segunda-feira, 24 de julho de 2017

Emenda da bancada evangélica quer igrejas, bispos e pastores livres de impostos, e dívidas de R$ 50 mi perdoadas



A vida no Brasil não está fácil para ninguém. Mas se você for alguém (procurador, juiz, parlamentar, dono de mídia, dono de igreja), o que já está bom sempre pode melhorar, não é mesmo?

Pensando nisso, deputados da bancada evangélica enfiaram uma emenda no projeto do Refis (aquele refinanciamento de dívidas dos tubarões, que os livra de grande ou imensa parte da multa e às vezes até acaba com os juros), que ajuda o empresário sonegador a empurrar suas dívidas com a barriga ou a resolver quitá-la por uma fração mínima do valor.

Pela emenda que enfiaram no projeto, os fieis deputados da bancada evangélica querem perdão de dívidas (que podem chegar a R$ 50 milhões) e se livrar dessa coisa chata que é pagar impostos sobre o dinheiro sagrado dos fieis que viajar para o exterior.




A Câmara dos Deputados deve derrubar artigo inserido por parte da bancada evangélica na MP do Refis, o programa de renegociação de dívidas com o governo. Ele prevê que as igrejas serão dispensadas do pagamento de impostos quando fizerem remessas ao exterior.
TAXA 2
O item beneficiaria instituições que têm atividades fora do Brasil, em países da África e até da Europa. Elas hoje pagam 25% de Imposto de Renda e 0,38% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) quando enviam valores "de caráter missionário ou evangelizador" ao exterior.
É DEMAIS
O artigo, que no limite possibilita até a devolução de impostos já pagos, é considerado um exagero mesmo diante da crise política que obriga o governo de Michel Temer a agradar a bancada religiosa, de mais de cem deputados.
PERDÃO ETERNO
O discurso é que as igrejas já estão sendo extremamente beneficiadas: em outro artigo fica estabelecido que elas devem ser isentas não apenas de tributos, mas também de contribuições -e ainda que devem ser perdoadas de todos os débitos do passado.
MÃO AMIGA
Lei aprovada em 2015, quando Eduardo Cunha (PMDB-RJ) presidia a Câmara, já estabelecia que as igrejas não precisariam mais pagar contribuições sobre a remuneração de pastores, as chamadas prebendas. Mas havia divergências e a Receita continuava autuando as organizações religiosas.
TE PERDOO
Há uma estimativa de que pelo menos 12 delas caíram na malha fina, algumas com multas superiores a R$ 50 milhões. Se o Refis for aprovado, serão todas perdoadas.[Fonte: Folha, Mônica Bergamo]


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