quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quatro tuiteiros escrevem ao Blog do Mello sobre o processo movido por Aécio Neves contra 66 de nós





Publico a seguir depoimentos de quatro dos tuiteiros processados pelo candidato do PSDB à Presidência da República Aécio Neves. O meu publiquei aqui: Processo de Aécio contra 'tuiteiros' é pura incompetência, desprezo à liberdade de expressão e até possível vendetta.

O Blog está aberto a outros dos 66 que queiram dar seu depoimento. Basta enviá-lo a meu e-mail, que vou atualizando a postagem. 


@turquim5

É com muita surpresa e indignação que repudio a volta da censura no Brasil, uma vez que discordo totalmente do que é alegado sobre o meu perfil, @turquim5, no Processo nº 1081839-36.2014.8.26.0100.

Informo ainda que já constitui advogado e este me representará, no sentido de exigir que as alegações caluniosas sejam comprovadas, o que eu tenho convicção de ser impossível, uma vez que são MENTIROSAS e, portanto, iremos atrás da justiça para que caibam as punições a quem, de alguma forma, quer me calar a todo e qualquer preço, inclusive passando por cima dos direitos e garantias fundamentais que são assegurados pela Constituição deste país.

Venho frisar que utilizo a rede social Twitter porque a entendo no sentindo amplo de rede social, que permite a explanação de meus ideias, o compartilhamento deles para com quem quer que seja e a interação de quem se identifica com ele. Estou na rede há mais de 5 anos,  sempre fazendo amizades e retuitando tudo que julgava conveniente, do mesmo modo que todos que estão na rede o fazem. Ratifico aqui, que nunca houve a utilização da rede com MÁ-FÉ ou intuito de prejudicar quem quer que seja. Comento sobre política sim, porque sou livre para fazê-lo. Todavia, como é de fácil verificação, comento sobre futebol, Olimpíadas, Copa do Mundo, esportes em geral e até sobre o clima me permito comentar. O Ministro Luis Roberto Barroso, durante o seminário “Justiça e Imprensa — Temas e Propostas”, discorreu sobre o tratamento da imprensa a pessoas públicas: “Quem aceita ter uma vida pública, fica exposto a todo o tipo de crítica e tem que conviver com isso com serenidade e grandeza.”
 
Jamais utilizei meu perfil para  caluniar o Senador Aécio Neves, o que eu faço é apenas comentar o que já é largamente disseminado na internet como um todo. Tudo o que eu falo, alguém na grande mídia já falou antes, como pode-se verificar no vídeo  do apresentador Danilo Gentili, visualizado por milhares de vezes no youtube . Tudo o que tuíto, eu cito fontes. Não me permito ser leviano com meus seguidores e jamais persegui a uma pessoa no singular. O que eu faço é defender o governo que me identifico, e isso me é permitido em um Estado Democrático de Direito. Já se passaram várias oposições desde que entrei na rede e nunca mudei meu comportamento por ser o opositor x ou y. Costumo informar a fonte daquilo que estou comentando, mesmo que isso não seja obrigação nenhuma minha.

Quanto às acusações, no mínimo cômicas, de que eu seria um robô ou de que receberia qualquer coisa em troca de minha militância, desafio qualquer pessoa a provar que eu ganho algo ou que algum dia já ganhei em troca do que tuíto e/ou discurso na minha vida pessoal.

Eu milito desde os 14 anos e nunca mudei de lado. Tenho convicção de que mereço, no mínimo, respeito.

Solicito, diante do exposto, que o Twitter Brasil mantenha minha conta ativa até que alguma autoridade judicial decida pelo contrário, sob pena de estar me cerceando ao censurar meus direitos e garantias fundamentais e, concomitantemente, de todos os meus 12 mil seguidores, que, de alguma forma, se sentem oprimidos toda vez que tentam me calar.

Por fim, desejo que se esclareça que defendo Lula e Dilma porque não penso só em mim, mas sim no Brasil como um todo, que tanto progrediu e poderá se beneficiar ainda mais, caso continue nas mãos certas.

Forte abraço!
@turquim5


@rbene

No domingo à tarde, soube que o candidato Aécio Neves resolveu mover uma ação contra o Twitter para revelar as identidades de 66 tuiteiros, entre eles eu (@rbene). Seus advogados alegam que faço parte de uma “rede virtual de disseminação de mentiras e ofensas” contra ele, “o que sugere uma atuação orquestrada, quiçá paga, para detrair sua honra, nome e história”.

Acho estranha essa ação, considerando que até então tinha pouco mais de mil seguidores no Twitter (em dois dias, ganhei outros 200, com a repercussão do caso). Acho mais estranha ainda porque trata-se de um pleiteante à presidência da República, que no meu entender deveria lidar melhor com críticas. Se houve calúnia ou difamação de minha parte, e ela for comprovada pela Justiça, estou pronto para repará-la, pedindo desculpas e o que mais os doutos entenderem que devo. Havendo ou não, eu gostaria das desculpas do Sr. Aécio Neves também. Me fere o trecho em que sugere que minha atuação naquela rede pode ter sido “paga”. Nunca me filiei a qualquer partido, nunca recebi um centavo que fosse de qualquer político ou intermediário.

Pelo contrário, sempre achei que chegava a ser tímida a minha atuação no debate político do meu país, considerando as posturas de alguns colegas professores que muito admiro. E de repente sou citado numa ação por um candidato que constantemente é acusado de cercear a liberdade de expressão de jornalistas em seu estado de origem. A iniciativa judicial é também um meio de inibir a ação de quem quer tão somente se expressar. Sei muito bem a diferença entre uma opinião negativa e uma difamação. Mas, claro, é um juiz que vai estabelecer isto.

Lamento muito que agora deva “me ocupar de uma defesa”, quando é a liberdade de opinião que está sob ataque. Não me refiro apenas ao candidato, mas também à maioria dos meios de comunicação de massa que insistem em fingir equilíbrio na cobertura política, quando na verdade são tendenciosos como tantas vezes atores de internet revelaram – no caso mais recente, pesquisadores do IESP-Uerj com o seu Manchetômetro.

Segue o jogo. Continuarei me expressando da forma que achar melhor. Sou um professor e preciso fazer isso por dever de ofício. Também porque confio que meus alunos (mesmo os eleitores de Aécio) compreendem o quanto esta postura é importante para a cidadania.


@seontasa

Sou o número 61 da Lista dos Twitteiros que Aécio deseja calar.

Não sou um robô. Tampouco fake. Meu twitter é @seontasa porque peguei as duas últimas letras de cada palavra do MEU NOME e juntei. (SE+ON+TA+SA).

Tenho 55 anos e aposentei-me em 2012, depois de 35 anos de serviço na CAIXA, onde lutei anos a fio contra o desejo privatista do Governo FHC. Não quero que este sofrimento se repita. 

Sou, hoje,  um pequeno empreendedor da Construção Civil.

Quando estou disponível, GRITO em defesa do que acredito. Minha arma é meu LIVRE PENSAR e o teclado do meu computador.

O Twitter é minha voz. As pessoas a quem sigo e as que seguem a mim, são as ondas que irradiam meu grito. (Obrigado, seguidores!)

A acusação que recai sobre mim e sobre os outros 65 é que formamos uma REDE. Que compartilhamos links em uma REDE. Incrível, não?

E Isto, é fato!

Ao que parece, somos melhores que a Marina, que não conseguiu montar sua REDE.
Ora, o que é o Twitter? Não seria uma R E D E? Posso compartilhar meus pensamentos e links fora da REDE? É proibido participar do Twitter?

Não quero me calar! Não vou me calar! Não vou permitir que calem a mim!.

Temos que reagir conjuntamente!

@ReginaSalomo

Eu sou um dos 66 tuiteiros que os advogados do Aécio Neves identificaram que ... tuítam.Uso o tweetdeck, posto regularmente, dou RT nos posts de que gosto, curto outros, comento alguns,quando tenho tempo até declaro o meu afeto,posto versos,posto músicas. Sou também um dos 66 tuiteiros que os advogados do Aécio Neves não foram capazes de identificar como militantes, preferindo enquadrá-los como robôs pagos para difamar o Aécio.

Difamados fomos nós, os militantes,de quem foram retiradas a ideologia que defendemos e a vontade política que nos move para sermos caracterizados como robôs. Difamados fomos nós, os militantes,a quem se negou a prática voluntária da defesa de nossos candidatos para nos impingir uma pretensa remuneração. Difamados fomos nós, os militantes, a quem nos confundiram com 66 dos 9000 robôs publicamente contratados para atuar na rede pelas candidaturas tucanas.

Mais do que difamados, fomos também ultrajados por essa tentativa de censurar o nosso direito da livre expressão. Esse país,que lutou tanto para garantir a liberdade na diversidade e o respeito na divergência;esse país,que lutou para garantir o direito da crítica e o fim da censura,não pode permitir que se autorize a intimidação de seus cidadãos.

Somos pessoas sérias e não estamos brincando de falar mal do Aécio. Não se inventaram fatos: divulgou-se o que a mídia tem publicado. Por horror ao moralismo,por repúdio à invasão de privacidade,eu não me referi a notícias – e até poderia,pois elas foram fartamente veiculadas e insinuadas pela mídia – sobre a vida do candidato. Por outro lado, como mineira,sou testemunha das gestões do candidato e me senti na obrigação responsável de torná-las públicas.

A falta de prática do Aécio de ter críticas às suas gestões e à publicização de fatos a ela relacionados – eu,mineira,tomei conhecimento dos aeroportos,por exemplo,junto com todo o povo brasileiro- o tornou muito sensível à ocorrência absolutamente normal, em governos democráticos, da crítica e da divergência. Seu costume de atuar por constrangimento e intimidação com quem o critica publicamente – Carone, a blogueira, os processos para retirada de links na internet,etc,etc,etc – o levou novamente a agir por hábito e atiçar os advogados sobre nós.

Minha militância de mais de 35 anos me ensinou que sempre precisaremos de simbólicos 66 para se garantir os direitos de milhões. Então,sou a 59ª que aqui está para berrar,indignada,contra a censura e contra a intimidação e para defender, entusiasmada, o direito de livremente opinar, de ser divergente, de criticar, e de militar pelas causas em que se acredita.




OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

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Um comentário:

  1. UM dialogo com o pessoal da REDE e dos movimentos de Junho/2013; Sobre a nova política e pessoas com Marina; Algumas iniciativas para aumentar a punição aos ativistas que foram às ruas surgiram. Entre elas, o debate sobre a tipificação do terrorismo, que tem em Walter Feldman um grande entusiasta. Ou seja, a ideologia que Feldman defende em seu projeto de lei é oposta à daqueles que querem maior liberdade de expressão e participação na política, base social reivindicada por Marina. Entre essa ideologia do seu coordenador e a desses movimentos, com quem ficará Marina?
    Outro exemplo nesta seara de direitos humanos e repressão é a proposta do PSDB de reduzir a maioridade penal. Num eventual aliança para um governo Marina,
    como ela decidiria sobre essa questão?
    Roberto Freire, outro prócer Marinista, votou contra o marco civil da internet. A base dos sonháticos da sua Rede faz da internet um instrumento de participação e
    ativismo político. Entre mais liberdade de rede e a visão de um dos pilares de seu projeto, Roberto Freire, com quem ficaria Marina?

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