sábado, 13 de dezembro de 2008

Ombudsman da TV Cultura acha ‘grave’ o poder da internet


Não, não há engano, Ernesto Rodrigues, o ombudsman, que, em tese, seria o ouvidor da TV Cultura, não gostou do excesso de e-mails que a emissora recebeu por conta da lista dos entrevistadores do presidente do STF, Gilmar Mendes, na próxima segunda-feira, no Roda Viva. Isso o deixou preocupado:

Não poderia haver situação mais exemplar do cuidado que, na minha opinião, todos devemos ter, independentemente de nossas opiniões políticas, com o avassalador poder de multiplicação da Internet e da importante - e também grave - possibilidade que ela abre para a comunicação direta entre pessoas e instituições, sem intermediários.

Por que o ombudsman, que é jornalista e professor da PUC-Rio, acha que devemos ter cuidado com o poder de multiplicação da internet e acha grave aquilo que ela tem de mais interessante, a possibilidade de comunicação direta entre pessoas e instituições, sem intermediários?

Já o diretor do Roda Viva, Marcelo Bairão, chamou para si a responsabilidade da lista de debatedores:

“1 - A escolha dos componentes da bancada que entrevistará o ministro Gilmar Mendes é de minha inteira responsabilidade e da equipe do programa, e não do jornalista Paulo Markun que, diga-se de passagem, não foi consultado.
2 - Não houve nenhuma restrição ou veto do ministro ou de sua assessoria a qualquer nome.
3 - O critério usado, como sempre, foi o de compor uma bancada com jornalistas conhecidos e experientes de veículos importantes de circulação nacional - nesse caso também com um veículo específico, o site Consultor Jurídico”.

Mas, por que escolheram apenas quem não vai contestar Gilmar Mendes (um deles é assessor de imprensa do ministro), o que não aconteceu, por exemplo, quando o entrevistado foi o ministro Celso Amorim, que sofreu um bombardeio e não conseguia falar sem ser interrompido?

É por isso, ombudsman, que o pessoal reclama. E não leve a mal se muitos deles parecem apenas revoltados, injuriados, raivosos. É que todos ficamos muito tempo sem ter como nos manifestar, o que, graças à internet, agora é possível.

Por isso, muitos ainda acham que necessitam gritar para serem ouvidos. E outros, como você, ombudsman, acham que se deve ter cuidado com essa gente, que isso é grave. É só a falta de hábito de conviver com idéias diferentes, pessoas diferentes... Mas isso passa, como o AI-5, que hoje completa 40 anos, passou.

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14 comentários:

  1. É esse tipo de "jornalismo" que vive acusando o governo de querer calar a imprensa à qualquer crítica ou reclamação sobre sua parcialidade.
    Querem eles sim calar o contraditório.
    E não basta que o façam em seus veículos.
    Se puderem editam outro AI-5... só reclamam daquele porque não foi editado por eles.
    O que não significa que não editem mini-AI-5 a cada vez que agem como agiu a TV Cultura, ou seja, quase sempre.
    Se bem que forneceram todas as condições para que fosse, desde o golpe de 64, por ação ou por omissão.

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  2. O ombudsman, ao invés de fazer o que deve fazer, isto é, representar o ponto de vista do público, desclassificou o público que se manifestou, considerando uma hipotética maioria silenciosa como aqueles que ele de fato representa. Atitude curiosa, não?

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  3. Anônimo13.12.08

    Os críticos do ministro são muitos, as controvérsias sobre seu conduto, reais e importantes. No interesse de pleno debate público, o ministro deveria encarar alguns deles. Senão, o debate vira risível. Ponto final.

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  4. Anônimo13.12.08

    Grave sr Omenbund, é saber q genbte como o sr tem poder e pior q isso, senta conversa fiada retrógrada na idéia de estudantes de jornaloismo. Grave é ver gente como o sr, ocupando postos q, teoricamente, reqer gente c/ o mínimo de distancia entre as partes q geram conflitos, neste caso de idéias. Fico mesmo preocupado: o q estarao ensinando aos nossos futuros jornalistas? A lamberam a bunda dos Ali Kamenl da vida, em nome dum salário miserável? Q jornalismo é esse???

    Inté
    Murilo

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  5. Vem por ai a lei Azeredo... Isso sim, eh gravissimo...

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  6. Caro Mello! é impressionante a arrogância incutida nesse pessoal que se diz jornalista e ponto final..."sou autoridade máxima no assunto". Esse ombudsman da cultura deve ver que "estranho" é a forma como age com o público, achando que os outros são idiotas. Ele argumenta que o programa ainda não aconteceu e o pessoal já está tecendo críticas. Ora, só ele não conhece a história desses jornalistas para fazer tal afirmação. É impressionante a incompetência desse pessoal que só vislumbra defender o seu salário. Abraço. Paulo

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  7. André Oliveira13.12.08

    O ombudsman não falou como ombudsman. Sua fala foi a de um porta-voz da emissora.

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  8. Anônimo13.12.08

    .
    .
    É isso aí Sr Ombusdman.....o cargo é para isso mesmo - ouvir (no caso ler).
    .
    Sua cretinice acha grave e perigoso falar diretamente às instituições??
    .
    Né não amiguinho! Se fosse possível eu ligava diretamente prá vc e dava-lhe uma espinafrada por receber este tartufo cretino do Gilmar Mendes!
    .

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  9. Excelente, Mello! Jornalista que teme as novas tecnologias de informação e, sobretudo, o debate livre e "sem intermediários" não é jornalista; é outra coisa! Se ele acha tudo isso estarrecedor, que vá procurar uma outra profissão. Parabéns!
    Um abraço!

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  10. maria santos13.12.08

    Boicotar é o melhor. Ficar sem nenhuma audiência ou a menor possível. Vamos, gente. Temos que responder ao descalabro.

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  11. Concordo com a palavra usada pelo José Eduardo R. de Camargo. É incrível que o ombudsman de uma TV pública tema a internet e a livre manifestação dos internautas.
    É isso aí. Eles estão morrendo de medo. Não só de perder o emprego. Mas de não entender a revolução que está acontecendo (não apenas no Brasil, mas no mundo), onde as pessoas escrevem, lêem e comentam suas histórias e visões de mundo na rede. Sem intermediários. É um caminho sem volta. E estamos participando dele.

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  12. Assessor de imprensa!? Você está brincando. Ele é um expoente membro da quadrilha do Dantas. Aliás dificil é saber quem é o chefe: Dantas, Gilmar, FHC...

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  13. Anônimo14.12.08

    Pronunciamento recente do diretor do Roda Viva em resposta ao Ombusdman:
    "Por isso mesmo, convidamos para entrevistá-lo pessoas que pudessem contestá-lo em suas teses radicais"
    link: http://www3.tvcultura.com.br/ombudsman/content/?content_id=290

    Sem comentários!

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  14. Anônimo14.12.08

    Perder-se-á a oportunidade de se questirnar: senhor ministro qual a sua experiencia anterior na judicatura nacional? Qual a sua participaçao em uma determinada escola jurídica de Brasília?
    Aonde está a fita com a gravaçao de sua conversa com o senadaor? Qual sua ligaçao com um influente banqueiro preso? O que o senhor pensa das decisoes do STF que servem de supedânio para várias decisoes judicial no Brasil a fora e que, de uma hora para outra, sao alteradas em razao de casuísmos? É uma pena, estas perguntas jamais serão feitas no programa!!!
    Carlos.

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