sexta-feira, 20 de maio de 2016

Gabinete 510, anexo 4 da Câmara. A partir de segunda, de onde vai despachar o verdadeiro presidente interino do Brasil





Vivemos tempos interessantes neste Brasil de hoje. Temos dois presidentes ao mesmo tempo. Uma, a verdadeira, eleita com quase 55 milhões de votos e afastada por um golpe de Estado, capitaneado pelo outro, o usurpador e golpista, atualmente presidente interino.

São dois os presidentes, mas quem manda mesmo hoje no Brasil é um terceiro, oculto, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Ou alguém tem dúvida disso?

Ontem, ele depôs com ar de enfado às vezes, arrogante em outras, na comissão de ética que tem o poder (teoricamente) de cassá-lo, e ao final mandou avisar:

“Estou suspenso do exercício do mandato e não de frequentar a Câmara. Vou frequentar meu gabinete pessoal e estarei aqui presente, não mais hoje, mas a partir de segunda-feira. Quem quiser falar comigo a partir da próxima semana poderá passar no gabinete 510, no anexo 4 da Câmara".

Vamos ver a fila do beija-mão daqueles que ostensivamente se curvam diante de Cunha. Mas há os que prestam com hipocrisia sua homenagem à virtude e não darão as caras por lá, mas estarão às ordens, sempre que necessário.

Os juízes supremos da nação, por exemplo, que são os guardiões da Constituição, mas cuidam com mesmo ou mais denotado zelo de seus bolsos e os de seus pares. São aumentos de salários, gratificações retroativas, mordomias adicionadas, tudo nas mãos de Eduardo Cunha e a maioria que ele tem no bolso, por chantagem ou suborno, na Câmara dos Deputados.

Há também o novo líder do governo Temer-Cunha de quem tratei ontem aqui e que deve tudo a Cunha: Líder de Temer na Câmara é mais sujo do que pau de galinheiro, acusado até de tentativa de homicídio.

Por último, ele, o cínico, usurpador, o golpista frio que apunhalou a companheira de chapa que lhe deu o que ele jamais conseguiria por mérito próprio, a chancela de quase 55 milhões de votos, dos quais ele talvez seja responsável por um ou dois - caso a bela, recatada e do lar tenha votado na chapa.

Irá Temer prestar uma homenagem, mesmo que sem querer, que distraída (entre aspas), a seu chefe? Porque Temer sabe que só está onde está graças a Cunha. E também só graças a ele poderá sonhar em permanecer aí até que o Senado decida o destino de Dilma.

Temer sabe que Cunha pode mandar desengavetar seu processo de impeachment, igualzinho ao de Dilma. Por isso, se Cunha determinar, ele irá a Cunha, assim como os ministros do Supremo foram até ele e o cercaram, como criancinhas atrás do distribuidor de doces e prendas do dia de Cosme e Damião, como mostra a imagem.



Tempos interessantes... E terríveis.


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

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