quarta-feira, 14 de maio de 2008

‘Mesmo Que Ela Fosse Criminosa... (Eût-elle été criminelle...)’: Últimos dias para assistir


Recebi um e-mail do diretor do filme “Mesmo Que Ela Fosse Criminosa... (Eût-elle été criminelle...)”, Jean-Gabriel Périot, solicitando que eu retirasse do Youtube a cópia que subi do documentário. Ele afirma que não faz o pedido por ele, mas devido a problemas com o direito autoral de um músico. Portanto, vou retirar o vídeo, até o final do mês. É o tempo que você tem para vê-lo e, de preferência, baixá-lo para seu computador (veja como fazer isso nos links abaixo desta postagem).

ATUALIZAÇÃO: (janeiro de 2009) Tentei contato com o diretor e não consegui. Portanto, o vídeo continua.

Eu o coloquei aqui em fevereiro deste ano, e repito a postagem original para quem ainda não viu.

Vídeo imperdível: Mesmo Que Ela Fosse Criminosa... (Eût-elle été criminelle...)


Não deixe de ver este documentário de curta-metragem do diretor francês Jean-Gabriel Périot, que recebeu vários prêmios internacionais. Participou também do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, em 2006, e da Mostra Internacional Minas, onde recebeu os prêmios de Melhor Diretor Internacional – Prêmio do Júri Oficial, para Jean-Gabriel Périot, Melhor Montagem Internacional – Prêmio do Júri Oficial e Melhor Som Internacional – Prêmio do Júri Oficial.

Em aproximadamente nove minutos, o filme mostra como estava a França, logo após a retirada dos nazistas, em 1944, quando o país readquiriu sua soberania.

Num trabalho de montagem incrível, Périot consegue narrar desde a ocupação até a retirada das tropas alemãs (com o ditador do bigodinho à côté) em pouco mais de dois minutos.

Em seguida, vem a alegria da libertação. Mas o filme mostra também – e esta é sua parte principal, destacada desde o título – o comportamento covarde e irracional de parte da população, que agride e humilha um grupo de mulheres, acusadas de terem se relacionado com os nazistas durante a ocupação. Como se boa parte da França não houvesse cooperado com os nazistas.

Como diz o título, ainda que fossem criminosas, o tratamento que lhes foi dispensado (repare num covarde que esbofeteia uma das mulheres, pouco depois do quarto minuto) mostra que os nazistas saíram, mas o nazismo ficou.

Descobri o filme por acaso, estava (e está) no Youtube, postado por alguém que não gosta de compartilhar e que por isso proibiu o embed. Foi ótimo. Trabalhei como uma e-mula (se é que me entendem), consegui o vídeo em .mov, passei-o para .divx e a qualidade está infinitamente melhor que a do egoísta (ainda se o muquirana fosse o autor do filme...).

É um monumento à estupidez humana, à mesquinharia, à pequenez, à covardia. Repare nos rostos das mulheres agredidas e humilhadas e nas expressões alegres e dissimuladas dos que deveriam apenas estar comemorando a vida, o fim do bode da ocupação nazista.

Confira, compartilhe-o com amigos e nos diga o que achou.

Leia também:

» Como baixar vídeos do Youtube para seu computador

» Programa para assistir aos vídeos do Youtube que você baixou da internet


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4 comentários:

  1. você sabe que isto também aconteceu na Holanda?
    Aliás, isto aconteceu em todos os países que estiveram ocupados pelos nazistas na segunda guerra.
    Já viu documentários sobre isto dos outros países?
    Eu já. Aliás, muito pior que isto foi o que aconteceu na Itália com a queda de Mussolini.

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  2. Parabéns, Mello! Eu já tinha baixado e visto o vídeo na época da primeira postagem mas a sua versão ficou de fato muito melhor. E, aqui, aproveito para tecer algumas reflexões que o vídeo suscita: a conquista e ocupação da França por 4 longos anos só foi possível devido ao apoio de vasta parcela da população francesa e da total colaboração das elites. Quando as tropas de Hitler marcharam em Champs-Élysées, e muito ao contrário do que mostram os filmes de Hollywood do pós-guerra, foram saudadas e aplaudidas por muitos franceses, principalmente pelos ricos que lá viviam e frequentavam. E por que? Porque na época a França vivia um período de grave crise econômica e grande agitação social. Daí porque a invasão nazi foi vista como a única salvação por parcelas ponderáveis da sociedade francesa mais conservadora que enxergava o caos no horizonte. E o "caos" chamava-se "revolução comunista"! Um exagero, claro! Mas isso explica o colaboracionismo de muitos. Já as pobres mulheres que "deitavam" com os alemães foram apenas eleitas como bode expiatório de uma frustração coletiva mal dirigida que tinha na verdade como alvo as classes dominantes francesas que muito prazerosamente também se "deitaram" com o inimigo. Mas é óbvio que o populacho linchador não tinha coragem de afrontá-las. É isso!
    Um forte abraço!

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  3. Vi da primeira vez que postou.
    Muito interessante.

    Não querendo ser um patriótico gaulês, e talvez abusando do humor nefasto, me pareceu que as moças sabiam porque estavam apanhando...

    Já aproveitando minha própria canalhice, será que não seria injusto da parte de Jean-Gabriel ressaltar a hipocrisía da França, dadas as circunstâncias da segunda guerra mundial? No alvorecer da paz a brutalidade da guerra ainda não tinha se dissipado, não é assim que acontece, e ninguêm fica isento do conflito, por mais distante que estejam das trincheiras. A sociedade civil ficou animalizada, a França e os franceses tiveram que ser reconstruídos como qualquer sociedade que surge.

    Acho até que para qualificar os hipócritas no filme de animais bárbaros e cmpará-los aos nazistas deveriam ter cortado os cabelos das mulheres com baionetas e navalhas, sem consideração pela integridade dos escalpos. Não com o carinho de cortadores de cabelo.
    Não é linchamento, mas é em praça pública, verdade...

    Só vi um tapa e reparei na senhora mais idosa levada pelo braço, que até argumentava com um "resistant", o que é muito interessante. Tirando o tapa e uma das moças que chora enquanto é depenada, o filme não mostra as degolações talibãs às quais estamos acostumados.

    Enfim, claro que são todos canalhas, claro que está tudo errado, mas o filme é meio forçação de barra...O hino francês no fundo é de uma apelação hollywoodiana...

    Outra coisa, fiquei curioso com a carta do cara... pode anexar ao post?

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  4. Anônimo12.4.09

    Um ano, ou mais, se passou desde a postagem deste video atual e universal.
    Fato é que quem aprecia documentário, nota que trata-se de alerta par que não venhamos a repetir as falhas de ontem.
    Contudo, não conseguimos...
    Vemos novos nazistas a roubar as de terras de outro povo, não permitir-lhe acesso ao comércio (seja para sustentar a família ou para comprar medicação para sarar os traumas causados pela nova invasão), torturá-los, testar-lhes o uso de modernas armas importadas ou desenvolvidas em seus porões (algumas com componentes químicos e fósforo, banidos pela convenção de Genebra), toma-lhes a dignidade ao negar-lhes o direito de ir e vir (em suas terras ancestrais, que apesar de tudo: nunca a abandonaram, até suportaram dividí-la, mas nunca a deixaram).
    É verdade, não aprendemos nada com os tais nazistas e ainda permitimos edificar um novo muro sem qualquer vergonha do passado.
    Concordo com os demais, que como eu, creem em combater todas as formas de totalitarismo
    Principalmente desses que nunca foram derrotados, os nazistas, que ainda hoje estão a governar povos pacíficos e influenciáveis por sua mídia dos novos Goebbels.
    Não podemos calar, fora quaisquer tipo de vilipêndio ao ser humano, não havemos de concordar com os "politicamente corretos" que impuseram-nos, fins continuarem a cometer o mesmo holocausto e genocídio de antes.
    Abaixo os nazistas, os colaboracionistas e todos os simpatizantes de quaisquer formas de totalitarismo.

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