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quarta-feira, 22 de março de 2017

Ataque de Janot a Gilmar Mendes é cortina de fumaça para encobrir vazamento coletivo das delações da Odebrecht por procuradores



O Procurador Geral da República Rodrigo Janot fez a alegria geral dos que não gostam do ministro do STF e presidente do TSE Gilmar Mendes ao fazer em público, embora sem citá-lo, as críticas que todos fazemos ao tucaníssimo ministro do Supremo.

Muitos tons acima do que se esperaria do Procurador-Geral, Janot está na verdade usando a antipatia quase unânime que Gilmar Mendes causa aos brasileiros para uma causa menos nobre: a ocultação do vazamento das delações da Odebrecht, denunciada pela ombudsman da Folha Paula Cesarino Costa em sua coluna do último domingo.

Paula disse ter estranhado que todos os principais meios de comunicação do país tenham dado praticamente a mesma notícia, com os mesmos nomes dos delatados, embora a lista tenha sido encaminhada pelo PGR ao STF sob sigilo.

Das dezenas de envolvidos na investigação, vazaram para os jornalistas os mesmos 16 nomes de políticos - cinco ministros do atual governo, os presidentes da Câmara e do Senado, cinco senadores, dois ex-presidentes e dois ex-ministros. Eles estavam nas manchetes dos telejornais, das rádios, dos portais de internet e nas páginas da Folha e dos seus concorrentes "O Estado de S. Paulo", "O Globo" e "Valor".
Por que tanta coincidência? A ombudsman apurou que a divulgação da chamada segunda lista de Janot se deu por meio do que, no mundo jornalístico, se convencionou chamar de "entrevista coletiva em off".
Em geral, a informação em "off", aquela que determinada fonte passa ao jornalista com o gravador desligado e com proteção de anonimato, não se coaduna com a formalidade de uma entrevista coletiva -para a qual os jornalistas são convocados protocolarmente a ouvir determinada autoridade.
Após receberem a garantia de que não seriam identificados, representantes do Ministério Público Federal se reuniram com jornalistas, em conjunto, para passar informações sobre os pedidos de inquérito, sob segredo, baseados nas delações de executivos da Odebrecht.

Janot, de passagem, disse que tal coletiva em off era mentira, não teria acontecido. Para não ter que explicar então a coincidência de todos os veículos de comunicação darem as mesmas informações, Janot usou os ataques a Gilmar Mendes para fazer fumaça.

No fundo, ambos são farinha do mesmo saco.

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