quinta-feira, 3 de abril de 2008

A fábrica de dossiês dos tucanos e o 'dossiê Vedoin' das eleições de 2006


Esta do senador Álvaro Dias não é a primeira que os tucanos armam para cima dos adversários. O caso mais citado é o de Roseana Sarney, nas eleições de 2002. Mas ninguém me tira da cabeça que os tucanos também estavam por trás do tal “escândalo dos aloprados”, como escrevi aqui, em 23 de setembro de 2006.

Repito a postagem. Leiam até o final e comparem com o que veio a acontecer menos de uma semana depois, com o surgimento da foto do dinheiro, via delegado Bruno.

O escândalo do dossiê contra Serra: E se aconteceu assim?

Se a grande imprensa pode especular à vontade, por que este humilde blog também não pode fazê-lo? Vamos aos "fatos" - assim como eles fazem.

Depois de adiar o encontro com a realidade por meses, semanas, e, finalmente, dias, os tucanos perceberam que a eleição de Lula já estava decidida, e no primeiro turno. A menos que... A menos que uma bomba caísse no colo do presidente. Trataram de montá-la.

A primeira providência foi procurar uma dupla de velhos parceiros, os Vedoin, pai e filho. Eles já haviam ganhado muito dinheiro com FHC no poder, e estavam no "contas a pagar" clandestino do PSDB, desde que explodiu o caso das sanguessugas.

É bom destacar que os Vedoin não gostam dos petistas. Se ganharam muito no governo anterior ("a gente pagava até adiantado..."), com os petistas começaram ganhando dinheiro também. Mas acabaram com um par de algemas cada e dividindo hospedagem numa cela da Polícia Federal. E isso é uma coisa que os bandidos sempre consideram uma "injustiça", uma "sacanagem".

Os tucanos foram direto ao assunto com os Vedoin: precisavam ferrar a candidatura de Lula. Tinham um plano, e eles eram a isca. Deveriam procurar o PT e dizer que passavam por dificuldades financeiras, já que todas as suas contas estavam bloqueadas na justiça. Ofereceriam aos petistas o que eles queriam, e sempre procuraram: as provas de que os tucanos estavam envolvidos até o pescoço no esquema das sanguessugas. Mas os Vedoin não poderiam ser os portadores da proposta, porque os petistas desconfiariam. Eles necessitavam de um intermediário confiável ao PT. Aí entra Valdebran Padilha.

Valdebran (que estava no hotel em São Paulo e, em tese, receberia a grana pelos Vedoin) também não gosta dos petistas. Sempre foi um operador no Mato Grosso. Vivia - para usar uma expressão do senador Suassuna - beliscando uma "beirada" aqui, outra ali. Com o PT no poder, vislumbrou um futuro promissor. Filiou-se ao partido em 2004, a tempo de comandar a arrecadação de recursos do candidato petista à prefeitura de Cuiabá. Mas o petista não se elegeu. Valdebram ficou chupando dedo, até que se candidatou a uma vaga na direção da Eletronorte. "Mas uma ala do PT impediu a nomeação enviando um dossiê contra ele sobre superfaturamento em prefeituras de Mato Grosso".

Contatado pelos Vedoin, Valdebran topou a parada. Procurou seus "companheiros" petistas e expôs a proposta. Pediu uma quantia absurda (vinte milhões de reais) para dar maior credibilidade ao que propunha. Mas aceitou, rapidamente, que ela caísse para a décima parte. Os "alegres petistas" caíram como patetas.

O acordo seria feito em duas partes. Na primeira, uma entrevista onde os Vedoin denunciariam o envolvimento de Serra e Barjas Negri no esquema. Os tucanos estrilariam, e aí entraria a segunda parte do plano: as provas seriam exibidas à imprensa, com toda a movimentação financeira que provaria por a+b que a máfia das sanguessugas nasceu e se desenvolveu em ninho tucano, com a participação direta de Barjas Negri e, ao menos, a omissão de Serra.

A primeira parte foi feita, com a entrevista dos Vedoin à IstoÉ. Os "alegres petistas" aguardavam ansiosos no Hotel Íbis o material relativo à segunda parte. Foram surpreendidos pela Polícia Federal, "casualmente" alertada por uma conversa providencial dos Vedoin ao telefone - que sabiam estar grampeado.

No kit que os tucanos combinaram com os Vedoin estava ainda a necessidade da inclusão de uma foto de Alckmin no meio do "dossiê" para poder envolver o presidente Lula no episódio. O que foi feito. No mais, algumas imagens de Serra, que todos já estavam mais carecas que ele de saber. A movimentação financeira do esquema...ha-ha-ha...

Tudo certo, tudo perfeito - se não ficasse faltando um detalhe (e como os tucanos lamentam isso...): uma foto da bolada de dinheiro, exatamente como aconteceu com Roseana Sarney.

Nada que, nesta reta final, o programa de Alckmin não possa resolver com uma edição maliciosa. Imagens já não faltam. A Veja desta semana tem uma arte com uma montanha de reais e dólares. A primeira página de O Globo de hoje, a foto de um monte de dinheiro de uma outra operação da PF.

Como um exército de Brancaleone desesperado, a oposição a Lula exclama, com o apoio da grande imprensa:

- Avante, Aquilante - quer dizer, Avante, Alckmin!!! Abaixo "Apedeuta" [publicado originalmente em 23 de setembro de 2006]

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4 comentários:

  1. Ivan Moraes3.4.08

    "ninguém me tira da cabeça que os tucanos também estavam por trás do tal “escândalo dos aloprados”": TODO, eu digo TODO escandalo brasileiro cujo dinheiro nao tem fonte tracavel bancariamente ou documentalmente eh escandalo TUCANO. SEM EXCESSAO. Foi por causa deles que o Brasil se afundou em espionagem. Sempre foi a extrema direita DIRETAMENTE envolvida em espionagem e sabotagem no continente todo.

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  2. Anônimo3.4.08

    Eu acho que o PSDB já sabia há tempos que a eleição de um tucano estava perdida. Afinal o partido PSDB inclui vários cientistas sociais experientes. Tanto assim que Serra, a contragosto sim, mas convencido pela inevitabilidade da derrota, conformou-se com a candidatura do Alckmin. Desse modo, o interesse maior era o da mídia de demonstrar, ao contrário do que a esquerda dizia, que ainda mantinha controle sobre a "opinião públicA" e capacidade de determinar os rumos das eleições. Especialmente a tevê Globo que se sentiu diretamente desafiada quando Lula não compareceu ao último debate antes do primeiro turno. Daí, a articulação com as ligações dos tucanos com a polícia federal e paulista, o delegado Bruno, o jornalista da TV Globo citado nominalmente pelo delegado Bruno, cujo nome não me lembro agora, o "flagrante" previamente armado em que a emissora chegou antes de todo mundo, e a convocação "para disfarçar" o arranjo exclusivo com a editoria do Jornal Nacional, e o descaramento do JN de priorizar as fotos do delegado Bruno a um terrível acidente aéreo sem precedentes na história da aviação brasileira. Tanto esforço e dinheiro da TV Globo não poderiam ser ofuscados por uma queda de avião. Vera Pereira

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  3. Nonato3.4.08

    Mello, também sempre achei que a hipótese mais lógica seria exatamente esta que você descreveu. E aqora sucede o mesmo com o próprio Álvaro Dias divulgando um dossiê de FHC. Os tais dossies são tão fracos que os PSDBistas (vamos parar de difamar os tucanos! Os animais.) são os primeiros a quererem manter o assunto em alta.

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  4. Anônimo3.4.08

    FRANCINILDO DISSE, O ARTIGO DO JF DÁ UMA CLAREADA NA TUCANAGEM.

    "Procurador Mário Lucio Avelar: quando ele ouvirá Abel Pereira?

    JANIO DE FREITAS

    O iluminado e as obscuridades

    Até agora, a PF não sugeriu o tipo de crime que haveria na expectativa de compra de um dossiê de informações

    A maior originalidade do "caso dossiê" está em ser um inquérito de Polícia Federal e Procuradoria da República que precisaria ser submetido a um inquérito de Polícia Federal e Procuradoria da República, para desvendar alguns procedimentos do primeiro.

    Já no seu compasso inicial houve a dispensa do flagrante, sempre procurado pelas polícias, do pagamento e recebimento do dossiê em hotel paulistano. Por que?
    O flagrante foi substituído pela conexão entre PF de Cuiabá e um delegado da PF, em coincidente plantão, para fazer no hotel duas prisões sem ilícito definido. Até agora, a PF não sugeriu o crime que haveria na expectativa de compra de um dossiê de informações, mesmo que com propósitos eventualmente eleitorais. O mistério da origem do dinheiro, que até agora a PF também não conseguiu caracterizar como criminosa, só apareceu depois das duas prisões no hotel.
    Por que tal operação em lugar do flagrante, admitindo-se a hipótese de motivo para fazê-lo?

    Antes de qualquer investigação da PF ou da Procuradoria da República, o procurador em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar, deu entrevistas com a insinuação inequívoca de que o dinheiro apreendido procedia do governo. Não indicou pista alguma nesse sentido.
    Que motivos o levaram à grave insinuação, assim como a outras entrevistas que deu?

    Desde que fez as prisões no hotel paulistano, o delegado da PF Edmilson Pereira Bruno manteve-se próximo de repórteres, inclusive dentro da PF em dias de sua folga, com contribuições ao noticiário fermentativo. Não tardou a distribuir, para um grupo de repórteres, jogos de fotos das pilhas impressionantes de dinheiro apreendido. Mentiu para fazê-las, passando-se por delegado do inquérito. Mentiu aos superiores na PF, negando a autoria da distribuição. Identificado como único possível autor das fotos e da distribuição, mentiu ao dizer que o fizera para proteger-se "de uma armadilha", porque furtaram de sua mesa um dos três CDs com as fotos. Mas "O Globo", presente à distribuição, deixou discreto registro de que, já ao fazê-la, o delegado Edmilson Bruno "disse que iria reportar a sua chefia que o CD entregue aos jornalistas havia sido furtado: "Isso aqui (o CD) alguém roubou e deu para vocês. O que vai parecer? Que alguém roubou [da mesa dele] e vazou na imprensa'". Por que isso tudo?

    Desde os primeiros depoimentos de Luis Antônio Vedoin, o empresário Abel Pereira é apontado como intermediário de altas liberações de verba da corrupção da Saúde, quando ministro, em 2002, Barjas Negri. O delegado Diógenes Curado, da PF em Cuiabá, proporciona notícias diárias de convocações de Aloizio Mercadante e Ricardo Berzoini para depoimentos.
    Até hoje não tomou depoimento de Abel Pereira, nem o procurador Mário Lúcio Avelar o fez. Por que não, se Abel Pereira tem até o agravante de outras ligações, inclusive financeiras, com negócios dos Vedoin? "

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