sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Classe mérdia tem uma solução para tudo: 'Basta tirá-los dali'


Mendigos nas ruas? - Basta tirá-los dali. Menores consumindo crack? - Basta tirá-los dali. Prostitutas na calçada? - Basta tirá-las dali. Excesso de carros nas ruas? - Basta tirá-los dali. Sem terra invadindo terras improdutivas? - Basta tirá-los dali. Sem teto invadindo prédios desocupados? - Basta tirá-los dali. Moradores em áreas de risco? - Basta tirá-los dali. Favelas? - Basta tirá-los dali.

E colocar onde?

Isso não querem saber: acham que políticos foram eleitos para isso. Querem que eles façam o serviço sujo.

Os últimos acontecimentos no Rio e em SP mostram que à direita e à esquerda muitos querem a solução simplista da classe mérdia: - Basta tirá-los dali. Mesmo que para isso seja necessário chamar a polícia.

Ou seja: mendigos, sem-teto, sem terra, prostitutas, drogados, todos são caso de polícia.

Não são não. Polícia é para quem precisa de polícia. Eles precisam é de política com P maiúsculo: política social, inclusão. Cidadania. Não temos que tirá-los dali. Temos que incluí-los aqui.

Somos humanos; isso, em suma, é o que somos.

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12 comentários:

  1. Valéria Moraes14.1.11

    E, frequentemente, essas frases vêm acompanhadas de "os políticos não fazem nada, só roubam a vida toda". Fácil! Jogo a responsabilidade para outro e ainda fico olhando e dizendo que tá tudo errado...

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  2. Exatamente o que questiono.
    Parabens pela postura.
    http://murilloleal.tumblr.com/
    Passa lá escrevi um pequeno texto desmontrando esatamente o mesmo. grande abraço. por um jornalismo Integro. Abraço!

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  3. Mello,
    Lamento não poder citar o vídeo, mas é verdade.
    Um dos jornais televisivos da grobo, como sempre, convocou um especialista para "professorar" sobre a tragédia do RIO.
    Não é que o especialista recitou que as cidades pequenas e com habitações em áreas de risco a construção de ginásios para abrigar as possíveis vítimas.
    Foi ao ar, eu juro!

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  4. Prezado Mello
    A expressão correta é "crasse mérdia" pois ele é IGNORANTE também.
    Abraço
    Castor

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  5. Sou sobrevivente da enchente de 1966. Ao lado de minha casa havia uma outra onde moravam um casal e dois filhos pequenos: o casal foi retirado com vida e hospitalizado e os dois filhos morreram. Conheço bem essa teoria de "basta tirá-los dali". Em outras área também, como a dos deficientes.
    Parabéns, Mello, seu texto veio na hora. E tomara que possamos agir, fazer alguma coisa, a tempo. Triste mesmo é pensar que talvez estejamos chegando num lugar sombrio, naquele ponto onde há uma placa avisando: "Agora é tarde demais".

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  6. Luis Rodrigues15.1.11

    Disse a verdade.

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  7. Anônimo15.1.11

    É a mesma coisa que reunião de condomínio....Bate boca, disputas pessoais ( quanto mais mesquinhas, melhor!!) e a "culpa" é sempre do síndico, que é uma merda.... Solicita-se que as pessoas se envolvam na solução... e aí ... bem, eu sou uma pessoa muito ocupada... ou eu não me meto nessas coisas.... e a pérola : mas nós elegemos o síndico pra resolver, não foi ?? Se os filhos são mal educados, se eles deixam o cachorro fazer cocô nos jardins do prédio e não recolhem, se eles não pagam condomínio porque a prestação da viagem à Disney é mais importante...."o que é que você tem a ver com isso ?? É problema MEU, está ouvindo ?? se me encher muito te meto um processo, que toda a minha família é de advogados...." Mesmos raciocínio individualista e babaca para tudo...
    Lais / São Paulo ( não sou síndica de condomínio, mas tenho muita pena de quem topa esta parada!!)

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  8. Antônio Mello, mais uma vez, parabéns! O maior desafio da humanidade, na luta de classes e na guerra santa, é tolerar. O pensamento quase espontâneo do genocídio nos levou somente até aqui, a este caos. Relembrando a deflagração do autoritarismo nas classes brasileiras, as campanhas eleitorais, o PIG contrariado, só mostrou o que estava subjazido, socavado em nossa sociedade há anos, no nosso "sempre". Castor, brilhante o adjetivo à crasse - na qual estou incluído - a que chamo de vulgo, não mais povo. O vulgo é o mais ignorante, não vê, não pensa, é induzido, levanta os punhos cerrados e os cruzam acima da cabeça, como no "1984" e no "The Wall", submissos da bosta achando que pensam, raciocinam, que têm liberdade de expressão. Não passam de reles, no seu sentido mais "strictu". E se sabem o que são, usam o cinismo, como se o povo, oos outros nada soubessem. E quando um governo atende aos seus parcos apelos: " O governo não faz nada", quando fazem, nem percebem, massacrados pela ideologia liberalista do PIG. é difícil perceberem a mediocridade própria!

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  9. Vc vai gostar do blog http://classemediawayoflife.blogspot.com Nele vc encontrará 44 pérolas sobre este "estilo de vida".

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  10. Yacov15.1.11

    Bela cutucada, Mello!!! O Problema é que a classe mérdia não se envolve nesta coisa corrupta de política, entende!?! A maioria nem se lembra em quem votou para deputado... Depois reclama que as coisas não mudam, que os políticos são todos iguais... A grande questão é: As pessoas não se envolvem com política por que são todos corruptos, ou todos são corruptos por que as pessoas não se envolvem com política???

    Com a chegada da Internet, e a possibilidade de uma democracia praticamente direta, acho que esta desculpa esfarrapada para não se envolver com as questões políticas acabou. Vamos lá minha gente!!! Vamos participar, vamos cobrar, fiscalizar, só assim podemos construir um mundo melhor para todos e não ficar apenas vestindo um santo e despindo outro e escondendo a sujeira embaixo do tapete. È isso, aí!!!

    "O BRASIL PARA TODOS não passa na glOBo - O que passa na glOBo é um braZil para TOLOS"

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  11. Júlio César16.1.11

    Valeu Mello concordo com você em gênero, número e grau!
    Abraço,
    Júlio!

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  12. Olá, Mello!

    Bom texto, ótima reflexão. Continue firme em sua saga. Sempre terá seguidores.
    É necessário rever que "o que preocupa não é a ação dos corruptos, dos sem ética, nem dos crápulas; o que preocupa é o silêncio dos honestos e justos". Ressalte-se nesse contexto a existência do universo expresivo dos analfabetos políticos. Enfim, é a vida. Um processo em franco desenvolvimento. Nós, brasileiros, estamos engatinhando.
    Por último, parabéns mais uma vez pela reflexão e os comentários oportunos dos seguidores.
    Um abraço cheio de energias positivas
    Luca Vianni

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