terça-feira, 22 de setembro de 2015

SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DO RIO JOSÉ MARIANO BELTRAME ACHA QUE CUMPRIR A LEI PREJUDICA O TRABALHO DA POLÍCIA



Secretário de Segurança do RJ, José Mariano Beltrame


Um novo final de semana com arrastões no Rio, dessa vez não restritos à orla da Zona Sul, mas espalhados por bairros como Humaitá e Botafogo.

Curiosamente, o secretário de Segurança Pública parece ter encontrado o culpado (no caso, a culpada) pelos tumultos: uma decisão judicial obrigando a polícia a cumprir a lei.

A série de arrastões na cidade aconteceu no primeiro fim de semana de sol após uma decisão do juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância, Juventude e do Idoso, que proibiu a PM de apreender crianças e adolescentes que não estejam em flagrante ou com mandado de busca e apreensão em aberto. O pedido para vetar as ações da polícia havia sido feito pela defensora pública Eufrásia Souza Das Virgens, num habeas corpus. Há um mês, o EXTRA flagrou a apreensão de cerca de 150 adolescentes, pela polícia, que estavam a caminho das praias da Zona Sul.

(...) O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, falou ao EXTRA que a PM está cumprindo uma decisão judicial. 

- Ordem judicial se cumpre. A Polícia Militar perdeu a prerrogativa de agir na prevenção. Só pode agir depois do ocorrido. Ainda assim, foram detidas 25 pessoas em Botafogo - afirmou [Fonte: Extra]

Agir preventivamente para o secretário é levar para a delegacia jovens suspeitos de alguma coisa, mesmo sem que tenham feito absolutamente nada. Porque a ordem judicial não impede a PM de agir.

A promotora de Justiça Janaína Vaz Candela Pagan, coordenadora da promotoria que atua junto à Vara da Infância, discorda que haja relação entre os arrastões e a proibição imposta à PM: 

 - Em primeiro lugar, a decisão judicial apenas reforçou algo que já está previsto em lei. Mas a PM continua podendo agir dentro dos casos em que os adolescentes sejam pegos em flagrante cometendo um ato infracional. 

Dada a atitude do secretário, que deve refletir o pensamento do alto comando da PM, fica a impressão de que a PM fez corpo mole numa forma de protesto por não poder agir de forma arbitrária, como faz rotineiramente.

Isso fica reforçado com uma estranha convocação pelas redes sociais para que moradores da Zona Sul fizessem justiça com as próprias mãos, o que resultou em agressão e destruição de ônibus da Zona Norte, sob as vistas omissas (ou cúmplices?) da PM, como mostra a imagem.



Por que os jovens da imagem não foram presos? Dá o que pensar.

Será que não estamos diante daquela situação em que se alimenta a fogueira dos arrastões com a gasolina da omissão para colher um "libera geral" para a polícia agir com violência?

Às vésperas das Olimpíadas do Rio, estaremos assistindo ao nascimento de um novo Massacre do Alemão, como aquela da época do Pan-americano do Rio?


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

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Um comentário:

  1. neli faria22.9.15

    Não gosto desse secretário, mas, nem ele, nem outro,nem DEUS dará contra da insegurança pública no Brasil. O problema é que a Constituição Federal de 1988(aquela que Ulisses Guimaraes dizia Constituição Cidadã) deu cidadania aos bandidos comuns. E é a única Constituição do Universo a fazer isso. De lá para cá a violência foi aumentando.E a tendência é aumentar.Infelizmente!Bem fez o PT na época em não ter assinado essa Constituição.

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