domingo, 19 de janeiro de 2014

O que o encontro de duas senhoras no supermercado tem a nos dizer sobre a vida e a passagem do tempo





A imagem é só ilustrativa, porque hoje em dia, se você não põe imagem, ninguém lê nada. E eu quero falar do encontro que tive com duas senhoras, quando dava meu rolezinho no supermercado, e como esse inusitado encontro demonstra o descompasso entre corpo e mente.

A verdade é que, conforme envelhecemos, o corpo se deteriora de forma muitíssimo mais rápida que o cérebro. Pensamos com um i7, mas nosso corpo reage como um Pentium 5 ou inferior - algumas vezes, um 386...

Cada vez mais somos memória RAM, a matéria volátil, a memória fluida. Aquela que fica gravada no HD nos vai ficando cada vez mais inacessível, porque não nos lembramos que a armazenamos, e nos surpreendemos quando vemos aquela foto que batemos no réveillon e que juramos que jamais nos esqueceríamos dela... Abrir o Picasa (que mostra todas as imagens gravadas) pode ser uma caixa de Pandora...

Mas, tergiverso, eu dizia do encontro das duas senhoras em meu rolezinho no supermercado. Uma deve ter 70 e tantos. A outra, mais. Pois esta, a mais velha, ao se encontrar com a mais nova, surpreende-se:

- Menina!!!! Você por aqui?!!!


E as duas sorriem, felicíssimas com o encontro.

Menina... Menino... Continuamos assim,  embora o corpo diga que não.

Ah, esta dicotomia ainda há de matar-nos!...


Madame Flaubert, de Antonio Mello

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