terça-feira, 24 de agosto de 2010

Morte de Getúlio. Já naquela época o povo sabia quem era seu inimigo: O Globo, golpista desde sempre


Em 24 de agosto de 1954, o presidente Getúlio Vargas deu um tiro no próprio peito, pondo fim à perseguição que lhe faziam políticos opositores e a mídia. À frente, O Globo, comandado por Roberto Marinho.

Logo após a divulgação do suicídio de Getúlio, há 56 anos, “caminhões de entrega do jornal oposicionista O Globo foram queimados pela multidão enfurecida” (“Brasil: de Getúlio a Castelo”, Thomas Skidmore, pg.180).

Como se vê, não é de hoje que O Globo é golpista. Também não é de hoje que o povo sabe disso.

E contra o que luta a Globo? A Carta Testamento de Getúlio, reproduzida a seguir, responde. E mostra que há 56 anos O Globo (hoje Organizações Globo) continua(m) o(s) mesmo(s).

Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.


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Um comentário:

  1. Boa noite, Mello!

    Trabalho para divulgar os eventos da Unisinos (http://www.unisinos.br) e estamos promovendo, juntamente com o Instituto Humanitas (http://www.ihu.unisinos.br/), o XI Simpósio Internacional IHU. Neste ano, o tema será O (Des)Governo Biopolítico da Vida Humana.

    Vamos contar com a presença de inúmeros professores da universidades nacionais e internacionais. E como o público do evento é de acadêmicos das áreas de humanas de todo o Brasil, pensamos que seria interessante aos leitores do seu blog.

    Tenho um release para repassar, se você tiver interesse no tema, ok?

    Estou à disposição.

    luisaalves83@gmail.com

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