segunda-feira, 20 de abril de 2009

A quem favorece o silêncio do Blog do Mino?


Mino Carta está fazendo falta. É verdade que ele ainda escreve na sua Carta Capital. Mas é diferente. O dia-a-dia da blogosfera, o “calor dos acontecimentos”, tudo isso sente falta da palavra de Mino. Ainda que seja para discordar dele às vezes.

Mino Carta está para a imprensa brasileira como Fernando Barbosa Lima, recentemente falecido, está para a história do jornalismo televisivo. Embora Mino seja muito mais temido (pelos ex-patrões e sua turma) e tenha sua importância muito mais reconhecida que a de Fernando Barbosa Lima.

Mas até o mundo mineral sabe da importância das palavras de Mino em seu blog. Especialmente porque ele conhece os intestinos da nossa mídia porcorativa e – mais importante – eles sabem que ele sabe.

Portanto, a pergunta do título só pode ter uma resposta: o silêncio do Mino em seu blog favorece a mídia porcorativa e suas reporcagens.

Por isso, Mino deveria rever sua atitude e voltar ao blog, ao cotidiano dessa batalha por uma comunicação mais democrática, que travamos em nossos modestos blogs contra os barões da mídia.

Porque, cá entre nós, o tal jornalismo como o conhecíamos, aquele defendido pelos sindicatos com seus diplomas, já era. A informação hoje é – para usar uma expressão do mercado que nos governa – commodity. Está aí à disposição de todo mundo. O que faz cada vez mais a diferença é o agente que transmite a informação, porcalista ou não, desde que ele tenha para o leitor / ouvinte / telespectador credibilidade. Isso Mino Carta tem de sobra.

Mino faz falta até nos comentários sobre futebol. Embora ele não entenda nada do assunto, pois defende que é futebol aquilo praticado pelos cinturas-duras de sua Itália – e que vagamente lembra o esporte inventado pelos ingleses mas criado e aperfeiçoado no Brasil. Até falando besteira ele o faz com estilo. Talvez pela qualidade dos botões com que dialoga.

Mas, enquanto Mino não volta, leia o que ele escreveu na sua Carta Capital desta semana, originalmente aqui:

Antes e depois da Satiagraha

Que plano republicano é este em um país que se diz República? Até parece que as maiores ameaças rondam o Brasil, republicano há 120 anos, e sua atual Constituição, velha de 21. O simples anúncio de que os representantes dos Três Poderes democráticos se reuniram para assinar o tal imponente e caudaloso documento presta-se a despertar, muito além de perplexidades, espanto e temores. Ou não, melhor cair na gargalhada?

Fosse este, ao contrário do que entendia De Gaulle, um país sério, teríamos fartas razões para recear uma ruptura institucional, a impor a urgência de um acordo por cima. Sim, convenhamos: a nação não parece incomodar-se com a solene encenação. Mas, assim como cabe a pergunta “que República é esta?”, também vale outra: que nação é esta?

Interpretação viável. O presidente do STF, Gilmar Mendes, denuncia há tempo a ameaça de um “Estado policial” pronto a se instalar no País, se já não teria tomado posse. Não falta quem, do lado oposto, aponte a tentativa do ministro Mendes de submeter o Brasil a um “Estado judicial”. Estaria aí o confronto em andamento?

Pode ser. Mas não se desenrola também uma luta surda, porém acirrada, dentro da própria PF? Remonto, talvez instintivamente, à Operação Satiagraha como a um divisor de águas, momento fatal que separa o antes do depois. A partir daí o circo arrisca-se ao incêndio, a despeito da tentativa bombeira da mídia. Com os habeas corpus a Daniel Dantas, Mendes ganha dimensão extraordinária, reforçada pela história fantasiosa do pretenso grampo da sua inócua conversa com o senador Demóstenes, o que o leva a “chamar às falas” o presidente da República. E o presidente? Acede ao chamado.

Decorrem implacavelmente o desterro do diretor da Abin, Paulo Lacerda, e as diversas vicissitudes sofridas pelo delegado Protógenes e pelo juiz Fausto De Sanctis. Recordo que na manhã do dia em que foi deflagrada a Satiagraha, figura importantíssima do governo (escolho o superlativo, embora avise não se tratar do presidente Lula) ligou-me para dizer: “Viu, viu o que a gente fez?”

Caí das nuvens, nada sabia. Ouvi todas as explicações do outro lado da linha, a começar pela frase: “Prendemos o orelhudo”. A figura, sublinho importantíssima, estava eufórica. Com o decorrer dos dias e dos meses mudou o tom. Quem sabe a manada tenha entrado na linha. Encontro motivos, contudo, para acreditar no delegado Protógenes quando afirma que a Satiagraha recebeu o aval do Palácio do Planalto.

Seria o destino do banqueiro do Opportunity tão decisivo para a saúde da República? Haja surpresa. De todo modo, enxergo no pacto republicano o enésimo arreglo para oferecer aos privilegiados do Brasil ulteriores e mais amplos privilégios. Acerto a bem da patota, da turma, do grupo. Do estamento, diria Raymundo Faoro, de vivíssima memória nesta redação. Algo bem mais medíocre do que a célebre conciliação das elites, mas de efeitos igualmente deletérios para a maioria dos cidadãos, sufragado pelo apoio, diria mesmo a proteção, da mídia.

Sim, que República é esta, que nação, que elites... E qual seria o país sério, democrático e civilizado em que a mídia não repercute uma grave acusação contra o chefão da polícia, suspeito de atentado aos direitos humanos?

CartaCapital, com uma reportagem de Leandro Fortes, acusou o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, de ter torturado a empregada doméstica da avó da mulher nas dependências da polícia de Porto Alegre, quando lá prestava serviço. Corrêa não soube produzir explicações convincentes para o fato, e muito menos o desmentiu categoricamente. Contou, entretanto, com o costumeiro silêncio do jornalismo pátrio. Normal, normalíssimo. Estamos é no Brasil.

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13 comentários:

  1. Anônimo20.4.09

    Isso mesmo, Mello. A quem interessa ?

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  2. Bernardo20.4.09

    Mino nunca gostou de publicar posts no seu próprio blog a bem da verdade. Não é a primeira vez que ele abandona o blog. Quando PHA foi escorraçado do ig, ele fez o mesmo, quando deveria ter justamente feito o que o próprio PHA fez: movido seu blog para fora do provedor. Acabou por fazer o jogo do inimigo. Dessa vez, ao que parece, ficou irritado com a repercussão negativa que teve sua opinião contra Batisti, justamente num meio que o costuma apoiar: os simpatizantes de Lula. Acho difícil ele rever esta posição no curto prazo.

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  3. Anônimo20.4.09

    Menas, Mello, menas.

    Se vc pensa assim, diga, é direito seu.
    Mas nao amplie nesse plural duvidoso, pois estou no outro grupo, no dos q nao sentem falta.
    Se voltar, bem vindo, mas daí a sentir falta ...

    Menas, compadre, menas.

    Inté,
    Murilo

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  4. Anônimo21.4.09

    Apenas uma observação quanto ao futebol e Mino Carta. O futebol é tão inglês quanto o macarrão é italiano e a pólvora ocidental. Os ingleses, como muitos acreditam, "civilizaram" um esporte praticado na China bem antes dos "caminhos da Índias". O "silêncio dos inocentes" resulta na impunidade dos culpados. Calar é compactuar. Os panificadores do passado, que diziam que o bolo nunca estava no tamanho ideal para ser dividido, hoje encontram abrigo junto aos torturadores da "ditabranda", comem brioches e brindam com Chandom a fartura de cerejas na torta amassada pela plebe rude que ainda espera por migalhas.

    Roberto Barboza

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  5. Anônimo21.4.09

    MELLO,
    MINO CARTA NÃO É IMPRESCINDÍVEL. POIS SEUS COMENTÁRIO É UMA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA.ADEMÁS, ESTEVE SEMPRE AO LADO DOS GRANDES FALSÁRIOS DESTE PAÍS.O MINO CARTA É UM PIERROT, APAIXONADO PELA ELEITE OLIGÁRQUICAS NAS COXIAS.BASTA ANALISAR SUA FICHA E VERÁS QUE SEMPRE ESTEVE COM OS PILANTRAS,TRAIDORES E OS ANTE-PATRIOTAS.OS QUE ACUMULAVAM RIQUEZAS E SOLAPAVA TUDO QUE ERA DE BOM AOS CIDADÃOS DO BRASIL.SENÃO VEJAMOS: SEMPRE CONVIVEU COM OS CIVITAS-QUE FORAM EXPULSOS DA ARGENTINA AOS PONTAS PÉS NO FIOFO...,OS FRIAS-PROPRIETÁRIO DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, SÃO MAIS SUJOS QUE PAU EM GALINHEIRO E POR FIM O ESTADO DE SÃO PAULO DA ULTRA-EXTREMA DIREITA CATÓLICA-PAX BONNIS.NÃO ADENTRAMOS MUITO POR O DIABO ESTÁ NA ENTRE LINHAS.

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  6. Anônimo21.4.09

    O meniMINO ficou chateado com o Brasil no caso Battisti e emburrado nega a plebe a sua genialidade. Só Mino é que pode dizer a quem interessa.

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  7. grande mello,

    generosidade não faz mal a ninguém e não tem contraindicação.

    parabéns.

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  8. Simone21.4.09

    Oi Melo.

    Eu percebi que você está provocando o Mino para que ele volte. Também gostaria que ele voltasse. Que tal criar um abaixo assinado pedindo que ele volte?

    Abraços.

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  9. André22.4.09

    Sempre que acontece algo importante na política brasileira, fico tentado a abrir a página do Mino Carta, qual pessoa é importantíssima fonte de referência. Aí vem a constatação que estamos orfãos dessa fonte. Sou obrigado a me contentar com os editorias do Mino no semanário Carta Capital, do qual sou assinante. Atualmente, p.ex., Mino tratou o assunto Protógenes vs DD+GM+quadrilha com uma lucidez que é absolutamente rara no jornalismo brasileiro. Então Simone, vamos fazer um abaixo assinado?

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  10. A informação que tenho é de que ele está irredutível. Mas quem sabe se a gente continuar tentando... :-t

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  11. Anônimo23.4.09

    Eu gostaria que o Mino Carta voltasse para o seu blog, desde que voltasse tb a ser o jornalista de antes do evento Cesari Battistti. Neste momento, Mino se mostrou mal educado, truculento, ditatorial, dono da verdade e anti-democrático. Seu sangue italiano correu mais forte pelas suas veias, e perseguiu o Battisti mais até que a revista (não)Veja. Ainda depois do assunto morto, ele fazia questão de continuar opinando na Carta Capital, o que me levou a escrever inúmeras vezes para a editora, solicitando o cancelamento da minha assinatura (no que não fui atendida). Com tanto brasileiro que merece perseguição, ele escolhe um italiano, cujas acusações nao-comprovadas se deram há décadas? Ora, faça-me o favor!!! Sonia Montenegro.

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  12. Anônimo23.4.09

    O Mino Carta bem que podia NOS BRINDAR, em seu site, com uma "APARIÇÃO COMEMORATIVA" ao evento de ontem no STF !!

    Aproveito este post para pedir a atenção dos senhores para três coisas:

    1 => O Ministro JOAQUIM BARBOSA elevou o tom e NÃO foi calado...Seu opositor-mor (gilmar mendes) baixou o tom e assim continuou hoje...

    2 => "Aquele que Defende seu Direito, Constrói um Muro Invencível a Cada Feito" - frase que li em um monumento em Arequipa, no Peru - valerá, à partir de ONTEM, na vida do ministro JOAQUIM BARBOSA e para todos os brasileiros de bem, assim como para as próximas sessões do STF, onde teremos um "FISCAL" cada vez mais respeitado e HONRADO !

    3 => Vivemos um desses Momentos-Chave na Linha do Tempo:

    - A Deflagração da Operação Satiagraha (08/07/2008);

    - A Reação das Forças do Mal contra os Agentes que desejavam "Abrir a Caixa de Pandora";

    - A conivência do presidente Lula ( Lula/Lulinha/Br-Oi ) -->> VIDE:

    http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/537/artigo70289-1.htm

    E FINALIZANDO, a REAÇÃO DESTE GRANDE BRASILEIRO que ficará eternamente destacada pela CORAGEM E HONRADEZ !!

    Att.

    Martin

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