quinta-feira, 4 de junho de 2009

Airbus da Air France: acidente ou omissão criminosa?


Está hoje na primeira página do Globo a informação de que a Agência Européia de Segurança de Aviação (Easa) emitiu um alerta em janeiro deste ano avisando que os modelos Airbus A330 (como o da Air France que se acidentou no domingo) e A340 podiam apresentar “comportamento anormal”, “podendo provocar até repentinos mergulhos em pleno voo”.

Peralá. Comportamento anormal, mergulhos repentinos em pleno voo e nada foi feito?

Não é de hoje que os Airbus apresentam “comportamento anormal”, geralmente relacionados ao sistema Fly-by-Ware, como já postei aqui, em julho de 2007.

Acidente com vôo JJ 3054 da TAM: Briga dos pilotos com sistema FBW (Fly-by-wire) do Airbus?

Fiz outro dia uma postagem aqui, Briga de pilotos e computadores pode ter causado acidente com Airbus da TAM. Pesquisei mais sobre o assunto e divido as descobertas com vocês:

Sobre o sistema FBW (Fly-by-wire) do Airbus, o engenheiro e professor de Engenharia Mecânica da Universidade do Porto, Portugal, Francisco Vasques, em curso ministrado em agosto de 2006 na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (um arquivo pdf com a apresentação em PowerPoint do professor pode ser baixado aqui), afirmou que:

Inicialmente vários dos acidentes dos Airbus foram atribuídos a erros humanos. Posteriormente foram detectadas insuficiências graves a nível da concepção das interfaces homem-máquina.

Na Wikipedia, há a incrível história do vôo de demonstração do desempenho do Airbus, logo à época de seu lançamento e que acabou do jeito que você pode ver no vídeo aí acima.

O vôo 296 da Air France foi um vôo de demonstração do desempenho do Airbus, que acabou explodindo a 26 de junho de 1988 na floresta que havia no final da pista do aeroporto da cidade de Mulhouse-Habsheim, sul da Alsácia, França. O A320-100, prefixo F-GFKC, transportava 6 tripulantes e 130 passageiros, dos quais 50 saíram feridos e 3 morreram, entre estes um tetraplégico e uma moça que não conseguiram escapar a tempo, ficando bloqueados na cabine que se incendiou na seqüência do desastre. Numerosos presentes filmaram a cena: vôo 296.

O acidente fatal ocorreu apenas dois meses depois do lançamento da aeronave. O piloto Michel Asseline, o primeiro oficial Pierre Mazière, dois funcionários da Air France e o presidente do aeroclube que patrocinou o evento foram julgados. O piloto foi condenado por homicídio culposo e sentenciado a pena de 6 meses na prisão mais 12 meses de condicional; os demais foram sentenciados a condicional. O piloto sempre negou a responsabilidade pelo acidente, que atribuiu ao painel de instrumentos da cabine do avião. Ele afirmou, após ver um vídeo do acidente, que o altímetro indicava uma altura de 30 metros de altura quando na realidade estava a apenas 9 metros.

Após esse acidente com o Airbus, um piloto de Boeing 747 da Air France, Norbert Jacquet, de 38 anos de idade, questionou a confiabilidade do avião, altamente computadorizado, bem assim a versão oficial fornecida à imprensa a respeito desse acidente. Também apontou a tentativa de se esconder graves defeitos na tecnologia do Airbus. Ele acabou demitido da Air France, acusado de insano, teve seu brevê revogado definitivamente e ainda passou por vários estabelecimentos prisionais franceses.

Sobre esse acidente, Norbert Jacquet escreveu um livro com o seguinte título: Airbus - L’assassin habite a l’Elysee, que pode ser baixado aqui, no original em francês.

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10 comentários:

  1. Simone4.6.09

    Oi Mello.

    Boa postagem. Será que alguém vai conseguir provar que há um problema no AirBus?

    Estou contente por você ter voltado firme e forte.

    Abração.

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  2. ótimos posts. Pare de sumir Mello. você faz falta aqui na net. E você comentou sobre remar contra a maré, queria dizer que discordo de você, quem está remando contra a maré são os outros.
    Abraços.

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  3. Talvez a queda do A330 da Air France se deva a um fenómeno meteorológico chamado Blue Jets que apenas foi descoberto há 10 anos e que ainda não é muito conhecido.

    Este fenómeco ocorre no topo das tempestadas e é muito rápido.

    Ver mais no meu blog:
    http://www.duarte-gouveia.info/2009/06/air-france-a330-200-voo-447/

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  4. Será que os computadores que a AirBus anda embarcando são parentes do HAL 9000?


    Parabéns pelo retorno!

    Lil Netto

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  5. Caro Mello,
    Parabéns por esta postagem oportuna e inteligente.
    Sou do blog Cabresto sem nó, e sempre passo por aqui.
    Agnelo Regis

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  6. Anônimo7.6.09

    S

    Os lobbies da indústria do Petrólio e da Aviacao insistem em dizer que a aviacao é o transporte mais seguro. Que obviamente nao é!
    Seguro eram os Zeppelins. O Graf Zeppelin foi o 1° objeto voador que deu a volta ao mundo. Fez expedicoes no Polo Norte etc...Mesmo o Hinderburg depois do acidente (ou atentado)teve vários sobreviventes. Com a tecnologia moderna os Zeppelins seriam mais seguros ainda. Cada vez o transporte aéreo está mais desconfortável e com menos espaco. As pessoas estao ficando cada vez mais gordas no mundo inteiro e quando a gente senta perto delas fica com menos espaco ainda. Eu viajaria no Zeppelin mesmo que fosse mais caro!

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  7. Talvez seja uma pequena falha dos Airbus, a Boeing já teve também algumas como por exemplo os acidentes com a cauda (penso eu) nos anos 90, demoraram a descobrir qual era a causa e depois ficou resolvido. Espero que seja o mesmo no caso da Airbus.
    Considero os aviões o transporte mais seguro de todos juntamente com o ferroviário. Muita parte do medo das pessoas deve-se à imprensa, porque a fim de cada acidente, saiem 500 noticias de Airbus incidente ali, acolá, quando é com Boeing o mesmo. Vide no Brasil, quando houve o acidente com o F100 em CGH, a imprensa lá manchou tanto o nome que alteraram o nome do avião para MK28 por causa do "medo" das pessoas.

    Abraço
    Um entusiasta e apaixonado por aviação.

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  8. duvidoso18.6.09

    Será que o incidente que ocorreu com o airbus A330 da TAM, que vinha de Miami, uma semana antes do acidente da AF, teve a mesma causa?

    Os passageiros relataram uma perda de altitude abrupta e muitos ficaram feridos. Este incidente tem caixa preta e a responsabilidade da investigação é brasileira. A imprensa poderia ficar em cima.

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  9. Anônimo3.8.10

    Estudo aviação a muitos anos, acompanhei este acidente na integra e vi pessoalmente, moro na França a 27 anos. O piloto quando se aproximou estava muito alto, acredito que o Altimetro informou de forma errada a pressão barometrica aos computadores da aerov. Padrão 2992 e a padrão no aerodromo era outra.

    Acredito também que ao assumir o comando da aerov. o piloto por estar desesperado não desligou o AP (piloto automatico), pois apos este acidente os avioes da AirBus forum modificados, quando o piloto assumia a aeronave o AP automaticamente se desligava. E isso também foi fundamental para outro acidente que houve quando o Piloto de um voo permitiu que crianças entrassem na cabine para tirar fotos. Uma das crianças mexeu no manche e o AP se desligou, a aeronave colidiu porque os pilotos nao perceberam que ela estava caindo.

    Abraços a todos!!!

    Júlio César - France

    ResponderExcluir
  10. Anônimo27.5.11

    Leia em http://www.popularmechanics.com/technology/aviation/crashes/are-the-pilots-of-air-france-447-to-blame-5818769
    um trecho pela metade do artigo onde falam do incidente com Airbus da TAM onde os pilotos tiveram que “reboot” os computadores...
    Esta informação não foi divulgada aqui!

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