quinta-feira, 5 de março de 2009

Folha publica artigo de professor que defende ditabranda


A palavra ditabranda estrategicamente não é citada, mas o artigo publicado hoje na Folha (aqui, para assinantes) pelo professor de História da UFSCar Marco Antonio Villa defende o mesmo conceito do infame editorial de 17 de fevereiro da Folha, e que será motivo de ato de protesto no próximo sábado, dia 7, às 10h, em frente à sede do jornal em SP.

Villa, como aquele editorial, defende que nossa ditadura, quando comparada com as dos vizinhos sul-americanos, assim como nossos bosques, tem mais vida, e nossa vida em teu seio mais amores.

Villa faz um elogio descarado de nossa ditadura (não resisto à piada pronta: será que o nome completo dele é Villa Militar?). Enumera tudo o que considera que houve de bom por aqui: Embrafilme, Funarte, centenas de estatais criadas por Geisel... Como se as ditaduras vizinhas passassem os dias apenas matando, torturando e comendo churrasco.

O contorcionismo verbal de Villa às vezes beira o ridículo, como neste trecho:

No Brasil, naquele período, circularam jornais independentes - da imprensa alternativa - com críticas ao regime (evidentemente, não deve ser esquecida a ação nefasta da censura contra esses periódicos).

Como se os jornais independentes fossem criação da ditadura... Além do mais, a censura, Villa, era praticada aqui no Brasil por quem: Pinochet, Videla, Stroessner? Ou pela ditadura brasileira? E as explosões em bancas de jornais? E as costumeiras prisões de jornalistas?

Mais adiante, Villa, da defesa da ditadura, parte para o ataque:

É curioso o processo de alguns intelectuais de tentarem representar o papel de justiceiros do regime militar. Acaba sendo uma ópera-bufa. Estranhamente, omitiram-se quando colegas foram aposentados compulsoriamente pelo AI-5, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Emilia Viotti da Costa, entre outros; ou quando colegas foram presos e condenados pela "Justiça Militar", como Caio Prado Júnior. Muitos fizeram carreira acadêmica aproveitando-se desse vazio e "resistiram" silenciosamente.

Villa insinua, insidiosamente, que alguns intelectuais que hoje se manifestam, àquela época se calaram, e lucraram com isso. Chega a ironizá-los com as aspas em “resistiram”, pois o teriam feito silenciosamente. Por quem foram silenciados, Villa? Pela ditadura militar brasileira. Por que hoje falam? Porque não vivemos mais uma ditadura.

Vamos ao final do artigo:

A história do regime militar ainda está presa numa armadilha. De um lado, pelos seus adversários. Alguns auferem altos dividendos por meio de generosas aposentadorias e necessitam reforçar o caráter retrógrado e repressivo do regime, como meio de justificar as benesses. De outro, por civis (estes, esquecidos nas polêmicas e que alçaram altos voos com a redemocratização) e militares que participaram da repressão e que necessitam ampliar a ação opositora - especialmente dos grupos de luta armada - como justificativa às graves violações dos direitos humanos.

Ou seja, quem luta para que se preserve a memória do que foi a ditadura militar brasileira, para que ela nunca mais se repita; quem luta para que a ditadura seja chamada pelo nome preciso de ditadura e por nenhum outro, só o faz, segundo Vila, por interesse próprio: ou porque quer continuar auferindo “altos dividendos por meio de generosas aposentadorias”, ou porque quer continuar com sua bela carreira - caso dos civis que “alçaram altos voos com a redemocratização” (o presidente Lula? A ministra Dilma?), ou porque quer dormir com a consciência tranquila - caso dos militares que torturaram e mataram.

Por isso é importante a presença de todos os que puderem ir ao ato do próximo dia 7, em frente à Folha. Há uma tentativa de revisão histórica no Brasil, um edulcoramento da ditadura, na esperança, talvez, de torná-la, a princípio, palatável, para que, mais adiante, ela possa parecer até uma “boa ideia” a ser aplicada novamente no Brasil.

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10 comentários:

  1. Anônimo5.3.09

    Eu quero denunciar a esse veículo de mídia o fenômeno que ocorre na mídia baiana, e que infelizmente chegou a seduzir parte da intelectualidade de centro-esquerda e a enganar as instituições sérias de nosso país.

    Em primeiro lugar, daremos nome aos bois, ou melhor, ao boi, porque um homem está por trás da armação que é a Rádio Metrópole FM 101,3, de Salvador (Bahia). É essa rádio, aliada ao jornal gratuito do mesmo nome, que anda seduzindo, ludibriando e depois traindo a opinião pública da Bahia, passando uma falsa imagem de "mídia cidadã" para fora das fronteiras baianas.

    Seu responsável, Mário Kertèsz, deveria ser uma das últimas pessoas a quem devamos dar ouvidos ou prestar alguma confiança. Mas ele, ocultando seu passado tenebroso, virou lamentavelmente uma referência parao o radiojornalismo e a imprensa local. Por isso cabe aqui denunciar seu passado, em breves palavras.

    Primeiro, Kertèsz nunca foi jornalista. Não tem formação radialista nem jornalista. Foi um engenheiro que começou sua carreira filiado à ARENA, o partido da ditadura militar. Seu padrinho político foi o famoso ACM que morreu senador.

    Kertèsz chegou a ir para o PMDB para seduzir a esquerda baiana, e, tendo sido prefeito de Salvador por duas vezes, na segunda montou um esquema de corrupção com Roberto Pinho, criando empresas-fantasmas para desviar verbas públicas (e foi muita grana), para suas fortunas pessoais.

    Depois Kértesz foi comprar rádios e jornais e, novamente ligado a ACM, foi nomeado interventor do Jornal da Bahia, histórico periódico soteropolitano. O Jornal da Bahia, nas mãos de Kertèsz, virou periódico de péssimo gosto, tipo Notícias Populares.

    Felizmente, um jornalista chamado Fernando Conceição (ativista social dos bons) denunciou a corrupção de Kertèsz e este viu sua carreira política declinar. E aí, o que fez? Transformou a então Cidade FM de Salvador num palanque próprio, embrião para o projeto maligno da Rádio Metrópole FM.

    A Rádio Metrópole FM é tão ruim que nem programação FM tem. Seu perfil é "rádio AM de terceira categoria". E Kertèsz hoje faz politicagem fora da carreira política, fingindo-se de radiojornalista, num desempenho caricato e grotesco, mas também prepotente e arrogante.

    Kertèsz caluniou desafetos no ar e, recebendo duros processos movidos pela Justiça, ainda teve a cara de pau de se posar de "vítima" e pedir "liberdade de impressão".

    O pior disso é que Kertèsz seduz a opinião pública baiana, e até mesmo os fundadores do Jornal da Bahia, João Falcão e Joca Teixeira Gomes, omitiram em seus livros a atuação decisiva de Kertèsz em destruir o jornal. Kertèsz era aliado declarado de ACM e sob a tutela dele interviu no jornal e o golpeou, matando aquilo que ACM não conseguiu matar, que é a personalidade editorial que marcou o JBa. Falcão e Joca tornaram-se, assim, duas ovelhinhas que agradeceram ao lobo por terem destruído o celeiro.

    Mário Kertèsz fala o que quer, mesmo aquilo que não sabe, é um grande canastrão, como locutor é caricato, é bajulador, machista, reacionário, tendencioso. Tem um blog todo para ele. Um cara desses é uma ameaça à cidadania e um exemplo de como a liberdade de informação pode ser pretexto para atuações irresponsáveis.

    É preciso que TODOS NÓS denunciemos a farsa da Rádio Metrópole, enquanto Mário Kertèsz só consegue posar de Cidadão Kane no território baiano. Ajamos agora antes que seja tarde demais.

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  2. ZéTavares5.3.09

    A B A I X O A D I T A B R A N D A !

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  3. Anônimo5.3.09

    Acordo Mec Usaid, divida externa de 4 para 150 bilhões de dolares, inflação de 12% ao ano para mais de 80% ao mes, salario minimo que o Gular queria passar para 200 dolares da epoca (valerião em torno dos 800 dolares hoje) para 47 dolares pagos pelo funcionario da CIA tambem conhecido como fernando henrique cardoso e por ai vai..........
    Carlos M

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  4. Postei link pra essa matéria no The Blogger (http://luishipolito.wordpress.com)!!!

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  5. Anônimo5.3.09

    ***

    DitaDURA brasileira – Um “momento colorido” da nossa História.

    Querido e incansável Mello - a DIREITONA perdeu terreno (todos…) e agora o querem recuperar substimando nossa memória e a “Memória da História do Brasil”. E o “recado – a mensagem” da direitona, tenha certeza, não nos é direcionado. Muitos de nós já morreram… e abusam da ignorância de outros.

    O foco deles, Mello, é outro: são os jovens desprevinidos e suas mentes lavadas, ensaboadas e exaguadas pelos “BBBs” da Mídia Golpista e Canalha . Querem ganhar outro filão - convencer os jovem (eleitores) – e não a nós (os sobreviventes), que a ditaDURA brasileira foi um "Momento Colorido" em nossas vidas e para a nação brasileira. "Momento" cheio de vitalidade e justiça.

    Assim agridem sem nenhum pudor a inteligência e a dignidade sua, minha e a de todos cidadões de bem desta grande Nação. Agridem com infâmias a minha memória, a sua, a nossa, e principalmente a dos torturados vivos e mortos e a de seus familiares (pais, irmãos, filhos, avós...), e toda Sabedoria do povo brasileiro. À Direitona pouco lhes importam a Verdade, desde que atinjam seus fins.

    Por isso não podemos nos calar diante de tamanha indignidade, infâmia e calúnia. Calar é estar conivente.

    Dia 7 de março de 2009 será mais um dia histórico, e a História agradece!

    Quem eles pensam que são? Quem eles pensam que nós somos?

    Nem ditaDURA, nem ditaBRANDA - "DITAS" NUNCA MAIS!!!

    Um abraço - Maria Ataíde Fieschi (Lilia)

    ***

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  6. Anônimo5.3.09

    Mello, não existe essa de ditabranda, isso é coisa de gente esperta querendo se relançar no mercado. Se existem provas que a Folha de São Paulo foi conivente com a didatura, ela tem que provar que isso é passado. O problema é que o sucesso do governo Lula, com todos os seus problemas (mas com 84% de aprovação), e a muito possível ascenção da ministra Dilma ao poder, deixa muita gente ... alguns se aproveitam para aparecer, como esse professor, o qual terá seus 15 minutos de sucesso para lá de duvidoso. Abraço Isis

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  7. Rogério Leonardo5.3.09

    MelLo,

    Essa é minha resposta a esse senhor:

    O grande problema dos debates sobre as gradações das ditaduras é que cada lado (simpatizantes da direita ou da esquerda) procura justificar o injustificável nos regimes pelos quais tem simpatia. Os argumentos se perdem então em uma contradição interminável, onde não é raro, terminam por contar-se os mortos produzidos por este ou aquele regime a fim de que se produza um vencedor pelo menor número de baixas, coisa de verdadeiros loucos.

    Ora, fica claro para qualquer um que possua inteligência e mínima capacidade de compreender o mundo à sua volta, que tanto uns quanto os outros, estão equivocados.

    Se alguém se intitula um defensor da liberdade, da dignidade da pessoa humana e dos outros direitos fundamentais do homem, não pode, sequer por um instante, ser permissivo com qualquer regime ou governo em que não haja incondicional respeito pelos valores citados.

    Se um regime ou governo tem condutas que atentam contra os diretos fundamentais do homem (liberdade, igualdade, dignidade), não é digno de figurar como exemplo para nada, é imprestável como modelo.

    Neste ponto é que está o grande problema a ser enfrentado atualmente por todos aqueles que acreditam na busca por um mundo mais justo e solidário, com redução das desigualdades e respeito ao ser humano: são pouquíssimos os exemplos de nação onde tais valores são realmente respeitados (talvez só alguns países nórdicos, e, mesmo assim, com relação a seus nacionais).

    Somente como exemplos, sob o crivo de uma razão humanista, certamente não passaria como modelo, o sempre atacado regime cubano, porém, muito menos serviria de exemplo, a tão defendida “democracia norte-americana”. Pois, o regime cubano, apesar de ter conseguido transformar a ilha em referência entre seus pares em índices sociais, persegue e fuzila qualquer um que represente ameaça à sua ideologia. Já os EUA, apesar da força de suas instituições democráticas, é o maior produtor de conflitos armados no mundo e possui entre suas chagas uma prisão onde seres humanos são tratados como animais (sofrendo todo tipo de tortura) e não têm direito à defesa ou julgamento (Guantânamo). Poderia ficar citando aqui, vários outros exemplos de governos de direita ou de esquerda, capitalistas ou comunistas, que desrespeitam flagrantemente os mais básicos direitos humanos, mas acho que já me fiz entender.

    É necessário que as pessoas compreendam que existem nuances positivas e negativas em qualquer regime ou governo que se preste a ser analisado, porém, o certo seria, que buscássemos sempre a crítica ao veemente do lado ruim desses governos, procurando enaltecer as boas experiências para que somente essas sirvam como exemplo do que queremos como nação.

    Fica claro que, no exemplo citado acima, tanto Cuba quanto EUA têm valores que podemos utilizar para nossa construção enquanto país (a preocupação social em Cuba e a força das instituições da democracia norte-americanas), mas nenhum dos dois é modelo a ser seguido.

    Esclarecido meu ponto de vista sobre o assunto, o que não posso aceitar é que alguns queiram justificar as atrocidades cometidas nos tempos da ditadura brasileira, sob o argumento de que a mesma “não foi tão ruim assim, pois, existiram ditaduras piores”. Esse é o reduto dos covardes, dos dissimulados, dos fracos de caráter, que nunca souberam o que é viver em um período de exceção e contra ele se rebelar, muitas vezes oferecendo a própria vida para que seus pares pudessem gozar plenamente de seus direitos em um futuro incerto.

    Nesse sentido, a visão apresentada pelo Professor Marco Antonio Villa, pseudo-intelectual brasileiro, é preconceituosa e simplista e o descredencia como pessoa capaz de produzir um conhecimento que possa ser fonte de reflexão para a busca de um aperfeiçoamento da nossa sociedade.

    Suas justificativas são claramente ofensivas àqueles que sofrem ou sofreram algum tipo de perseguição proveniente de governos ou regimes autoritários. Sua visão é desprovida de senso crítico e conhecimento mínimo dos fatos históricos que nos marcarem enquanto nação. Em síntese, seu artigo é um emaranhado de besteiras que atentam contra a memória deste país. Este Senhor merece o limbo acadêmico, o ocaso reservado aos imbecis históricos.

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  8. Anônimo5.3.09

    Conheço esse "professor" e que eu saiba sempre foi fascista.
    Outro dia me disseram que quem gosta da dita branda é porque não aguenta a dura.

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  9. Luciano Prado6.3.09

    Essa "bomba" ainda vai estourar no colo do Otavinho.

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  10. Anônimo6.3.09

    O nome dêle deve ser Villa Mimosa!!

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