Bernard Shaw: "Você vê as coisas como elas são e pergunta: por quê? Mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: por que não?"

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sábado, 30 de abril de 2011

Sindicato de Jornalistas repudia projeto 'Parceiros do RJ' da Rede Globo: 'Parceria em que só a TV Globo sai lucrando'

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro enviou uma carta à Rede Globo acusando-a de não cumprir acordo prévio feito com o Sindicato de que não usaria moradores da periferia na função de repórteres e cinegrafistas.

“Um exemplo gritante de que a TV Globo prometeu uma coisa e faz outra”, critica a carta, “é a matéria que foi ao ar no dia 25 de abril último, segunda-feira, no RJTV 1ª Edição sobre o aniversário de 131 anos do Instituto de Educação, na Tijuca”. A reportagem tem duração de quatro minutos e é conduzida por jovens no lugar de profissionais.

Leia a íntegra da carta, que assinada pela presidente do Sindicato, Suzana Blass, e pelo presidente da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio de Janeiro (Arfoc), Alberto Elias Jacob.

A carta enviada à direção da TV Globo

Quando o projeto "Parceiros do RJ" começou a ser anunciado pela TV Globo, o Sindicato dos Jornalistas procurou a emissora, temendo que o objetivo fosse utilizar mão de obra barata, sem formação específica, para substituir jornalistas profissionais. A TV Globo garantiu ao Sindicato que isso não aconteceria, que os “parceiros” seriam jovens moradores de comunidades e que seu trabalho se limitaria aos problemas que eles próprios viviam no dia-a-dia nos lugares onde moram.

Poucos meses depois, percebemos que está acontecendo exatamente aquilo que o Sindicato e muitos jornalistas temiam: repórteres e repórteres cinematográficos estão sendo substituídos por jovens inexperientes submetidos a um rápido treinamento, e a baixo custo, numa precarização inadmissível do mercado de trabalho. A queda de qualidade em tais matérias é visível, e não queremos acreditar que a empresa parte do princípio de que a economia compensa.

Um exemplo gritante de que a TV Globo prometeu uma coisa e faz outra é a matéria que foi ao ar no dia 25 de abril último, segunda-feira, na primeira edição do RJTV sobre o aniversário de 131 anos do Instituto de Educação, na Tijuca. Cabe, portanto, a pergunta: o que leva o Departamento de Jornalismo da empresa a substituir o trabalho de profissionais pelo de jovens que não pertencem aos quadros da categoria? A partir de agora, com base em experiências como essa, qualquer matéria poderá ser feita pelo que a TV Globo chama de “parceiros”. E é o que vem acontecendo. Na mesma segunda-feira foi ao ar uma matéria sobre o temporal que castigou o Rio e atingiu duramente o bairro da Tijuca. Mais uma vez foi ao ar um trabalho feito pelos “parceiros” que a TV Globo contratou para substituir jornalistas. Não custa lembrar que quando o Supremo Tribunal Federal decidiu pela não obrigatoriedade do diploma de jornalista, o próprio presidente das Organizações Globo, Roberto Irineu Marinho, garantiu que a empresa continuaria contratando profissionais diplomados.

O Sindicato dos Jornalistas e a Associação Profissional dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do Rio de Janeiro (Arfoc) vão fazer o possível para evitar que tamanha distorção nas relações de trabalho continue vigorando na TV Globo, e apelam à emissora para cumprir o que prometeu ao Sindicato quando do lançamento do projeto que agora mostra seu verdadeiro objetivo. [Fonte]

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Rabino Henry Sobel: 'Eu djá fumei maconha shin, e gostei muuuitcho...Fumei e traguei'



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Ratos começam a surgir pelos buracos de queijo suíço do Ecad

O repórter da Folha Graciliano Rocha pesquisou para descobrir quem era Milton Coitinho dos Santos, um falso compositor que teria recebido quase R$ 130 mil do Ecad de composições que nunca foram suas, como mostrei aqui em O que é o roubo no Ecad comparado ao Ecad?.

A pesquisa de Graciliano o levou a Bagé, no Rio Grande do Sul, onde mora o falsário. Chegando lá, surpresa. O falsário não é falsário, mas um motorista de ônibus. Dados de seus documentos foram utilizados por alguém para registrá-lo como compositor na União Brasileira dos Compositores (UBC), uma das entidades que formam o Ecad. Aí entra Bárbara de Mello Moreira: ela era a procuradora que recebia os valores das "composições" de Milton Coitinho dos Santos.

A seguir a reportagem de Graciliano Rocha, que contou com a ajuda de Amanda Queirós. Parabéns aos dois. E logo abaixo uma reportagem com Bárbara de Mello Moreira.

Laranja é utilizado para desviar pagamento de direitos autorais

"Se tivesse recebido esses R$ 130 mil não estava aqui dirigindo ônibus, né?", diz Milton Coitinho

CPF e RG foram usados para pagamento por trilhas de cinema, mas condutor afirma que não toca instrumento

Um homem que nunca compôs uma só canção e não toca nenhum instrumento musical consta como beneficiário de R$ 127,8 mil em direitos autorais de 24 trilhas sonoras do cinema nacional.

Encontrado pela Folha na garagem da empresa de ônibus onde trabalha, em Bagé, o motorista Milton Coitinho dos Santos, 46, demonstrou surpresa ao ser questionado se compusera as trilhas que o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) lhe atribui: "Eu? Não toco violão, viola nem essa gaita aqui [referindo-se ao acordeon usado na região]".

O CPF e o número de identidade de Coitinho constam como destinatário dos pagamentos feitos em 2009 (R$ 33.364) e 2010 (R$ 94.453), mas seu padrão de vida é humilde: mora em uma casa modesta numa rua de terra na periferia de Bagé com a família e dirige um Gol 1996.

Trabalha há três anos na Kopereck Turismo como motorista, onde recebe salário de R$ 1.030 por oito horas diárias transportando trabalhadores de Bagé à usina termelétrica em Candiota (RS). "Se eu tivesse recebido esses R$ 130 mil não estava aqui dirigindo ônibus, né?

Alguém só pode estar usando meu nome", afirmou. Em 2009, alguém usou os dados de Coitinho para registrá-lo na União Brasileira dos Compositores, uma das entidades que formam o Ecad, como autor das trilhas sonoras de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964) e "Terra em Transe" (1967), de Glauber Rocha. Até a trilha de "O Pagador de Promessas" (1962), de Anselmo Duarte, produzido dois anos antes de o motorista nascer, foi incluída.

Um dos rastros deixados pelos fraudadores foi uma ficha de filiação do falso Coitinho à UBC. No documento, o nome, os números da cédula de identidade e do CPF coincidem com o de Coitinho.

Nada mais confere: o "compositor" diz no documento que nasceu em Porto Alegre em 1940, mas o verdadeiro Coitinho nasceu em Bagé em 1964. A foto mostra um homem de aspecto mais velho que o do motorista. A ficha da UBC e uma procuração em nome da estudante Bárbara de Mello Moreira para que ela recebesse os valores dos direitos autorais contêm assinaturas de Coitinho, mas elas não conferem com as do condutor. Coitinho disse que não conhece Bárbara Moreira e que jamais morou no exterior, como diz o registro do Ecad.

Agora, fala Bárbara, também à Folha de hoje.

Procuradora diz que "músico" vive nos EUA

Bárbara de Mello Moreira, 24, procuradora de Milton Coitinho dos Santos, diz que ele mora nos EUA, onde se apresenta em bares, e fez contato com ela pela última vez no princípio do ano.

Estudante de direito, ela afirma que só recebeu o dinheiro e o repassou a Coitinho. Disse ainda que tem documentos assinados pelo próprio a isentando de qualquer responsabilidade.

A estudante diz que foi procurada pelo músico por e-mail. Na ocasião, ele explicou ter chegado a ela por sugestão da própria UBC.

A diretora executiva da União Brasileira de Compositores, Marisa Gandelman, nega ter indicado Bárbara ao suposto músico. Gandelman diz que desde outubro, quando começou a investigar o golpe, a entidade investiga a possibilidade de um "laranja" ter usado papeis falsos.

Segundo ela, na documentação consta que Milton Coitinho é tenente-coronel da PM. Ela disse que pretende investigar se alguém na entidade ou no Ecad ajudou no golpe. O Ecad não retornou o pedido de entrevista.

Está aberta a caixa de Pandora do Ecad.

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sexta-feira, 29 de abril de 2011

O que o diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel, faz DoLaDoDeLá pesquisando sobre maconha?

Meu xará Marco Aurélio Mello (não o juiz, o jornalista e responsável pelo ótimo blog DoLaDoDeLá) escreveu hoje que Ali Kamel anda pesquisando em seu blog. E que o Ratzinger global está muito interessado em duas postagens dele. Fui verificar quais eram, e o tema comum às duas era a maconha.

Reproduzo a seguir o texto do meu xará para que vocês apreciem seu texto elegante. Depois eu volto.

A descoberta que acabo de fazer é surpreendente. Meu modesto blog, que recebe pouco mais de mil visitantes ao dia tem um leitor muito especial: o diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. Para quem DoLaDoDeLá se dedica modestamente à filosofia, política, economia, família, curiosidades e sobretudo à ficção, a notícia me enche de orgulho. Significa que Ali encontra tempo todos os dias para conhecer melhor o meu trabalho. Está certo que ele não faz parte da Central Globo de Produção, que é o departamento que cuida da linha de shows, novelas e minisséries, sonho de todo ficcionista, mas já é um bom começo. Nos vimos algumas vezes, na época que eu era funcionário da emissora, mas acho que, por nunca ter me dirigido a palavra, talvez por timidez de parte a parte, ele não teve oportunidade de me conhecer melhor. Também porque Ali está baseado no Rio de Janeiro e eu em São Paulo. Uma pena... Graças à internet, hoje meu trabalho autoral pode alcançá-lo aí no Rio, sem intermediários. Soube por fonte segura que ele se interessou muito por textos que escrevi aqui em agosto do ano passado. Dois em especial: aqui e aqui. Achou até que pudessem guardar semelhança com a realidade. Lamento dizer Ali, estas são obras de ficção, qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais terá sido mera coincidência. Não costumo nominar personagens, não tenho interesse em atingir a honra e reputação alheias. Meu único intuito é tentar compreender a fraqueza moral de todo ser humano, sobretudo quando no exercício do poder, mesmo que para isso seja necessário criar um enredo cheio de fantasias e personagens hiperbolizados. Fico feliz com a sua companhia e espero compartilhar meu trabalho com você aqui por muitos e muitos anos. Obrigado pela frequência!  [Fonte: DoLaDoDeLá, Ali Kamel, um leitor muito especial]

Talvez interessado em colher material para a passeata da maconha que está para acontecer no Rio de Janeiro, Kamel pesquise na blogosfera informações que não pode colher (muitos menos plantar ou fumar - de jeito nenhum tragar) na "grande imprensa", que é (pelo menos editorialmente) contra qualquer pitada naquela que já foi conhecida como erva maldita.

Mas o Blog do Mello não vive só de críticas à direção do jornalismo da Globo. Por isso, generosamente, contribuo com a pesquisa de Kamel republicando postagem de 23 de maio de 2007 aqui do blog. Depois, volto.

Maconha não faz mal, o que faz mal é fumá-la

Pelo menos é o que afirma um estudo, publicado domingo numa matéria do Portal Terra:


Vaporizar folhas da cannabis ao invés de queimá-las pode liberar os ingredientes eficazes da droga de forma mais efetiva, mostrou um estudo piloto realizado na Universidade da Califórnia. Segundo o trabalho, essa forma de consumo evita as toxinas prejudiciais da maconha inaladas por meio do fumo. O resultado pode beneficiar o uso medicinal da droga.
Segundo a revista Nature, o pesquisador Donald Abrams e sua equipe decidiram investigar os benefícios do "Vulcão", um vaporizador comercialmente disponível nos EUA. O aparelho esquenta as folhas de maconha a uma temperatura que fica entre 180ºC e 200ºC sem que aconteça combustão. Esse processo libera o THC (tetrahydrocannabinol), o princípio ativo da maconha, em forma de óleo na superfície das folhas.
Estudos anteriores mostraram que as toxinas maléficas liberadas quando a maconha é queimada, como o monóxido de carbono e substâncias cancerígenas, não são produzidas por esses aparelhos. O estudo de Abrams foi o primeiro a comparar em humanos os efeitos do ato de fumar e de vaporizar a cannabis. "A vaporização é capaz de entregar de forma mais rápida o THC no fluxo sanguíneo", disse.
A maconha é utilizada principalmente para aliviar as dores de pacientes de esclerose múltipla e no tratamento do glaucoma, além de estimular o apetite em pacientes com aids e diminuir as náuseas para pessoas em processo quimioterápico. No entanto, segundo os médicos, fumar não é um bom método de fornecimento da droga por causa dos seus efeitos maléficos - ela pode causar câncer de pulmão e doenças do coração.

Quem não estiver acreditando, basta ir ao site da Nature e pagar para ler o estudo na íntegra. Muito embora eu acredite que boa parte de meus leitores esteja mais interessada é no tal “Vulcão”, o vaporizador utilizado no experimento.
Como o Blog do Mello também é serviço, fiz a pesquisa pra vocês. O produto chama-se Volcano, e este é o site de seu fabricante. Se desejar comprá-lo na internet, é só ir a este endereço. Custa 398 euros. Ou seja: o barato sai caro.



1. Se coloca el material vegetal triturado en la cámara de relleno.

2. El globo se infla con los vapores de los aromas y de los principios activos.



3. El sistema "clic" del VOLCANO: simplemente se introduce la boquilla o la cámara de relleno en la válvula ¡y listo!

4. Gracias a la válvula del globo es posible inhalar cómodamente los vapores.


"El Globo se infla", "válvula del Globo"... Será que é atrás disso que Kamel anda?

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Aviso Importante: Não alimente o PIG, a vítima pode ser você. Crie seu blog, seja a mídia

Seja em suas páginas de papel ou na internet, todo dia a mídia corporativa, a tal “grande imprensa”, os jornalões e vejas da vida lhe pedem alguma coisa: querem que você envie uma foto de um acontecimento que presenciou, que dê sua opinião em enquetes, que escreva, que denuncie. Ou seja, que os ajude na pauta ou na cobertura das notícias. Tudo isso de graça.

No entanto, eles não lhe oferecem nada de graça. Você tem que comprar o jornal ou a revista nas bancas ou assiná-los. Tem que pagar ao provedor para ter acesso ao conteúdo online. Se não for assim, eles só lhe oferecem notícia velha, como pão dormido, que na internet não serve nem para embrulhar peixe.

Então, por que colaborar com eles de graça, se lhe cobram por tudo? Se você gosta de notícias, seja a mídia. Crie seu blog (é de graça e é facílimo) e espalhe pela internet suas fotos, suas reportagens e opiniões sobre o que lhe motiva.

Isto que você leu até aqui é trecho de uma postagem de 21 de janeiro de 2009, quando, além de incentivar a criação de mais blogs, eu denunciava o contrato draconiano que as Organizações Globo impunham ao incauto que se atrevesse a enviar material para o "Eu repórter". Se tiver interesse em ler aquela postagem completa, clique aqui.

Depois desta, ainda farei mais duas postagens: uma ensinando a criar um blog e outra a configurar um leitor de feeds. Espero que seja útil.

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O poder relativo da blogosfera versus o poder impositivo da 'grande imprensa'. Que fazer?

Desde que Ana de Holanda virou ministra da Cultura do governo Dilma e mandou retirar o selo do Creative Commons do site do ministério a blogosfera abriu uma guerra contra a ministra. Percebemos ali uma tentativa de retrocesso já no nascedouro, sinalizando que a ministra estava costeando o alambrado (como dizia Leonel Brizola) em direção às teses do Ecad.

A ministra e o ministério nem deram bola. O Ecad também. Mas bastou O Globo entrar na parada que a questão mudou de rumo. O jornalão, como mostrei aqui, denunciou que um falsário recebeu direitos autorais por trabalhos que não eram seus. Escrevi:

Enquanto as críticas eram da blogosfera, a ministra tirou de letra. Mas, hoje, O Globo entrou de sola no queijo suíço (provavelmente cheio de contas lá) do escritório de arrecadação...

Bastou isso para a diretora de Direitos Autorais do Minc começar a dar entrevistas. Até o Ecad falou e trouxe com ele toda uma banda de associações, que agora querem até falar na Comissão de Educação e Cultura da Câmara:

Na terça-feira - dia seguinte à publicação, pelo GLOBO, de denúncia de fraude em que um suposto autor, Milton Coitinho dos Santos, recebeu R$ 127,8 mil de direitos autorais devidos a outros compositores -, uma comissão formada por ele, Glória Braga, superintendente do Ecad, Jorge Costa, presidente da Sociedade Brasileira de Administração e Proteção dos Direitos Intelectuais, Maria Cecília Garreta, assessora jurídica da Associação Brasileira de Música e Artes, e quatro artistas - Jair Rodrigues, Luiz Vieira, Silvio Cesar e Walter Franco - foi recebida pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, em audiência. O encontro, agendado a pedido do Ecad, também contou com a presença dos deputados federais Alessandro Molon e Alice Portugal, da Comissão de Educação e Cultura da casa. [Fonte: O Globo]

Isso mostra que o poder da blogosfera é relativo. Às vezes conseguimos até vitórias contra os gigantes da "grande imprensa". Este blog mesmo já fez as Organizações Globo mudarem o regulamento do "Eu Repórter", como você pode conferir aqui em Denúncia do Blog do Mello faz Globo recuar.

Mas são vitórias pontuais. Servimos mais para atrapalhar as passadas dos gigantes, para mostrar que já não podem mais falar o que querem, porque agora podem ouvir o que não querem.

Por isso eu estou com a professora Marilena Chauí, que numa entrevista à revista Caros Amigos reclamou:

Lúcia Rodrigues – E no caso das Comunicações?

M.C. – E aí vem uma coisa que não foi bem sucedida. E eu diria que não foi uma coisa bem sucedida, porque isso é um problema atávico no PT. Desde 1981, não passa um, em encontros, congressos, colóquios, a comunicação. A incapacidade do PT para lidar com a questão da comunicação. O PT foi incapaz de criar um jornal. Muitos de nós ficaram desesperados, porque não foi capaz de criar jornal, de criar rádio, de ter um canal de televisão, de criar formas ágeis de comunicação.

Só que onde a professora fala PT eu diria esse grupo de esquerda, centro-esquerda, que apoia os governos Lula e Dilma, que luta por desenvolvimento com distribuição de renda, direitos humanos, cidadania.

Por que conseguimos vencer eleições mas não temos um jornal de caráter nacional com o qual nos identifiquemos? Idem TV, rádio. É um nicho de mercado formidável que não é atendido. Por quê?

Qualquer pessoa que já tenha participado do núcleo de comunicação de uma campanha política sabe da importância do jornal, da palavra escrita. É como a regra de ouro do jogo do bicho: "Vale o escrito". O povão acredita nisso. No entanto, não temos um jornal.

Por que se deixou, por exemplo, o Jornal do Brasil morrer?

A TV do Silvio Santos está aí à deriva. Por que um grupo, de olho nesse nicho (nós) a que me referi, não compra a rede, que tem afiliadas e repetidoras por todo o país?

São questões que talvez possam ser debatidas nos Encontros de Blogueiros que vêm por aí.

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pra não dizerem que eu só falo mal da Globo, vou falar bem da minha sogra

Tem gente reclamando que estou monotemático e só desço o pau na Globo, como se eu tivesse alguma coisa contra a Globo. Resposta: Primeiro, não falo mal da Globo mas do jornalismo da Globo. Segundo: ela dá motivo.

Agora, com licença, porque hoje é Dia da Sogra e eu vou falar bem da minha, embora esteja separado e a postagem seja de 2007. Mas meu sentimento por ela é o mesmo e eu não vou trocar uma palavra do texto daquela época, que publiquei num blog de Crônicas que pensei que poderia tocar ao mesmo tempo que esse...

Eu amo minha sogra

Tudo bem, sei que é uma frase que não costuma ser enunciada. Sei que algum leitor mais cético – ou cínico, talvez – vai pensar: esse cara está planejando o crime perfeito. Vai fazer uma crônica elogiando a sogra para usar como álibi e poder matar a desgraçada tranqüilamente.

Nada disso. Ontem, sábado, 28 de abril, foi o Dia da Sogra.. Há todo um folclore de que as sogras são umas bruxas, que elas enchem o saco etc. Não é a minha experiência. Muito pelo contrário. Embora eu deva frisar que três horas de viagem me separam da mãe de minha mulher. E que ela não gosta muito de viajar. Nem eu.

Isso posto, passemos aos fatos. Minha experiência de vida mostra que a sogra que é verdadeiramente terrível não é a mãe dela, mas a mãe dele. As mulheres casadas podem escrever para cá dando seu depoimento. Elas invadem a casa e continuam a tratar o marmanjão como se ele ainda fosse seu filhinho, e passam o tempo todo dizendo à nora como ele gosta do bife, qual o ponto do purê de batatas, como ele gosta que a calça seja passada - com ou sem vinco -, se ele deve dormir de meias, se é alérgico a ar refrigerado, se toma um chá com alho e limão parta curar gripes, tudo isso de um jeito, que “só a mamãezinha dele sabe preparar”...

Minha sogra tem essa preocupação, só que com o genro. Toda vez que eu a visito ela faz de tudo para me agradar. Se meu sogro prefere Antarctica e eu, Brahma, quando vou lá a cerveja é Brahma. Ela faz um doce de banana simplesmente delicioso. E, por saber dessa minha opinião sobre ele, sempre prepara um antes da minha chegada. Sem contar o leitão pururucando no Natal e uma farofa de miúdos genial.

Se não bastasse toda essa mordomia, ela me chama de fi-inho - assim com essa prosódia do interior de São Paulo (ela mora em Lorena)... Só quem já perdeu a mãe sabe como é gostoso ouvir de vez em quando alguém chamá-lo assim.

Mas, quem me lê falando desse modo de minha sogra pode imaginá-la uma velhinha sem muito que fazer, cerzindo meias ou bordando toalhas em ponto de cruz. Nada mais distante da realidade.

Minha sogra é comerciante, daquelas que acordam o galo e põem a galinha para dormir. Acorda cedo, dorme cedo, e passa o dia todo agitada, para lá e para cá, trabalhando sem parar, dando ordens, comandando, como um sargento durão. Ela tem uma musculatura compacta – que sinto quando a abraço – para proteger seu frágil interior. Foi assim que ela aprendeu a sentir e a se defender da vida.

Começou a trabalhar muito cedo, ajudando os pais – também eles pequenos comerciantes e criadores – no mercado municipal. Gente da roça, ignorante (no sentido da falta de escolaridade), com padrões rígidos de comportamento. Quem viu o filme Pai Patrão, dos irmãos Tavianni, sabe do que estou falando, tem idéia de como é dura a vida dessas pessoas.

Pois a de minha sogra sempre foi assim: uma vida para o trabalho, em função da família. Primeiramente, os pais dela. Depois, seu marido, filhos e netos. Envolve-se com a vida de todos mais do que deveria, mas não porque ela assim o queira, mas porque sempre é solicitada.

Passou por uma das maiores provações pelas quais um ser humano pode passar – a perda de um filho – que lhe deixou marcas que ainda hoje não conseguiu superar. Eu me recordo do sofrimento dela naquela época.

Seu único filho homem (ela tem mais três filhas), Francisco entrou em coma, após uma cirurgia. Executivo em início de carreira numa grande multinacional, ele era seu orgulho.

Todo dia, após trabalhar a manhã toda – sabe-se lá com que forças – ela, assim que acabava o almoço, pegava um ônibus na Rodoviária de Lorena e ia até São Paulo visitar o filho inconsciente, cheia de esperança de conseguir enxergar pelo menos uma melhora. Uma viagem de mais de duas horas, sem contar o tempo gasto da Rodoviária de São Paulo até o hospital.

Depois da visita, o longo caminho de volta, agora sem a esperança da ida, já que o filho não melhorou jamais. Depois, vinha a noite de sono inconstante, para nascer um novo dia e com ele a esperança de ver o filho bom de novo, que não se concretizou.

Pensei que ela fosse morrer no dia do enterro do Francisco. Mas – é como eu dizia – ela é desse tipo de gente da roça, com uma forte ética do trabalho de sol a sol, da galinha que hoje é brinquedo e amanhã, alimento. A vida segue, Deus quis assim, os fregueses estão na porta.

Então, ela vai de novo para a loja (hoje de artesanato), fala pelos cotovelos, conta sua vida toda para qualquer um - principalmente para falar com orgulho das filhas, dos netos, da bisneta e até dos genros. E logo pede uma licencinha para ir lá dentro, “porque vem meu genro lá do Rio, e ele adora um doce de banana que eu tô preparando pra ele”. E termina dizendo ao freguês:

- Você não liga não, não é, fi-inho?

Ela diz isso pra todos, traidora. Como não amar uma mulher assim?

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No jornalismo da Globo, agressão a usuários do Metrô-Rio termina num trem fresquiiiinho...em dezembro de 2012

No final da tarde de terça-feira, seguranças do Metrô-Rio agrediram cidadãos e provocaram um verdadeiro tumulto na estação Botafogo.

O RJTV da Rede Globo (cujo jornalismo é dirigido por Ali Kamel) mostrou reportagem com a denúncia. Confira e veja a truculência do Metrô, que vive com trens superlotados, deficiência no ar condicionado, superlotação e agora ainda partiu para agredir os usuários.



Só que a Globo não seria a Globo se ficasse apenas na denúncia. Como ela defende o governo Sérgio Cabral no Rio (críticas só ao governo federal) como o dos tucanos em São Paulo, ela juntou a denúncia a essa notícia aqui, que fala da modernidade que chegará com os trens que virão da China (no ano que vem, embora devessem ter chegado em agosto do ano passado). Assistam, depois eu volto:



Não é fofo? O repórter chega a falar que o ar condicionado é "fresquiiinho... Só que não há trem algum pronto, como informa de passagem a matéria. O que vemos é um "protótipo". Eles deveriam chegar no ano passado e só chegarão (se chegarem) no final de 2012.

O que a reportagem não mostra é que no meio do ano passado (quando os novos trens estariam chegando) a diretoria do Metrô passou a prometer os trens para o meio deste ano de 2011 (confira a informação nessa reportagem (ou propaganda?) de O Globo, com o sugestivo título "Metrô do Rio terá a 'BMW' dos trens em 2011").

A reportagem não informa também que um dos escritórios de advogados que defendem o Metrô-Rio tem como sócia majoritária a esposa do governador Cabral, Adriana Ancelmo Cabral, um contrato que foi assinado em 8 de janeiro de 2007, exatamente uma semana depois de Sergio Cabral assumir o governo do Rio pela primeira vez. Coincidência, não?

Isso é jornalismo ou propaganda disfarçada, merchandising?

Quando o locutor diz que a equipe de reportagem da Globo viajou para a China às custas da empresa Metrô-Rio a resposta fica óbvia.

No site, as matérias estão separadas, embora tenham ido ao ar como se fossem uma só, que começasse com as agressões e terminasse na chegada dos novos trens ("fresquiiinhos"). Tive o trabalho de juntar c com b (se é que me entendem) e subir para o Youtube para vocês verem que há continuidade entre uma e outra e que elas foram ao ar juntiiiinhas por opção editorial. Confiram, é curtiiiinho... 10 segundos.




Isso me lembrou uma outra reportagem do "jornalismo independente" da Globo, que postei aqui em 14 de janeiro de 2008:

No Jornal Nacional, cratera do metrô de São Paulo pariu um bebê

Ontem publiquei uma postagem aqui mostrando como o JN critica o governo, mesmo quando ele baixa medidas que vão ao encontro das necessidades da população.

Hoje, para mostrar que isso não é uma coisa fortuita, mas fruto de uma estratégia política, vou comentar uma outra matéria, da mesma edição. Só que essa mostra como o JN trata o outro lado – o governo tucano de José Serra.

Naquele sábado a cratera do metrô de São Paulo completou um ano. Uma cratera que vitimou sete pessoas. Até hoje nem o laudo com as causas do acidente foi apresentado à população. E como o JN tratou o assunto?

Começou com uma homenagem, na cabeça, lida por Renato Machado:

As vítimas do desabamento de um trecho das obras do metrô de São Paulo, foram homenageadas hoje - quando o acidente completou um ano. [A vírgula entre o sujeito e o verbo está na página do JN mesmo]

Depois, algumas informações:

O acesso ao local do acidente continua interditado. Estão interditados 21 imóveis. O laudo técnico sobre as causas e os possíveis culpados não foi concluído. Deveria ter ficado pronto em outubro do ano passado, mas foi adiado para março.

Alguma sonora? Alguma entrevista com o governador ou responsável pelo desastre? Alguma cobrança? Por que até hoje nem o laudo ficou pronto? Por que a área continua interditada? Nada.

Em seguida vem o final:


Entre os veículos soterrados estava um microônibus que passava pelo local.
Nele estava o marido de Thays Gomes, o cobrador do ônibus. Grávida na época do acidente, ela esperava Cauã, hoje com quase um ano.



Revolta de Thays? Reclamação contra o governo? Nada disso, segundo a reportagem. Sobre imagens de uma alegre e inocente criança brincando, o repórter prossegue, antes da sonora de Thays:


Ela diz que guarda boas lembranças do marido apesar de tanto sofrimento.

“Uma coisa boa foi o meu filho, o nosso filho”, diz Thays.


Pois é, da cratera do metrô ficou uma coisa boa... O "nosso filho": dela, do marido morto, da cratera do metrô e do Jornal Nacional.

Esse é o "jornalismo independente" da TV Globo.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Arthur descomunal, Miaoyn chinezinha, Bela Duda Linda Travesti e Victor Hugo bonitão todo grandão esperam por você no Globo



Pela lei brasileira, a prostituição não é crime. Mas tirar proveito da prostituição é. O Código Penal trata do lenocínio, que consiste em favorecer, induzir ou tirar proveito da prostituição alheia. No capítulo V, do Título VI, quatro artigos – 227 a 230 – referem-se ao lenocínio. Vou destacar trechos de dois deles.

Art 228: Induzir ou atrair alguém para a prostituição, facilitá-la ou impedir que alguém a abandone...
Art 230: Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente dos seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça...

Aí vemos a imagem acima, retirada dos classificados de O Globo de hoje, 27 de abril de 2011. Anúncios como esses são publicados diariamente no Globo.

Não sou advogado. Não sei nem se a lei e os artigos em que baseio esta postagem estão caducos. Por isso, gostaria de saber, caso ainda estejam em vigor:

. Os anúncios não estão facilitando a prostituição, infringindo, portanto, o Art 228?
. Os anúncios não estão tirando proveito da prostituição alheia (já que são pagos), infringindo o Art 230?
. O Globo, ao publicar os anúncios, não está “fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a [prostituição] exerça”, infringindo o mesmo Art 230?

Não é a primeira vez que toco nesse assunto aqui. Sei que essa prática é comum nos jornais do Rio (não sei em outros estados, quem souber, avise).

Em 20 de agosto de 2007, há quase quatro anos, publiquei:

O Globo anuncia Namoradinhas a R$ 50, com direito a ar condicionado e sinuca

Da coluna Gente Boa, em O Globo:

Vai pra casa, Bebel
A operação Bebel, que anteontem autuou 20 travestis e prostitutas que colavam propaganda de seus serviços nos orelhões de Copacabana, não vai parar por aí. A 12ª DP, da delegada Monique Vidal, planeja blitz nas boates do bairro. Muitas já foram indiciadas por favorecimento à prostituição.

Não entendi nada. Travestis e prostitutas foram autuados por quê? A prática da prostituição não é crime.

Será que foram presos porque estavam colando propaganda de seus serviços nos orelhões e assim danificando patrimônio público? Custa crer que a polícia não tenha missões mais importantes a cumprir.

Ou será que foram presos por fazerem propaganda de seus serviços, e isto, sim, é crime? Mas, se é assim, por que o jornal O Globo pode publicar diariamente anúncios de prostitutas e travestis em seus cadernos de Classificados?

Ontem, por exemplo, um anúncio chamado Namoradinhas estava oferecendo o programa a R$ 50, com direito a ar condicionado no quarto e sinuca (?!?!)...

Sei que dessa forma O Globo ajuda a manter sua “liberdade”, seguindo o axioma de Kamel - quanto mais anunciantes, mais independente é a empresa de comunicação – mas por que prender os que anunciam e deixar livres os que faturam com isso?

O Art 230 não diz que é crime "Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente dos seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça"?

Isso pode, Arnaldo?

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Abertas inscrições para o Encontro de Blogueiros do RS nos dias 27, 28 e 29 de maio

Mais informações no Cloaca. Inscrição e programação aqui.

O Encontro do Rio de Janeiro será no final de semana que vem, dias 6, 7 e 8 de maio. As inscrições vão até o sábado agora. Confira aqui.

Leia também um pouco da história da blogosfera política:

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Caros Amigos comemora 14 anos com debate sobre democratização da mídia amanhã, 28. Confira


Saiba mais sobre o evento aqui.

Leia também um pouco da história da blogosfera política:
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terça-feira, 26 de abril de 2011

Juiz do Tribunal Superior do Trabalho diz que TV Globo frauda contrato de trabalho de jornalista

A jornalista Cláudia Cruz, que trabalhou como repórter e apresentadora (RJTV) na Globo do Rio, entrou com ação no Ministério do Trabalho solicitando que fosse reconhecido seu vínculo empregatício com a Rede Globo. No período em que trabalhou na emissora, Cláudia Cruz teria sido obrigada, segundo afirma, a “abrir uma empresa pela qual forneceria sua própria mão-de-obra”.

O TST deu ganho de causa à jornalista:

A 6ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) obrigou a TV Globo a reconhecer vínculo de emprego com a jornalista Claudia Cordeiro Cruz, contratada como pessoa jurídica.

O ministro Horácio Senna Pires, relator do caso, concluiu que o esquema “se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho, caracterizada pela imposição feita pela Globo para que a jornalista constituísse pessoa jurídica com o objetivo de burlar a relação de emprego”. [reportagem completa aqui]

Se a moda pega, a Globo se ferra, pois jornalistas, atores, diretores (pelo menos os medalhões) sofrem do mesmo mal de Cláudia Cruz: também são obrigados a abrir uma empresa para fornecer sua própria mão-de-obra.

“Nesse contexto, concluo que se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho”, afirmou o relator do agravo de instrumento no TST, ministro Horácio Senna Pires.

Postagem original do blog em 24 de outubro de 2008.

Eu disse que iria parar com as postagens retrospectivas. Mas fatos atuais provocam. E quando o passado serve para lançar luz sobre o presente, voltamos ao passado.

Sei que não é só a Globo que incorre nessa fraude. Mas é a primeira vez que um juiz do TST reconhece a fraude com cada uma de suas cinco letras. E a Rede Globo que gosta de apontar o dedo para as mazelas dos outros deveria olhar o próprio umbigo.

Leia também:
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Inscrição para o Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do RJ só até o dia 30

Quem está interessado e puder participar não deve perder essa oportunidade. São vários blogueiros e internautas compartilhando suas experiências.

A programação completa você acessa aqui. Para se inscrever clique aqui.

Participe.

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Há cinco anos, o jornalista Rodrigo Vianna já denunciava a manipulação do jornalismo da Globo (por Ka)mel

O jornalista Rodrigo Vianna, do Escrevinhador e da TV Record, trabalhou durante 12 anos no jornalismo da TV Globo. Em 2006, logo após as eleições, ele soube que seu contrato não seria renovado. Escreveu uma carta aos colegas, que republico a seguir:

Íntegra da carta do repórter Rodrigo Vianna (foto) publicada no Terra Magazine, e já circulando na internet:

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna [postada originalmente aqui no blog em 19 de dezembro de 2006]

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por que Ali Kamel não deu uma nota no Jornal Nacional sobre agenda do terror publicada no Globo? Eu conto

O Jornal Nacional desta segunda (25/4) não deu uma palavra sobre as reportagens de Chico Otavio e Alessandra Duarte publicadas em edições do jornalão das Organizações Globo.

Talvez porque sejam boas, bem feitas e com denúncias que não interessam ao doutrinador da Opus Dei (sei que ele só fez o curso, mas falo de ideologia e não de religiosidade).

Os repórteres de O Globo (os da TV Globo ficaram vendo Xuxa) tiveram acesso à agenda que estava no bolso do sargento Guilherme Pereira do Rosário, o agente que deixou que explodisse em seu colo a bomba que era para causar um pandemônio no show do Dia do Trabalhador de 1981, que vai completar 30 anos no próximo domingo, que ficou conhecido como a Bomba do Riocentro.

Na agenda, nomes e telefones de agentes da repressão, gente insatisfeita com a entrega do poder aos civis.

Na segunda metade dos anos 70, o governo Geisel determinou a desmobilização da máquina de torturar e matar nos porões do regime, que mudou de direção, indo da brutalidade para ações de inteligência, com a reestruturação dos DOIs. Descontentes com as mudanças, sargentos como Rosário, sobretudo os paraquedistas arregimentados anos antes pela repressão, transformaram-se em braços operacionais de grupos terroristas de extrema direita. Rosário e sua turma foram buscar na ação clandestina, fora da cadeia de comando, o poder gradativamente perdido.

Da comunidade de informações, a caderneta de telefones de Guilherme do Rosário trazia, por exemplo, o nome de Wilson Pinna, agente da Polícia Federal aposentado. Entre 1979 e 1985, Pinna trabalhava no Dops, na coleta e análise de informações. Era um dos que, por exemplo, iam a assembleias, protestos, comícios e outras reuniões para ver quem dizia o quê. Pinna chegou a, por exemplo, coordenar a análise de informações do movimento operário da época.
(...)
Aposentado da PF em 2003, Wilson Pinna foi exonerado, em 2009, de cargo comissionado que ocupava na assessoria de inteligência da Agência Nacional de Petróleo (ANP), após ter sido acusado pela Polícia Federal como o autor do falso dossiê contra o então diretor do órgão, Victor de Souza Martins, irmão do então ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. Pinna foi denunciado na 2ª Vara Federal Criminal do Rio pelos crimes de interceptação telefônica ilegal e quebra de sigilo fiscal.[Leia a íntegra das reportagens aqui e aqui]

No trecho que destaquei em negrito está a explicação do motivo de Kamel não levar ao ar uma reportagem sobre o assunto. O JN comprou como verídica a armação contra o irmão de Franklin Martins (o alvo de Kamel e da Globo). Kamel sabia que a operação era ilegal, que vinha dos subterrâneos, mas colocou no ar mesmo assim.

Por que afirmo isso? Confira essa postagem aqui do blog de 29 de setembro de 2009:

Jornal Nacional faz reporcagens baseadas em relatório ilegal



Réu confesso, o JN em sua edição de ontem confirmou que todas as reportagens que vem fazendo a respeito de um suposto “escândalo dos royalties na Agência Nacional do Petróleo (ANP)” são reporcagens pois estão baseadas num relatório ilegal (veja imagem acima):

Repórter Délis Ortiz: “A reportagem foi ao ar no dia 9 de abril. Com base em informações de fontes que garantem que o relatório foi elaborado por agentes da Polícia Federal que trabalham na assessoria de inteligência da ANP. Hoje, as mesmas fontes voltaram a confirmar as informações e reafirmaram que o relatório foi feito de forma ilegal”.

Repare que o verbo usado é reafirmar, o que, evidentemente, significa que a ilegalidade do relatório já havia sido assumida anteriormente. Pelo menos para eles. Mas, se o relatório é ilegal e apócrifo, por que colocar a reporcagem no ar? Apenas testando hipóteses para ver se conseguem atingir o ministro da Comunicação do governo Lula, Franklin Martins, que é irmão do suposto (como se usa a palavra suposto hoje em dia nessas reporcagens) acusado?

Tão grave quanto isso é a edição maliciosa da reporcagem, que confunde a cabeça do telespectador. O texto diz “relatório foi elaborado por agentes da Polícia Federal que trabalham na assessoria de inteligência da ANP”, mas as imagens que o ilustram são da sede e do símbolo oficiais da Polícia Federal. Ao final do trecho reproduzido, o que ilustra a palavra “ilegal” é a placa do prédio da ANP . (Confira no vídeo acima).

Tudo isso para quê, se a reporcagem é um saco vazio que não para em pé, como demonstrou Victor Martins, que é o suposto acusado no relatório ilegal:

“Vi também, na imprensa, para ser mais exato no Jornal Nacional, que algumas das informações teriam vazado do setor de inteligência da própria ANP. O setor de inteligência é ligado ao diretor-geral, Haroldo Lima, que prontamente esclareceu que não houve nenhuma determinação nesse sentido. O responsável pelo setor também me disse que não fez nenhum trabalho nisso e me apresentou um documento de autoria do superintendente da Policia Federal do Rio de Janeiro em que ele negava que tivesse dado aquela declaração atribuindo a inteligência e dizia que estava em curso pra apurar autenticidade e veracidade daquela documentação.” [veja reporcagem completa do JN aqui]

Ou seja, a Polícia Federal passou a operar para ver há veracidade no que estava contido num relatório apócrifo realizado de forma ilegal...

Cuidado, Globo, porque a PF pode acabar chegando aí. Duvidam? Daniel Dantas também duvidava.

Não precisou nem da Polícia Federal. Repórteres de O Globo desmentem o Jornal Nacional. E fazem reportagem. Não a reporcagem que Kamel costuma servir no JN.

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O que é o roubo no Ecad comparado ao Ecad?

A ministra Ana de Holanda tem dúvidas se o estado deve ou não fiscalizar o Ecad, uma entidade privada. Provavelmente tinha.

Enquanto as críticas eram da blogosfera, a ministra tirou de letra. Mas, hoje, O Globo entrou de sola no queijo suíço (provavelmente cheio de contas lá) do escritório de arrecadação, na reportagem Ecad repassou quase R$ 130 mil para falsário por autoria de trilhas sonoras; entre os lesados estão Sérgio Ricardo e Caetano Veloso.

Um malandro deu um golpe de R$ 130 mil fazendo-se passar por autor de trilhas de filmes (ah, as trilhas de filmes... Não deixe de ler isso aqui sobre elas: Jorge Furtado: 'ECAD fica com 2,5% do bruto do ingresso, para entregar aos músicos, mesmo em filmes sem trilha').

Ninguém no Brasil ouviu falar em Milton Coitinho dos Santos, mas, de acordo com o sistema de músicas do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), ele deveria ser um dos mais prolíferos e conhecidos autores de trilhas sonoras para cinema de que se tem notícia. Suas composições viriam de clássicos dos anos 1960 até comédias recentes deste século. Ele teria trabalhado com Glauber Rocha, José Mojica Marins e Anselmo Duarte. E, por essas supostas trilhas, foi recompensado. Em 2009, Coitinho recebeu R$ 33.364,87 de direitos autorais do Ecad. Em 2010, foram R$ 94.453,42. No total, o escritório pagou ao "compositor" R$ 127,8 mil pelas exibições de 24 filmes nos últimos dois anos. Só que Coitinho, na realidade, foi o autor de outro tipo de obra: ele representa a maior fraude já descoberta dentro do sistema de distribuição de direitos autorais do Ecad.

Ninguém sabe quem é ele, onde mora, que apito toca. Mas, como ele recebeu? Como conseguiu registrar como dele trilhas de outros e ainda receber por elas?

Outra particularidade no registo autoral brasileiro é que cada uma das dez associações do Ecad tem modelos próprios para registro e não se exige do autor um fonograma da obra.

- Como não existe um método de depósito de fonogramas, a gente não sabe se a obra existe mesmo ou se foi feito um cadastro de má fé. E as associações não checam os cadastros - afirma Juliano Polimeno, diretor executivo da Phonobase, agência de música de São Paulo.

- Na Espanha, a associação Sgae determina que o cadastro de obra seja feito junto com o áudio. Além disso, fora do Brasil existe uma padronização no cadastro. Aqui, o Ecad não tem um padrão - afirma o advogado Daniel Campello Queiroz.

A revelação do esquema de Coitinho coincide com o debate sobre a reforma da Lei do Direito Autoral. Hoje, o projeto que foi preparado pela gestão anterior do Ministério da Cultura (MinC) volta para consulta pública, a fim de receber sugestões até 30 de maio. Diferentemente do que ocorreu em julho do ano passado, quando o MinC fez a primeira consulta, porém, os internautas não terão acesso às contribuições de terceiros.

Um dos pontos mais polêmicos da reforma está, justamente, na necessidade ou não de se criar um ente governamental fiscalizador do Ecad - atualmente, o escritório é autônomo.

Como destaquei em negrito, o projeto volta para consulta pública, mas ela não será aberta à consulta do público.

Querem esconder o quê?

Agora, com a reportagem de O Globo e a denúncia do prejuízo ao bolso de Caetano Veloso, o Ecad deixou o rabo do gato de fora.

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Amor e Revolução nos tempos da ditadura, ou da ditabranda? Deputado afirma que foi torturado nos primeiros dias do golpe de 1964

O articulista da Folha Fernando de Barros e Silva escreveu há duas semanas um artigo descendo o pau na novela Amor e Revolução, que está sendo apresentada no SBT.

Se o tema é explosivo, a novela é uma bomba. Mas é muito importante porque toca num tema que nunca foi explorado em canal aberto, ainda mais numa telenovela: a tortura sistematicamente praticada por agentes do governo, com salário, uniformes, armas, 13º , férias, pensão de filhas mulheres e viúvas, tudo pago pelo cidadão, que muitas vezes era o alvo das torturas.

Só que o articulista é da Folha, aquele grupo que emprestava carros para transportar "terroristas" para serem torturados em São Paulo. Aquele grupo que empregava policiais (tiras, na gíria) em um de seus jornais, que era conhecido ironicamente como o de maior "tiragem" - et pour cause.

Dizia que ele descia o pau na novela (o texto integral pode ser lido aqui, no Edu, que o ironizou). Mas, o que é grave, tentava, a la Folha, mais uma falsificação da história. Não à toa, se você buscar no Google digitando o título do artigo vai dar de cara com vários sites de militares, torturadores, falsificadores de dossiês.

Tiago Santiago, autor de Amor e Revolução, respondeu à crítica. Mas o que me interessa é outro ponto, também tocado pelo autor da novela, que é a afirmação do articulista da Folha de que "A tortura contra adversários da ditadura só seria adotada pelo regime de modo sistemático depois do AI-5, em 1968".

É uma tortura com a verdade histórica. Mas vai ao encontro do que pensa o patrão do articulista, para quem a ditadura civil-militar foi uma ditabranda. Mais ainda de acordo com o fundador do Grupo, que dizia que Brasil de Médici é ‘um país onde o ódio não viceja’.

Para desmascarar de vez essa fraude, posto a seguir trecho de uma entrevista concedida à TV Câmara pelo poeta, escritor, jornalista e ex-deputado do PTB (o histórico, de Getúlio, Jango e Brizola, p.ex.) Gerardo Mello Mourão, que mostra como eram aqueles tempos - de tortura. Nela, Mourão afirma que queriam (a ditadura - e não a ditabranda da Folha) matá-lo, por causa de um discurso que fez.



Ouçam agora trecho do tal discurso a que se refere Mourão na entrevista, que consegui no Portal da Câmara, e montei com uma imagem do autor e legendas:



Se fizeram isso tudo com um deputado, imagina o que não acontecia com o cidadão comum. Depois ainda querem dizer que não houve tortura, ou que vivemos uma ditabranda...

Por isso a Comissão da Verdade tem de ser instalada já, ainda este ano. Para acabar com essas falsificações da História.

Leia também:

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Na íntegra 'O Dia que Durou 21 anos', o documentário que mostrou o que foi o golpe de 64. Seis anos de Blog do Mello

Para encerrar a série de postagens alusivas aos seis anos do blog, vou repetir a publicação dos três episódios de "O dia que durou 21 anos", o mais importante acontecimento da TV brasileira dos últimos tempos. Um documentário rico em material inédito, arquivos considerados top secret pelos EUA, que mostram como aquele país influenciou (quase determinou) o golpe de 1964.

Haveria muito mais coisa para publicar desses seis anos. Afinal, são 2970 postagens, todas escritas e pesquisadas por mim, que toco o blog sozinho, com o auxílio luxuoso dos comentaristas, da blogosfera e de amigos que me indicam uma coisa aqui e ali. Mas o blog ficaria parado no tempo e eu nele. E há muita coisa pela frente. No entanto, se você tiver alguma postagem que o(a) tenha marcado, escreva pra cá que a republico.

Episódio 1



Episódio 2



Episódio 3



Aqui, meus comentários sobre os episódios 1 ('O Dia que Durou 21 anos' mostra que nacionalismo dos golpistas de 64 era 'made in USA'), 2 (Segundo episódio de 'O Dia que Durou 21 anos' revela que até primeiro presidente do golpe foi escolha 'made in USA') e 3 (Terceiro episódio de 'O Dia que Durou 21 anos' mostra os 21 anos depois daquele dia), desse documentário que é um marco na TV Brasileira.

Publicação original: 14 de abril de 2011

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domingo, 24 de abril de 2011

Classe média racista e preconceituosa tem uma solução pra tudo: 'Basta tirá-los dali'. Seis anos do Blog do Mello

Mendigos nas ruas? - Basta tirá-los dali. Menores consumindo crack? - Basta tirá-los dali. Prostitutas na calçada? - Basta tirá-las dali. Excesso de carros nas ruas? - Basta tirá-los dali. Sem terra invadindo terras improdutivas? - Basta tirá-los dali. Sem teto invadindo prédios desocupados? - Basta tirá-los dali. Moradores em áreas de risco? - Basta tirá-los dali. Favelas? - Basta tirá-los dali.

E colocar onde?

Isso não querem saber: acham que políticos foram eleitos para isso. Querem que eles façam o serviço sujo.

Os últimos acontecimentos no Rio e em SP mostram que à direita e à esquerda muitos querem a solução simplista da classe mérdia: - Basta tirá-los dali. Mesmo que para isso seja necessário chamar a polícia.

Ou seja: mendigos, sem-teto, sem terra, prostitutas, drogados, todos são caso de polícia.

Não são não. Polícia é para quem precisa de polícia. Eles precisam é de política com P maiúsculo: política social, inclusão. Cidadania. Não temos que tirá-los dali. Temos que incluí-los aqui.

Somos humanos; isso, em suma, é o que somos.

Postagem original: 14 de janeiro de 2011

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Uma vida em seis minutos. Depoimento de uma menina palestina. Seis anos do Blog do Mello



Não há o que acrescentar. Apenas assista ao vídeo e sinta o sofrimento e o orgulho de um povo na voz de uma menina palestina.

[postagem original deste blog em janeiro de 2009]

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Exclusivo: Severino Cavalcanti versus Gabeira - A Revanche. Seis anos do Blog do Mello

Entrevista exclusiva feita pelo Blog do Mello em 2009 com o ex-deputado e ex-presidente da Câmara dos deputados Severino Cavalcanti, atual prefeito de sua cidade natal, João Alfredo em Pernambuco. Nela, Severino Cavalcanti fala sobre a confissão do então deputado Fernando Gabeira de que utilizara verbas públicas para pagar passagens de familiares e despesas de propaganda na agência de sua mulher.

Gabeira havia acusado Severino, em 2005, de "ser uma desgraça para a imagem do Brasil". Quem não se lembra de Gabeira, dedo em riste, bradando:

"V. Excia está em contradição com o Brasil. A sua presença na presidência da Câmara é um desastre para o Brasil, um desastre para a imagem do Brasil. E V.Excia ou fica calado, ou começa a ficar calado, ou vamos inciar um movimento para derrubá-lo"

Quando Gabeira confessou no plenário que também havia distribuído passagens, e que isso era uma prática usual no Congresso, procurei contato com o ex-deputado Severino Cavalcanti para que ele comentasse a reviravolta no discurso de Gabeira. Consegui falar com Severino, agora prefeito de João Alfredo. Um trecho da entrevista publiquei no blog, e agora reproduzo aqui.



Postagem original: 22 de abril de 2009

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Obama é o FHC dos Estados Unidos. Seis anos do Blog do Mello

O soldado americano Bradley Manning, que teria vazado documentos para o WikiLeaks, está preso e submetido a tratamento degradante: é mantido nu, em isolamento, impedido de dormir, sob iluminação direta e vigilância de câmeras 24 horas por dia.

Questionado, o presidente Obama, que antes de presidente é advogado constitucionalista, disse o seguinte:

“Fui informado [pelo Pentágono] de que sim, as condições são apropriadas e conforme nossos padrões básicos. Garantiram-me que são.”

E disse a verdade. Porque a tortura, a humilhação, o tratamento desumano e degradante são práticas corriqueiras ("padrões básicos") nos EUA.

Tão corriqueiras que apenas em 2007 o Congresso americano aprovou uma lei, em votação apertadíssima (222 a 199), que determinava que “a CIA não poderia mais submeter prisioneiros a simulação de afogamento, simulação de fuzilamento e humilhação sexual. Os agentes também não poderiam usar cães em interrogatórios”.

O presidente Bush vetou a lei, porque ela “limitaria as técnicas de interrogatório da CIA, impediria que os Estados Unidos conduzissem interrogatórios legais de terroristas importantes da al-Qaeda para obter informações necessárias para proteger americanos de ataques”.

Alguns exemplos dessas técnicas:

tortura americana

tortura americana


tortura americana













Conforme informei aqui, Exército americano tortura prisioneiros desde 1901. O método de tortura conhecido como waterboarding, em que é simulado o afogamento do prisioneiro, é usado desde aquela época, há 110 anos. Passe o mouse sobre a imagem e confira a aplicação naquela época e recentemente.



O que espanta na resposta de Obama é sua postura pusilânime. Ele que foi eleito sob tantas esperanças, com uma plataforma de mudanças, decepciona a cada dia os que acreditaram nele. Não muda nada e parece conformado com isso.

Quem via Obama como próximo a Lula percebe que ele na verdade é o FHC americano.

Original de 13 de março de 2011

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'A Guerra que Você não vê' (The War You Don't See), John Pilger, legendado. Seis anos de Blog do Mello



John Pilger é um dos mais importantes e respeitados jornalistas do mundo. Nesse documentário ele mostra como mídia e política se juntam para manipular a população.

Pilger: Hoje em dia, temos notícias as 24 horas do dia. As frases de impacto nunca param. E as guerras nunca param. Iraque, Afeganistão, Palestina. Este filme é sobre a guerra que você não vê. Baseando-me em minha experiência pessoal como correspondente de guerra, vamos abordar principalmente a televisão, concentrando-nos nos canais mais populares dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. O filme indagará acerca do papel da mídia em guerras repressivas como a do Iraque e a do Afeganistão. Por que muitos jornalistas tocam os tambores de guerra a despeito das mentiras dos governos? E como os crimes de guerras foram narrados e justificados, se eles são crimes.

Postado originalmente em 31 de março de 2011

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´Mesmo que Ela Fosse Criminosa'. Curta que ninguém (especialmente se for mulher) deve deixar de ver. Seis anos de Blog do Mello



Não deixe de ver este documentário de curta-metragem do diretor francês Jean-Gabriel Périot, que recebeu vários prêmios internacionais. Participou também do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, em 2006, e da Mostra Internacional Minas, onde recebeu os prêmios de Melhor Diretor Internacional – Prêmio do Júri Oficial, para Jean-Gabriel Périot, Melhor Montagem Internacional – Prêmio do Júri Oficial e Melhor Som Internacional – Prêmio do Júri Oficial.

Em aproximadamente nove minutos, o filme mostra como estava a França, logo após a retirada dos nazistas, em 1944, quando o país readquiriu sua soberania.

Num trabalho de montagem incrível, Périot consegue narrar desde a ocupação até a retirada das tropas alemãs (com o ditador do bigodinho à côté) em pouco mais de dois minutos.

Em seguida, vem a alegria da libertação. Mas o filme mostra também – e esta é sua parte principal, destacada desde o título – o comportamento covarde e irracional de parte da população, que agride e humilha um grupo de mulheres, acusadas de terem se relacionado com os nazistas durante a ocupação. Como se boa parte da França não houvesse cooperado com os nazistas.

Como diz o título, ainda que fossem criminosas, o tratamento que lhes foi dispensado (repare num covarde que esbofeteia uma das mulheres, pouco depois do quarto minuto) mostra que os nazistas saíram, mas o nazismo ficou.

É um monumento à estupidez humana, à mesquinharia, à pequenez, à covardia. Repare nos rostos das mulheres agredidas e humilhadas e nas expressões alegres e dissimuladas dos que deveriam apenas estar comemorando a vida, o fim do bode da ocupação nazista.

Confira, compartilhe-o com amigos e nos diga o que achou.

Postagem original de 8 de fevereiro de 2008

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A paixão dos americanos por armas. ' ¡Papi, cómprame un Kalashnikov!'. Documentário. Seis anos do Blog do Mello



O vídeo é fruto de uma reportagem de Jon Sistiaga.

¡Papi, cómprame un Kalashnikov! mostra a verdadeira paixão que os americanos têm pelas armas, a partir de uma visita da equipe de Sistiaga ao insólito Festival da Metralhadora de Knob Creek, no Kentucky.

Um lugar nos Estados Unidos onde meninos de quatro anos disparam com as armas automáticas de seus pais e se familiarizam desde muito cedo com o cheiro da pólvora e a sensação de esvaziar um carregador contra algo.

Um dos entrevistados chega a dizer que lá eles não precisam de psiquiatras nem de divãs:

- Aqui temos armas automáticas. Isso sim é uma boa terapia.

O vídeo é em espanhol, tem 46 minutos de duração e foi exibido na TV Cuatro, Espanha.

E pra quem não ligou o nome à coisa, Kalashnikov é o fuzil AK-47.

Publicado originalmente em 5 de fevereiro de 2008.

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Chuva tóxica: O Agente laranja no Vietnam. Documentário. Seis anos do Blog do Mello



Documentário de 44 minutos sobre os efeitos devastadores dos 80 milhões de barris com produtos tóxicos que os americanos lançaram sobre o Vietnam durante a guerra. Entre os produtos tóxicos, o Agente Laranja. Foram mais de 70 milhões de litros.


O Agente Laranja tem entre seus componentes uma das variantes da dioxina mais poderosa. Para dar uma idéia de sua toxicidade, um cristal dessa dioxina misturado à água de uma cidade como Berlim, por exemplo, poderia eliminar todos os seus habitantes.

Os efeitos sobre a população e seus descendentes foram devastadores. Soldados americanos também foram afetados. Estes, pelo menos, receberam uma indenização total de US 180 milhões. Para os vietnamitas – entre os quais mais de 150 mil crianças afetadas -, nada.

Ao encontro dos objetivos do blog

Não é um documentário agradável de se ver. Mas é necessário. Para que se tenha presente o que é a estupidez de uma guerra e aonde ela nos pode levar.

Sempre faço questão de postar trabalhos desse tipo por aqui, mostrando um outro lado dos EUA que não o de Nova Iorque, da Disneylândia, das filas no consulado para conseguir um visto.

Procurar entender o que não nos querem explicar. Clarear o que tentam nos confundir. Revelar o que nos tentam esconder.

Este é o objetivo que me propus ao fazer este blog e que está marcado numa frase de Bernard Shaw que esteve em destaque por muitos anos no banner do blog, e que volto a colocar sob ele agora:


"Você vê as coisas como elas são e pergunta: por quê? Mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: por que não?"

Postagem original: 17 de fevereiro de 2008

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A Guerra do Vietnam como você nunca viu - Documentário nos Seis anos do Blog do Mello

Imagens Desconhecidas, a guerra do Vietnam


Durante a guerra do Vietnam, soldados americanos filmaram detalhes do conflito, de dentro do campo de batalha. Foram 20 mil bobinas de filmes. Imagens que ficaram guardadas e só foram liberadas 20 anos depois.

A partir desse material é que é feito o documentário, chamado Imagens Desconhecidas, a guerra do Vietnam. Dividido em três partes.

1. O segredo da guerra, que conta como se deu o paulatino envolvimento dos Estados Unidos na guerra.
2. O segredo das armas, que mostra a evolução e a crueldade das armas usadas no Vietnam pelas tropas americanas.
3. O segredo dos homens, que conta como foram os últimos dias dos soldados americanos na guerra.

São imagens de alto impacto. Que narram de forma crua e ao mesmo tempo dramática o que foram aqueles anos de luta. Como se desenhou aquela que foi a primeira grande derrota do exército dos EUA. Do ponto de vista dos soldados.

O documentário é da France 3 e está narrado em espanhol.

O segredo da guerra


Videos tu.tv

O segredo das armas


Videos tu.tv

O segredo dos homens


Videos tu.tv

Como ele já foi retirado do ar uma vez, se você não puder assisti-lo agora, ou tiver uma conexão baixa, é bom baixá-lo para o computador. Para isso, use a extensão DownloadHelper do Firefox. Foi o que fiz.

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