segunda-feira, 17 de junho de 2019

Que quer o movimento feminista? 'Queremos mudar tudo'



O movimento 8M, que foi às ruas na Espanha e em várias partes do mundo, inclusive o Brasil, lançou um pequeno livro com o título "¿Qué quiere el movimiento feminista?, que você pode comprar ou baixar gratuitamente ou com alguma doação neste endereço.

O trecho a seguir é o prefácio do livro, com tradução do blog.
Em 8 de março de 2019, milhares de mulheres fomos às ruas. Pelo segundo ano consecutivo, a greve feminista convocada pela Comissão 8 de março (8M) foi um sucesso e nosso grito, forte e poderoso, cheio de fadiga e demandas por outra vida e outro mundo para todas as mulheres, chegou a todos os lugares; ninguém pode deixar de ver. As feministas somos imparáveis ... e queremos mudar tudo, dissemos.

Foi um grito global que nos unia a mulheres de outras terras, de outros países, que também aderiram ao processo de greve feminista que começou na Argentina e na Polônia em 2017.

A greve não foi uma questão de um dia, foi precedida pelas revoltas dos anos anteriores e pela greve de 2018. Foi o resultado de um processo coletivo de mulheres e grupos que formamos a Comissão Feminista do 8M: durante meses discutimos e analisamos as razões que cada uma tinha para fazer essa greve, as razões pelas quais convocamos uma greve de afazeres domésticos, trabalho, de consumo e estudantil, as razões pelas quais chamávamos para tomar as ruas no 8 de março. E esse mesmo debate foi levado a casas, bairros, cidades, institutos, universidades, centros de trabalho, às ruas, às instituições, a todos os lugares.

Parte desse processo foi explicar e ordenar em um documento as razões e objetivos da greve feminista e da mobilização do 8M. E para isso recuperamos o processo que já havíamos feito em 2018 e os espaços para analisar e discutir sobre essas razões e como comunicá-las. Trabalhamos a partir do reconhecimento de nossa diversidade, do respeito à heterogeneidade da Comissão Feminista do 8M, procurando o que nos une e nos fortalece, trabalhando a partir do consenso. E assim fomos tecendo este documento que você tem em mãos e chamamos de Argumentario: é o resultado desse processo de criação do pensamento coletivo.

Não é, nem pretende ser, um inventário das reivindicações feministas, mas sim um reflexo de nossos consensos. Não estão todos, mas todas as reivindicações que estão fazem parte de uma agenda feminista imprescindível e de um documento sempre aberto. Porque, em primeiro lugar, sabemos de onde falamos: de uma feminismo internacionalista, antirracista, anticapitalista, que luta contra a heteronormatividade.

Tomara que este Argumentário sirva para animar muitas mais revoltas feministas.

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