Bernard Shaw: "Você vê as coisas como elas são e pergunta: por quê? Mas eu sonho com coisas que nunca foram e pergunto: por que não?"

Creative Commons LicensePermitida a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Museu do Amanhã do Oligopólio Globo é como placa de fiado de buteco: Só Amanhã

Bancado com dinheiro público vindo do governo do estado e da prefeitura do Rio, o Museu do Amanhã da Fundação Roberto Marinho (do Oligopólio Globo) é um projeto, ainda apenas um projeto, e não se sabe até quando somente um projeto, que já triplicou de preço, desde que foi anunciado, como revela a Folha:

"A estimativa de custo para a construção do Museu do Amanhã, projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, triplicou em apenas um ano."

Além de receber R$ 24 milhões do governo do Rio, verba desviada do combate às enchentes, o projeto levou R$ 130 milhões da prefeitura, e ainda não colocou um tijolo em pé. Detalhe: há mais de um ano.

O Museu deveria ficar pronto em 2012. Pulou para 2013. E há quem fale em 2014. Ou 15. Assim como deve aumentar ainda mais o orçamento original. Porque o arquiteto é exigente. Segundo a mesma reportagem da Folha:

"Servidores [da prefeitura do Rio] foram a Milwaukee (EUA) para analisar o museu de arte da cidade, também projetado por Calatrava e com estrutura semelhante ao museu carioca.

- Descobriram que a cobertura foi trazida da Espanha de avião. Foi montada e testada na Espanha, colocada num avião e levada para lá [Milwaukee]."

E se o arquiteto resolver fazer o mesmo com o Museu do Rio e mandar montar a cobertura na Espanha? Não é pouca coisa. Repare como deve ficar o Museu do Amanhã, segundo a prefeitura do Rio:



Mas, ele hoje está assim, segundo o Google Maps:


Pela imagem, o Museu está mais para Espiridião Amim do que para Álvaro Dias - segundo meu capilômetro caseiro. E já há quem veja o Museu numa placa de botequim:

Continue lendo >>

O Globo de hoje desmente O Globo de ontem e o de anteontem

O jornalismo de resultados de O Globo vai de mal a pior. E cada vez mais rápido.

Reportagem na página 4, publicada no Globo de hoje, desmente reportagem de ontem (que foi manchete de primeira página) e de quebra outra de anteontem. Nem deu tempo para o jornal virar embrulho de peixe (nos tempos de antanho) ou forro pra cocô de passarinho, cachorro ou preá.

A de ontem dizia que o governo da presidenta Dilma não havia liberado nenhum tostão para obras de prevenções de enchentes no Rio. Hoje, o jornalão se desmente:

"O Palácio do Planalto informou nesta segunda-feira que o repasse de recursos para ações de defesa civil no Rio de Janeiro chega a R$ 52,3 milhões em 2011."

Mas um erro de zero pra R$ 52,3 milhões até que foi coisa pouca, se compararmos ao cometido na edição de anteontem do Globo. Lá, havia a informação de que o programa Minha Casa Minha Vida só havia liberado R$ 3,5 milhões até o momento para a construção de casas. Agora, a informação correta:

"Nota assinada pelos ministérios do Planejamento, das Cidades e Caixa Econômica Federal diz que os valores pagos para o Minha Casa Minha Vida, em 2011, totalizam o montante de R$ 4,34 bilhões."

Fica aí, "de grátis", um bom slogan para o jornalão do Oligopólio Globo: O Globo escreve hoje o desmentido de amanhã.

Continue lendo >>

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Globo reclama verbas contra enchentes, mas embolsou R$ 24 milhões dessas verbas, desviadas para Fundação Roberto Marinho

O jornal O Globo (do Oligopólio Globo) deu manchete e reportagem de página inteira em seu primeiro caderno de hoje criticando o governo federal, que não estaria liberando verbas para prevenção das enchentes de verão, como a última, que atingiu a Região Serrana do Rio, provocando quase 600 mortos e desabrigando dezenas de milhares de famílias.

Essas obras de prevenção são essenciais para evitar ou atenuar tragédias que se repetem todos os anos, como deslizamentos de terra em áreas de risco. No caso do Estado do Rio, foram reservados R$ 7 milhões para apoio a obras preventivas, mas nenhum tostão foi liberado até agora.

Mas a preocupação demonstrada hoje por O Globo contrasta com a posição do jornal há aproximadamente um ano, quando o governo do Rio desviou R$ 24 milhões, que deveriam ser usados para a prevenção de enchentes, e os entregou para a Fundação Roberto Marinho (do Oligopólio Globo).

O anúncio foi feito pela comunicação da Secretaria do Ambiente do RJ:

– Nossos recursos serão usados principalmente na parte de conteúdo do museu. Consideramos o museu uma instituição importante, por tratar de forma lúdica e interativa a questão do desenvolvimento sustentável e do meio ambiente, entre outros temas, numa perspectiva futura. É uma oportunidade que teremos de transmitir para a população, em geral, e para a juventude, em especial, esses conhecimentos que despertam a consciência – afirmou a secretária do Ambiente, Marilene Ramos.

O tal conteúdo do museu de que fala a secretária nós não pudemos apreciar, pois o Museu da Fundação Roberto Marinho ainda não tem um tijolo de pé, embora já tenha recebido mais de R$ 200 milhões do governo do estado e da prefeitura do Rio. Mas que as verbas fizeram falta, fizeram. Pois nem três meses depois, aconteceu a tragédia da Região Serrana.

A Folha de S.Paulo denunciou que o governo do Rio tinha estudos de 2008 que mostravam o alto risco de tragédia na região:

O risco de um desastre na região serrana do Rio de Janeiro, como o que ocorreu nesta semana e já deixou pelo menos 547 mortos, havia sido apontado desde novembro de 2008 em um estudo encomendado pelo próprio governo do Estado, informa Evandro Spinelli.

A situação mais grave, segundo o relatório, foi identificada exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, cidades com o maior número de mortes em razão das chuvas intensas.

No entanto, o governo Cabral ignorou os estudos e destinou a verba para a Fundação Roberto Marinho, sem que se lesse uma notinha sequer criticando a medida no mesmo O Globo.

Diante da atitude hipócrita do jornal, fica a dúvida:

  1. estão arrependidos e, sentindo-se culpados, defendem as verbas agora para que a catástrofe não se repita;
  2. ou só querem mais verbas para que sejam novamente encaminhadas para a Fundação Roberto Marinho

    Com a palavra o leitor.

    Continue lendo >>

    sábado, 10 de setembro de 2011

    O Globo comete ato falho e diz que socialite lidera movimento 'Todos Juntos PELA Corrupção'

    No rasto da recente manifestação "contra a corrupção" (mas que só vê o lado dos políticos corrompidos e nada diz sobre os empresários e lobistas corruptores) em Brasília, o jornal O Globo abriu espaço para a empresária Cristine Maza, que o jornalão apresenta como "uma das organizadoras do evento [contra a corrupção, que deve acontecer no Rio] que já conta com a adesão de cerca de 26 mil pessoas no Facebook".

    Só que o jornalão comete um ato falho (mais apropriadamente um lapsus linguae) e afirma que Maza é uma das cinco pessoas por trás do movimento Todos Juntos PELA Corrupção.

    Realmente, empresários costumam se beneficiar da corrupção, mas O Globo não precisava escancarar, né?

    Confira a imagem abaixo, retirada da página de O Globo na internet (Aviso: o mesmo erro está na versão impressa do jornal, na página 4 do primeiro caderno [conferi]).


    Como se vê, o movimento é apenas contra os políticos, não quer a participação deles, mas O Globo se (e os) traiu quando disse que estão juntos PELA corrupção. Ou seja, a favor dela.

    A página original na internet, você pode conferir aqui. Mas, caso eles corrijam o lapso revelador, aqui está um print dela: Todos Juntos PELA Corrupção.

    Agora, se você está realmente CONTRA a corrupção...

    Está sendo organizado pelo Eduardo Guimarães e o MSM um Ato Contra a Corrupção da Mídia, no dia 17 de setembro, sábado que vem,no Masp, em São Paulo. Clique aqui ara aderir ao evento no Facebook.

    A corrupção é um dos problemas do Brasil, mas só existe corrupção porque existem corruptores.

    Quando as corporações midiáticas apoiam manifestações contra a política e os políticos, elas repetem o papel que tiveram em 1964 e que levou o país à ditadura.

    Por isso, quem luta contra a corrupção tem que lutar contra todos os envolvidos no problema: corruptos, corruptores e a mídia que ataca uns e acoberta outros.

    Continue lendo >>

    quinta-feira, 1 de setembro de 2011

    Coincidências entre governos britânico e brasileiro nos casos Veja e News of the World

    As semelhanças entre os casos Veja e News of the World não ficam apenas no comportamento criminoso dos veículos. As reações dos governos brasileiro e britânico apresentam coincidências impressionantes.

    Tony Blair, primeiro-ministro britânico por dez anos, só criticou a imprensa de lá no final do mandato, quando afirmou que ela agia "como uma besta feroz".

    Comportamento semelhante teve o presidente Lula, que também sofreu nas mãos da "besta feroz", mas só enviou o projeto de Franklin Martins de regulação da mídia no final de seus oito anos de governo. E também só a partir daí adotou uma crítica mais incisiva às corporações midiáticas.

    O substituto de Blair, Gordon Brown, acha que registros médicos, bancários e fiscais de sua família foram invadidos. Como se não bastasse, Rebekah Brooks (na época Wade e editora do Sun, do mesmo grupo do News of the World) lhe telefonou para dizer que o jornal ia revelar que o filho dele, de apenas 4 anos, tinha fibrose cística. Ainda assim, um tempo depois, Brown foi ao casamento de Rebekah.

    Exatamente como Dilma (sucessora de Lula, como Brown de Blair) foi à festa dos 90 anos da Folha, que publicara em sua primeira página uma ficha criminal falsa da então candidata.

    David Cameron, que veio a suceder Brown como primeiro-ministro, foi além "e contratou Andy Coulson, ex-editor do News of the World, como seu assessor de comunicações".

    No final do ano passado, um dos nomes cogitados para presidir o Banco Central sob o governo Dilma era o de Fábio Barbosa. Coincidentemente, Barbosa assume este mês a presidência executiva da Abril (Veja), com plenos poderes (inclusive editoriais).

    E se Fábio Barbosa vier a procurar a presidenta e propor um acordo do tipo vamos esquecer o passado e pensar no futuro? Dilma vai topar e empurrar com a barriga, com medo da mídia, como os primeiros-ministros ingleses, ou vai aproveitar a oportunidade do flagrante criminoso da reportagem desta semana sobre Dirceu para romper esse triste histórico de coincidências e determinar que a Ley de Medios é para já?

    Continue lendo >>