domingo, 22 de março de 2009

Em investigação sobre atual diretor-geral da PF, cega não consegue fazer reconhecimento visual de agressores


Reportagem de Leandro Fortes na Carta Capital conta a história da empregada doméstica Ivone da Cruz, que teria sido torturada pelo atual diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, à época superintendente da PF no Rio Grande do Sul.

Corrêa foi acusado de deter ilegalmente e torturar, à base de chutes, pauladas, socos e eletrochoques, a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 21 de março de 2001, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ivone, então com 39 anos, trabalhava na casa de uma mulher identificada apenas como Ocacilda, também conhecida pelo apelido de “Vó Chininha”, avó da mulher do delegado, Rejane Bergonsi. Presente durante um assalto à casa da patroa, Ivone acabou apontada como suspeita de cumplicidade com os criminosos, embora nenhuma prova ou evidência tenha sido levantada contra ela até hoje. Corrêa era, então, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF em terras gaúchas.

(...) Ivone foi encaminhada ao Departamento Médico Legal (DML) do Rio Grande do Sul. Um laudo, assinado, em 23 de março, pelos médicos Jorge Modjen da Silveira e Jorge Lazlo, constatou diversas escoriações na região lombar da empregada, segundo eles, provocados por “instrumentos contundentes”. O documento do DML forçou a Polícia Civil a abrir um procedimento de investigação interna, apesar de as supostas torturas terem sido realizadas nas dependências da Polícia Federal.

O caso foi de contradição em contradição, o delegado Corrêa alegando uma coisa que era logo contestada pela realidade, até que, cinco anos depois, uma investigação da própria PF chamou Ivone para que ela reconhecesse seus agressores.

Por determinação do Ministério Público Federal, Ivone da Cruz foi reinquirida em 17 de agosto de 2006 para fazer o reconhecimento visual dos diversos agentes federais lotados na DRE da Superintendência da PF, quando da denúncia de tortura. Inútil, porque a empregada, àquela altura, estava completamente cega. “Meu Deus, como é que eu, sem enxergar, poderia reconhecer alguém?”, pergunta Ivone, os olhos opacos virados para o teto, ao se lembrar do episódio. [leia a reportagem completa aqui]

Luiz Fernando Corrêa é um desafeto do delegado Protógenes e de seu antecessor à frente da PF, o delegado Paulo Lacerda. Portanto, um aliado da grande mídia, que não deu nada sobre a reportagem.

Mesmo silêncio que ainda cerca a censura ao programa Comitê de Imprensa, de que participaram o mesmo Leandro Fortes desta reportagem e Jailton de Carvalho, de O Globo, pedida pelo ministro Gilmar Mendes e acolhida pelo presidente da Câmara, Michel Temer – que pelo visto não se chama Temer à toa.

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3 comentários:

  1. Cetamente Ivone não tem olhos para olhar entretanto, ela e nós somos capazes de ver muito mais do que desejam esses pseudos agentes da justiça.

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  2. Isso é covardia!
    Fora a covardia(homens(?)batendo em mulher, não se deve esquecer que o delegado estava usando as dependências da repartição para agir em seu benefício.
    Tinha que ter respondido a processo disciplinar.
    Ela deveria processar a União,e fazer com que esse senhor pague monetariamente os danos a que,indiretamente,presumo,deu causa.
    Tem hora que me envergonho de ser brasileira.

    ResponderExcluir
  3. Anônimo27.3.09

    Mello,

    eu não ligaria esta reportagem ao caso Protógenes e sim, ao Projeto de Lei Orgânica do DPF.

    É responsável pelo maior racha de categorias no DPF. E, para quem não sabe o DPF Correa, iniciou sua carreira como Agente de Polícia e estes, não o perdoam pelo fato de ser contra a Carreira única na PF - que é a bandeira dos APFs, EPFs, etc...

    O projeto provocou uma ruptura nas entidades de classe do Departamento, é só procurar na mídia...

    Sara

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