sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Serra não é pai dos genéricos nem do programa anti-AIDS. Mas foi uma mãe para Vampiros e Sanguessugas



José Serra diz que é economista. No entanto, ninguém sabe em que faculdade ele teria obtido o diploma. O conselho de classe não o reconhece.

José Serra diz que é engenheiro. Idem item anterior.

José Serra diz que é o pai do programa dos medicamentos genéricos. É mentira. O decreto 793 que criou os genéricos foi assinado em 5 de abril de 1993, no governo do presidente Itamar Franco, pelo então presidente e seu ministro da Saúde, Jamil Haddad [confira decreto aqui].

José Serra diz que criou o programa de combate à AIDS brasileiro, que é exemplo para o mundo todo. É mentira. Reportagem da melhor jornalista especializada em medicina no Brasil, Conceição Lemes, publicada no Viomundo historia o programa [repare que o nome de Serra só aparece no último parágrafo, em 1998, quando os primeiros passos do programa são de 15 anos antes]:

1983. É implantado no Estado de São Paulo o primeiro programa de controle da aids no Brasil.  O seu coordenador era o dermatologista Paulo Roberto Teixeira Leite. Na sequência, é criado o programa no Estado do Rio de Janeiro. Começa também a organização do embrião do Programa de Aids do Ministério da Saúde.
1984. O Programa de Aids do Ministério da Saúde surge no âmbito da Divisão de Dermatologia Sanitária, que tinha como chefe a dermatologista Maria Leide de Santana. José Sarney era o presidente da República e Carlos Santana, ministro da Saúde. Nessa época, chegam ao programa Lair Guerra de Macedo Rodrigues (bióloga), Pedro Chequer (médico epidemiologista e sanitarista), Euclides Castilho (médico epidemiologista), Luís  Loures (clínico geral, na época), Celso Ferreira Ramos-Filho (infectologista), entre outros grandes nomes.
 “A Lair manteve diálogo constante com o Paulo Teixeira”, frisa Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, que, desde as primeiras reuniões, participou do Programa Nacional de Aids. “A Lair sempre o chamou para essas reuniões.”
1986. O ministro da Saúde, Roberto Santos, cria oficialmente o PN-DST/Aids no governo do presidente José Sarney.  Em 1985, porém, alguns dos seus núcleos já funcionavam.
1991. Começa a distribuição gratuita do AZT (único antirretroviral disponível) e de alguns medicamentos para infecções oportunistas. Foi Lair Guerra de Macedo que, numa das viagens ao exterior, trouxe escondidas na bagagem as primeiras caixas de AZT que chegaram ao Brasil.
1992. O atendimento é ampliado. O Ministério da Saúde inclui os procedimentos para tratamento da aids na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde).  O cardiologista e professor Adib Jatene, considerado um dos maiores cirurgiões cardíacos do país, assume o Ministério da Saúde, colocando Lair na coordenação-geral do PN-DST/Aids. Fernando Collor de Mello era o presidente da República.
“A eficiência com que Lair comandou o setor trouxe as primeiras perspectivas otimistas sobre o controle da doença”, observa Jatene. “Foi sua capacidade de propor, sua coragem de defender e sua eficiência em executar que nos colocaram na direção correta, consolidada por tantos que, com competência e dedicação,mantiveram as ações em crescendo, garantindo, em área tão sensível, o reconhecimento de uma liderança que partiu de Lair.”
Mariângela Simão faz coro: “A doutora Lair foi a pioneira. Foi quem colocou – e com sucesso! — a aids na agenda política do governo”.
Mário Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo, acrescenta: “O professor Jatene também foi fundamental. Se ele não tivesse a visão estratégica de que o Brasil tinha que produzir os próprios antirretrovirais, não se teria garantido o acesso universal ao tratamento antiaids. Foi dele a decisão política de fabricar no País o AZT e o ddI [didanosina, outro antirretroviral] ”.
1993. O AZT começa a ser produzido no Brasil.
 1995.  Em janeiro, o professor Adib Jatene assume o Ministério da Saúde pela segunda vez. Moderniza o PN-DST/Aids, dando-lhe novo rumo e capacidade econômico-gerencial. Permanece até novembro de 1996. Nesse período, são dados três passos vitais: apoio aos projetos das ONGs ligadas à área de prevenção e tratamento de HIV/aids; as primeiras recomendações para utilização dos “coquetéis” antirretrovirais; decisão de comprar os inibidores da protease, a nova família de drogas anti-HIV, que começava a ser comercializada.
“Em março de 1995, editamos a portaria ministerial regulamentando a compra e a distribuição de medicamentos para HIV/aids, para garantir acesso gratuito ao tratamento”, relembra Jatene.  “Em 1996, convocamos uma reunião em Brasília com 60 infectologistas para debater qual seria a atitude mais adequada do Ministério da Saúde em relação ao ‘coquetel’. Ele já existia, era capaz de controlar os sintomas e permitir sobrevida longa aos pacientes com aids, permitindo que mantivessem suas atividades profissionais. A recomendação foi de que fornecêssemos os antirretrovirais a todos os pacientes com aids.”
Pela primeira vez no mundo, essa proposta era apresentada. Sensibilizado com o problema, o senador José Sarney, então presidente do Senado, apresentou e conseguiu aprovar contra a opinião de alguns setores do governo (do presidente Fernando Henrique Cardoso), a Lei 9313 de 1996.
“Com a Lei Sarney, o Ministério da Saúde ficou legalmente autorizado a disponibilizar gratuitamente os antirretrovirais”, continua Jatene. “O Brasil se tornou o primeiro país a abordar a aids não apenas nos aspectos educativo e preventivo, mas também ao oferecer o tratamento mais eficaz de forma universal e gratuita.”
Mário Scheffer reforça: “Sem a Lei Sarney a distribuição gratuita e universal dos antirretrovirais não teria se tornado política de Estado, realidade até hoje”.
1998. Em 31 de março, José Serra assume o Ministério da Saúde. O PN-DST/Aids existia, o acesso universal ao tratamento antiaids era real e alguns antirretrovirais já estavam sendo fabricados no Brasil.[Fonte]
Mas José Serra não ficou de braços cruzados no ministério da Saúde. Não podemos negar suas realizações, sem cometer uma injustiça. Vamos a ela.

Foi durante a gestão de José Serra que teve início o que viria a se tornar conhecido como o Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia dos sanguessugas ou máfia das ambulâncias.

O esquema funcionava tão bem, que o principal beneficiado por ele, o dono da Planan, Luiz Vedoin, queria Serra presidente em 2002:

"A quadrilha dos sanguessugas começou a funcionar em 2000, segundo a Polícia Federal.
Serra foi questionado sobre a declaração de Luiz Vedoin, um dos donos da Planam, de que torcia pela vitória do tucano na eleição presidencial de 2002. A Planam forneceu ambulâncias superfaturadas a prefeituras por meio de emendas feitas por parlamentares. Vedoin disse que os pagamentos pelas ambulâncias nunca atrasavam no governo FHC e que, por isso, queria que Serra fosse eleito presidente."

"A quadrilha dos sanguessugas começou a funcionar em 2000 [Serra ministro], segundo a Polícia Federal.
Serra foi questionado sobre a declaração de Luiz Vedoin, um dos donos da Planam, de que torcia pela vitória do tucano na eleição presidencial de 2002. A Planam forneceu ambulâncias superfaturadas a prefeituras por meio de emendas feitas por parlamentares. Vedoin disse que os pagamentos pelas ambulâncias nunca atrasavam no governo FHC e que, por isso, queria que Serra fosse eleito presidente." [Fonte: Folha]
Também durante a gestão de Serra à frente do ministério da Saúde funcionou a todo vapor a Operação Vampiro.

O candidato a governador de São Paulo José Serra tem assuntos pendentes em Brasília. Entre março de 1998 e fevereiro de 2002, quando ocupou o cargo de ministro da Saúde, seis subordinados dele se juntaram à máfia dos “vampiros” para comprar derivados de sangue com dinheiro público – e a preços superfaturados. Todos foram indiciados; cinco deles, por formação de quadrilha. O relatório sigiloso da Operação Vampiro, que a Polícia Federal finalizou em agosto, concluiu que existia uma “organização criminosa” controlando as compras de hemoderivados na gestão Serra. Na quinta-feira 21, o procurador da República Gustavo Pessanha dava os últimos retoques no texto da denúncia que apresenta à Justiça Federal de Brasília, nesta segunda-feira 25. Empilhados, os documentos alcançam um metro de altura. Há detalhes no inquérito que podem trazer mais dores de cabeça para José Serra. Para começar, a investigação prova que Serra sabia da existência da quadrilha.

Em suas investigações, a Polícia Federal descobriu que, em 2001, chegou uma denúncia anônima encaminhada diretamente a José Serra e protocolada no Ministério da Saúde. Segundo o relatório da PF, a denúncia “dá conta da prática de diversos crimes”. Havia dois acusados. Um deles era Platão Fischer Puhler, diretor do Departamento de Programas Estratégicos e um dos homens de confiança do ministro. O outro era o empresário Jaisler Jabour, que mais tarde se descobriu ser o chefe do braço na iniciativa privada dos vampiros. Segundo a denúncia, Platão estava cometendo “as maiores barbaridades” no milionário setor de compras, em parceria com Jabour. Ele dizia que a preferência dos envolvidos era por compras internacionais, que facilitariam depósitos em contas bancárias estrangeiras. “O que está ocorrendo nesta área é um escândalo”, dizia a denúncia. A polícia constatou que Serra recebeu o documento. E leu. O que fez Serra? Em vez de protocolar um ofício formal na PF, mandou o próprio Platão, o acusado, ir lá para denunciar a si mesmo. Curiosamente, nada aconteceu. [Fonte: IstoÉ]
Assista ao vídeo de uma solenidade em que José Serra entrega algumas das ambulâncias superfaturadas:



OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Serra já tem programa para depois das eleições: depor na PF sobre corrupção em seu governo

Serra vai ter que falar sobre corrupção em seu governo


Dia 7 de outubro, dois dias após a votação do primeiro turno das eleições deste ano, o ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro das Operações Vampiro e Sanguessuga, José Serra, já tem programa marcado, e nada agradável.

A Polícia Federal intimou o ex-governador paulista e candidato ao Senado José Serra (PSDB) para depor sobre os contatos que manteve com empresas do cartel de trens que atuou no Estado entre 1998 e 2008, de acordo com documento obtido pela Folha.

A polícia quer saber se o tucano, quando era governador, atuou a favor das multinacionais CAF e Alstom numa disputa com outra empresa do cartel, a Siemens, como sugerem e-mails e o depoimento de um executivo à PF.

No inquérito conduzido pelo delegado Milton Fornazari Júnior, três das sete concorrências sob investigação foram realizadas durante o governo José Serra (2007-2010). [Fonte: Folha de S.(de Serra?) Paulo]

Se perder a eleição para o Senado, Serra fica sem a cobertura da imunidade parlamentar. E este é só o primeiro dos muitos depoimentos que terá de prestar sobre corrupção... Agenda cheia garante que pelo menos de tédio ele não morre.

OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Campos morreu em desastre de avião. Aécio, de aeroporto. A campanha está no ar.





OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Empresa doa R$ 1 milhão ao PMDB-RJ. 4 dias depois tem contrato prorrogado com governo Pezão, PMDB



A empreiteira Ipê Engenharia doou R$ 1 milhão ao PMDB-RJ quatro dias antes de ser formalizada, com atraso, a prorrogação de um contrato com o governo do Rio, comandado pelo candidato da sigla, Luiz Fernando Pezão. A transferência do recurso da empreiteira para o partido ocorreu no dia 14 de julho. Quatro dias depois o DER (Departamento de Estradas e Rodagem) publicou no "Diário Oficial" a renovação de um contrato que havia expirado dois meses antes. O valor é de R$ 1,4 milhão. A Ipê é uma das empresas com contrato do Estado que doaram ao Comitê Financeiro Único do PMDB do Rio, que financia a campanha de Pezão e candidatos de sua coligação. Entre os dez financiadores, oito já prestaram serviços para o governo. [Fonte: Folha]


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Bonner, o Modesto



O apresentador do Jornal Nacional William Bonner pode ser acusado de tudo, mau repórter, mau jornalista, menos de vaidoso. Comentando a péssima repercussão de suas entrevistas com alguns candidatos à presidência, especialmente com a presidenta Dilma, ele publicou em seu twitter:

"Robôs partidários de todos os matizes insatisfeitos! Corruptos insatisfeitos! Blogueiros sujos insatisfeitos! Muito bom! Obrigado mesmo!" (confira na imagem)

Por isso eu digo que ele é modesto. Não são apenas esses os insatisfeitos, Bonner (exclamação, a la Bonner, que usou cinco em cinco frases). O povo brasileiro está cada vez mais insatisfeito com o Jornal Nacional, o que se reflete na audiência, que era de 58% e já chegou a 11% em abril (exclamação).

Deixe a modéstia de lado, pavoneie-se: "Vou levar o JN a zero! Muito bom! Obrigado mesmo!"



OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Arma da presidenta Dilma, controle remoto pode se voltar contra ela como um bumerangue



Algumas vezes em que se viu questionada sobre conteúdo manipulador de emissoras de TV a presidenta Dilma disse que a solução para esse mal é o controle remoto. Mude de canal quem não estiver satisfeito.

A "solução" presidencial apresenta dois problemas:
1. cartelizados e/ou pautados pelo instituto Millenium, o conteúdo dos canais é geralmente o mesmo. É como trocar seis por meia dúzia.
2. ela como presidenta não pode ignorar a Constituição, que proíbe a uma concessão pública fazer o que a Globo (e não somente ela) faz. Por exemplo:

Meu amigo Hayle Gadelha postou no Facebook o seguinte:

Recebi de um amigo os seguintes dados sobres as entrevistas globais:
1. Aécio
- As três primeiras perguntas, duas de William Bonner Júnior e uma de Patrícia Poeta Pfingstag Soares, foram contra o governo federal e levantavam a bola
- WB perguntou e interferiu 8 vezes
- PP = 7
2. Dilma
- WB perguntou e interferiu 28 vezes
- PP = 10
WB disse que "garantia" 1min30 no final, aos 14:41, e Dilma foi interrompida aos 15:41.
Não apenas nas entrevistas com os candidatos, o Jornal Nacional foi parcial contra Dilma. Antes, o Manchetômetro já havia mostrado os disparates do JN, a ponto de um eleitor ir ao Ministério Público denunciar o abuso e a ilegalidade cometidos pela Rede Globo:
Uma hora, vinte e dois minutos e vinte e seis segundos. Esse é o tempo, de acordo com o Manchetômetro, que o Jornal Nacional, principal telejornal do país, dedicou a críticas à Dilma Rousseff em 2014, ano eleitoral. Seu principal adversário, Aécio Neves, foi criticado por cinco minutos e trinta e cinco segundos - ou seja, 15 vezes menos. O PT, partido de Dilma, recebeu quase três horas e meia de notícias contrárias, enquanto as críticas ao PSDB, de Aécio, duraram praticamente um terço desse tempo.

Em relação a notícias positivas, Dilma recebeu três minutos e trinta e cinco segundos, contra sete minutos e quarenta e dois segundos favoráveis a Aécio.

Baseado neste desalinho editorial do JN, o eleitor Osvaldo Ferreira formalizou uma denúncia ao MInistério Público Federal (MPF) sobre a atuação do telejornal. “Que o MPF apure, mediante as provas juntadas, desvio de função da Rede Globo de Televisão, como concessionária do espectro eletromagnético nas transmissões televisivas em desfavor de um partido político, “in casu” o PT, justamente em um ano eleitoral”, solicita Ferreira. Ele ressalta que a regulação das transmissões televisivas, conforme a Constituição Federal, “devem seguir os parâmetros legais vigentes para todo serviço público, sob concessão ou não, quais sejam, a supremacia do interesse público, da transparência”.

O Manchetômetro é uma ferramenta criada pelo Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (Lemep), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), para medir as manchetes favoráveis e contrárias aos principais candidatos e partidos nessa corrida eleitoral. Na apresentação, o Manchetômetro é explicado como uma ferramenta que não tem nenhuma filiação partidária ou comprometimento com grupos econômicos.[Fonte: MudaMais]
Se a presidenta não tomar cuidado, o efeito bumerangue pode voltar o controle remoto contra ela: em vez de trocar o canal, troca o presidente.


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Marina critica exploração política da morte de Campos por rivais, diz Folha

Charge de Latuff


Quer dizer que ela não está explorando, não... Sabe de nada. Inocente.
Que nem o Itaú, que a apoia, tem o maior lucro da história e demite milhares de bancários.
Ou a Natura, que também a apoia, e que foi condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) por demitir empregadas doentes e obrigar uma gerente a trabalhar durante a licença maternidade.
REDE de inocentes... Só que não.



OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Marina abandona Suplicy e vai de Serra em SP. Candidatura de Aécio à beira do telhado

Serra e Marina, só na 'simpatia'


Da coluna de Mônica Bérgamo na Folha:

Marina Silva não apoiará mais Eduardo Suplicy, do PT, ao Senado em SP. E sim dirá que a aliança que representa apoia José Serra, do PSDB.
É assim que Marina retribui o apoio que recebeu de Suplicy, um petista histórico, quando da tentativa frustrada de fundar sua REDE, como noticiou o Uol em fevereiro do ano passado:

O senador petista Eduardo Suplicy (SP) foi ovacionado no início da noite deste sábado (16) ao apresentar apoio à amiga e ex-colega de Senado Marina Silva. Suplicy chegou já perto do fim do evento de lançamento do partido "Rede Sustentabilidade", de Marina.

Após um longo discurso no qual contou as experiências que partilhou com Marina Silva, Suplicy assinou a lista de apoiadores  - que precisa ultrapassar o número de 500 mil assinaturas de eleitores, em pelo menos nove Estados, segundo exigência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Agora, nos braços de Serra, Marina abandona quem lhe deu a mão e empurra a candidatura do tucano Aécio Neves telhado abaixo. Sem Rede de Sustentabilidade.


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Sobre 'O Mercado de Notícias', de Jorge Furtado



Sou fã de Jorge Furtado, desde Ilha das Flores. Acompanho seus filmes e seu trabalho na televisão. E também as postagens que faz em seu blog.

Com esse espírito, fui assistir a seu último filme, "O Mercado de Notícias", cheio de boas expectativas. Afinal, este blog trata do assunto desde que o inaugurei há nove anos.

Mas, se não cheguei a me decepcionar, saí um pouco frustrado. O filme promete mais do que entrega - ou eu é que fui esperando mais, por culpa do talento incrível que Jorge Furtado tem de misturar realidade e ficção, extraindo o máximo dos temas de seus trabalhos.

A cozinha dessa vez não alcançou o resultado esperado. Os ingredientes estavam ali, mas não houve a mágica que os transformasse num grande filme.

Os depoimentos dos jornalistas não trouxeram novidade alguma para quem acompanha a discussão do jornalismo praticado no Brasil. Tirando a declaração peremptória de Janio de Freitas de que o jornalismo de hoje é negócio e que o comercial manda no noticiário (ele não disse com essas palavras, mas o sentido é esse), o resto foi mais do mesmo.

Mas o filme tem dois grandes momentos, que fazem que valha a pena assisti-lo, ao menos por eles: a elucidação da farsa da bolinha de papel que atingiu Serra em 2010 e o caso do Picasso falso do INSS. Hilários, impagáveis, e um verdadeiro trabalho de reportagem com a qualidade e o humor característicos de Jorge Furtado.

Vá ver o filme, sem as expectativas exageradas que eu tinha quando fui assisti-lo. Vale a pena. Especialmente se você gosta do assunto, ou então, ao contrário, se você acha que o jornalismo de hoje é feito por bravos jornalistas e repórteres que vivem e distribuem notícia com  a intenção de informá-lo com "a verdade dos fatos". Neste último caso, você vai levar um susto. Leve-o.

"O Mercado de Notícias" tem um site onde podemos assistir aos depoimentos dos jornalistas na íntegra, além de encontrarmos outras informações sobre ele. Vale a visita.

Salve, Jorge.

E você, já viu o filme? O que achou?


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Médico estuprador condenado a 278 anos, que fugiu graças a habeas de Gilmar Mendes, é preso no Paraguai

O ministro Gilmar, que possibilitou a fuga, e o médico estuprador,
condenado a quase 300 anos de cadeia

O médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por 52 estupros e atentado violento ao pudor, foi preso nesta terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai.

Abdelmassih estava foragido desde janeiro de 2011. Ele será deportado sumariamente pelas autoridades paraguaias por também estar na lista de procurados da Interpol. Ele deve chegar às 17h à cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu (PR). [Fonte: Folha]

Para quem não se recorda de quem é o médico criminoso e como ele fugiu do Brasil, reproduzo postagem aqui do blog de abril de 2011:

O médico Roger Abdelmassih, de 67 anos, já está no Líbano. E por lá deve ficar porque tem origem libanesa e o Brasil não tem tratado de extradição com o Líbano. E isso poderia ter sido evitado, caso o ministro Gilmar Mendes não concedesse o habeas corpus que o tirou da cadeia.

O médico estava preso, aguardando recurso de sua defesa diante da sentença que o condenou a 278 anos de cadeia por violentar 37 mulheres (suas pacientes, o que agrava os crimes) entre 1995 e 2008. E aguardava preso porque a Polícia Federal informou que ele tentava renovar seu passaporte. A juíza Kenarik Boujikian Felippe determinou que ele fosse preso para evitar sua fuga do país.

Seu advogado recorreu. Disse que Roger Abdelmassih não pretendia fugir do país, só estaria renovando o passaporte...

Sem ao menos perguntar ao advogado por que um homem de 67 anos condenado a 278 anos de cadeia renovaria o passaporte (seria um novo Matusalém?), Gilmar Mendes mandou soltar o passarinho, que agora vai passear sua impunidade no exterior, até que a morte o separe da boa vida.

Por essas e outras, crimes contra as mulheres acontecem diariamente no país. Há o caso notório do jornalista Pimenta Neves, que matou fria e covardemente sua ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide, e passeia sua impunidade, após ter destruído as vidas de Sandra e de sua família.

O que dirá Gilmar Mendes, sobre seu habeas corpus que possibilitou a fuga do criminoso?

OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...