segunda-feira, 16 de março de 2009

Cristina Kirchner enfrenta a mídia. Globo se pinta para guerra


Buenos Aires. A péssima relação entre o casal Kirchner e os principais meios de comunicação da Argentina deverá deteriorar-se ainda mais a partir da próxima quarta-feira...

Começa assim reportagem de Janaína Figueiredo, publicada ontem em O Globo, com o misterioso título “Casal K faz nova investida contra imprensa”. Mas, o que vai acontecer na quarta-feira, quando, segundo a repórter informa logo na abertura da matéria, a péssima relação dos Kirchner com os principais meios de comunicação vai se deteriorar ainda mais?

É que nesse dia será apresentado pela presidente Cristina Kirchner o projeto da Casa Rosada de uma nova lei de radiodifusão. O que consta no projeto ainda não se sabe, mas, “segundo informações extraoficiais, o principal objetivo da presidente e de seu marido e antecessor é impedir que grupos econômicos tenham participação majoritária em diferentes segmentos da comunicação televisiva e de rádio

De fato, segundo confirmou ao Globo uma fonte do governo Kirchner, a presidente argentina incluirá no projeto alguns dos 21 pontos sugeridos pela ONG Coalizão por uma Radiodifusão Democrática. A lista de propostas da ONG argentina inclui, por exemplo, a adoção de “políticas efetivas para evitar a concentração da propriedade dos meios de comunicação”, a defesa de “leis antimonopólicas, já que os monopólios e oligopólios conspiram contra a democracia” e a implementação de “cotas que garantam a difusão sonora e audiovisual de conteúdos de produção local, nacional e própria”, entre outras.

Ou seja, os Kirchner vão aplicar na Argentina tudo o que as Organizações Globo morrem de medo que seja aplicado aqui também, e que destaquei em negrito no parágrafo anterior. (Se quiser ler a reportagem completa, clique aqui.)

A Globo agora vai bater no casal K com o Ali K, usando o casal Homer Simpson (- Buenas noches, Fátima! – Buenas noches, William!). Porque as Organizações Globo têm medo de que o presidente Lula venha a aplicar no Brasil projeto semelhante. O que já deveria ter sido feito há muito tempo, porque O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil:

As Organizações Globo têm um peso descomunal no Brasil. Esse peso descomunal deve ser discutido no Congresso. É necessário que se criem mecanismos regulatórios para garantir a liberdade de expressão. E a liberdade só pode existir se for plural, se não houver uma instância - como as Organizações Globo - com o poder de influenciar mais de 70% da população. Mecanismos que proibissem – como acontece em outros países, inclusive os EUA - a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos - O Globo e Extra -, estações de rádio - Globo, CBN... - além da revista Época, do portal de notícias etc., etc.

Até quando se vai permitir a concentração de poder que as Organizações Globo têm no país? Isso não faz bem para a informação livre, muito menos para a democracia. Ao contrário: não permite uma e ameaça a outra.

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6 comentários:

  1. Mello, esse projeto é muito bom. Vão deixar passar isso na Argentina? Aqui, com certeza, matam o presidente antes.

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  2. Pluralidade,democracia e imparcialidade,é isso que deve ser seguido ...
    Mas falndo nisso tudo ,será justo um terceiro mandato para lula?
    vote na nossa enquete no blog tudo é historia.
    http://tudehistoria.blogspot.com/
    abs...

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  3. É a Argentina sempre à frente do Brasil.

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  4. Anônimo17.3.09

    Andre M. Carone (amcarone@uol.com.br)
    Mello,
    gostei muito de ler a sua última resposta (na postagem sobre a campanha do Skaf). Mas achei que seria melhor continuar a conversa a partir dessa notícia sobre as concessões.
    Eu prefiro chiar e bater o pé nos blogs a escrever para o ombudsman ou mandar cartas para os jornais porque essa é a discussão que vai mudar o futuro. Mal posso esperar pelo dia no qual o termo "mídia alternativa" já não faça mais sentido, e no qual um blog como este seja considerado um veículo de informação tão ou mais legítimo quanto outros. Não quero que a mídia alternativa de hoje perca esse compromisso com a crítica, com a abertura a opinião alheia.
    Pois bem, você trouxe uma definição do golpismo e eu devo reconhecer que, a partir dos seus termos, nossa imprensa seria golpista. Mas neste caso o "Washington Post" também foi golpista ao denunciar Watergate, e o Pravda, então, nem se fala. O mesmo deveria valer para o NYT na campanha do Obama e para a dupla Frias/Civita na derrubada do Collor.
    E o presidente Lula nunca botou a mão nesse vespeiro. Em 2002 ele defendeu o empréstimo do BNDESPar às Organizações Globo (para pagamento de dívidas no exterior) e deu sua primeira entrevista, ainda na noite da vitória, para o William Bonner. Anos depois cedeu ao Fantástico aquela entrevista na França em que admitiu a existência do mensalão ("o PT fez aquilo que rigorosamente todos os partidos do Brasil também fazem", lembra disso?). Na minha opinião esse desespero da grande mídia (ok, do PiG!) está mais ligado ao futuro do que ao presente: "o sujeito tem mais de 70% de aceitação e ninguém faz páreo: se um dia ele vier para cima de nós, estamos fritos". Mas tudo se sustenta pelo "se", e não pelo que já aconteceu de fato. Quando você defende a revisão das concessões, está à esquerda do governo Lula e não ao lado dele.
    Enquanto os porquinhos da mídia acossam o governo, a mídia alternativa é leniente com ele (conteste-me, Mello!). Voce tem razão: o caso da tucana Yeda já produziu mortes misteriosas em Brasília e ninguém fala disso. Mas se eu seguisse apenas os alternativos não saberia do achaque do Palocci contra o caseiro, nem das falcatruas do Pan-2007, nem da confissão do Duda Mendonça à CPI e diria que Marcos Valério é um publicitário mineiro que jamais pôs os pés em Brasília.
    Aliada a um governo (qualquer que seja), a mídia alternativa será tão nociva quanto a mídia oficial. O funcionário do Edir Macedo que inventou a sigla PiG entrou nessa só para acertar contas com antigos patrões e colegas, e ainda censura as mensagens dos leitores que não adotam a sua novilíngua("Farol", "Patton", "PiG" e similares). Aliados como esse ou como professores que defendem o governo para fazer carreira universitária são mais perigosos que Reinaldos ou Diogos porque estão bem ao nosso lado. Nessa democracia dos meios de comunicação que você antecipa ao comentar a atitude dos Kirchner não poderemos mais nos dar ao luxo de dividir o mundo em dois.
    grande abraço e boa sorte,
    Andre.

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  5. André,
    o golpismo não está em denunciar o que está errado (como no caso do escândalo Watergate) mas em criar, distorcer, manipular a realidade para atingir o governo, como nos casos do acidente em Congonhas, da "epidemia" de febre amarela, do cartão corporativo e...e...e...

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  6. Anônimo18.3.09

    Mello,
    estou falando desse maniqueísmo: denunciar o que é "errado" x manipular a "realidade", como se estes termos fossem evidentes por si mesmos. Entre a Belinha dos Jardins e a Belinha do Planalto prefiro ficar sem chá.
    abraco,
    andre.

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