sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Paz em Gaza, só se for a dos cemitérios


Pela entrevista do presidente de Israel e Prêmio Nobel da Paz, Shimon Peres, publicada hoje em O Globo, fica a impressão de que Israel só vê uma solução para Gaza: o fim do Hamas. Mas, como o Hamas, segundo Peres, está espalhado por toda a faixa, o fim do grupo só virá com a destruição completa de Gaza.

Veja trechos da entrevista [os grifos são meus]:

- O que o senhor diria a quem afirma que Israel está cometendo um massacre em Gaza?
PERES: Acredito que estejam fazendo declarações sem conhecer os fatos. O que diriam se eu contasse que o Hamas está usando crianças como escudos humanos para esconder armas? Têm uma resposta para isso? O que diriam se eu contasse que o Hamas esconde armas dentro de mesquitas? O que diriam se eu contasse que terroristas estão se disfarçando dentro de hospitais? Não sabem dos fatos. Alguém é capaz de mudar o comportamento do Hamas? Quem são eles? Professores de universidades? Se podem fazer com que parem, garanto: nenhum soldado israelense pisará mais em Gaza. Mas ninguém conseguiria isso.

- O que aconteceu na escola da ONU? Israel pediu para que a população deixasse suas casas. Alguns se refugiaram na escola...
PERES: Alertamos à ONU que o Hamas usa suas instalações para lançar mísseis e atacar Israel. Pedimos à ONU que investigasse o tema. Eles não respeitam nada. Nem leis, nem normas, nem a vida humana. Também sou contra a guerra, contra os disparos e a favor da paz. Mas se deixarmos que continuem disparando, não haverá paz.

- Mas, que culpa têm crianças e palestinos adultos inocentes?
PERES: Quem disse que são culpados? Digo que é um crime que eles escondam granadas em creches. Insisto que o crime maior é esconder morteiros em escolas. Nunca ninguém fez isso no passado.

- (...) A trégua em Gaza está mais próxima? Quais são as condições para atingi-la?
PERES: A fronteira de Rafah está fechada a armas. Não permitiremos o
contrabando de armas pelos túneis
e exigimos que parem com os disparos e com o terror. Só queremos ser um povo normal.

- (...) Como Prêmio Nobel da Paz e visionário do Oriente Médio, é frustrante
para o senhor constatar que Israel vive sua oitava guerra?
PERES: Eu sei que é mais difícil chegar à paz do que fazer a guerra. Ainda que eu tenha recebido um Prêmio Nobel, sei que a paz não é uma festa, há muitas dificuldades, interesses enfrentamentos. Tudo o que posso dizer é que nunca renunciamos a nosso desejo de paz e nossa vontade de pagar um preço por isso.

Crianças, mesquitas, hospitais, prédios da ONU, creches, túneis, e ainda ambulâncias, navios com mantimentos, tudo é atacado, segundo Peres, porque há algo do Hamas ali. Portanto, o "preço que Israel está disposto a pagar pela paz" é o de levar a Gaza a paz dos cemitérios.

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11 comentários:

  1. José Alves9.1.09

    Como é que a gente vota no Ignóbel da Guerra?

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  2. Anônimo10.1.09

    Os donos de O Globo são judeos? Assim explicaria muita coisa e acabaria com a suposta imparcialidade do jornal.

    Essa massacre ignorante e desmedido de Israel, se justifica por causa dos foquetinhos do Hamas então por que Iscarel não constroi uma barreira anti foquetinhos do Hamas?, com a tecnologia que eles tem acabaria com o problema. Melhor ainda, Com o dinheiro que eles ganham dos EUA e dos seus banqueiros internacionais poderiam tornar a vida em gaza muito melhor, que faria o povo de lá começar a aceitar a invasão e gostar de Israel! Infelizmente os objetivos são outros.

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  3. Anônimo10.1.09

    Peres prêmio Nobel da Paz, é um deboche e afronta aos povos do mundo.
    Mello, vc viu como foram os ataques de ontem? mais centenas de crianças mortas, os soldados dessa marionete dos EUA expulsaram os palestinos de suas casas, reuniram todos em um matadouro (edifício), pois lá estariam "seguros" e mandaram as tropas bombardear, O Hitler do séc XXI cada vez mais "criativo" em sua psicopatia e uma parte da humanidade em apatia. Só os protestos de todo o mundo e aitudes como a do Hugo Chávez podem barrar esses crimes de Israel e EUA. Não me refiro aos povos desses dois países pois tem protestado muito e há jovens israelenses presos por não aceitar a convocação como reservistas desse exército assassino!

    Jeane Born

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  4. Vera Borda10.1.09

    Eu, que estou num apartamento no Rio de Janeiro, não sou nem judia nem palestina (talvez tenha ancestrais remotíssimos que foram judeus-novos, devido ao meu sobrenome), de vez em quando me flagro sentindo ódio, asco, de judeus em geral,sentimento que me causa horror e vergonha, fico pensando no que as populações das duas Palestinas, do Líbano, Síria, Irã, etc. sentem quando tomam conhecimento, além de toda a carnificina, de pensamento como os relatados no seu post. Vou acabar antissemita mesmo, coisa que jamais imaginei pudesse me acontecer. Espero manter a razão, pelo menos.

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  5. O que Perez está dizendo é que qualquer palestino; adulto ou criança, homem ou mulher, militar ou civil, médico ou paciente, enfim todos são alvos em potencial do exército judeu.

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  6. Anônimo11.1.09

    Às vezes me pergunto por que existe a guerra? Sempre sou tomada pela fúria do momento me colocando no centro de tudo isso, as perguntas nem sempre são respondidas corretamente acabo por me perder no meio de tantas dúvidas persistentes. A única resposta que realmente me vem com coerência é, de que na guerra não existe culpados, os dois lados pensam que estão corretos. E estão para que os segui. Acaba sendo um caminho sem volta.

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  7. Melo, dê uma olhada nesse texto do Luiz Nassif denunciando um jornalista da veja de usar um texto de um blog para fazer uma matéria e não dar os devidos créditos para o autor.

    http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/01/11/o-plagio-da-veja/#comments

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  8. "Crianças, mesquitas, hospitais, prédios da ONU, creches, túneis, e ainda ambulâncias, navios com mantimentos, tudo é atacado, segundo Peres, porque há algo do Hamas ali"

    E a unica "prova" que o mundo tem disso eh a palavra de... Israel.

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  9. Anônimo13.1.09

    A lógica maluca de invadir um país para mudar um governo escolhido democraticamente quando ele não agrada ao invasor é frequente e unicamente, na atualidade, usada pelos EUA, Israel e outros "aliados" do império do mal.
    Se fosse aceita, independente da qualidade do governo a ser destituído, bem que poderia ter sido usada pelo resto do mundo para destronar Bush e seus asseclas, Blair, Berlusconi, Ohmert, et caterva, antes de causarem tanto mal ao resto do mundo e a seus próprios países.
    Pitagoras

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  10. "Vou acabar antissemita mesmo, coisa que jamais imaginei pudesse me acontecer": Verda, pode criticar judeus ate ter calos na lingua. Nao funciona. O que nao pode eh criticar Israel: sua carreira eh sabotada, sua reputacao eh assassinada, seus movimentos sao vigiados, voce entra em lista negra em aeroportos, sua entrada eh negada em diversos paises aleatoriamente.

    E eh assim ha decadas.

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  11. Anônimo9.2.09

    Pelos comentários que leio aqui, as tácticas terroristas do Hamas estão a ter sucesso e o povo palestiano continuará a ser vitima do seu sequestro por parte destes terroristas que servem os interesses do Irão e os seus próprios , é que sem guerra não há dinheiro nem poder. É também de notar a inexistência de comentários ás tácticas anti colaboracionistas do Hamas contra palestinianos que são suspeitos de ajudar ou apoiar Israel. Essas tácticas utilizam técnicas simples mas muito eficazes, nomeadamente tiros nas rótulas e nos cotovelos dos 'suspeitos' entre outras 'prendas' equivalentes.
    Enfim ...
    Miguel

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