segunda-feira, 17 de junho de 2019

Não pode o ministro Moro investigar o juiz Moro. Ele tem que se afastar. Ou deveria, se fosse ético

Moro, com um carimbo de suspeito sobre a imagem

Não é possível que cheguemos ao final de mais um dia sem que o ministro da Justiça Sergio Moro tenha se afastado do cargo, demitido ou de licença, enquanto o caso das mensagens divulgadas pelo Intercept não forem esclarecidas.

Não é possível que se ache normal que o ministro Moro mande a PF, sob seus domínios, investigar o ex-juiz Moro e seu parceiro Dallagnol.

Também não é possível que a PF não tenha recolhido os celulares e computadores dos dois, para evitar não apenas que eles apaguem provas contra si, mas até, se for o caso, para provar a inocência que ambos propagam.

Qualquer resultado que venha das investigações com Moro no comando delas estará tão ou mais comprometido do que já está a sentença do presidente Lula emitida por ele.

Moro é absolutamente suspeito para investigar a si mesmo.

No entanto a mídia corporativa fica correndo atrás de um hacker, passando pano na irregularidade de um investigado investigar-se debaixo de seus narizes.

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Que quer o movimento feminista? 'Queremos mudar tudo'



O movimento 8M, que foi às ruas na Espanha e em várias partes do mundo, inclusive o Brasil, lançou um pequeno livro com o título "¿Qué quiere el movimiento feminista?, que você pode comprar ou baixar gratuitamente ou com alguma doação neste endereço.

O trecho a seguir é o prefácio do livro, com tradução do blog.
Em 8 de março de 2019, milhares de mulheres fomos às ruas. Pelo segundo ano consecutivo, a greve feminista convocada pela Comissão 8 de março (8M) foi um sucesso e nosso grito, forte e poderoso, cheio de fadiga e demandas por outra vida e outro mundo para todas as mulheres, chegou a todos os lugares; ninguém pode deixar de ver. As feministas somos imparáveis ... e queremos mudar tudo, dissemos.

Foi um grito global que nos unia a mulheres de outras terras, de outros países, que também aderiram ao processo de greve feminista que começou na Argentina e na Polônia em 2017.

A greve não foi uma questão de um dia, foi precedida pelas revoltas dos anos anteriores e pela greve de 2018. Foi o resultado de um processo coletivo de mulheres e grupos que formamos a Comissão Feminista do 8M: durante meses discutimos e analisamos as razões que cada uma tinha para fazer essa greve, as razões pelas quais convocamos uma greve de afazeres domésticos, trabalho, de consumo e estudantil, as razões pelas quais chamávamos para tomar as ruas no 8 de março. E esse mesmo debate foi levado a casas, bairros, cidades, institutos, universidades, centros de trabalho, às ruas, às instituições, a todos os lugares.

Parte desse processo foi explicar e ordenar em um documento as razões e objetivos da greve feminista e da mobilização do 8M. E para isso recuperamos o processo que já havíamos feito em 2018 e os espaços para analisar e discutir sobre essas razões e como comunicá-las. Trabalhamos a partir do reconhecimento de nossa diversidade, do respeito à heterogeneidade da Comissão Feminista do 8M, procurando o que nos une e nos fortalece, trabalhando a partir do consenso. E assim fomos tecendo este documento que você tem em mãos e chamamos de Argumentario: é o resultado desse processo de criação do pensamento coletivo.

Não é, nem pretende ser, um inventário das reivindicações feministas, mas sim um reflexo de nossos consensos. Não estão todos, mas todas as reivindicações que estão fazem parte de uma agenda feminista imprescindível e de um documento sempre aberto. Porque, em primeiro lugar, sabemos de onde falamos: de uma feminismo internacionalista, antirracista, anticapitalista, que luta contra a heteronormatividade.

Tomara que este Argumentário sirva para animar muitas mais revoltas feministas.

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Política assassina de Witzel vai até a hora em que um branco 'do bem' levar um 'tiro na cabecinha'

Capa do Extra com imagens do Bope

O governador do Rio Wilson Witzel era um ilustre desconhecido do morador do  Rio de Janeiro, até que virou governador. Foi evidentemente eleito com auxílio da máquina de fake news e disparos ilegais pelo WhatsApp do esquema que elegeu Jair Bolsonaro (eleito mediante fraude) presidente.

Para se tornar conhecido do eleitor, Witzel passou o período eleitoral com promessas bizarras sobre segurança pública, como a mais famosa em que liberaria atiradores de elite para assassinarem traficantes armados "com um tiro na cabecinha".

Chegou ao governo ainda como se estivesse em campanha e deu sinal verde para a violência policial. Desde sua posse, somente nos três primeiros meses do que se pode chamar seu governo, a polícia matou 434 pessoas, um recorde de 20 anos.


Agora, Witzel mudou a função das chamadas UPPs, de Unidades Pacificadoras para unidades voltadas para o enfrentamento. Witzel acha que a solução para a crise de segurança pública é a violência policial, "matar bandidos".

Já fez pose em helicóptero, na cidade de Angra, com snipers atirando lá de cima na população, acertando inclusive uma tenda usada por religiosos.

Agora, chegou à insanidade de declarar que, caso a ONU autorizasse, gostaria de utilizar um míssil para destruir refúgios de traficantes na Cidade de Deus, comunidade do Rio retratada no filme de mesmo nome.

O homicida se esquece de uma coisa: se poder militar e violência resolvessem, os Estados Unidos não teriam saído fugidos e derrotados do Vietnam.

Mas suas bravatas e megalomania vão terminar, assim que a primeira "bala perdida" atingir um "cidadão de bem", branco, morador da zona sul da cidade, filho de "boa família".

Até lá, ele vai continuar com o genocídio no Rio de Janeiro, comandando a praça como um Chacrinha do Mal, com um fuzil na mão, pois acha que assim se cacifa para a presidência da República na sucessão de Bolsonaro. Pois já declarou que esse é seu objetivo.


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domingo, 16 de junho de 2019

Fique por dentro: O que o Blog do Mello publicou até aqui sobre reportagens da Lava Jato pelo Intercept



Sempre que houver nova postagem sobre o tema ela será acrescida a esta lista.



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Para Gilmar Mendes, Moro e Dallagnol 'anularam a condenação de Lula'

Gilmar Mendes apontando o dedo

Numa entrevista publicada na revista Época desta semana, o ministro do STF Gilmar Mendes fez vários comentários sobre o conteúdo dos vazamentos publicados pelo The Intercept Brasil sobre a Lava Jato.

Segundo Gilmar, “o chefe da Lava Jato não era ninguém mais, ninguém menos do que Moro. O Dallagnol, está provado, é um bobinho. É um bobinho. Quem operava a Lava Jato era o Moro”.

E completou: “Eu acho, por exemplo, que, na condenação do Lula, eles anularam a condenação”.

Mendes foi além e viu não apenas desvios éticos nas conversas, mas crime.
Mendes viu até a prática de um crime nas conversas vazadas. “Um diz que, para levar uma pessoa para depor, eles iriam simular uma denúncia anônima. Aí o Moro diz: ‘Formaliza isso’. Isso é crime”, avaliou Mendes, referindo-se a um trecho das mensagens em que Dallagnol escreveu que faria uma intimação oficial com base em notícia apócrifa, diante da negativa de uma fonte do MPF de falar. E Moro respondeu que seria “melhor formalizar”. “Simular uma denúncia não é só uma falta ética, isso é crime.” Mendes ressalta não ser contra o combate à corrupção, mas sim contra o que ele chamou de “modelo de Curitiba”. 
Segundo a Época, quatro ministros declararam de forma reservada que vêm os diálogos como muito graves. Três deles acham que provavelmente vão causar a anulação de parte ou de toda a sentença contra o ex-presidente Lula.

Isto é: só com o que leram até o momento. Quando da entrevista, isto ainda não havia sido publicado: Prova de parcialidade: Moro pede nota à imprensa contra Lula, 'porque a defesa [de Lula] já fez o showzinho dela'.


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Domingo com Música. Elis & Tom, os bastidores do antológico disco no Som do Vinil. Apresentação: Wilson Nunes


Todo domingo, o Blog do Mello publica dicas musicais do meu amigo desde adolescência e parceiro, além de pianista, maestro, compositor (breve currículo ao final) Wilson Nunes. Sem mais, vamos à de hoje.
Álbum extraordinário! Um dos pontos altos da carreira tanto de Elis, quanto de Tom. O melhor do melhor. Elis com um quarteto allstars, que ela foi aos poucos montando, com César Camargo nos teclados e arranjos, Hélio Delmiro no violão e guitarra, Luisão Maia no baixo e Paulinho Braga na bateria. Ô... O crítico a que Sérgio Cabral se refere [no vídeo], que acha que Águas de Março é a melhor música do século XX, é o lendário Leonard Feather, o mesmo que, quando Tom morreu, escreveu uma antológica matéria para um jornal americano, onde ele dizia: "morreu um dos dois maiores compositores do século XX. O outro foi Cole Porter". Ô...


E a melhor música de todos os tempos, Águas de Março, com os dois, Elis e Tom [este pitaco é meu, Mello], versão do disco.


Wilson Nunes é maestro. Pianista, tecladista, arranjador, produtor, regente, professor, cantor e compositor. Estudou piano com Sônia Maria Vieira e Adhemar Saide, arranjo e regência com Alceu Bochinno, Koellreuter e Leandro Braga. Como diretor musical, músico ou arranjador, tem trabalhado com grandes nomes de nossa música, como Maria Bethânia, Beth Carvalho, Zizi Possi, Ivan Lins, Gilberto Gil, Bibi Ferreira, Selma Reis, Joanna, César Camargo Mariano, Tânia Alves, Eduardo Dussek, Geraldo Azevedo, Dalto, Marcos Valle, Sivuca, Amelinha, Jorge Vercillo, Emílio Santiago, Simone, Pery Ribeiro e Leila Pinheiro, para quem fez o arranjo da premiada música ‘Verde’, no 'Festival dos Festivais' da TV Globo, assim como fez os arranjos do primeiro LP de Leila, 'Olho Nu'. Contato: wjnunes@hotmail.com

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Na Globo o humorismo é sério e o jornalismo uma piada. Zorra Total com a dupla Moro-Dallagnol

iMAGEM PARÓDIA MORO E DALLAGNOL NO ZORRA

A frase peguei de um comentarista do Tijolaço. O vídeo publiquei ontem lá no Twitter e o reproduzo agora aqui.



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Após general socar a mesa, Toffoli retira de pauta julgamento que poderia tirar Lula da prisão

Charge do Aroeira em que Toffoli é apresentado como soldadinho de corda

Quando o general Heleno socou a mesa outro dia e pediu prisão perpétua para o presidente Lula, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, achou que o recado era pra ele e tratou de, no outro dia, embora fosse um sábado, ontem, dia 15, retirar da pauta o julgamento sobre as prisões em segunda instância, que poderia livrar Lula e outros mais de 100 mil que estão presos em desobediência ao que determina a Constituição.

O julgamento de duas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADC) que questionam a prisão em segunda instância foi liberado para julgamento no Plenário pelo ministro Marco Aurélio Mello em dezembro de 2017.

Passou por Carmen Lúcia sem ser votado e agora o ministro Toffoli afastou ontem seu julgamento neste ano, pois não o incluiu na pauta até novembro, antes do recesso.

Depois criticaram Lula, quando o presidente disse "Temos um Supremo acovardado". Mais uma vez, o Barba tem razão.

Cármen, Toffoli, não honram a toga que vestem.

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'É preciso dizer que a imprensa, incluído o telejornalismo, foi contribuinte decisivo nas ilegalidades encabeçadas por Sergio Moro', escreve Janio de Freitas

Homem com carta em apoio a Sergio Moro

A coluna deste domingo de Janio de Freitas na Folha está imperdível, tirando a máscara de todos os que foram cúmplices do estado de exceção criado pela Lava Jato, que Janio chama apropriadamente no título de Delinquência Múltipla.

Janio de Freitas: Delinquência múltipla


Nada aconteceu ao acaso nesta etapa fúnebre do nosso fracasso como país. A partir de tal premissa, é preciso dizer que os atos delinquentes de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros da Lava Jato só puderam multiplicar-se por contarem com o endosso de vozes e atitudes que deveriam eliminá-los. É preciso, pois, distribuir as responsabilidades anexas à delinquência, não pouco delinquentes elas mesmas.

É preciso dizer que a imprensa, incluído o telejornalismo, foi contribuinte decisivo nas ilegalidades encabeçadas por Sergio Moro. Aceitou-as, incensou-o, procurou tornar o menos legíveis e menos audíveis as deformações violadoras da ordem legal e da ética judiciária.

Os episódios de transgressão sucederam-se, ora originários de Moro, ora do ambiente de fanatismo imperante entre os procuradores. Com o cúmulo do desatino e do extemporâneo no espetáculo de Deltan e da psicótica rosácea de acusações ao alvo de sua obsessão.

É preciso dizer que as advertências de juristas e advogados de alta reputação, não faltando nem livros de reunião e análise de muitas das transgressões, tiveram mais do que o espaço para o escapismo do “nós publicamos”. Foram vistos muitas vezes como interesseiros políticos ou profissionais. Era, no entanto, o caso de clamor, de defesa aguda dos princípios constitucionais e da legislação, se a imprensa quer afirmar-se democrata, ao menos quando se trata da sua liberdade plena.

A conduta da imprensa tem nomes, não foi anônima nem está encerrada. Nem corrigida: as críticas de um ou outro comentarista não compensaram o rápido esvaziamento das revelações do competente The Intercept Brasil.

É preciso dizer que a mais alta instância de defesa dos direitos civis, da Constituição e do corpo de leis foi coadjuvante nas condutas ilegais de Sergio Moro. O Supremo Tribunal Federal, principalmente pelos ministros Teori Zavascki e Edson Fachin, relatores da Lava Jato, Cármen Lúcia e Luiz Fux, teve o dever de reprimir, cedo, qualquer pilantragem judicial. Preferiu não o fazer, ou por demagógico medo de desagrados externos, ou por sujeição majoritária à ideologia. Poucos ficaram ilesos.

É preciso dizer que o Conselho Nacional de Justiça está necessitado de recuperação judicial. Sua razão de ser é zelar por prestação de Justiça a mais coerente com a legislação, o que implica correção processual, imparcialidade e ética, como explicitadas nos códigos específicos. Apesar disso, nenhum recurso, advertência ou aviso sobre o infrator Moro teve mais consequência do que o arquivamento. Em mais de meia centena de casos, endosso das artimanhas de Moro sem exceção. O papel do CNJ é vizinho do vergonhoso.

É preciso dizer que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) praticou justiça: deu aos dallagnois o aval que seu equivalente na magistratura deu a Sergio Moro. Esse conselho é o vizinho do vizinho. Mas no Ministério Público não basta a quota de responsabilidade dos procuradores em Curitiba e no CNMP.

A proteção dada pelo então procurador-geral Rodrigo Janot foi a todos os abusos de poder, perversões na invocação de leis, arbitrariedades com as famílias de delatados. Mais de uma vez, Janot divulgou notas de restrição a condutas abusivas. Todas só para enganar a opinião pública, todas descumpridas com o seu amparo.

É indispensável reconhecer que Gilmar Mendes esteve certo nos seus ataques a procedimentos de Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato. Sem subscrever suas pesadas palavras, o sentido do muito que disse, com desprezo de vários colegas, foi verdadeiro. Os que apontaram as condutas transgressoras da Lava Jato foram muito atacados, mas eram os que estavam certos. Está provado, com as vozes dos políticos Sergio Moro e Deltan Dallagnol.


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sábado, 15 de junho de 2019

Glenn sobre Globo: 'vamos chamar só de mau jornalismo, mas talvez muito em breve tudo seja esclarecido. Nós já vimos o futuro'

Marca da Globo com legenda: A hora da Globo vai chegar

Em sua newsletter deste sábado, o The Intercept Brasil comenta a recepção de suas matérias sobre os intestinos da Lava Jato pelos principais veículos da mídia corporativa e lança uma pista do que vem por aí ao comentar sobre o papel da Rede Globo em querer fiscalizar o suposto "hacker" e não as denúncias, com uma frase enigmática: "Nós já vimos o futuro, e as respostas estão lá".

Alguns trechos da newsletter:
A imprensa séria virou contra Sergio Moro e Deltan Dallagnol em uma semana graças às revelações do TIB. O Estadão, mesmo que ainda fortemente aliado de Curitiba, pediu a renúncia de Moro e o afastamento dos procuradores. A Veja escreveu um editorial contundente (“Moro ultrapassou de forma inequívoca a linha da decência e da legalidade no papel de magistrado.”) e publicou uma capa demolidora. A Folha está fazendo um trabalho importante com os diálogos, publicando reportagens de contexto absolutamente necessárias.
Durante cinco anos, a Lava Jato usou vazamentos e relacionamentos com jornalistas como uma estratégia de pressão na opinião pública. Funcionou, e a operação passou incólume, sofrendo poucas críticas enquanto abastecia a mídia com manchetes diárias. Teve pista livre para cometer ilegalidades em nome do combate a ilegalidades. Agora, a maior parte da imprensa está pondo em dúvida os procuradores e o superministro. 
 Mas existe uma força disposta a mudar essa narrativa. A grande preocupação dos envolvidos agora, com ajuda da Rede Globo – já que não podem negar seus malfeitos – é com o “hacker”. E também nunca vimos tantos jornalistas interessados mais em descobrir a fonte de uma informação do que com a informação em si. Nós jamais falamos em hacker. Nós não falamos sobre nossa fonte. Nunca. 
Já imaginou se toda a imprensa entrasse numa cruzada para tentar descobrir as fontes das reportagens de todo mundo? A quem serve esse desvio de rota? Por enquanto nós vamos chamar só de mau jornalismo, mas talvez muito em breve tudo seja esclarecido. Nós já vimos o futuro, e as respostas estão lá.


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Procurador Carlos Fernando ataca Greenwald, mas acaba desmoralizando tese de um hacker


Em seu perfil no Facebook, o ex-procurador, que foi um dos nomes de frente da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, chama o vencedor do maior prêmio do jornalismo mundial, o Pulitzer,  Glenn Greenwald de "pseudo jornalista", acusa-o de desinformação e difamação e duvida até mesmo da existência do material  ("se é que recebeu") que está sendo divulgado pelo The Intercept Brasil.

No entanto, com sua postagem ele ajuda a enterrar a tese do hacker, pelo menos o "hacker" que teria invadido o celular de Moro, da substituta de Moro, que condenou Lula no sítio de Atibaia, Gabriela Copia e Cola Hardt, e outros procuradores. Todos alegam que o "hackeamento" teria acontecido no mês passado.

Mas Carlos Fernando, um dos citados no vazamento do Intercept, afirma que seu Telegram foi desativado e desinstalado e sua conta deletada em setembro do ano passado.

Como o Telegram oferece a oportunidade de deletar sua mensagem não apenas para você, mas também para o receptor destinatário ( a opção existe há pelo menos dois anos), a fonte de Greenwald fez a cópia dos arquivos pelo menos antes de setembro de 2018, ou não teria nada de Carlos Fernando.

Se foi mesmo um hacker, por que ele copiaria tudo e ficaria mais de seis meses para distribuir o material? Ninguém se daria a esse trabalho imenso, se já não soubesse o que fazer com ele.

Além do mais, uma dúvida: quanto tempo demoraria um hacker para baixar esse caminhão de arquivos - segundo Glenn, maior do que o de Snowden - sem ser descoberto pelo "sagazes" procuradores da Lava Jato, auxiliados pelo FBI?

Somando-se a isso o fato de que o Telegram afirmou que não foram registradas tentativas de invasão ao aplicativo, a ideia de um hacker fica mais difícil de defender.

Mas, e se em vez de um hacker, houvesse alguém de dentro da Lava Jato, que participasse do grupo, com acesso a todo o material, chats etc., e essa pessoa fizesse backup de tudo, desde o primeiro dia, seja lá por que motivo, nerdice, personalidade acumulativa...

Ou mais: E se houvesse na Lava Jato um procurador que tivesse, por exemplo, um amigo ou irmão advogado, que poderia receber uma fortuna ao saber de tudo da Lava Jato em primeira mão e usar em benefício de seus clientes na famosa fábrica de delação premiada?

Havia na Lava Jato pelo menos uma pessoa com esse perfil e seu nome está sendo ventilado nas redes como a possível fonte de Glenn.

Fato é que tudo isso é diversionismo. O foco são as informações que revelam o intestino da Lava Jato e como ela foi montada e dirigida para condenar Lula e tirar o PT do poder.

Até o momento, nenhuma das mensagens divulgadas foi contestada, a não ser por Carlos Fernando, que diz que não falou nada daquilo, mas também não pode provar que não falou, pois teria deletado todos as suas conversas.

Para desespero de Moro, Dallagnol e demais lavajatistas, e também da mídia que se envolveu nos vazamentos criminosos e que virão à boca de cena, Greenwald criou expertise com o caso Snowden (que lhe rendeu o Pulitzer) e tece com paciência sua teia. Quanto mais os lavajatistas se debatem, mais ficam presos nela.

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