domingo, 26 de abril de 2009

O que é a gripe suína? Ela pode chegar aqui? Como se proteger?


Que tal nos informarmos direitinho sobre essa epidemia, que pode se transformar em pandemia, antes que sejamos inundados por informações alarmistas da mídia porcorativa?

As informações abaixo eu peguei no Blog da Saúde, do Azenha, e foram escritas pela jornalista Conceição Lemes, que há 25 anos atua como jornalista especializada em saúde e já ganhou 22 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica e José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo CNPq.

Primeiramente, informações da Organização Mundial de Saúde (OMS):

O que é a gripe suína?
A gripe suína, ou influenza suína, é doença respiratória aguda altamente contagiosa freqüente em porcos, causada por um ou vários vírus A da gripe suína. A morbidade tende a ser alta e a mortalidade, baixa (1-4%). O vírus dissemina-se entre os porcos através de aerossóis e por contato direto e indireto; há registro de porcos portadores assintomáticos. Ocorre entre porcos ao longo de todo o ano, com maior incidência no outono e inverno e em zonas temperadas. Em muitos países, vacina-se rotineiramente os porcos contra a influenza suína.

Os vírus da influenza suína são mais comumente do subtipo H1N1, mas há outros subtipos também freqüentes em porcos (por exempplo, H1N2, H3N1, H3N2). Os porcos também podem ser infectados por vírus da gripe aviária e por vírus da influenza sazonal humana. Pensava-se que o vírus suíno H3N2 tivesse sido introduzido originalmente nos porcos por humanos.

Em alguns casos, os porcos podem ser infectados, ao mesmo tempo, por mais de um tipo de vírus, o que possibilita que os genes desses vírus se misturem. Daí poder resultar um vírus de influenza que contenha genes de várias origens – o chamado vírus recombinante. Embora os vírus da influenza suína sejam normalmente específicos e só infectem porcos, acontece às vezes de ultrapassarem a barreira da espécie e provocar doença em humanos.

Quais as implicações para a saúde humana?
Têm sido relatados ocasionalmente surtos e infecção esporádica de humanos pela gripe suína. Os sintomas clínicos genéricos são semelhantes ao da gripe sazonal, mas os relatos de apresentações clínicas variam muito, desde infecção assintomática até pneumonia severa, resultando em óbito. Uma vez que a apresentação clínica típica da infecção por gripe suína em humanos é muito parecida com a da influenza sazonal, a maioria dos casos foi detectada por acaso, na vigilância contra a influenza sazonal. Casos leves ou assintomáticos podem não ter sido identificados, motivo pelo qual não se conhece a real extensão da doença entre humanos.

Onde ocorreram casos da doença em humanos?
Desde em 2007, quando passou a haver uma regulamentação internacional, a OMS foi notificada da ocorrência de casos de gripe suína nos EUA e na Espanha.

Como ocorre a infecção em humanos?
As pessoas, quase sempre, são infectadas pelo contato com porcos. Mas em alguns casos não há histórico de contato nem com porcos nem com ambientes em que tenha havido porcos. Há alguns registros de transmissão da doença entre humanos, mas sempre limitada a contato muito próximo em grupos de convivência próxima.

É seguro comer porco e produtos de carne suína?
Sim. Não há registro de transmissão da gripe suína por ingestão de alimentos adequadamente manuseados e preparados com carne de porco ou outros produtos derivados de porcos. O vírus da gripe suína não resiste à cocção em temperaturas superiores a 70°C, como se recomenda para a preparação de carne de porco e outras carnes para alimentação humana.

Que países foram afetados por surtos da doença em porcos?
A gripe suína não é de notificação obrigatória para as autoridades internacionais de saúde animal. Por isso, não se conhece muito bem a distribuição internacional da doença. A gripe suína é considerada endêmica nos EUA. Sabe-se de surtos em porcos na América do Sul e do Norte, na Europa (incluindo Inglaterra, Suécia e Itália), na África (Quênia) e em áreas do Leste da Ásia, incluindo China e Japão.

Há vacina para proteger seres humanos contra a gripe suína?
Não. Os vírus da influenza modificam-se muito rapidamente e é muito importante que a vacina e o vírus circulante correspondam um ao outro para que a imunização seja eficaz. Essa é a razão pela qual a OMS tem de selecionar duas vezes por ano os vírus a serem incluídos na vacina contra a gripe sazonal. Uma vez para o inverno no Hemisfério Norte; outra para o inverno No hemisfério sul. A vacina atual contra a influenza produzida a partir das recomendações da OMS não contém o vírus da gripe suína.

Deve-se tomar antivirais para prevenir e tratar a infecção pelo vírus da gripe suína?
A informação disponível não é suficiente para que se recomende o uso de antivirais na prevenção e tratamento da infecção por vírus da influenza suína.

Agora, escreve Conceição Lemes:

Desde sexta-feira, dia 24, a influenza suína, ou gripe suína, está no noticiário do mundo inteiro devido à ocorrência da infecção em humanos no México e nos Estados Unidos. São casos graves de pneumonia possivelmente associados ao surgimento de uma variante do vírus da influenza suína A/H1N1.

O Comitê de Emergência da OMS, reunido nesse sábado, dia 25, em Genebra, analisou os dados clínicos, epidemiológicos e virológicos disponíveis dos casos notificados. Detectou que faltam informações mais precisas para a OMS tomar as medidas adequadas. Apesar disso, concordou que a situação atual constitui uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. A OMS recomendou a todos os países que intensifiquem a vigilância de surtos incomuns de doenças parecidas com gripe e pneumonia grave.

No Brasil, até o momento, não há evidências da circulação do vírus da influenza suína -- nem em humano nem em animais, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS).

No entanto, a SVS/MS decretou alerta de emergência em saúde pública desde sexta-feira. Representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura se reunirão diariamente em Brasília para acompanhar a evolução epidemiológica da situação e indicar as medidas adequadas ao país.

Vigilância 24 horas, nossa grande arma
Desde 2005, o Brasil conta com uma rede de vigilância capaz de monitorar a circulação das cepas de vírus respiratórios e, imediatamente, acionar “alarmes” para enfrentamento de emergências de saúde pública.

As Coordenações Estaduais de Vigilância em Saúde já foram acionadas para intensificar o processo de monitoramento e detecção de casos suspeitos e comunicá-los, no ato, ao Ministério da Saúde. Também foi intensificado o monitoramento dos viajantes procedentes do México e dos Estados Unidos nos aeroportos brasileiros. Afinal, vigilância 24 horas é a nossa grande arma não só contra a gripe suína, mas contra todas as doenças infecciosas, novas ou antigas.

“As vacinas atualmente disponíveis não oferecem proteção contra infecção deste vírus”, alerta o Ministério da Saúde. “Portanto, até o momento, não há indicação de uso da vacina contra influenza como medida de prevenção e controle da gripe suína”.

Por enquanto, as recomendações do Ministério da Saúde são estas:

* Passageiros que, nos últimos dez dias, chegaram do México e Estados Unidos e apresentem febre acima de 39 graus, acompanhada de tosse e/ou dores de cabeça, nos músculos e nas articulações, devem procurar unidades de referência de atendimento na rede pública de saúde.
* Passageiros procedentes desses países que desembarcarem no Brasil já com esses sintomas, devem procurar o posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no aeroporto de desembarque.
* Consumo de produtos de origem suína não representa risco à saúde das pessoas.
* É totalmente dispensável o uso de máscaras, como está acontecendo no México.

Importante: até o momento a Organização Mundial de Saúde não recomendou restrições de viagens às áreas afetadas nem de entrada de passageiros vindos desses países. Nessas situações, é vital as autoridades de saúde esclarecerem sistematicamente a população sobre a situação real, sem ocultar nada, apenas a verdade. E você informar-se. Por isso, o Viomundo [e este blog] atualizará o assunto sempre que houver alguma novidade importante.

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5 comentários:

  1. Em tempo você trás essa informação, tão importante, Mello.
    Mas, as doenças causadas por porcos no Brasil são antigas. Alguns trasmissores de doenças que me lembrei: Delfin Neto, FHC, Collor, Renan, Sarney, Dantas, Lalau, A Ditabranda, entre outros suínos de menor monta.

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  2. Indico um artigo muito bem redigido, que trata de forma científica o tema da gripe suína.

    http://scienceblogs.com.br/rainha/2009/04/o_que_voce_precisa_saber_sobre.php

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  3. Anônimo27.4.09

    Boas infomaçoes. Muito pertinntes para o momento. isso contribui bastante para neutralizar as manobras da mídia alarmista, como tem feito ultimamente contribuindo mais para a desinformar que informar.

    Um bom dia.
    Faustino

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  4. Anônimo27.4.09

    sr: Mello quisiera saber si comer carne de porco
    puede contagiar el virus
    gracias por su informacion
    Mariela Anderson

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  5. Pessoal,
    mas não se esqueçam do carater perverso da indústria farmacêutica. O médico chefe do distrito de Dallas afirma em vídeo que o vírus foi criado em laboratório, por isso os porcos não estão contaminados.
    http://vendedordebananas.blogspot.com/2009/04/historia-suja-da-gripe-suina.html

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