terça-feira, 15 de setembro de 2015

O QUE O FILME 'QUE HORAS ELA VOLTA' TEM A ENSINAR A AÉCIO NEVES E À CLASSE MÉDIA GOLPISTA E RESSENTIDA





Aos 17 anos, "com direito a foto e tudo, Aécio foi parar nas páginas do FranklinNews-Record, pequeno jornal da região, que na edição de 24 de fevereiro de 1977 publicou uma pequena reportagem a seu respeito".

No frescor dos 17 anos, Aécio expressou várias observações sobre a vida social brasileira. Falando sobre a condição feminina no Brasil, Aécio disse, conforme o Franklin-News, que a vida das mulheres é fácil no Brasil. Segundo as palavras de Bob Bradis, Aécio lhe disse que as mulheres brasileiras não têm necessidade financeira de trabalhar, e podem passar a maior parte de seu tempo na praia ou fazendo compras. Era uma diferença importante em relação à sociedade norte-americana, onde, desde a Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres saiam de casa para trabalhar e dividir despesas com o marido. 

Falando da vida doméstica, Aécio disse: 'todo mundo tem uma empregada ou duas; uma para cozinhar, outra para limpar.' Falando de sua rotina dentro de casa, no Brasil, assinalou outra novidade: 'Eu nunca fiz minha própria cama.' [Fonte: Paulo Moreira Leite

Seria muito educativo para Aécio e seguidores se eles repetissem a experiência que viveu a blogueira brasileira Nina Lemos num cinema em Berlim, que ela narra em seu Blog "Berlim manda avisar":


“Val, me traz um copo de água”, por favor?
“Val, você pode colocar a mesa, por favor?”
“Val, você pode tirar a mesa, por favor?
Val, você pode trazer um sorvete para a gente?”
Esse tipo de pedido é repetido sem parar em “Que horas ela volta”, o filme gênio de Anna Muylaert estrelado com maestria por Regina Casé.
Val, por favor! Val é a empregada da casa, uma pessoa “praticamente da família”. Val é uma escrava.
A família de classe média alta brasileira, sentada na mesa, faz os pedidos, e Val vem e volta. Algumas vezes eles estão sentados na mesa da cozinha, ao lado da Val, mas pedem para ela: “você pode pegar água?” Ela abre a geladeira. Os membros da família, pai artista, mãe fashionista e filho adolescente gente boa, parecem incapazes. Eles não se movem. Eles não levantam a porra da bunda da cadeira. No meio do filme a vontade é entrar na tela e bater neles.
Estou em um cinema em Kreuzberg, Berlim, e eu sei que é assim na vida real no meu país. A plateia, formada por brasileiros e alemães, dá risos nervosos. Desconfio que os risos nervosos sejam mais de brasileiros como eu, que conhecem bem essa situação e sabem que a escravidão existe no Brasil de uma maneira sinistra. E de uma forma que a gente ainda não foi capaz de acabar.
Vez ou outra eu falo nervosa para o alemão: “é assim mesmo”.
Na saída, encontro uma amiga brasileira, também acompanhada de namorado europeu e ela me diz: “deu um pouco de vergonha”. Concordamos que a vergonha é total.
No café, eu explico para ele. “É assim, não, não na minha família, não com os meus amigos, mas sim, eu conheço gente assim.” “Eu sei, se você está dizendo eu acredito. Mas quem na Europa vai acreditar que essa situação é real? Acho que vão pensar que a diretora é genial, mas que criou uma historia surrealista muito boa, não que isso seja real. Porque isso é muito bizarro. Isso é inconcebível.” [leia postagem completa aqui]
O movimento Coxinha, que reclama do aumento de "gente diferenciada" em shoppings, aeroportos; que reclama de programas sociais, de inclusão de renda e cidadania; e quer derrubar o governo na expectativa de que "essa gente" volte para a senzala e a Casa Grande reassuma o país; o movimento Coxinha deveria assistir ao filme no exterior, levando com ele seu chefe e representante legítimo (embora quase sempre ausente), Aécio Neves, um playboy que governava Minas do Leblon, que eleito senador recebeu nota zero em frequência e desempenho.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

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