda em um dos complexos de Angola. Woodfox e outro Pantera, Herman Wallace, foram acusados da morte e colocados na solitária no mesmo dia –condição em que Woodfox está até hoje, mesmo após transferido para outra prisão em 2010.

Em 1973, os dois foram condenados à prisão perpétua. Woodfox e Wallace nunca assumiram a autoria do crime e dizem ter sido perseguidos por causa da militância dentro da prisão.

A defesa afirma que a principal testemunha do caso, um homem condenado por estupro chamado Hezakiah Brown, foi subornado pela diretoria da prisão para prestar seu depoimento – ele foi perdoado e libertado mais tarde.

Entre os presos que testemunharam contra os Panteras também está um cego que disse em depoimento ter visto Woodfox saindo do local do crime e outro diagnosticado com esquizofrenia. [Fonte :Folha]

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Graças a essa "temporada" na cadeia, Woodfox sofre de hipertensão, insuficiência renal crônica, diabetes tipo 2 e insônia.

Em novembro passado, uma juíza mandou libertá-lo. No entanto, a procuradoria recorreu e ele continua preso.

Uma obstinação semelhante à de Mandela. E pelos mesmos motivos.
Mas nem assim ele se deixa vencer: "Se a causa é nobre o suficiente, você pode carregar o peso do mundo nas costas. E, então, eles nunca conseguirão me quebrar".

Comigo não. Fizemos nossa parte. PT e governo não fizeram a deles

Estou de saco cheio do círculo vicioso em que alguns militantes/governistas querem nos colocar.

Lula admite erros do PT e do governo. Dilma, idem. Mas eu e outros defensores do governo (mas não de tudo o que faz o governo), não.

Alegam que estamos fazendo o jogo dos adversários,  que a composição do Congresso está ainda pior e mais à direita, que o PT diminuiu sua bancada... Sem nenhuma autocrítica sobre isso.

A solução que apontam é a mesma, que a meu ver é responsável por esse quadro: continuar apoiando bovinamente o governo, ainda que, por exemplo, a musa do agronegócio contradiga tudo o que pregam.

A escolha de Katia Abreu, a nova ministra da Agricultura, que decretou em entrevista que não existe latifúndio no Brasil, não obedeceu aos critérios defendidos pelos mais realistas que a rainha: Abreu não é a preferida da cota do PMDB nem dos ruralistas. É escolha pessoal de Dilma.

No entanto, não podemos criticá-la, mesmo após ela nos esbofetear com o elogio desvairado que fez ao ministro do STF Gilmar Mendes em artigo publicado na Folha.

Será que não enxergam que o Congresso está mais direitoso, o PT encolhe e as ruas gritam por bandeiras que já foram nossas exatamente porque abandonamos algumas das principais delas em nome de um futebol de resultados a la Parreira que está nos matando?

A seguir nesses passos, na próxima eleição arriscamos perder a presidência, ou ter uma bancada ainda menor e um Congresso mais à direita ainda. E aí os "idiotas da objetividade" (obg Nelson Rodrigues) vão defender o criminoso Bolsonaro para um ministério, em nome da governabilidade e da tal correlação de forças.

Fizemos nossa parte. Defendemos a manutenção do governo, votamos nele, e se nossos votos quase não foram suficientes para reeleger Dilma e não conseguiram eleger um Congresso melhor, muito da culpa está nesse governismo de resultados, que descaracteriza nossas lutas e coloca o PT muitas vezes defendendo o oposto de suas bandeiras históricas.

O máximo que se deve aceitar de composição é jogar pelo empate (nenhum direito a menos, como disse a presidenta) . Para fazer gol contra não contem comigo.

Aécio já deixou crescer a barba. Temos que colocar a nossa de molho.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Presidenta diz 'nenhum direito a menos', após cortar direitos. Quero coração valente com a auditoria da dívida

Em artigo publicado neste sábado na Folha o ex-porta-voz do governo Lula André Singer denunciou uma contradição evidente entre as intenções do governo e suas ações.

Comentando sobre a medida do governo que retira direitos que afetam em última instância os trabalhadores e entre eles os mais pobres, Singer escreveu:

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Dilma Rousseff encerrou a mensagem ao povo reunido para a sua segunda posse em Brasília com um juramento. "Nenhum direito a menos, nenhum passo atrás, só mais direitos e só o caminho à frente. Esse é meu compromisso sagrado perante vocês."

No entanto, três dias antes, o governo anunciou que cinco benefícios previdenciários sofreriam cortes de R$ 18 bilhões. A tesoura vai cair sobre o seguro-desemprego, o abono salarial, a pensão por morte, o auxílio-doença e o seguro defeso (voltado para os pescadores). Todos de interesse direto dos pobres. O montante subtraído equivale a cerca de 70% do gasto com o Bolsa Família em 2014.
(...)
O argumento apresentado para compatibilizar a gritante contradição é que não se trata de retirar direitos e sim corrigir "distorções".

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Se o mau uso de benefícios (as tais distorções) foi o critério para as alterações, por que não se mexeu nas pensões das filhas "solteiras", casadíssimas no mundo real mas não no papel?

Quantas empregadas domésticas se casam com seus patrões idosos Brasil afora (um dos "golpes" citados pelos defensores das medidas) para receberem pensão e quantas filhas de funcionários públicos civis e militares morrem "virgens" no papel, recebendo pensões de dezenas de salários mínimos, e na verdade são mães e até avós, com filhos de mais de um casamento, mas solteiras no papel?

Ah, mas essas são de classe média, alta.

Por que cortar benefícios em vez de identificar e punir os fraudadores? Por que os justos vão pagar pelos pecadores?

Tem mais. Dizem que vão economizar R$ 18 bilhões, mas cada ponto na Selic aumenta a dívida (não auditada) em R$ 10 bilhões. E só após vitória de Dilma a taxa aumentou 0,75, ou R$ 7,5 bilhões.

Finalmente, por que se faz qualquer coisa menos uma auditoria nesta maldita dívida?