terça-feira, 17 de junho de 2008

O Exército e o assassinato de três jovens do morro da Providência


Não sei sua opinião, mas essa história do frio assassinato de três jovens do morro da Providência, no Rio, com a participação de soldados e oficiais do Exército está muito mal contada.

Por que eles levariam os jovens para serem assassinados por facção rival do crime organizado, em outra favela, em vez de eliminar os jovens simplesmente, como parece ter sido a intenção?

Uma resposta a essa questão é capaz de horrorizar aqueles que defendem que o Exército deve participar ativamente do confronto com os narcotraficantes: o tenente, os três sargentos e os sete soldados estavam a serviço dos traficantes do morro da Mineira, e foram até lá entregar-lhes a encomenda.

Outra resposta deixa mal o Exército: na verdade, os militares assassinaram os jovens e a história dos traficantes foi criada apenas para livrar a farda do crime.

A terceira história – a contada por eles – pode até ser a verdadeira, mas é completamente inverossímil. Como um tenente, insatisfeito com a ordem do capitão para que libertasse os jovens, comenta com seus subordinados que quer castigá-los, um dos soldados tem a idéia de entregá-los aos traficantes da favela rival, isso é feito, e depois os corpos são encontrados longe dali, num lixão na Baixada Fluminense?

Qualquer que seja a alternativa, ela só vem reforçar a tese de que não é papel do Exército combater o tráfico de drogas.

Aliás, por falar nisso, o que está fazendo o Exército no morro da Providência, a serviço de um projeto do senador Crivella, que é do partido do vice-presidente José Alencar, e candidato a prefeito do Rio?

E você, sherlockiano leitor, você, minha agathíssima leitora, o que acha disso tudo?

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12 comentários:

  1. Zé Dirceu publicou um texto em seu blog em defesa do casal de homossexuais do exército, que assumiram sua condição publicamente. O que isto tem a ver com este assunto em pauta? Chama-me a atenção o fato de que no Brasil para se ser bom policial, civil ou militar, que se fazer a linha brucutu ou até mesmo bandido. Sendo sensível é visito como "marica" e dali expulso, dando-se a entender que são bem vindos mesmo gente desta extirpe, sendo preferível se acomodar malas nas fileiras do exército e, jamais, alguém que assuma sua condição homossexual. Lendo a opinião de alguns leitores em resposta ao texto de Zé Dirceu, www.zedirceu.com.br, tem-se a impresaão de que nenhum exército do mundo aceita gays em suas fileiras. Isto não é verdade. Até o exército israelense, em estado de guerra permanente, os aceita."Desde Novenbro de 2006, o casamento gay é reconhecido em Israel. A união civil entre pessoas do mesmo sexo é reconhecida desde 1993, e um casal homossexual usufrui de quase todos os direitos de um matrimônio heterosexual. O exército israelense também aceita homossexuais. Aliás, ser homossexual não é empecilho para o serviço obrigatório no exército."Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexualidade_em_Israel

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  2. Mariano Salinas17.6.08

    Mello, com o Exército tendo ou não tendo matado os 3 meninos, vc falou uma coisa muito certa: que o Exército não é a instituição certa para combater o tráfico.

    Não pode ser dada às forças armadas a função de "capitão-do-mato" que vai correr atrás da bandidagem e depois arrebentar com os bandidos da maneira que bem entender. Até porque matar traficante não é solução para a violência e nunca foi. O grande erro do Exército é lutar contra o tráfico imaginando que participam de uma guerra. No caso em questão aconteceu algo pior ainda: a execução sumária contra cidadãos que fazem parte (ou não) da coletividade que se pretende defender.

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  3. ATENÇÃO, COMENTARISTA:

    Toda opinião que não seja ofensiva é bem-vinda.
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    SE TIVER UM BLOG, OU QUISER INDICAR UM, faça-o após o comentário.
    Um abraço,
    Antônio Mello

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  4. Mello: mais dois aspectos, interdependentes se destacam. O primeiro é que a noção de impunidade foi saliente entre os militares. Os jovens foram presos com a testemunha da população, houve conflito na ocasião das prisões e um veículo militar transportou os jovens. Quem fez o que fez só poderia se achar imputável. O segundo é que faltou uma forte posição do governo em relação a toda a cadeia de comando. Não adianta punir apenas os agressores, é preciso que todos os comandantes sejam avaliados e punidos, pois não é possível que um tenente, que não deve ter mais de três anos que terminou a academia, tenha tanta desenvoltura para fazer o que fez com o exército brasileiro.

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  5. Feitosa,
    continuo achando a história mal contada.

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  6. O que eu acho surreal nisso tudo é que, na hora de protestar, a favela desceu até o quartel. Porque será? Não foram os traficantes que executaram os caras?

    A comunidade foi até os militares. O que isso quer dizer? Entre outras razões possíveis, a que se confirma é que a favela conta com o Estado de Direito. Eles, esquecidos, o reivindicam. É uma lição de cidadania de cortar o coração.

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  7. Mello, bom dia
    Sou leitor de seu blog a pouco tempo. Gosto de seus comentários, acho que eles destacam um lado que não é muito explorado em outros blogs que vejo diariamente. Me arrisco em dizer que o viés de esquerda que seus comentários têm é incomum.

    No entanto, sua opinião sobre os militares assassinos do Rio está equivocado, ao meu olhar e de todas as provas disponíveis até o momento.

    Marte

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  8. Walter,
    qual a minha opinião e onde ela está equivocada?
    Que eu saiba, apenas levantei questões, porque acho toda a história muito mal contada.

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  9. Nonato18.6.08

    História mal contada! Esta é a expressão que melhor descreve o caso. Primeiro: os jovens eram traficantes rivais do outro morro ou não eram bandidos? Não que eu ache que se fossem traficantes deveriam ser mortos, mas não é comum a mídia referir-se a bandidos como jovens. Segundo: a PM e Polícia Civil matam muito mais do que 3 jovens em igual periodo e ninguem pede que a PM ou Civil retirem-se dos respectivos estados. Terceiro: porquê jogar em cima do exército inteiro o que, aparentemente, é um caso isolado de maus militares? Não tenho resposta para estas questões, mas vou finalizar levantando outra: estaria o exército incomodando os "negócios" no morro e deu-se um jeito de tirá-lo de lá?

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  10. Anônimo19.6.08

    - Botar o exército nas fronteiras do Brasil para combater contrabandos(geralmente minha intuição acerta - vai ter clima de separatismo naquena região);
    - Fazer um pente fino (pela PF. é lógico) nas entradas das favelas e não deixar entrar nem armas nem drogas - o tráfico acaba por falta de material e eles se mudam;
    - Aprovar o novo imposto (ex-CPMF) para TAMBÉM rastrear dinheiro ilegal;
    - Botar na cadeia os traficantes, os policiais, juízes, promotores, políticos, e jornalistas que participam da contravenção;
    - Pagar mais aos policiais para que não se sintam tentados a optarem pela contravenção (se bem que no caso dos juízes, mesmo assim muitos optaram pelo crime).
    - ..... quem quiser, pode acrescentar mais

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  11. Quando resolvi acompanhar um pouco mais sobre esse caso, tive o grande prazer de assistir ao "Bundinha" Brasil, ou melhor, Bom Dia Brasil da Globo. E o editorialista da matéria de hoje (19/06) entregou o ouro literalmente. Resolveu aproveitar este deslize do exército vinculando o caso, com um candidato a prefeito que faz um trabalho social na Providência, justamente o pastor da instituição cristã novaerista Igreja Universal do Macedão, Marcelo Crivela; com o Exército Brasileiro, de ligação venal com o Governo Federal. Mais uma vez a Globo vaticinando contra seus inimigos: Governo Lula, Governo do Estado do RJ e IURD aliados de Lula. Como agora desconfio de tudo o que a Globo faz em termos de notícia, tenho a impressão de que apesar da sociedade brasileira querer de coração o fim da criminalidade, é preciso financiar moralmente os criminosos para que a imprensa noticie!

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  12. Teresinha Carpes22.6.08

    Mello vc tem razão,esta história esta muito mal contada,e "as mães"dos tres rapases mortos,estão chorando sem uma lágrima ,nos olhos!Tá difícel,acreditar,nesta história!O tráfico,é que manda,e êles (os traficantes) não estão contentes com esta reforma estrutural,alargando ruas,e abrindo os becos,onde os bandidos se escafediam do Bope,ou da policia civil e dos repórteres abelhudos da Glôbo!Os traficantes estão macumunados com policiais corruptos e políticos,que ganhavam o seu quinhão em termos monetários!Acredito no Crivella,não na sua religião...e todo o cuidado é pouco,pois tem muita gente linguaruda que quer ganhar dividendos nas eleições municipais,pela luta do poder falar mal do adversario,no caso do que tem maior possibilidade de ganhar as eleições!

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