sexta-feira, 31 de agosto de 2007

'Fora Povo', de Luis Fernando Verissimo


Para os que não puderam ler nos jornais de ontem:
Pesquisa recente concluiu que a elite brasileira é mais moderna, ética, tolerante e inteligente do que o resto da população. Nossa elite, tão atacada através dos tempos, pode se sentir desagravada com o resultado do estudo, embora este tenha sido até modesto nas suas conclusões. Faltou dizer que, além das suas outras virtudes, a elite brasileira é mais bem vestida do que as classes inferiores, tem melhor gosto e melhor educação, é melhor companhia em acontecimentos sociais e é incomparavelmente mais saudável. E que dentes!

A pesquisa reforça uma tese que tenho há anos segundo a qual o Brasil, para dar certo, precisa trocar de povo. Esse que está aí é de péssima qualidade. Não sei qual seria a solução. Talvez alguma forma de terceirização, substituindo-se o que existe por algo mais escandinavo. As campanhas assistencialistas que tentam melhorar a qualidade do povo atual só a pioram, pois, se por um lado não ajudam muito, pelo outro o encorajam a continuar existindo. E pior, se multiplicando. Do que adianta botar comida no prato do povo e não ensinar a correta colocação dos talheres, ou a escolha de tópicos interessantes para comentar durante a refeição? Tente levar o povo a um restaurante da moda e prepare-se para um vexame. O povo brasileiro só envergonha a sua elite.

Se não tivéssemos um povo tão inferior, nossos índices sociais e de desenvolvimento seriam outros. Estaríamos no Primeiro Mundo em vez de empatados com Botsuwana. São, sabidamente, as estatísticas de subemprego, subabitação e outros maus hábitos do povo que nos fazem passar vergonha.

Que contraste com a elite. Jamais se verá alguém da elite brigando e fazendo um papelão numa fila do SUS como o povo, por exemplo. Mas o que fazer? Elegância e discrição não se ensina. Classe você tem ou não tem. Mas o contraste é chocante, mesmo assim. Esse povo, decididamente, não serve.

Se ao menos as bolsas-família fossem Vuiton...


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2 comentários:

  1. José Luciano31.8.07

    " O Horror, o horror" Marlon Brando (em Apocalipse Now)

    "Bem, os célebres mocambos que José Lins havia descrito em Moleque
    Ricardo. Conheceria José Lins aquela vida? Provavelmente não
    conhecia.(...) Que entendia ele de meninos nascidos e criados na lama e na miséria, ele, filho de proprietários? (...)Agora morava no Rio, talvez entrasse na ordem, esquecesse a bagaceira e a senzala, forjasse novelas convenientes para um público
    besta, rico e vazio." Memórias do Cárcere (Graciliano Ramos, sobre José Lins do Rego)

    Quando eu lia a Veja há alguns anos ela ainda disfarçava aqui, colocava uma nota ali mas ainda existia algo útil e verssímil pra ler, mas agora ela chutou o balde, ou melhor implodiu a represa. Agradeço a Alah todos os dias pelos blogs.

    PS.: Graciliano Ramos nasceu em Alagoas.

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  2. simplesmente um chute na cara na hipocrisia...

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