quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mulher palestina enfrenta soldado israelense


Vídeo imperdível, de pouco mais de dois minutos, sobre os atuais acontecimentos em Gaza. Mostra os novos Davids com suas fundas e uma mulher palestina enfrentando um soldado israelense, em cena semelhante àquela do homem diante dos tanques na China.



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7 comentários:

  1. Nao dá pra conter as lágrimas. Quero acreditar que de alguma forma o soldado tem nocao da barbarie que seu exército comete e lá no fundo, tem vergonha do que faz.

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  2. Alexandre de Aguiar8.1.09

    A sorte da corajosa moça é que tinha gente filmando. A tradição do exército de Israel, em "off", é meter chumbo e passar por cima de quem quer que seja.

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  3. Senti uma agonia imensa ao assistir esse vídeo. Algumas vezes consigo acreditar que o mundo ainda tem solução, mas depois de coisas como essa, vejo que a intolerância pode chegar à níveis inimagináveis. A mulher palestina, se dúvidas, é imensamente corajosa e se existe esperança de um mundo melhor é por causa de pessoas como ela.

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  4. Anônimo8.1.09

    Caro Mello
    Das sua uma, os militares perceberam que estava sendo filmados, ou matar um desconhecido a distância é mais fácil do que atirar em alguém na sua frente.
    Saudações
    Avelino

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  5. wilson cunha junior8.1.09

    Até que enfim um blogueiro está dando visibilidade a esse vídeo. Um colega postou no Azenha e foi dada a dica lá no Nassif. Mas acho que ninguém percebeu.

    Valeu Mello.

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  6. Mello,
    Seria importantíssimo para todos nós que lutamos por um outro mundo (sim , eu acredito que um outro mundo é possível, apesar destas barbáries)saber quem é essa garota palestina. Nossa heroína!
    Abs.
    Robson

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  7. Anônimo16.4.09

    Experiência típica de uma palestina
    Sou palestina. De Gaza. Eu estava nos Estados Unidos. Tenho um passaporte emitido pela Autoridade Palestina. Ele substitui o passaporte jordaniano temporário (para dois anos) que era emitido para os que residem em Gaza e que substituía os documentos de viagem egípcios que tínhamos antes disso. Qualquer coisa serve para que não tenhamos documentos para não ficar provado que a Palestina existe e que existem palestinos lá. É um passaporte que não permite passagem. É um passaporte que negou a mim a entrada em minha própria casa. Este é o objetivo: marcar-me, dar-me uma etiqueta, de modo que eu possa ser identificada com facilidade e descartada sem perguntas: bom para quem dá as ordens. É um sistema para identificação coletiva dos que eles não querem que tenham identidade.
    Primeiro fomos para a embaixada do Egito. No ano passado, meus pais que moram em Gaza vieram nos visitar quando Rafah foi fechada. Eles tentaram voar para o Egito para esperar a fronteira abrir, mas não conseguiram embarcar em Washington. “Palestino não pode viajar para o Egito sem visto, são estas as novas regras. Mas só podemos emitir vistos quando Rafah for aberta de novo pelos israelenses”. Isto nos foi explicado pelo pessoal da viação aérea. Meus pais ficaram sem saída e o que era pior, o visto de entrada deles, nos EUA estava vencendo. Seis meses. Finalmente eles obtiveram um visto de turista egípcio porque eram idosos, esperaram no Egito durante um mês até a fronteira com Rafah abrir.
    Eu não queria repetir o sofrimento deles, com duas crianças, então telefonei antes para a embaixada que me disse que tinham mudado as regras. Agora, só homens palestinos não podiam entrar no Egito, mulheres podiam e receberiam seu visto na entrada do Egito. Recebi uma carta assinada e datada de 6 de abril de 2009 escrita pelo cônsul, para carregar comigo se tivesse problemas. A carta dizia:
    "O consulado da embaixada do Egito confirma que mulheres da Faixa de Gaza e que tem passaportes da Autoridade Palestina podem pegar seus vistos para entrar o Egito nos portos de entrada do Egito e não nos consulados norte americanos, ao viajarem para a Faixa de Gaza."
    Dois longos vôos e uma viagem de sete horas depois, chegamos ao Egito. Eu conhecia a rotina. Ao chegar, corri ao banco para comprar os selos de 15 dólares para o passaporte norte americano de meus filhos Yousuf e Noor e trocar alguns dólares por dinheiro egípcio. Apresentamos os passaportes e as coisas pareciam estar funcionando. Aí o agente explicou que ele precisava informar algo a seu superior. "Seu passaporte é palestino. A entrada de Rafah está fechada ...". "Garanto que não demora mais que cinco minutos," ele me garantiu. Mas eu sabia que seria uma longa espera. De vez em quando mudavam as caras dos oficiais. Andei por três ou quatro salas para responder perguntas e fazer perguntas. Eu nunca obtinha um nome para ser encaminhada e as respostas sempre eram do tipo codificadas.
    A primeira pessoa explicou que eu não poderia entrar no Egito porque os palestinos sem visto de residência permanente no exterior não entram no Egito, além disto Rafah estava fechada. Me disseram que eu seria deportada para a Inglaterra primeiro. “Mas eu nem tenho visto para a Inglaterra”. Me mandaram concordar em entrar no primeiro vôo que houvesse para a Inglaterra. Eu me recusei. Não vim até aqui para voltar. Fui levada até o terminal de transito prorrogado. No começo estava vazio, exceto por um asiático que dormiu o tempo todo. Durante o dia encheu-se de passageiros localmente deportados, de aldeias e cidadezinhas do Egito e então mudamos nossas coisas para a parte de cima.
    Meu filho, de vez em quando, frustrado dizia à eles “quando é que vou ver meu vô e minha vó” ou “porque eles encheram o chão de baratas”. Assim que chegamos, ele perguntou “se estes caras aqui são os israelenses” porque suas únicas experiências na vida com confinamento, atraso e recusas tinham sido nas mãos de soldados e agentes do governo israelenses. Não, eu disse. “Mas então porque os israelenses podem ir no Egito tomar sol na praia e nós não podemos nem ir para nossa casa?”. Sem resposta.
    Poucas vezes eu tive acesso a alguém com alguma autoridade. Parecia que me chamavam sempre que trocavam os turnos, então eles se posicionavam para seus interrogatórios três vezes ao dia cheios de intimidação, gritos e choros. Os agentes entravam e saiam nas trocas de turno, mas nossa situação era sempre a mesma, nosso problema ou nosso caso era sempre o mesmo. Continuamos sentados, com nossos papéis nas mãos, esperando, esperando, esperando.
    Sempre esperando. Porque é isto que o palestino faz: espera. Por uma resposta, para perguntar alguma coisa, para um pedido de casamento, para resolver um divórcio, para abrir uma fronteira, para que receba permissão para algo, para que uma guerra acabe, para que uma invasão comece, para que uma criança nasça, para ser martirizado, para aposentar-se, para exilar-se em um local melhor, para voltar para o único país que temos, para que nossos prisioneiros voltem para casa, para que nossas casas deixem de ser nossas prisões, para que nossas crianças possam ser livres, para sermos livres em uma época em que não teremos que esperar mais.

    De vez em quando alguém, ou alguém no telefone me chamava uma voz sombria perguntava se eu não tinha mudado de idéia. Eu insistia que queria ir para casa. Isso não era complicado para se entender. Aí me diziam: “Mas Gaza é um caso especial”. Especial ou seja sem direito a direitos.
    Aí começaram a surgir caras estranhas que agiam como se eu fosse alguém que eles tinham conhecido antigamente. Como se eu fosse alguém em uma penitenciária, com amnésia. E todos perguntavam a mesma coisa: “Você vai tomar logo o avião, não é?”
    Primeiro veio um senhor do gabinete de representantes de palestinos que alguém mandou me ver. “Será tudo resolvido dentro de uma hora”, ele prometeu, quando já se havia passado um dia. Depois começou a falar sobre seu filho que trabalhava para a Motorola, na Flórida.
    "Ah, ele ajuda os israelenses a fabricar aviões que atiram bombas?"
    "Isso mesmo!" ele concordou.
    Passou-se mais uma hora e subitamente o assunto “não podia ser resolvido” e eu era uma “jornalista que estava arrumando problemas”.
    Meus amigos e minha família que mora no Egito, nos Estados Unidos e em Gaza estavam o tempo todo ajudando, chamando quem conheciam, pedindo favores a quem podiam, fazendo o que fosse para ajudar a conseguir alguma coisa que me fizesse passar. Mas a resposta era sempre a mesma: os serviços de segurança e inteligência diziam não e eles eram as autoridades, ninguém mais. .
    Mais tarde outro representante de palestinos veio me ver.
    "Então você não vai neste segundo vôo?"
    "Porque é que todos falam sempre perguntando?"
    "Responda a pergunta."
    "Não, eu vim aqui para ir a Gaza e não para voltar aos EUA."
    "Ah está bem, é isto que eu precisava saber, temos aqui um comboio de palestinos feridos com permissão de entrar pela fronteira, que tem algum espaço, estamos tentando fazer com que você entre com eles, espere só 15 minutos e tudo fica resolvido, precisamos só permissão, já vai resolver”, ele me garantiu.
    Yousuf enquanto isto matou outra barata.
    Fomos então levados a outro corredor, com outra sala e outras caras. O homem sentado a mesa explicou que ele estava perdendo o sono com meu caso e todos estavam envolvidos com isto, e ele também tinha um filho da idade do meu. Me ofereceu uma maçã e uma garrafa de água e me disse para descansar, um comando que eu ouviria muitas vezes ao longo de 36 horas.
    "Não quero comer, não quero descansar, não quero que o senhor seja bonzinho, quero ir para casa! Para meu país! ‘Tá difícil de entender? “ Comecei a gritar, perdendo a calma das últimas 20 horas.
    "Por favor não grite, acalme-se, todos vão pensar que estou tratando você mal, por favor, além do mais é uma falta de educação não aceitar minha maçã”.
    "O quê? Falta de educação é não me deixar entrar no meu país! E porque tenho que ficar calma? Tudo isto é um absurdo!”
    "Por favor minha senhora, não tenha um ataque na frente de suas crianças, por favor. Sabe, eu tenho um filho da idade do seu e estou muito triste com isto tudo, vendo esta criança nestas condições, por favor, tome o avião."
    "Então, não me veja nestas condições! Existe uma solução simples, deixe me ir para casa. Estou pedindo demais?”
    "Regras são regras, você precisa de um visto para ir para lá como para qualquer outro país, você pode por acaso ir a Jordânia sem visto”?
    "Não venha com esta conversa de regras. Eu tenho a permissão de sua embaixada, seu cônsul geral, para passar pelo Egito e chegar até Gaza. Além disto, de que outro modo se chega a Gaza”? gritei, sacudindo o documento na frente dele.
    "Então processe o cônsul geral. A segurança de estado é mais importante do que o ministro de negócios exteriores, ele deve estar com as leis desatualizadas.”
    "A carta está datada de 6 de abril, dois dias atrás, como pode estar desatualizada? Olha, se eu pudesse cair de pára-quedas em Gaza eu iria. Com todo o respeito devido a seu país, não estou aqui para fazer turismo no Egito. Você tem um pára-quedas? Se eu pudesse nadar até lá também nadaria, mas da última vez que eu vi os israelenses estavam derrubando os botes. Você tem outra sugestão?”
    "O que é que a senhora quer? Viver no aeroporto? É isso? Podemos fazer uma barraca para a senhora? E ninguém vai nem perguntar quem é a senhora. Em todo caso, como a senhora não tem residência permanente no exterior, a política de nosso governo diz que não podemos deixar entrar nenhum palestino que não tem residência no exterior!”

    "Eu tenho um visto dos Estados Unidos – o carimbo do meu passaporte expirou mas o documento de prorrogação tem validade até o final de junho de 2009. Além disto, que espécie de lei sem lógica é esta? Você não me deixa voltar para minha terra a não ser que eu tenha residência permanente no exterior?????”
    "Não lei inglês, por favor traduza."
    "O senhor está vendo aqui que diz que tem a validade até 30 de junho”.
    "Ótimo então não vamos deportar a senhora para a Inglaterra, e sim para os EUA," disse ele pegando o telefone e dando uma ordem para que o comboio de palestinos feridos saísse sem mim, minha única esperança de voltar a casa dissipando-se perante meus olhos nas mãos de um agente quase analfabeto e manipulador.
    "Você acabou de dizer que se eu tiver residência permanente no exterior posso ir para casa, agora você diz que não posso, qual é o caso?”
    "Sinto muito que você esteja recusando-se a entrar no avião; levem ela daqui."

    Fomos levados para a área de espera, de volta para a sala das baratas. Aqui estava eu quase sendo deportada de minha casa, com todos os documentos possíveis, todos os papéis corretos assinados por todas as autoridades de consulados e universidades.
    Pouco depois um novo guarda veio até nós e pediu-nos que o seguisse “para uma sala mais isolada”. “Será melhor para vocês, mais privado. Todos os vôos africanos estão chegando com suas doenças, não é bom ficar por aqui. Vai ficar cheio!”
    Antes disto pediram que eu trouxesse toda a bagagem e fomos para outro corredor. Sentamo-nos em outro lugarzinho fedorento onde havia 17 homens de nacionalidades diferentes e uma mulher indonésia dormindo no chão roncando, esperando.

    Um homem extremamente grosseiro e totalmente analfabeto, conforme ele mesmo disse pegou todos os papéis, cuspindo palavrões além de gritar com qualquer pessoa que sussurrasse. A sala era chamada de cela, parecendo mais uma sala de detenção.

    Dividiram a sala em regiões, os cinco asiáticos que estavam lá por documentos ilegais, eram chamados de paquistaneses, sempre que queriam falar com algum deles. A mulher que dormia e roncava era chamada de indonésia e os impecáveis executivos da Guiné, super bem vestidos eram chamados de Quênia, embora insistissem no contrário. Havia um grupo de camponeses egípcios com falsos documentos e passaportes, um homem cuja identidade dizia que nascera em 1990 e etc.

    Nestas alturas eu estava sem dormir havia 27 horas ou 40 se contar a viagem de avião até ali. Minha paciência e minha energia estavam acabando, minhas crianças estavam imundas, cansadas e confusas.

    Aproveitamos para falar quando os carcereiros saíram. “Então, o que você fez?” perguntou o executivo da Guiné.

    "Nasci na Palestina," repliquei. "Todos aqui estão sendo deportados para casa por qualquer motivo, eu sou a única que está sendo deportada para longe de casa, a única que NÃO pode entrar no país de origem."

    O agente voltou e pediu me que o acompanhasse. Peguei as crianças sem saber o que aconteceria.

    Dois homens com olhar gelado estavam na outra sala e perguntaram novamente se eu estava tomando o avião para os EUA. Noor começou a gritar e a bater em quem se aproximasse dela. “Ela é teimosa como a mãe” disse um deles.

    Logo fomos levados de volta eu sentindo que não poderia fazer mais nada. Esperamos mais horas e horas até que as crianças exaustas dormiram. Dei banho nelas na pia do banheiro imundo, com água gelada e recostei os dois nas cadeiras de aço, sob o som das milhares de moscas.

    Finalmente chegou a manhã do outro dia e fomos escoltados por dois guardas, nosso vôo re-programado e fomos colocados em um avião para Washington.

    Minha filha vomitou o vôo inteiro para Londres e eu estava meio que em delírio pedindo desculpas ao inglês ao meu lado, que tentava me ajudar.

    Nós três ficamos com infecção de ouvido e garganta nos dias que se seguiram.
    Finalmente chegamos ao aeroporto de Dulles. Caminhei para a cabine de identificação.
    O que eu iria dizer? Como explicar isto? O homem olhou meu visto vencido e meu carimbo de saída do país.

    "Quanto tempo a senhora ficou fora?"

    "Trinta e seis horas," respondi.

    "Estou vendo. A senhora pode explicar?"

    "Claro. O Egito me proibiu de voltar a Gaza."

    "Não entendo – eles não deixaram a senhora voltar para sua própria casa?"

    "Também não entendo."

    Com isto, recebi outro carimbo e entrei nos EUA.

    Agora que estamos aqui, aquecidos, vestidos, tomados banho, descansados e recuperados de qualquer vírus que tenhamos pego nos intestinos do aeroporto de Cairo, pergunto: o que mais eu poderia ter feito ?

    "A experiência mais característica de um palestino ," escreveu o historiador Rashid Khalidi , "tem lugar em uma fronteira, em aeroportos, em guaritas de segurança, ou seja, em qualquer lugar onde as identidades são verificadas ."

    Nestes lugares, acrescenta Robyn Creswell, "conexão" acaba sendo outra palavra para separação ou quarentena: as escalas em aeroportos nunca terminam. Mas a crueldade na situação dos palestinos é que estes purgatórios são a rotina de sua existência, de seu cotidiano. "

    (http://a-mother-from-gaza.blogspot.com/).

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