quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ex-presidente da OAS sobre triplex: 'me foi dito que era do presidente Lula'. E a prova? Não tem. Só de ouvir dizer



Leo Pinheiro (que na verdade se chama José Aldemario Pinheiro), ex-presidente da OAS Engenharia conseguiu finalmente sua delação para ver em quanto consegue baixar sua condenação a 20 anos. Ele havia tentado no ano passado, mas como não fizera acusação alguma contra o ex-presidente Lula voltou para o xadrez para pensar melhor. Agora "pensou" e disse a Moro o que ele queria ouvir, em depoimento hoje [o grifo é meu]:

“O apartamento era do presidente Lula. Desde o dia que me passaram para estudar os empreendimentos da Bancoop já foi me dito que era do presidente Lula e sua família e que eu não comercializasse e tratasse aquilo como propriedade do presidente”, afirmou o empreiteiro. [Fonte: Correio Braziliense]

Ele era presidente da empreiteira e ficou sabendo que o presidente Lula e família eram donos do triplex "por ouvir dizer"...

Eu também ouvi dizer. Também "foi me dito" (como está escrito na transcrição do Correio Braziliense) isso, diariamente, há anos, pela mídia corporativa, Rede Globo à frente, pelos procuradores em seu PowerPoint, por adversários do ex-presidente, pelos que odeiam o ex-presidente, embora:

  • o triplex não esteja nem nunca esteve no nome de Lula ou de seus familiares
  • nem Lula ou qualquer de seus familiares passou um dia sequer no triplex
  • também não o emprestaram a ninguém
  • nem o alugaram
  • e o imóvel está em nome de quem sempre esteve, depois do acordo com a Bancoop, o da OAS, de que Leo Pinheiro foi presidente e soube por ouvir dizer que o triplex era do Lula.

Leo Pinheiro disse também que Lula mandou que ele destruísse provas. Bom, se Lula mandou que fizesse isso é porque ele alguma vez teve prova de que o imóvel era de Lula. Não consegue fazer uma engenharia reversa e fazer voltar a prova, com o cartório etc?

Claro que não. Mas não vem ao caso. Como disseram os procuradores, não são necessárias provas. Basta a convicção. E eles têm a convicção de que o triplex é do Lula. E é o que está valendo no Brasil do golpe.

Nota emitida pela defesa de Lula destroi o depoimento de Leo Pinheiro. O imóvel atribuído a Lula foi dado pela OAS como garantia em várias operações da empresa. Se o imóvel é do Lula, como Leo Pinheiro explicaria isso? [Confira no terceiro parágrafo da nota]

É uma farsa montada sobre um homem acuado e preso, com o único objetivo de condenar o ex-presidente Lula e tentar assim impedir que ele consiga o triplex que pode ser verdadeiramente seu: uma terceira eleição à presidência da República, como indicam todas as pesquisas.

Leia a nota da defesa de Lula:


“Léo Pinheiro no lugar de se defender em seu interrogatório, hoje, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, contou uma versão acordada com o MPF como pressuposto para aceitação de uma delação premiada que poderá tirá-lo da prisão. Ele foi claramente incumbido de criar uma narrativa que sustentasse ser Lula o proprietário do chamado triplex do Guarujá. É a palavra dele contra o depoimento de 73 testemunhas, inclusive funcionários da OAS, negando ser Lula o dono do imóvel.
 
A versão fabricada de Pinheiro foi a ponto de criar um diálogo  – não presenciado por ninguém – no qual Lula teria dado a fantasiosa e absurda orientação de destruição de provas sobre contribuições de campanha, tema que o próprio depoente reconheceu não ser objeto das conversas que mantinha com o ex-Presidente. É uma tese esdrúxula que já foi veiculada até em um e-mail falso encaminhado ao Instituto Lula que, a despeito de ter sido apresentada ao Juízo, não mereceu nenhuma providência. 
 
A afirmação de que o triplex do Guarujá pertenceria a Lula é também incompatível com documentos da empresa, alguns deles assinados por Léo Pinheiro. Em 3/11/2009, houve emissão de debêntures pela OAS, dando em garantia o empreendimento Solaris, incluindo a fração ideal da unidade 164A. Outras operações financeiras foram realizadas dando em garantia essa mesma unidade. Em 2013, o próprio Léo Pinheiro assinou documento para essa finalidade. O que disse o depoente é incompatível com relatórios feitos por diversas empresas de auditoria e com documentos anexados ao processo de recuperação judicial da OAS, que indicam o apartamento como ativo da empresa.
 
Léo Pinheiro negou ter entregue as chaves do apartamento a Lula ou aos seus familiares. Também reconheceu que o imóvel jamais foi usado pelo ex-Presidente.
 
Perguntado sobre diversos aspectos dos 3 contratos que foram firmados entre a OAS e a Petrobras e que teriam relação com a suposta entrega do apartamento a Lula, Pinheiro não soube responder. Deixou claro estar ali narrando uma história pré-definida com o MPF e incompatível com a verdade dos fatos. 
 
Cristiano Zanin Martins”


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