sábado, 25 de outubro de 2014

Ao nomear Armínio Fraga seu futuro ministro da Fazenda, Aécio Neves abriu a caixa de Pandora que reduziu sua candidatura a pó


Armínio Fraga e George Soros


Quando Aécio lançou o nome de Armínio Fraga como seu boss na economia num futuro governo, cometeu o erro que, tudo indica, custou-lhe a eleição. Não que Aécio não tenha cometido outros erros. Ou mesmo, como para alguns (eu, inclusive), o grande erro tenha sido a própria candidatura de Aécio, que só existe no marketing, ainda assim debaixo da censura imposta em Minas a peso de ouro.

Armínio Fraga é, para dizer o mínimo, um nome polêmico. Ligado ao megaespeculador George Soros, Armínio é acusado de práticas que, se viessem ao conhecimento do grande público, provocariam comoção nacional. Homem de mercado, é frio o suficiente para tomar a medida que for necessária para aumentar o ganho de seus sócios ou empregadores.

O livro More Money Than God: Hedge Funds and the Making of a New Elite" (Bloomsbury) narra uma dessas:

Como gestor do Fundo Soros para mercados emergentes, Armínio teria obtido informações privilegiadas que o levaram a planejar e executar o ataque especulativo contra a Tailândia, que gerou lucros estimados hoje em R$ 2,5 bilhões de reais para George Soros e ele mesmo.

Ter "informações privilegiadas" já seria crime, uma jogada desleal no mundo dos negtócios. Mais grave ainda é como essas informações foram obtidas [destaque em negrito são meus]:

A informação privilegiada que induziu o ataque especulativo foi obtida, porém, em entrevista de Armínio e outros dois economistas do Fundo Soros com alta autoridade do Banco Central Tailandês, que foi questionado por Armínio sobre a prioridade a ser conferida pelo banco: elevar taxa de juros para defender a moeda de um ataque especulativo ou reduzi-la para evitar o agravamento da situação dos bancos? 

Segundo Mallaby (que entrevistou Armínio sobre a conversa), Armínio invocou sua própria experiência como diretor do Banco Central do Brasil (1991-1993) e pareceu, ao funcionário tailandês, “mais como um parceiro benigno de um mercado emergente do que como um ameaçador predador de Wall Street”

O funcionário ingênuo respondeu que a prioridade de defender a moeda tailandesa com a mais elevada taxa de juros que fosse necessária poderia estar mudando, em vista da taxa de juros mais baixa requerida em vista dos problemas crescentes dos bancos. Fraga e seus colegas teriam visualizado uma maleta cheia de dinheiro caso especulassem com a moeda tailandesa, mas fingido não notar para não alertar o funcionário do Banco Central da Tailândia a propósito de sua ingenuidade. Se notasse, ele poderia elevar a taxa de juros para encarecer a especulação cambial ou mesmo recorrer a bloqueios administrativos contra especuladores estrangeiros. 

Voltando a Nova Iorque, Armínio Fraga discutiu com o Fundo Soros sobre planejamento do ataque especulativo contra a moeda tailandesa. Um dos economistas que esteve na reunião com a autoridade inocente do Banco Central da Tailândia, Rodney Jones, questionou os outros dois sobre a moralidade de especular contra países em desenvolvimento: “se as moedas forem desvalorizadas sem controle, milhões de inocentes serão levados à pobreza desesperadora”

Mallaby parece sugerir que Armínio Fraga e os outros não consideraram o argumento suficiente para abortar o ataque especulativo que rendeu 750 milhões de dólares.[Fonte: Carta Maior]

Como entregar a economia de um país, que, apesar de todo o esforço bem sucedido realizado pelos governos Lula e Dilma, ainda é um dos mais desiguais do mundo, nas mãos de uma elite predatória há 500 anos; como entregar essa economia nas mãos de um homem de mercado, que pensa e visa a maximização de lucros, não importa o que aconteça nem a quem?

Fato é que, ao anunciar Armínio Fraga como seu futuro ministro da Fazenda, Aécio acenou para o mercado e a mídia, esquecendo-se de que o Brasil é muitíssimo maior que eles.

Mais: que o Brasil não se esqueceu do que Armínio e o governo tucano de FHC fizeram de mal ao país. E os que se esqueceram, não sabiam ou eram muito jovens na época foram lembrados ou informados por blogs e redes sociais.

O resto é história, que as urnas vão contar neste domingo.

OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Afinal, Aécio, via Armínio Fraga, vai privatizar BNDES, BB e Caixa? Pelas palavras de Fraga, sim

O áudio é de Armínio Fraga, sem cortes ou montagens. Armínio Fraga já foi escalado por Aécio Neves como seu ministro da Fazenda.

Coloquei nas legendas as vacilações de Fraga, porque achei que elas mostravam a preocupação dele em escolher as palavras. Porque sabe que esse é um assunto altamente explosivo, por envolver, nas palavras dele, "Três bancos públicos gigantes".

Mas, antes disso, ele alerta que vê esse assunto com uma "luz bem vermelha". Em seguida, após falar em BNDES, BB e Caixa, ele diz que ter três bancos públicos gigantes, não só na história do Brasil, mas na história mundial, que esse modelo "não é favorável ao crescimento e ao desenvolvimento".

Como ele diz que quer crescimento e desenvolvimento, vai mexer no modelo. São três. E gigantes. Logo, ele só pode a)eliminar os três; b) eliminar dois; c) eliminar um deles. Ou, tornar o gigante (pense que gigante é quem teve crescimento anormal), não-gigante, desidratando um deles, dois ou os três.

No entanto, é regra no capitalismo globalizado que, sem escala, nenhum banco sobrevive. Não à toa, Itaú e Bradesco, por exemplo, saíram às compras e engoliram inúmeros bancos.

Logo, seja qual for a solução a ser adotada por Armínio Fraga, ao final dela, um ou mais deles será privatizado. Ou serão bancos médios, facilmente comidos pelos gigantes privados. Portanto, privatizados.

Ele não usa a palavra, mas ao sentenciar que ao final, talvez eles não tenham assim tantas funções, e que "não sabe bem o que vai sobrar no final da linha, talvez não muito", a privatização fica nas entrelinhas, bem ali, entre os a, e, i, i, ff, que precedem algumas das palavras de Armínio Fraga.

Mais, a privatização é a única alternativa para ele.





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Madame Flaubert, de Antonio Mello

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Brasil não pode entrar nesse jogo em que Aécio Neves quer nos botar com Armínio Fraga




Antigamente, o empresário lucrava e reinvestia parte de (ou todo o) lucro em suas empresas. Hoje, graças ao agenciamento dos especuladores, empresários viram investidores, correm para o mercado em busca do "ganho fácil" do papel.

Grandes personagens deste fantástico mundo do faz de conta, que no entanto é bem real, faturam horrores com o dinheiro de quem produz, graças a aconselhamentos de gênios do mercado financeiro que lhes prestam consultoria.

Para dar nomes: no primeiro caso, o megaespeculador George Soros; no segundo, seu funcionário Armínio Fraga (que o candidato Aécio Neves já disse que será seu Ministro da Fazenda, caso se eleja).

Tudo isso é muito bonito pra eles, enquanto está em movimento, a ciranda roda... mas, numa hora, de alavancagem em alavancagem, eles passam a comprar o que não existe (pacotes que teoricamente valem uma fortuna, mas não estão lastreados em nada no mundo real), com um dinheiro que não têm (pagam com outros pacotes que também valem outra fortuna, e também sem lastro) e vendem a você, o da ponta, o único que chega com a bufunfa, o arame, o dinheiro real. Um você que pode ser um país, como aconteceu com a Islândia. E também pode ser o Brasil, se entrarmos na ciranda neolibelê de Armínio Fraga.

Quando a roda para de girar, eles simplesmente fazem como os mágicos, abrem seus lenços e não há nada lá dentro. Você fica sem seu dinheiro e o governo ainda tem que socorrê-los para não "quebrar o sistema" e, pior, para "manter o mesmo sistema". Isso se o governo não estiver pendurado na ponta podre do jogo, como grande parte da Europa, que cobra de seus cidadãos em desemprego, que chega a mais de 50%, entre os jovens, por exemplo na Grécia e na Espanha.

É isso o que está acontecendo ainda, mesmo após o colapso de 2007 ter mostrado ao mundo que por aí não havia saída. Se você não está informado sobre o que aconteceu, assista ao documentário Inside Job aqui mesmo no blog: http://blogdomello.blogspot.com.br/2011/07/inside-job-na-integra-e-com-legendas-em.html

Também há outra forma, mais sintética e extremamente bem humorada (e que parece absurda mas é bastante real, porque a realidade é que é absurda) de se inteirar daqueles acontecimentos, que é este vídeo, com o inigualável humor britânico.

Os dois atores zombam de muitas declarações dos “magos consultores”, os “gênios do mercado”, como esta, publicada na BBC em agosto de 2007, e citada no quadro:
"Market participants don't know whether to buy on the rumour and sell on the news, do the opposite, do both, or do nothing, depending on which way the wind is blowing," investment bank State Street Global Markets said.
Assista a Inside Job e ao vídeo a seguir e reflita se é isso o que você quer para o Brasil.



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Quem tem receio dos debates, não sabe que chegou a hora da onça beber água e desconhece a sede da onça




Vejo algumas pessoas inseguras quanto à participação da presidenta nos debates contra Aécio.

Cheguei a receber manifesto para que ela se recusasse a comparecer aos que virão, a começar pelo de hoje na Band - aquela rede cujo presidente criminosamente ameaçou Haddad, impunemente.

Discordo, porque é incontrolável o ruído comunicacional que isso poderia gerar, já que temos toda a mídia corporativa contra o governo.

Mas discordo principalmente porque confio em Dilma. E não confio em Aécio.

Eu me lembrei de um caso, nos primórdios da retomada das maratonas, na década de 1970. Havia um estadunidense que ganhava várias delas. Acho que se chamava Bill Rogers - não tenho certeza, mas o nome não é importante para o que eu quero contar. Esse Bill (que seja Bill, pronto) ganhava muito, mas seu tempo sempre estava distante do recorde mundial.

Até que um jornalista perguntou ao recordista da época, um havaiano, se não me falha a memória (que vive falhando), por que ele achava que aquilo acontecia. 

Ele disse que Bill (cansei e fui ao google: o nome é Bill Rodgers) era um homem de classe média, e para bater o recorde mundial, correr abaixo de 2h20 (naquela época, hoje, mais dia menos dia, vão baixar de 2h), mas, dizia o recordista, que quem corria abaixo das 2h20 urinava sangue, sentia dores horríveis pelo corpo. E Rodgers, filho de classe média, não estava pronto para isso.

O mesmo penso do debate entre Dilma e Aécio. Ou melhor, dos debates. Aécio sempre foi um playboy, curtindo a juventude sem preocupações da zona sul do Rio, com um Bolsa Salário na Câmara dos 17 aos 21 para pegar surf e namorar. Depois um empreguinho de diretor da Caixa, sem nunca ter trabalhado num banco. Empreguinho garantido pelo primo e ministro da Fazenda na época, Francisco Dornelles, que havia sido indicado pelo avô de Aécio, Tancredo. Nepotismo puro.

Dilma, ao contrário, enquanto Aécio curtia a vida (veja bem, se não fosse pelo Bolsa Salário da Câmara, nada contra ele curtir a vida), pegou em armas contra a ditadura militar. E essa opção, na época, significava estar preparada para matar ou morrer.

Foi presa e barbaramente torturada por três anos, sem delatar seus companheiros. Essa mulher tem a lembrança da dor, do estoicismo necessário para suportar o que for para alcançar um objetivo.

Dilma sabe o que pode acontecer caso Aécio venha a se eleger. E ela sabe que cabe em boa parte a ela impedir que isso aconteça.

Ambos querem vencer, é óbvio. Mas a derrota para Aécio significará apenas voltar ao Senado (quer dizer, ao Leblon de onde ele senadeia).

Para Dilma, não. Porque essa luta não é de agora. Começou quando ela pegou em armas aos 17 anos. E, se não foram os milicos que a impediram de lutar, lutar, até chegar à Presidência da República para poder realizar os sonhos de toda uma geração, não vai ser quem sempre teve tudo de mão beijada, tutelado pela irmã, que irá dobrá-la.

Dilma é cintura dura. Não é simpática. Não tem o dom da oratória. Mas, na hora H, ela solta tudo o que na ditadura, na tortura, remoía dentro dela, e aí as palavras jorram.

Na hora da onça beber água, ela seca o rio, não é, senador Agripino?





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Madame Flaubert, de Antonio Mello

'À Queima Roupa' é um documentário que não podemos deixar de ver. Pelo menos enquanto formos o que somos




Fui ontem à pré-estreia do documentário À Queima Roupa, dirigido por Theresa Jessouroun. O filme ganhou os prêmios de Melhor Direção e Melhor Documentário no Festival de Cinema do Rio 2014. Após o filme houve debate com a diretora e mais Julita Lemgruber, Ignacio Cano, Marcelo Freixo, Luiz Eduardo Soares e, embora não estivesse na mesa, o coronel PM Brum.

O filme conta parte da história da violência no Estado do Rio nos últimos 20 anos. Com imagens reais da época e outras ficcionadas, À Queima Roupa nos faz reviver (ou viver, tomar conhecimento, para os jovens que não haviam nascido ou eram muito jovens na época da primeira chacina do filme, a de Vigário Geral, quando 21 pessoas foram fria e barbaramente assassinadas por PMs) a sequência de assassinatos, procurando entender como e por que aconteceram, e continuam a acontecer.

Felizmente, a diretora optou por dar voz a PMs e moradores dos locais onde aconteceram as chacinas. Há imagens da revolta que se seguia a cada uma delas. E também dos familiares que perderam irmãos, filhos, parentes. São depoimentos emocionantes de pessoas que até hoje reclamam uma presença do estado, para que sejam ao menos  indenizadas por aquilo que lhes foi tirado pela mão violenta desse mesmo estado.

No entanto, é possível sentir no filme a presença dos debatedores que estavam na pré-estreia, embora eles não apareçam. Quem conhece, ao menos de artigos em jornais, seu trabalho, sente que a levada do filme tem o olhar deles ao lado da diretora, que os usou como consultores.

Mas o grande personagem do filme é o X9 Ivan. Mérito da diretora, que se acercou dele e o colocou quase como narrador onisciente das chacinas e do que há por trás delas,

X9, para quem não sabe, é a gíria para o caguete, aquele sujeito que por dinheiro trabalha como dedo-duro para a polícia. E Ivan, confessadamente, participou de mais de 300 ações.

Curiosamente, o mesmo X9 acabou se voltando contra os PMs que lhe pagavam propina. Preso, resolveu contar tudo o que sabia, e seu depoimento foi fundamental para mostrar como, por que e quais foram os autores da chacina de Vigário Geral.

Ivan é um grande personagem, com seu cinismo forjado na vida real do Rio de Janeiro, dos arregos, dos acertos entre policiais e traficantes, do dinheiro, do tráfico de drogas e armas. O cinismo que é talvez a principal carcaterística de nossa sociedade, que se diz indignada com a violência, embora aplauda a polícia quando agride os "pivetes", os ladrões, os traficantes, desde que pretos e pobres. Alias, isso fica explícito no filme.

O filme tem todos os méritos, menos um. Direção, edição, trilha (de Tim Rescala), depoimentos e reconstituições dramatizadas são o mérito, que confirma o acerto da premiação do filme e da diretora.

Mas há uma falha, a meu ver indesculpável, e que talvez tenha passado batida pela montagem. Logo no início do filme, com imagens reais da chacina de Vigário Geral, há vários depoimentos de moradores, colhidos no chamado calor dos acontecimentos. E uma mulher culpa o governador Brizola por tudo aquilo. Que a moradora, desinformada e transtornada pelos acontecimentos dissesse aquilo é aceitável. Mas a cena ficar no filme 21 anos depois, não.

Brizola teve seus defeitos, mas foi em seu governo que a polícia perdeu a permissão do estado de entrar nas casas dos pobres sem mandado. Graças a isso, Brizola ganhou a fama de protetor de bandidos (quando ele protegia os pobres - o que faz parte do cinismo social que eu disse antes, "pobres e pretos são bandidos") e caiu em desgraça com a classe (Idade?) média, que o demonizou.

Também nos dois mandatos de Brizola, o comandante da Polícia Militar do Rio foi o coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, por muitos considerado o melhor oficial da PM de todos os tempos.

Por isso, ganharia o filme se a cena fosse cortada.

Mas À Queima Roupa é um filme que deve ser visto e debatido. Deve mesmo ser usado como ferramenta para amplas discussões, não apenas no Estado do Rio, já que o problema da violência policial é nacional, embora o Rio, segundo pesquisa, tenha conquistado o nada cobiçado troféu da Polícia Mais Corrupta do Brasil.

O filme estreia no Rio no dia 16 de outubro agora, quinta-feira.

NOTA: Como infelizmente é de se esperar de um filme com a qualidade e a temática de À Queima Roupa, ele precisa de apoio para uma distribuição como merece no Brasil. Confira como você pode colaborar aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UgbWBR0ffT8



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

Quem vota em tucano não vai poder dizer depois que não foi avisado



Há limite pra tudo. Até pra ingenuidade. Se a pessoa passa a ter a informação, aí já não há ignorância nem ingenuidade. É má fé, masoquismo, votar com o próprio umbigo. Ou burrice.

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Madame Flaubert, de Antonio Mello

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Eduardo Jorge é a favor da liberalização das drogas. Nem por isso tem que apertar o 13. Ele aperta o que quiser




Muita gente está decepcionada com o candidato verde à presidência Eduardo Jorge. Fora do segundo turno, ele e seu partido declararam apoio a Aécio Neves.

Mas, não sei por que as pessoas se decepcionam. Bastava olhar a história de Eduardo Jorge. Ele foi secretário municipal de Saúde de São Paulo duas vezes: com Erundina e depois com Marta Suplicy. Mais tarde, virou a biruta e foi secretário do Meio Ambiente de Serra e depois de Kassab.

Absolutamente coerente com o que ele afirmou em debates. Que não era de esquerda nem de direita. Era ecológico. Como o bombril eco ou os produtos da Natura. Portanto, qual o espanto? Não é por ser a favor da liberalização das drogas que ele não possa participar da campanha de Aécio. Aliás, segundo maus narizes, quer dizer, as más línguas, ele foi para o local certo.

Vou ser mais claro, usando um exemplo tirado da História:

O que você pensaria de um candidato com este perfil para governar o país?

Ele é um herói de guerra, devidamente condecorado. É vegetariano, não fuma, bebe cerveja muito ocasionalmente. 

É patriota mesmo, muito preocupado com os valores do país, capaz de dar a vida pela pátria. Amante da pintura e escultura clássicas.

Bom orador. Veio de baixo, enfrentou todas as dificuldades até conseguir seu objetivo. Um líder nato, capaz de motivar e organizar seus seguidores.

Esse homem existe. Ou melhor, existiu. Nasceu num dia 20 de abril, na cidade austríaca de Braunnau. Seu nome: Adolf Hitler.



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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Graças a FHC, emissoras de rádio e TV recebem R$4,3 bilhões pelo horário eleitoral 'gratuito'




Quando dos preparativos para conseguir a aprovação de uma Emenda Constitucional que tornasse possível sua reeleição (nem a ditadura militar ousou mexer na proibição Constitucional de reeleição para cargos majoritários), FHC tinha dois problemas: conseguir número suficiente de parlamentares para aprová-la; e conseguir o apoio ou pelo menos a neutralidade da mídia, para enfiar a medida goela abaixo da população.

Os primeiros o grupo de FHC pagou à vista, comprando uma certa quantidade deles no atacado, a R$200 mil por cabeça. Já para as emissoras de rádio e TV:

Quando, em 1997, a reforma eleitoral que instituiu a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi aprovada, incluíram a “compensação fiscal”, após forte lobby da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert).
O valor do desconto nos impostos varia de emissora para emissora de acordo com o seu lucro [imagine o quanto a Globo leva ai], numa lógica em que, quanto maior o faturamento, mais desconto ela terá.

Somente de 2004 para cá, a reeleição de FHC custou aos brasileiros R$ 4,3 bilhões.

Emissoras de televisão e rádio privadas deixaram de pagar — entre 2004 e 2013, período analisado pelo DIA através de dados fornecidos pela Receita Federal — R$ 3,5 bilhões em impostos, com a desculpa de que o valor é um ressarcimento pelas transmissões de programas eleitorais. Somados aos R$ 839,5 milhões previstos para este ano pela Receita Federal, o Brasil terá aberto mão, ao fim de dez anos, de R$ 4,3 bilhões. A quantia é maior do que o PIB (total de riquezas produzidas) de 75 dos 92 municípios do Estado do Rio.
Os dados constam em relatórios divulgados no site do fisco, que não libera, no entanto, quanto cada emissora reteve de imposto. O órgão alega “sigilo fiscal”. Para o grupo Intervozes, que reúne especialistas e ativistas que militam pela democratização, liberdade e pluralidade nos veículos de comunicação, classificou como “escândalo” o valor da renúncia fiscal.
“O espectro pelo qual as empresas exploram rádio e TV pertence ao cidadão, que não deveria pagar para receber informações de interesse público, como as do programa eleitoral”, afirma Ana Mielke, porta-voz do coletivo, que faz parte do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. [leia reportagem completa do jornal O Dia aqui]

Portanto, ao ouvir falar em horário eleitoral gratuito, proteste. Graças à emenda da reeleição de FHC são bilhões anualmente para emissoras de rádio e TV, noves fora todo o estrago que os mandatos do tucano fizeram ao país, especialmente com a privataria tucana.

E a gente ainda paga por isso.

E agora ainda querem voltar.


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O Globo desmente O Globo: Reportagem de 2012 mostra que diretor corrupto foi demitido, e não se demitiu, da Petrobras

O Globo de hoje saiu com reportagem afirmando que o ex-diretor administrativo da Petrobras, nomeado no governo FHC, Paulo Roberto Costa tinha pedido demissão e não sido demitido. No entanto, reportagem do mesmo O Globo, publicada em 27 de abril de 2012, afirmava o contrário (inclusive com declaração de Costa). Confira nas imagens, que reproduzem a matéria do jornal.






Na primeira, há a afirmação de que Costa fora demitido pela presidenta da Petrobras, Graça Foster. E que era ligado ao PP (Partido Popular).

Na segunda, fica-se sabendo que Graça Foster tomou a atitude, após duas reuniões em Brasília, com a presença da presidenta Dilma. Além disso, e talvez a informação mais importante, há a declaração de Costa à Reuters dizendo que estava saindo da estatal sem saber o motivo. (Tudo isso está grifado nas imagens)

Mais uma vez, O Globo usa seu espaço para atacar o governo, com o objetivo de tirar do poder o governo popular da presidenta Dilma, como anteriormente fez com os presidentes Lula, Jango e Getúlio Vargas. Porque as Organizações Globo vivem na contramão do Brasil.



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A 'escolha de sofia' do PSDB: aderir a Marina para abocanhar cargos ou votar em Dilma para não morrer




Com o cada vez mais evidente fiasco da candidatura Aécio, tucanos que têm algo mais na cabeça além do cenário imediato da eleição começam a botar na mesa duas alternativas:
  • apoiar Marina, em troca de cargos numa possível futura administração, já que programas são semelhantes; 
  • ou pensar menos no curto prazo e votar em Dilma para evitar vitória de Marina e assim manter o PSDB como principal partido de oposição e tentar uma vitória em 2018 com um candidato mais preparado.

Os que pensam em apoiar Dilma não irão fazê-lo em público declarando voto na candidata petista, o que seria suicídio. Mas, na prática, devem liberar e estimular o voto nela. Ou nulo.

Os que pensam desse modo usam como argumento o moribundo DEM, que já foi "o maior partido do ocidente", quando era a ARENA da ditadura, e depois transformou-se no PDS, dividiu-se e virou PFL, que optou por ser uma costela do PSDB, virou DEM, e agora ninguém o chama nem para formar chapa em sindicato dos lançadores de anões. O mesmo pode acontecer com o PSDB se aderir a Marina, pensam esses tucanos.

Já a outra corrente tucana, pragmática, imediatista, prefere negociar apoio a Marina. Eles julgam que ela não tem capacidade nem equipe para governar o Brasil. E os que estão com ela vieram do ninho tucano. Portanto, Marina, na prática, apenas choca os ovos que darão vida e poder a eles.

Os primeiros têm como certa a vitória de Dilma e querem marcar posição como principal partido de oposição ao governo.

Os outros acham que "fundido, fundido e meio". Marinamente, ora acham que ela pode ganhar, dora acham que não... Diferentemente dos mineiros, esses tucanos não são solidários nem no câncer, e querem o poder a todo custo, ainda que seja em ninho alheio, como o chupim. Se Marina perder, adaptam FHC e lançam um "esqueçam quem eu apoiei", voltam a criticá-la e a apoiar Serra.

Fato é que a História está aí para mostrar que os que tomam decisões medíocres têm destino à altura.

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Madame Flaubert, de Antonio Mello

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