quinta-feira, 7 de abril de 2011

Terceiro episódio de 'O Dia que Durou 21 anos' mostra os 21 anos depois daquele dia


Esse foi o maior defeito do terceiro e último episódio de "O Dia que Durou 21 anos", exibido ontem às 22h na TV Brasil. Como resumir 21 conturbadíssimos anos em 26 minutos?

Por isso, o episódio de ontem foi o mais fraco de todos. O que apresentou mais defeitos e menos documentos inéditos - a maior qualidade dos dois primeiros.

Ainda assim esses continuaram a ser destaques. Como a reprodução do áudio de um assessor do presidente americano sugerindo a Johnson que manifestasse apoio ao golpe, mas de forma discreta. Johnson diz que está entusiasmado pelo golpe e que vai manifestar seu entusiasmo. O assessor alega que pode pegar mal. Jonhson diz "estou me lixando".

Valeu também pela exibição do sorriso cínico de Robert Bentley, assistente do embaixador americano à época, Lincoln Gordon, que declarou a respeito da violência que se seguiu ao golpe "isso é difícil de justificar, mas lamento...(risos)...de qualquer maneira"...

Graves foram o desaparecimento de Jango, de quem não mais se falou, e o destaque dado a Jarbas Passarinho e Newton Cruz. Quando Passarinho disse, citando não me lembro quem, que não se faz revolução sem os radicais, mas não se governa com eles, pensei: Ih, vão transformar Passarinho em um beija-flor. Logo ele, que na votação do AI-5 declarou: "Às favas, senhor presidente, com os escrúpulos de consciência". Felizmente não. O próprio Passarinho pousou mais adiante para dizer que não fugia a seu papel.

Já o general Newton Cruz, o maior expoente do "prendo e arrebento"... A todo momento parecia um velhinho bondoso e compungido, como se tivesse vivido com horror tudo aquilo. Ele chega mesmo a declarar que a revolução acabou em 1968, quando da edição do AI-5. Mas, se foi exatamente a partir daí que ele teve mais poder! (Será que foi exatamente por isso?)

Faltou um contraponto, principalmente para os jovens que não viveram o período. Como a exibição da foto à esquerda, por exemplo, que mostra o general Newton Cruz (que foi chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações - SNI - e na foto era comandante militar do Planalto) brandindo o chicote durante as medidas de emergência que determinou, quando cercou Brasília para pressionar o Congresso, no dia da votação da emenda em favor de eleições diretas para presidente.

Dizem que "O Dia que Durou 21 anos" vai virar um filme e estará pronto em dois meses. Acho o prazo curto, pelos problemas de roteiro e edição que apresentou e que ficaram claros no terceiro episódio. O filme tateia à procura de um norte, uma linha que conduza a narrativa. Talvez se focassem no título achassem esse caminho.

De qualquer modo, pela qualidade do material de pesquisa inédito que apresentou e pela luz que lançou em aspectos importantes de nossa história, "O Dia que Durou 21 anos" é um marco na televisão brasileira e a TV Brasil fez um golaço com sua coprodução e exibição.

Falta apenas colocar os episódios na internet, até para - como sugeriu um dos comentaristas do blog - professores poderem usar o material em suas salas de aula.

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