sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caso Strauss-Kahn repete padrão dos crimes de estupro, e buscam transformar a camareira em ré


Este blog foi o primeiro, entre todos os veículos de comunicação brasileiros, a mostrar, com provas, a possibilidade de ter havido uma armação para cima do presidente (hoje ex) do FMI Dominique Strauss-Kahn.

Uma série de coincidências me levou a escrever aquela postagem, que você pode conferir aqui: Tuiteiro francês foi primeiro a noticiar prisão do diretor geral do FMI Strauss-Kahn. Tese de conspiração ganha força na França.

Hoje, a série de coincidências virou de lado. Se, antes, incriminavam DSK, agora querem desmoralizar a camareira que o acusa de estupro.

Vamos às coincidências de agora.

  • Dominique Strauss-Kahn era candidato à presidência da França, em oposição ao direitista Sarkosy, e estava em vantagem nas pesquisas. O escândalo acabou com suas possibilidades.
  • Dominique Strauss-Kahn estava contrariando alguns intere$$e$ na presidência do FMI. O escândalo fez com que pedisse demissão. Coincidentemente, dois dias após a confirmação do nome de outra francesa, Christine Lagarde, como presidente do FMI, o New York Times publica reportagem com "ligações perigosas" da camareira.
  • Hoje, sexta-feira, três dias após Lagarde no FMI, Strauss-Kahn é libertado de prisão domiciliar.

São muitas coincidências para que sejam apenas isso, coincidências. Ataca-se DSK. Detona-se sua candidatura à presidência da França e se consegue seu afastamento da presidência do FMI. Rei morto, rainha posta (Christine Lagarde), começa-se a limpar a imagem de DSK e a sujar a da camareira que o acusou de estupro.

Advogados de DSK já haviam dito que se concentrariam em atacar a credibilidade da mulher. [Fonte]

Aliás, a estratégia nem é nova. Quantas vezes não vimos mulheres estupradas serem acusadas de responsáveis pelo estupro que sofreram? Era a roupa que ela usava, o comportamento dela, ela provocou, era prostituta etc, quantas vezes não ouvimos esse mesmo blablablá?

Agora, a farsa se repete. DSK é riquíssimo, contratou advogados caríssimos que anunciaram a estratégia desde o início. Esperaram apenas o momento certo: quando todos os objetivos dos adversários de DSK fossem alcançados.

O foco é destruir a imagem da camareira Nafissatou Diallo, uma imigrante negra da Guiné.

A camareira teria mentido repetidas vezes em seus depoimentos desde sua primeira acusação. Segundo os investigadores, apesar de exames terem indicado que houve de fato relação sexual entre Strauss-Kahn e Diallo, há ainda muitas dúvidas sobre como teria ocorrido essa relação.

Informações sobre a própria camareira também estariam em xeque. Foram descobertas novas questões sobre o pedido de asilo de Diallo, originária da Guiné, e ligações com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes. [Fonte]

A camareira pode ter mentido. Mas não se sabe em que condições uma camareira negra, imigrante, com visto provisório nos EUA, foi entrevistada pelos policiais num caso em que acusa de estupro um figurão como DSK, um dos homens mais importantes do mundo.

Que ela tenha relacionamento com traficantes de drogas, que tenham lavado dinheiro usando sua conta, nada disso apaga o relacionamento sexual que comprovadamente (por exames periciais) houve entre ela e DSK. Ele diz que foi consentido. Ela o acusa de estupro.

O mundo vai assistir mais uma vez a uma história repetitiva: uma mulher negra, imigrante, pobre versus um homem branco, milionário, europeu.

A libertação de DSK e as acusações contra Nafissatou Diallo mostram que o caso se voltou contra ela, numa tentativa de mais uma vez transformar a vítima em ré.

Mas, o "relacionamento sexual" entre o presidente do FMI e a camareira do hotel foi estupro. Se não foi usada força bruta, foi a força esmagadora da história de opressão que vai além dos indivíduos e chega aos países. Afinal, a Guiné foi colônia da França. E o machismo é ainda anterior a tudo isso.

Portanto, DSK estuprou a camareira, ainda que não o tenha feito. Se é que me entendem.

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