quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Paula Oliveira teria confessado. Ou não?



A revista semanal suíça Weltwoche dá o caso Paula Oliveira como encerrado. Notícia de primeira página informa que Paula teria confessado à polícia que nunca esteve grávida e que se automutilou. O partido que teve sua sigla marcada pelo corpo da brasileira, SVP, afirmou que vai processá-la. A tal confissão teria sido feita na sexta-feira, dia 13, e Paula a teria assinado.

Mas, se Paula confessou tudo na sexta, como seu pai, Paulo Oliveira, continuou dando entrevistas afirmando que acreditava na versão inicial da filha? Ele não sabia de nada, não viu/ouviu nada? Afinal, ele já estava na Suíça e é advogado, como a filha. Teria permitido que ela fosse interrogada pela polícia, no estado em que estava, sem ser assistida por um advogado? Difícil acreditar.

Se assistiu a tudo e viu a filha desmentir o que dissera anteriormente, por que continuou mantendo a história para a imprensa brasileira? Não seria melhor calar?

Essa história continua mal contada.

Quem poderia nos ter tirado ao menos algumas dessas dúvidas não o fez. Reportagem do Jornal Nacional de ontem, reproduzida acima, mostra que o repórter Marcos Losekann esteve cara a cara com o gol, era só chutar, mas ele ciscou pra lá, ciscou pra cá e não trouxe respostas a nossas dúvidas.

Diante do pai de Paula e do advogado suíço recém contratado pela família, e de posse da informação da revista, o máximo que ele conseguiu foi uma declaração claudicante do advogado suíço – não se sabe se surpreso pela notícia (como dá a entender a edição) ou pela dificuldade de se comunicar em português.

A pergunta deveria ter sido formulada ao pai de Paula. Ele sabia da tal confissão? Por que deixou a filha ser interrogada sem assistência jurídica? Etc.

Mas o jornalismo brasileiro não é um mar. Nem mesmo um rio. Em sua grande maioria é decidido no aquário das redações, onde se reúne a chefia para determinar como será feita e o que vai conter uma reportagem. O repórter é apenas o motoboy da notícia.

Enquanto essas dúvidas não forem esclarecidas, o caso continua em aberto. Ainda mais porque a informação é exclusiva da revista e esta é ligada ao governo como nossa imprensa ao Serra.

E pra você, o caso está encerrado?

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7 comentários:

  1. Eu acredito na moça. Tudo muito estranho... só uma brasileira contra a imagem de um país... que há séculos se esconde atrás de uma neutralidade também estranha... e que agora quer mostrar que não existem extremistas por lá? Por toda a Europa somos indesejados... ela é vítima de uma agressão e de uma armação limpabarra...

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  2. Maria19.2.09

    Esse caso caminha para o final previsível: a moça se auto-flagelou, como queria desde o início a polícia suiça. Em investigação (?) que nem a Paula, nem seus pais e nem mesmo as autoridades brasileiras acompanharam de perto tudo pode ter acontecido. Até agora, essa moça e seus familiares que estão na Suiça experimentaram aquela situação que o senso popular classifica como "estar no mato sem cachorro". Mas nossos compatriotas viajados e que tudo sabem certamente dirão que no primeiro mundo, a polícia, além de eficiente é insuspeita. Eu, que sou ignorante, não acredito nisso.

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  3. Carla19.2.09

    Você vai me desculpar, mas me parece que quem está mal-contando a história é a familia da moça. Não acham provas da gravidez e alem do mais: como podia já saber o sexo dos bebes já no terceiro mês? Que eu saiba, é depois da decima terceira semana que talvez dê para saber o sexo...seria melhor não falar mais dessa história. A única vez que o Amorim se agita pra valer por Brasileiro no exterior é para essa coisa. Nem o Jean Charles teve toda esta atenção.

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  4. ZéTavares19.2.09

    "O repórter é apenas o motoboy da notícia."

    Brilhante Mello !!!

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  5. Mello, ve que coisa.. essa matéria.

    "Revista suíça diz que pernambucana teria confessado que mentiu


    Uma revista ligada à direita política suíça publicou hoje que a advogada pernambucana Paula Oliveira teria confessado à polícia que teria inventado a história de que foi atacada por neonazistas em uma estação de trem próxima a Zurique."

    "Uma revista ligada à direita política suíça "
    Uma polícia da mesma linha da Revista Veja, dos jornais folha e estadão e da Globo.... ai continuava o lide

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  6. Essa revista é afinada com o SVP.

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  7. Anônimo20.2.09

    chegaaaa!!! a mulher quis dar o golpe e acabou!!! por que querer procurar perseguição onde há o simples e velho golpe da barriga??? e da indenização... há também brasileiros desonestos lá fora, viu?

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