segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Comigo não. Fizemos nossa parte. PT e governo não fizeram a deles


Estou de saco cheio do círculo vicioso em que alguns militantes/governistas querem nos colocar.

Lula admite erros do PT e do governo. Dilma, idem. Mas eu e outros defensores do governo (mas não de tudo o que faz o governo), não.

Alegam que estamos fazendo o jogo dos adversários,  que a composição do Congresso está ainda pior e mais à direita, que o PT diminuiu sua bancada... Sem nenhuma autocrítica sobre isso.

A solução que apontam é a mesma, que a meu ver é responsável por esse quadro: continuar apoiando bovinamente o governo, ainda que, por exemplo, a musa do agronegócio contradiga tudo o que pregam.

A escolha de Katia Abreu, a nova ministra da Agricultura, que decretou em entrevista que não existe latifúndio no Brasil, não obedeceu aos critérios defendidos pelos mais realistas que a rainha: Abreu não é a preferida da cota do PMDB nem dos ruralistas. É escolha pessoal de Dilma.

No entanto, não podemos criticá-la, mesmo após ela nos esbofetear com o elogio desvairado que fez ao ministro do STF Gilmar Mendes em artigo publicado na Folha.

Será que não enxergam que o Congresso está mais direitoso, o PT encolhe e as ruas gritam por bandeiras que já foram nossas exatamente porque abandonamos algumas das principais delas em nome de um futebol de resultados a la Parreira que está nos matando?

A seguir nesses passos, na próxima eleição arriscamos perder a presidência, ou ter uma bancada ainda menor e um Congresso mais à direita ainda. E aí os "idiotas da objetividade" (obg Nelson Rodrigues) vão defender o criminoso Bolsonaro para um ministério, em nome da governabilidade e da tal correlação de forças.

Fizemos nossa parte. Defendemos a manutenção do governo, votamos nele, e se nossos votos quase não foram suficientes para reeleger Dilma e não conseguiram eleger um Congresso melhor, muito da culpa está nesse governismo de resultados, que descaracteriza nossas lutas e coloca o PT muitas vezes defendendo o oposto de suas bandeiras históricas.

O máximo que se deve aceitar de composição é jogar pelo empate (nenhum direito a menos, como disse a presidenta) . Para fazer gol contra não contem comigo.

Aécio já deixou crescer a barba. Temos que colocar a nossa de molho.

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4 comentários:

  1. Apoiado sem retoques ou quaisquer adendos!

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  2. Caro Mello, estou totalmente de acordo com você. Estou ficando chateado de fazer comentários em determinados blogs e ser tratados como inimigos e sendo ironizado por alguns blogueiros progressistas. Vou citar o nome do blog, pois, não seria correto falar algo sem dar nomes aos bois. Fiz um comentário no blog da cidadania contrapondo a visão do autor e o mesmo me ofendeu com algumas palavras, entre elas que petista não fala mal do seu próprio partido. Respondi a ele que não falava mal do partido e, sim dos políticos do PT que se tornaram políticos de gabinete e que só lembram da militância quando chega as eleições. Passadas as eleições não querem nem saber dos militantes que se tornam até inconvenientes. acho que não disse mais do que a verdade, mesmo assim fui taxado de antipetista e ex-petista raivoso. Quero dizer o seguinte, que sou filiado ao PT pela ideologia que pregava não por essa prática que descaracterizou o partido. E também que quando critico é na esperança de que alguém da cúpulas leia e repense suas atitudes, pois, não tenho acesso a cúpula do partido. E vale a frase: "É melhor um amigo que me critica do que uma 'amigo' que me bajula. aquele que me faz críticas é que realmente se preocupa comigo o outro apenas quer compartilhar das benesses do poder e quando o barco afundar quem garante que ele não terá agido antes para não se afundar junto?
    É lamentável porque vejo a internet como o meio de discussão, que ninguém é dono da verdade, mas através de uma discussão sadia pode-se formar uma opinião de consenso e que realmente seja a opinião da sociedade. Senão se torna um monólogo que uma fala e todos os outros aplaudem. É isso que venho observando já há algum tempo, todos aqueles comentários que elogia o texto publicado é agraciado e quando há uma crítica ou não responde ou quando responde é com ataques e com tentativa de desqualificar o comentarista.

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  3. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia. Kátia pode ser a bucha de canhão, alguém indicado(a) para ser fritada - como fizeram com todos os ministros do primeiro mandato de Dilma. Engraçado ninguém pensar nisso. Sim, a questão da governabilidade é extremamente concreta mas felizmente não inclui Bolsonarices e a dos resultados é óbvia: sem resultados, o PT se fode, o governo idem e o povo mais ainda. Resultado é importante sim, seja no campo macroeconômico, seja no micro, seja no campo puramente social. O que é mais foda ainda é apoiar condicionalmente, porque ao retirar o apoio a cada tropeço ou o que imaginamos ser um tropeço, estamos dando espaço para os milhares de abutres que querem comer o fígado de quem redistribuiu renda e manteve o país no azul, apesar das sucessivas crises internas (muitas das quais, forjadas) e externas. Sou crítico sim: fui contra a reforma da previdência de Lula, capitaneada por Palloci, fui parcialmente contra o PROUNI (achava melhor investir nas federais) mas hoje faço uma reconsideração. Achava que cotas sociais eram melhores que as raciais, mas também me vergo ao sucesso destas. Sempre haverá opiniões dissonantes, mesmo que seja dentro do mesmo campo político. Não dá para abrigar todas as possíveis interpretações do que seja bom ou ruim, do que seria o ideal. E política não é jogo para principiantes: muito do que é dito ou feito tem razões que escapam a qualquer raciocínio objetivo imediatista. Enfim, mantenho o meu apoio enquanto redistribuirem renda e acesso social a rodo, com relativa estabilidade.

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