quinta-feira, 7 de abril de 2011

Clara Nunes, Sivuca, Wilson Nunes, e Berlim atrás de matéria-prima


Brava gente brasileira, tudo bem?
Repasso esse vídeo que recebi com esses dois cracaços.
Com Clara Nunes não tive a oportunidade de tocar, passei perto, mas com Mestre Sivuca vivi alguns dos melhores palcos que pisei.
Com eles tive a oportunidade de participar de um evento que me fez repensar a vida.
Para alguns já falei desse episódio e repito para os que não o conhecem. Tem muito a ver com cada um de nós, brasileiros.
Corria o ano de 1982 e eu tocava com Sivuca quando ele foi convidado a participar de um festival chamado 'Horizons', em Berlim.
Chegando lá, tomamos um susto. Tratava-se de um festival de cultura latino-americana. Só a delegação do Brasil devia constar de uns 200 integrantes.
A Noite da Música contaria com Sivuca, Clara Nunes, Elba Ramalho e Hermeto Pascoal, cada um com suas bandas completas, mais empresários, técnicos de som, etc.
Só aí já tínhamos umas 40 pessoas. Estavam lá também o Grupo Macunaíma de teatro, escritores brasileiros dando palestras sobre seus livros, sociólogos, antropólogos,
e todo mundo muito bem tratados e hospedados. Agora multipliquemos isso por todos, ou quase isso, os países latino-americanos. Algo monumental e caríssimo.
Ficamos lá durante 2 semanas, com direito a assistir o que quiséssemos, e recebemos um excelente cachê, para tocarmos na tal Noite Brasileira, que durou umas 3 a 4 horas, com uns 45 minutos para cada banda. O show foi numa casa enorme chamada Metropol, na realidade um teatro de rock, do tipo Canecão, e estava superlotada.
Os organizadores disseram que havia cerca de 8.000 pessoas assistindo. Sivuca optou por fazer um show de forró. E assim foi. E como! O pau comeu na casa de Fritz.
E a galera, em pé, pulando e delirando ao som do baião, como num show de heavymetal. Foi tudo transmitido pela Eurovisão para toda a Europa.
No dia seguinte Baden Powell ligou de Paris dizendo que havia nos assistido e que a audiência lá foi enorme.
Para arrematar éramos ciceroneados por um grupo de jovens alemães muito legais e que falavam português fluentemente, o que muito nos espantou e contribuiu conosco.
Um dia, depois de uma noitada com muito kassler, várias weissbier e coisa e tal, perguntei a um deles o que estava acontecendo. Por que aquilo tudo? Quem estava bancando?
E aquele grupo, falando português fluentemente? E ele me respondeu o seguinte.
1. Aquilo era um projeto de um grupo de intelectuais alemães. Era muito caro, sim. Feito com dinheiro público e privado.
2. Que eles falavam português porque eram da Faculdade de Letras de Berlim e, quem o fazia, costumava estudar português para ler os brasileiros no original.
3. E, por último, que o objetivo daquilo era, se ainda não tínhamos notado que tudo estava sendo filmado, gravado, registrado, aprender conosco, pois 'nós
tínhamos a matéria-prima e eles estavam esgotados'.
E nós continuamos aqui, comendo moscas. Menos que antes. Mas ainda bem mais do que devíamos.
E por aí vai.[email de meu amigo, o músico e maestro Wilson Nunes, que divido com vocês]



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