terça-feira, 15 de novembro de 2016

O Sem Terra e o Com Céu: Stedeli do MST escreve sobre seu encontro com o Papa Francisco





O líder do Movimento dos Sem Terra (MST) João Pedro Stedile esteve com o Papa Francisco no Vaticano no início deste mês para o 3° Encontro Mundial de Movimentos Populares em Diálogo com o Papa Francisco. Em artigo publicado no Carta Maior Stedile fala desse encontro, dos dois que o antecederam e dá um depoimento pessoal sobre o novo Papa:
"Saímos convencidos de que, além de São Francisco de Assis, agora temos mais um Francisco revolucionário na Igreja".
Vale muito a pena ler o artigo na íntegra, mas tenho por princípio na quase totalidade das vezes nunca furar o local de origem da postagem, por isso vou colocar o link ao final desta com a recomendação de que sigam até lá. Mas vou adiantar um trecho sobre esse terceiro encontro e a importância do novo Papa, que destaquei aqui na postagem Papa Francisco, a única boa notícia que o mundo nos dá nos últimos tempos.

Um  outro  tema debatido, que representou avanços em relação aos encontros anteriores, foi o tema dos migrantes econômicos e dos refugiados políticos. A Europa vive uma verdadeira tragédia com os refugiados do Oriente médio e da África. Milhões, repito milhões, de pessoas estão migrando todos os dias, de todas as formas, de barco, caminhando quilômetros e quilômetros para  fugir da morte rumo à Europa e lá encontram mais  exclusão e xenofobia, sendo que eles apenas estão lá, porque as empresas europeias são as principais fornecedoras de armas para a Arábia Saudita e governos repressores da região.

Nesse sentido, a reflexão dos movimentos seguiu na linha do direito a um território e da luta contra a xenofobia. Do direito à autodeterminação dos povos e contra as guerras. As guerras não resolvem nenhum conflito social e apenas criam mais problemas sociais, além de ceifar a vida de milhares de pessoas, em geral os mais pobres e trabalhadores. Todos os seres humanos são iguais, na sua natureza e nos seus direitos. Aqui, emergiu a ideia de que devemos incorporar em todos nossos programas a proposta da  igualdade. A igualdade de oportunidades, de direitos e deveres, é a única base de uma sociedade realmente democrática.

E, nesse tema, o Papa Francisco revelou toda a sua coragem, ao denunciar que, quando um banco vai a falência, logo surgem bilhões de euros para salvar seus acionistas. Porém, quando um povo esta em dificuldade e migra, nunca há recursos públicos para ajudá-los e encontra-se todo tipo de desculpas possíveis. O Papa denunciou o sistema capitalista como autor dessa tragédia humana, contemporânea que estamos vivendo, de exclusão, de superexploração dos migrantes e dos refugiados, não só na Europa, mas em diversas regiões do mundo, onde os países ditos ricos se protegem dos pobres e migrantes, praticando ainda mais exclusão. Nunca se ergueram tantos muros de exclusão, em tantos países, como agora.

Leia a íntegra aqui.

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