quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia dos namorados todo dia é


Esqueletos se abraçando

Os dois esqueletos aí da foto morreram assim, abraçadinhos, há cinco ou seis mil anos. Eles foram encontrados por um grupo de arqueólogos romanos que faziam escavações nos arredores de Mantova, no norte da Itália.

Pouco se sabe sobre eles, mas, segundo a arqueóloga Elena Menoti, eram jovens, pois os dentes ainda estavam intactos.

- Nunca encontramos na Itália um sepultamento duplo da Idade da Pedra, muito menos de duas pessoas se abraçando.

Sei que hoje é Dia dos Namorados para os americanos. O nosso é no dia 12 de junho (não me esqueço do dia, pois nasci nele). Mas, para os românticos, todo dia pode ser Dia dos Namorados. Como esses dois, abraçados, indiferentes ao calendário e à passagem das horas.

Para manter o clima romântico, divido com você esta Ode de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, e personagem de um dos mais deliciosos livros de Saramago, “O Ano da morte de Ricardo Reis”.

Vem sentar-te comigo, Lidia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Achou pouco? Então curta Chico Buarque cantando "Futuros amantes", ao vivo, no Canecão. Legendei, para quem não conhece a letra.



Feliz Dia dos Namorados para os que namoram e comemoram.

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2 comentários:

  1. Daqui há pouco aparece Luiz Mott dizendo que "eram dois namorados que morreram pelo preconceito da época"...


    Huahuahuahuahau

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  2. Me lembrei de Romance De Uma Caveira

    (Alvarenga / Ranchinho E Chiquinho Sales)
    Eram duas caveiras que se amavam
    E à meia-noite se encontravam
    Pelo cemitério os dois passeavam
    E juras de amor então trocavam.
    Sentados os dois em riba da lousa fria
    A caveira apaixonada assim dizia
    Que pelo caveiro de amor morria
    E ele de amores por ela vivia.
    Ao longe uma coruja cantava alegre
    Por ver os dois caveiros assim felizes
    E quando se beijavam entao funebres
    A coruja batendo palma e pedia bis
    Mas um dia chegou de pé junto
    Um cadáver novo de um defunto
    E a caveira pr'ele se apaixonou
    E o caveiro antigo abandonou.
    O caveiro tomou uma bebedeira
    E matou-se de um modo romanesco
    Por causa dessa ingrata caveira
    Que trocou ele por um defunto fresco.

    Beijooooooooossssssss!!

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