sexta-feira, 17 de junho de 2016

'Mamãe, quando crescer eu quero ser delator'





Taí, é uma profissão que não sei se vai ter futuro, mas tem presente - e que presente!

Vamos ver o empresário Sérgio Machado. Agora ele só é chamado assim, ou empresário ou delator. Mas é mais chique "delator".

Mas nem sempre foi assim. Machado era político profissional. Filiado ao PSDB pelas mãos de um tucano de plumas nobres, Tasso Jereissati, Machado ficou no partido de 1991 a 2003. Foi deputado federal e senador pelo PSDB, onde fez carreira:

Na Câmara dos Deputados foi vice-líder do PSDB em 1991; titular da comissão mista de planos, orçamentos públicos e fiscalização de 1991 a 1993. De 1991 a 1992 foi titular da comissão de economia, indústria e comércio; suplente da comissão de finanças e tributação no período de 1991 a 1994; titular da comissão de desenvolvimento urbano e interior entre 1993 e 1994; Primeiro-secretário da direção do PSDB de 1991 a 1994; segundo vice-presidente do PSDB em 1994. No senado, líder do PSDB. Membro titular das comissões: de educação, de fiscalização e controle, de constituição, justiça e cidadania; membro suplente da comissão de assuntos econômicos e assuntos sociais e da comissão representativa do Congresso Nacional.

Era um tucano bem emplumado, mas bastou o PSDB ser apeado do poder por Lula, que ele logo se aninhou no PMDB. Como moeda no acordo político do PMDB com o PT, Sérgio Machado conseguiu a presidência da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobras, onde ficou de 2003 a fevereiro do ano passado (12 anos), quando renunciou na onda dos escândalos da Lava Jato.

Durante esse período, roubou (vamos usar o verbo apropriado) para si e para vários políticos e partidos, mas especialmente para o PMDB. Mas não apenas nesse período. Ele já fazia o mesmo trabalho, anteriormente, quando era do PSDB, como confessou agora em sua delação, em que envolve, entre outros, o candidato derrotado Aécio Neves.

Segundo confessou, ele roubou mais de R$ 100 milhões. Mas, pelo acordo de delação premiada, terá de devolver, em forma de multa, R$ 75 milhões. O que conseguiu esconder lá fora ou por aqui, é dele para gastar pelo resto de seus dias.

Também vai ser julgado pelos crimes. Pela delação, ele pode ser condenado a até 20 anos, mas não vai passar um dia sequer na cadeia.

O acordo de sua delação, homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, prevê que a pena será cumprida em sua casa: serão dois anos e três meses em regime fechado diferenciado e nove meses em regime semiaberto.

No imóvel com piscina e quadra poliesportiva, localizada em um bairro nobre de Fortaleza (CE) [imagem que ilustra a postagem, da Folha], Machado terá que usar tornozeleira eletrônica.

A Justiça permitiu que 27 pessoas, entre familiares e um padre, tenham acesso à casa durante o período da pena, como visitantes. Médicos, só em caso de emergência.

Já estão definidas oito datas, até 2018, em que o ex-presidente da Transpetro poderá deixar a casa, entre elas o próximo Natal.

Seus três filhos também envolvidos no acordo –Daniel, Sérgio e Expedito– não terão qualquer pena de reclusão.[Fonte: Folha]

Agora, vai você explicar a seu filho que o crime não compensa...

Por isso, não vai ser surpresa, se um pai ou mãe ouvir da filha ou do filho pequeno:

- Mamãe, quando crescer eu quero ser delator.

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Um comentário:

  1. Prisão numa casa com piscina só para rico mesmo. Pobre esse não tais privilégios. Que país é esse, gente. Em outros mares existe até o fuzilamento.

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