sábado, 19 de abril de 2008

Hipocrisia de O Globo é desmascarada pelo próprio jornal


Nota na página 2 de O Globo de hoje, no espaço conhecido como “Por dentro do Globo”, onde são publicadas notas sobre a redação do jornalão.

Fatos e Fotos

Desde o primeiro momento, O GLOBO evitou publicar as imagens de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, assassinada no dia 29 de março. Nosso entendimento foi o de que sem acusação formal e sem laudos técnicos que dessem base para qualquer decisão, seria precipitado expor publicamente pessoas que, se posteriormente inocentadas, já poderiam ter sido “julgadas” pela imprensa e pela opinião pública.

Polícia e Ministério Público deram declarações desencontradas em vários momentos, a ponto de o Poder Judiciário ter relaxado a prisão dos dois por falta de provas que a justificassem.

Uma situação complexa para todos os envolvidos, inclusive a mídia. Desde ontem, porém, com o indiciamento do casal pela polícia, a partir das provas técnicas reunidas, a situação mudou, em nossa visão.

Por isso, pela primeira vez desde que o rumoroso caso começou, publicamos hoje as fotos de Alexandre e Anna Carolina.

Pode ter sido um cuidado excessivo, dirão alguns, pois pouco adiantou apenas um jornal agir assim, quando o rosto dos dois esteve exposto nos demais veículos do país.

São argumentos válidos. Mas, analisando as cenas de violência registradas neste últimos dias e ontem em São Paulo, estamos confortáveis com o zelo que adotamos.

Lindo, comovente, não? Agiram assim com um casal de brancos, de classe média, média-alta, de um bairro de classe idem de São Paulo.

Mas, por que então publicaram na página 26 da edição de 16 de abril, quarta-feira, a foto a seguir (clique nela para ampliá-la), mostrando pobres, todos eles negros, moradores do Complexo do Alemão, favelados, amarrados como réstias de cebola ou alho, humilhados e ameaçados com fuzis para que posassem para a foto?

Aguardo os fatos para a foto.


Reprodução de foto de O Globo com presos detidos

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5 comentários:

  1. Anônimo20.4.08

    Prezado Mello,
    Quem leva a sério a Globo, Abril e outros do gênero merece ter a imprensa que tem.
    Quando estamos em um nível de entendimento superior, essa mídia não nos afeta.
    Infelizmente, é a mídia que vai até a grande maioria da população. É a bíblia de uma enorme massa da população. Infelizmente.
    A classe média, que se acha toda, com a Veja... As dondocas, com Caras.. e, por aí afora.
    Coitados. Dá pena. Mas, oque se há de fazer????
    Somos uma minoria que grita, esperneia e, graças a Deus, continuaremos esperneando até o final dos nossos dias.
    Maria Ignês

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  2. Mello, é um dos mais escancarados exemplos da hiprocrisia de nossa mídia. Foi ótima observação. Ficará registrado na história do jornalismo brasileiro. Que as gerações futuras estudem a parcial e comprometida mídia dos nossos tempos. Publiquei em meu blog, citando o seu belo achado.

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  3. Porque não haveriam de publicar?
    Foi o Capitão Nascimento quem pegou!

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  4. Pois é, Mello! O curioso é que registros como esse nos remetem imediatamente ao século XIX, quando escravos negros fugidos eram perseguidos e presos pelos capitães-do-mato e em seguida punidos exemplarmente em praça pública nos famigerados pelourinhos. A função da Polícia no Brasil sempre foi essa, a de controlar as chamadas "classes perigosas". A mídia corporativa brasileira do século XXI continua a amplificar e legitimar a ideologia da dominação desde sempre classista e racista. Assim, se o infrator é branco e rico o tratamento é sempre outro. É essa a mensagem de O Globo. Mais claro impossível!
    Abraços!

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  5. QUE SITUAÇÃO HEIN DEBORD? Sem a menor intenção de promover a instituição bancária estatal que, na prática, em nada se difere das demais hematófagas do nosso sistema financeiro, há que se reconhecer o mérito das propostas e exposições levadas ao público pelo Centro Cultural Banco do Brasil. Circunstancial é a programação ora em curso no CCBB-SP apresentando os trabalhos e teorias do filósofo e cineasta francês Gui Debord, tão interessante quanto foi a mostra do chileno, terráqueo alienígena, Alejandro Jodorowski. Um dos filmes apresentados “A Sociedade do Espetáculo” retrata de maneira atual a espetacularização das tragédias, protestos, manifestações culturais, teorias políticas, discursos de governos, comportamentos da sociedade e da mídia como agente (de)formador de opiniões. O que poderíamos esperar de uma organização como a Globo onde um de seus diretores (Boninho, Malinho, Malinha???) declara que seu divertimento, quando está em São Paulo, é jogar ovos podres “nas vagabundas” das calçadas? Declaro que não conhecia o falecido (suicidado) Debord. Só posso garantir que compartilhamos dos mesmos questionamentos e desilusões no tocante aos (des)caminhos da nossa espécie (humana?). Estaremos (nós-cegos) irreversivelmente imbecilizados pelo sistema controlado por canibais (antro-pófagos) da própria espécie? O espetáculo está aí para assistirmos com as mortes das Isabellas, ou, como nesta noite (21/04/08), com a TV do bispo (Maiscedo ou Maistarde com sua bancada evangélica garantindo a governabilidade) onde, sem o menor critério jornalístico, detonam o anual “espetáculo” cultural de São Paulo (Festa da Virada). Uma concentração de eventos alucinante, rara e grátis que, sem dúvida, poderia ser mais bem distribuída ao longo do ano. Quantos leitores, assinantes, consumidores e consumidos intelectualmente pelas organizações Globo, Civita, Frias, Mesquitas etc e pau perceberam ou perceberiam a contradição entre o editorial e o conteúdo da mencionada edição do jornal O Globo? Para estes veículos a senzala continua existindo e, por eles, jamais deixará de existir. Eles são a expressão e vassalos da maioria dos alienados estadunidenses como escreveu o poeta Caetano Veloso “Americanos são muito estatísticos, Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos, olhos de brilho penetrante que vão fundo no que olham, mas não no próprio fundo. Os americanos representam boa parte da alegria existente neste mundo. Para os americanos branco é branco, preto é preto (E a mulata não é a tal). Bicha é bicha, macho é macho, mulher é mulher e dinheiro é dinheiro. E assim ganham-se, barganham-se, perdem-se, concedem-se, conquistam-se direitos, enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime”. Os regimes estão se definindo, com diferenças é certo. Quem sabe se agora, depois de seis décadas, o Paraguai não vá deixar de ser apenas um entreposto da China e se transformar numa nação? Bem vindo o Lago que compartilha com “nosotros” o Aqüífero Guarani, Itaipu, e flagelos da histórica geopolítica colonizadora onde seu povo, assim como o nosso, não é cliente da Daslu.

    Saudações Bolivarianas!

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