segunda-feira, 28 de abril de 2014

Serra entrega ambulâncias superfaturadas e diz que não paga impostos nem produz. Ou, como age a mídia corporativa





Cena: Entrega de ambulâncias superfaturadas, distribuídas pela Planan, na época em que José Serra era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso. O ministro discursa e diz que aquelas ambulâncias... bem, vejam o vídeo, tem menos de 40"...

Ah, pra quem não se recorda do que foi o escândalo das ambulâncias superfaturadas, reproduzo nota que saiu no Blog do Noblat em 2006 e que reproduzi aqui:

Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam e chefe da Máfia dos Sanguessugas, deu entrevista que ocupará sete páginas da próxima edição da revista ISTOÉ.
Ele disse que pagou propina a José Serra, na época ministro da Saúde, e a Barjas Negri, secretário-executivo do ministério, para que liberassem grana destinada à compra superfaturada de ambulâncias.
A grana era repassada para os dois pelo empresário do ramo da construção civil Abel Pereira, de Piracicaba, São Paulo.
Vedoin apresentou cópias de 15 cheques que diz ter passado para Pereira. E citou o nome de duas empresas nas contas das quais depositou dinheiro a pedido de Pereira:
* Kanguru, uma factoring de São Paulo;
* e Datamicro, empresa da área de informática de Governador Valadares, Minas Gerais.


Confira o vídeo, que eu editei usando as configurações da mídia porcorativa:



Quer dizer que as ambulâncias foram pagas pelos que pagam impostos e produzem, e José Serra confessa, candidamente, "não [foram pagas] com meu dinheiro". Logo, ele não paga impostos nem produz.

Não é assim, manipulando, selecionando trechos de falas e descontextualizando-os,  que a mídia corporativa (ou porcorativa, como eu gosto de chamar) produz seu conteúdo?

Está acontecendo agora. Saiu no Estadão que Lula teria dito sobre os condenados do mensalão:  "Não se trata de gente da minha confiança". O objetivo, claro, é jogar Lula contra o PT, especialmente os que se encontram presos. E mostrá-lo como um traíra, que abandona seus companheiros.

Numa entrevista de 40', no último sábado, ao canal RTP, TV de Portugal, pegaram a frase, descontextualizaram, e jogaram no ventilador.

Abaixo, veja o trecho em que o presidente diz a frase, que vem acompanhada do reconhecimento de seus companheiros do PT e de que ele nomeou seis juízes para o STF.

Ou seja, quando diz que não se trata de gente de minha confiança quer dizer que o contexto é mais amplo. E sentenciou: "O que eu acho é que não houve mensalão. (...) Esse processo foi um massacre que visava destruir o PT. E não conseguiram".

Ainda segundo Lula, o mensalão foi "80% de decisão política e 20% de decisão jurídica". Confira:




OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

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