quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sobre 'O Mercado de Notícias', de Jorge Furtado




Sou fã de Jorge Furtado, desde Ilha das Flores. Acompanho seus filmes e seu trabalho na televisão. E também as postagens que faz em seu blog.

Com esse espírito, fui assistir a seu último filme, "O Mercado de Notícias", cheio de boas expectativas. Afinal, este blog trata do assunto desde que o inaugurei há nove anos.

Mas, se não cheguei a me decepcionar, saí um pouco frustrado. O filme promete mais do que entrega - ou eu é que fui esperando mais, por culpa do talento incrível que Jorge Furtado tem de misturar realidade e ficção, extraindo o máximo dos temas de seus trabalhos.

A cozinha dessa vez não alcançou o resultado esperado. Os ingredientes estavam ali, mas não houve a mágica que os transformasse num grande filme.

Os depoimentos dos jornalistas não trouxeram novidade alguma para quem acompanha a discussão do jornalismo praticado no Brasil. Tirando a declaração peremptória de Janio de Freitas de que o jornalismo de hoje é negócio e que o comercial manda no noticiário (ele não disse com essas palavras, mas o sentido é esse), o resto foi mais do mesmo.

Mas o filme tem dois grandes momentos, que fazem que valha a pena assisti-lo, ao menos por eles: a elucidação da farsa da bolinha de papel que atingiu Serra em 2010 e o caso do Picasso falso do INSS. Hilários, impagáveis, e um verdadeiro trabalho de reportagem com a qualidade e o humor característicos de Jorge Furtado.

Vá ver o filme, sem as expectativas exageradas que eu tinha quando fui assisti-lo. Vale a pena. Especialmente se você gosta do assunto, ou então, ao contrário, se você acha que o jornalismo de hoje é feito por bravos jornalistas e repórteres que vivem e distribuem notícia com  a intenção de informá-lo com "a verdade dos fatos". Neste último caso, você vai levar um susto. Leve-o.

"O Mercado de Notícias" tem um site onde podemos assistir aos depoimentos dos jornalistas na íntegra, além de encontrarmos outras informações sobre ele. Vale a visita.

Salve, Jorge.

E você, já viu o filme? O que achou?


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

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Um comentário:

  1. Mello, para mim esse cara era um filme queimado pelas relações com a Globo. Uma pesquisada me levou a outras visões - estranhei.
    Mas achei isso, que confirma meu 'pós-conceito':
    >> "Desde 1989 na TV Globo, Jorge Furtado, que atualmente escreve e dirige a série global "Doce de Mãe" " << aqui > http://cinema.uol.com.br/noticias/redacao/2014/04/29/filme-de-jorge-furtado-expoe-erros-da-imprensa-e-arranca-risos-no-cine-pe.htm
    Então parece que temos mais um dos 'comunistas do Roberto Marinho' ?
    Um abraço,
    Nelson

    ResponderExcluir

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