domingo, 25 de maio de 2008

Miriam Leitão contesta Ali Kamel no Globo


Ela não diz isso com todas as letras. Muito pelo contrário: Miriam Leitão nem cita o nome do diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, porque ela não é boba. Mas em sua coluna de hoje em O Globo ela bate de frente com o que pensa Kamel. Para ele, não existe racismo no Brasil e o movimento em defesa das cotas raciais é que pode vir a criá-lo.

Em sua coluna, Leitão afirma o oposto: existe, sim, racismo e as cotas servem não só para denunciá-lo como também para reparar em parte os danos causados por ele. E chama de “negacionistas” os que pensam como Kamel.

Ainda há quem negue, hoje, que haja algo estranho numa sociedade de tantas diferenças.

O manifesto contra as cotas tem alguns intelectuais respeitáveis. Mais os respeitaria se estivessem pedindo avaliações e estudos sobre o desempenho de política tão recente; primeira e única tentativa em 120 anos de fazer algo mais vigoroso que deixar tudo como está para ver como é que fica. O status quo nos trouxe até aqui: a uma sociedade de desigualdades raciais tão vergonhosas de ruborizar qualquer um que não tenha se deixado anestesiar pela cena e pelas estatísticas brasileiras.

Ora, direis: o que tem o glorioso abolicionismo com uma política tópica — para tantos, equivocada — de se reservar vagas a pretos e pardos nas universidades públicas? Ora, a cota não é a questão.

Ela é apenas o momento revelador, em que reaparece com força o maior dos erros nacionais: negar o problema para fugir dele. Os “negacionistas” — expressão da professora Maria Luiza Tucci Carneiro, da USP — sustentam que o país não é racista, mas que se tornará caso alguns estudantes pretos e pardos tenham desobstruído seu ingresso na universidade. Erros surgiram na aplicação das cotas. Os gêmeos de Brasília, por exemplo. Episódios isolados foram tratados como o todo. Tiveram mais destaque do que a análise dos resultados da política.

Os cotistas subverteram mesmo o princípio do mérito acadêmico? Reduziram a qualidade do ensino universitário? Produziram o ódio racial? Não vi até agora nenhum estudo robusto que comprovasse a tese manifesta de que uma única política pública, uma breve experiência, pudesse produzir tão devastadoras conseqüências.

Em sua defesa das cotas, Miriam Leitão critica até a mídia corporativa:

Os órgãos de comunicação têm feito uma enviesada cobertura do debate. Melhor faria o jornalismo se deixasse fluir a discussão, sem tanta ansiedade para, em cada reportagem, firmar a posição que já está explícita nos editoriais. A mensagem implícita em certas coberturas só engana os que não têm olhos treinados. [clique aqui para ler o texto completo].

Esta também é minha opinião. Sou a favor das cotas.

E você, leitor, leitora, o que pensa do assunto? As cotas incentivam o racismo?

Clique aqui para ler as notícias de hoje do Blog do Mello

Clique aqui e receba gratuitamente o Blog do Mello em seu e-mail

imagem RSSimagem e-mail

Comente com o Facebook:

37 comentários:

  1. ATENÇÃO, COMENTARISTA:

    Toda opinião que não seja ofensiva é bem-vinda.
    Se não quiser revelar sua identidade, utilize a opção "Nome/URL". Digite um nome qualquer. Não é necessário preencher o campo URL.
    NÃO UTILIZE A OPÇÃO "ANÔNIMO". Comentários como "Anônimo" não serão mais considerados.
    SE TIVER UM BLOG, OU QUISER INDICAR UM, faça-o após o comentário.
    Um abraço,
    Antônio Mello

    ResponderExcluir
  2. Crica25.5.08

    Engraçado... até hoje ninguém reclamou das bolsas de estudo que algumas faculdades dão para quem bem entendem.
    Nem vi nenhum bolsista ser discriminado por isso.
    Seriam discriminados apenas os negros pobres? Quanta preocupação não?
    Quer dizer que quando se reserva vagas para negros resolvem que o problema é do ensino como um todo? Antes disso não era não?
    E dá-lhe distorção.
    Bom, ao menos serviu para a Miriam Leitão falar algo que preste.

    ResponderExcluir
  3. Emanuel25.5.08

    Só aumenta o racismo dos que já são racistas. Há anti-racistas que são contra as cotas para os negros porque preferem as cotas sociais, para os pobres, que, naturalmente, englobariam os negros, já que estão sempre entre os mais pobres. Essa é uma boa questão.

    ResponderExcluir
  4. Chifronésia Capobianco25.5.08

    Claro que sou a favor, Melo!
    Chegará o dia em que, aí, sim, não precisaremos das tais cotas.
    Hoje, porém, ainda vivemos numa sociedade hipócrita e preconceituosa.
    E viva o governo Lula, que traz esta questão à luz e promove as tais cotas além de outros programas de inclusão social.

    ResponderExcluir
  5. Crica e Emanuel,
    como eu disse na postagem, as cotas não são apenas uma reparação, mas uma denúncia do racismo, para que ele não mais exista.
    Para mim, a negação do racismo no Brasil ou é fruto de uma alienação de cientistas sociais de gabinete ou uma questão de má-fé mesmo.

    ResponderExcluir
  6. (publique só se o primeiro não seguiu, ok?)Por que faz tempo que enviei, creio que não seguiu.
    *********
    Mello sou historiadora e quem tem um mínimo de conhecimento sobre o terceiro quartel do século XIX verá profunda coerência neste artigo.

    Não gosto das análises econômicas de Míriam, mas imagino o que é ser mulher negra e trabalhar na organização dirigida por esse sujeito equivocado, autoritário e neofreyriano em seu lado mais perverso - o da reivenção pós-moderna do lusotropicalismo.

    Não apenas sou signatária dos dois manifestos pró-cotas como acho pouco, temos de fazer muito mais para sair deste estado vergonhoso de segregação.

    O racismo produz desigualdades sociais monstruosas e dissociar a questão racial da questão social é conversa pra boi dormir. Todas as políticas públicas que não consideram recortes raciais não atingem a população negra, os recentes dados sobre o IDH do Brasil é prova cabal disso, melhoramos nosso IDH, mas quando focamos o IDH da população negra, não houve qualquer melhora.

    Acho que as pessoas minimamente progressistas deste país já passaram da hora de reagir contra esta 'fé bandida' que é o racismo como diria a competente doutora Fátima de Oliveira e reagir significa apoiar políticas públicas em diferentes áreas para que as mulheres negras morram menos de hipertensão na gravidez, para que as mulheres negras saiam da base da pirâmide social e dos piores empregos, para que paremos com o extermínio da população jovem negra (80% dos jovens assassinados neste país entre 15 e 24 anos são negros!). Um exercício simples de empatia é o de olhar ao redor em todos os espaços sociais e ver onde eles são majoritariamente negros e onde são majoritariamente brancos e se perguntar como é que o estabelecimento de cotas pode racializar uma sociedade que historicamente foi racializada praticamente desde a chegada da primeira frota portuguesa em nosso território, reservando aos negros os piores lugares sociais e aos brancos os espaços de poder?
    Haja, viu, eu não tenho mais paciência para aqueles que sejam da esquerda ou da direita continuam agindo como capitães do mato e senhores escravocratas.

    ResponderExcluir
  7. Teresinha Carpes26.5.08

    Parabens Mello por ter tomado esta decisão,o anonimato não é sério!

    ResponderExcluir
  8. Mello só pra lembrar, Míriam já debateu na imprensa com Kamel sobre esta questão, pelo menos desde 2002 ela vem vigorosamente defendendo em seus artigos as ações afirmativas, Kamel há uns 5 anos atrás escreveu um artigo célebre do estilo 'gente de bem' espantadíssimo diante da defesa pública de Miriam pela adoção de cotas raciais e ela retrucou. Há belíssimos artigos. Míriam já ganhou vários prémios de entidades sociais aí do Rio e internacionais por esta postura coerente em relação ao combate ao racismo, inclusive o das Camélias, do Afroreggae e em co autoria com a Flávia Oliveira em 2003 escreveu a Cor do Brasil/a cor da desigualdade também premiado.
    Ela também entrou na briga na discussão dos direitos trabalhistas das empregas domésticas 'os com empregada não querem pagar'
    enfim, se ela se dedicasse mais a esta questão todos nós sairíamos ganhando.
    abraços

    ResponderExcluir
  9. Diga não à aliança PT x PSDB
    Acesse o blog: www.motim13.blogspot.com e assine o manifesto contra a aliança, através do e-mail: motim13@gmail.com

    ResponderExcluir
  10. Crica26.5.08

    Mello,

    Acho que não me fiz entender convenientemente e como prezo muito vc (e meu posicionamento) quero deixar bem claro que acho uma indecência criticar cotas para negros quando faculdades privadas sempre deram, sem nenhuma crítica, bolsas de estudos à seu bel prazer, coincidentemente em sua maioria para brancos, os quais jamais foram discriminados, pelo contrário, por isso...
    Além disso, quase a metade da população brasileira é negra e 75% da população brasileira é pobre, portanto, trata-se de uma ação social, com o devido viés étnico que é pra quem é racista (declarado ou disfarçado) passar a ter vergonha de ser...

    ResponderExcluir
  11. Sou contra as cotas por considerá-las um ainjustiça com os brancos pobres, estudantes de escolas públicas. Seria a favor de cotas para estudantes pobres, proveninetes de escolas públicas, independentemente de raça. Além disso, a adoção imediata de políticas de melhoria do ensino básico, dando condições aos pobres de competirem em iguais condições por vagas nas universidades em médio prazo e a posterior extinção das cotas.

    ResponderExcluir
  12. jose carlos siqueira26.5.08

    Sou a favor de toda e qualquer medida que combata o racismo, exceto as medidas que criem um racismo para justificar o combate ao outro.
    Se no alto da favela moram o zezinho, filho de afro descendente, pobre, e ao lado dele mora o joãozinho, também pobre, como explicar ao joãozinho que o amigo dele vai para a faculdade e ele não?
    vamos combater o racismo, vamos..
    vamos tentar reparar um pouco o que fizeram com os descendentes dos escravos, vamos...
    mas também vamos tentar reparar a segregação que foram submetidos todos os filhos de pobres que por gerações serviram aos senhores ricos e nunca tiveram uma oportunidade de estudar na vida porque obrigatoriamente estavam na roça.
    Por favor, não estimulem o surgimento de um novo racismo. Vamos reservar uma cota na faculdade para quem sempre estudou nas escolas públicas. para quem sempre usou o serviço de saúde do SUS, independente da sua cor, da sua classificação racial.

    ResponderExcluir
  13. Matheus,
    as cotas não são um privilégio, mas uma compensação. E uma denúncia de que o racismo existe, sim.
    Todos somos a favor da melhoria do ensino. Aliás, nunca se ouviu tanto falar em melhoria geral do ensino, como depois da adoção das cotas.
    Até nesse sentido as cotas fazem bem ao país.

    ResponderExcluir
  14. José Carlos,
    qual novo racismo está sendo estimulado?
    Programas compensatórios como você sugere já são adotados. O PROUNI, por exemplo.

    ResponderExcluir
  15. circe vidigal26.5.08

    Acho até bobagem ficar se discutindo isso.

    para mim é claro como água !

    Sou A FAVOR, SIIIIIMMMM ! E não só para negros, como para qualquer outra minoria discriminada
    ( índios, deficientes etc...) e POBRES !Que precisaram da Escola Pública, num tempo em que ela não é mais a mesma de antigamente. Quando eu estudei ( já sou bem "véinha" ) era tudo ao contrário. Era um privilégio se estudar na Escola Pública. Lá estavam os melhores professores, com a melhor e mais primorosa formação.

    Não acho que vão acabar com as cotas, a despeito desse discurso reacionário, elitista de burguês que se acha o dono do mundo !
    Me admirou muito que alguns intelectuais fossem contra. Conheço-os quase todos e muitos não me surpreenderam, mas quanto a outros, levei um susto. Minha neta passou em seu primeiro Vestibular, para MEDICINA, para a UERJ, onde sobraram pouquíssimas vagas para os não cotistas, pois lá tem cota para uma porção de segmentos sociais. Ela não fez mais que sua obrigação, pois com muito sacrifício eu e sua mãe bancamos-lhe excelente nivel educacional desde suas primeiras letras. Ela apenas soube corresponder. Convive com seus colegas cotistas sem o menor problema. Acho que assim é que deve ser. Quem pode pagar um estudo de qualidade, não tem porque reclamar. E quem não pode, precisar ter algum "handcap" ( vantagem) senão não haverá nem justiça nem igualdade.
    Quanto a questão da compensação pela escravidão e suas consequências, daria um livro explicá-las, justificando o uso de cotas para negros e pobres ( pois a maioria dos pobres é formada de negros)

    ResponderExcluir
  16. Nos EEUU, que parece ser a inspiração para a política de cotas, houve uma política deliberada do Estado contra os negros, o segregacionismo, racismo institucionalizado. Aí talvez caiba melhor o termo "compensação". Aquele Estado formalmente negou igualdade de direitos aos negros, mesmo depois de finda a escravidão. As leis segregacionistas foram o estopim do movimento negro estadunidense. Aqui nunca houve essa institucionalização. Daí vem o temor: estaríamos institucionalizando diferença de direitos entre "raças"; estaríamos sim formalizando o racismo.
    É claro que sabemos o contexto da inserção dos negros em nossa sociedade. Mas, agora, trata-se mais de pobreza ou diferença de classe social do que de racismo. Preconceito há e sempre haverá de todo o tipo (todo o ser humano teme o diferente). Cabe à sociedade coibí-lo. Estaríamos a fazer melhor lutando por serviços públicos de qualidade para todos. Ou se está exigindo uma "reparação histórica" pela escravidão? Pode existir reparação histórica? Israel é um caso de reparação histórica, veja bem...

    ResponderExcluir
  17. Repito o aviso porque continuo a receber comentários como "Anônimo". E todos estão sendo recusados.
    Peço desculpas por não retirar a opção, pois o script é do Blogger.
    Mas, repito:

    ATENÇÃO, COMENTARISTA:

    Toda opinião que não seja ofensiva é bem-vinda.
    Se não quiser revelar sua identidade, utilize a opção "Nome/URL". Digite um nome qualquer. Não é necessário preencher o campo URL.
    NÃO UTILIZE A OPÇÃO "ANÔNIMO". Comentários como "Anônimo" não serão mais considerados.
    SE TIVER UM BLOG, OU QUISER INDICAR UM, faça-o após o comentário.
    Um abraço,
    Antônio Mello

    ResponderExcluir
  18. Sou totalmente a favor das cotas, e contra qualquer forma de discriminação, e a atitude de quem é contra as cotas camufla o racismo.
    Eu até estranho a Mirian Leitão defender a política das cotas pois ela sempre caminhou junto dessa mídia golpista e apodrecida. Divisão dentro da Globo? Ótimo!
    Ev Xavs®

    ResponderExcluir
  19. Antonio,

    Sou super a favor das cotas.
    Miriam deveria deixar a economia e se dedicar exclusivamente a estas causas.
    Parabens pelo post.

    ResponderExcluir
  20. Caro Mello: Sou a favor das cotas, pois a cota para brancos bem estudados e ricos já é de 100% na maioria das faculdades. Isso parece q as pessoas não enxergam ou não querem enxergar. Lógico q eles entraram pelo mérito de terem ido bem nos respectivos vestibulares, mas até qdo vamos ficar nessa situação? Sou professor ACT e substituto de escolas estaduais aqui em Piracicaba no interior de SP e o governo Serra, assim como os anteriores não tem nenhum interesse em melhorar o ensino. O q eles fazem é produzir estatísticas sobre a baixa evasão escolar para usá-las na época da eleição. Fazem todas as concessões para os alunos não abandonarem a escola, mas fica por isso mesmo. Salários melhores, melhores condições de estrutura e outros a secretaria da educação não quer nem saber. Isso tudo beneficia os grandes grupos de ensino privado como Anglo, Objetivo, Etapa e tantos outros q estão milionários com o negócio q virou a educação. As cotas não serão mais necessárias qdo essa situação mudar, pois até lá esse mecanismo é essencial para tentar dar um equilibrio. Fiz faculdade particular e vi q os afro-descendentes são minoria, mas não tanto como nas faculdades públicas. É escandaloso isso, pois eles são maioria no país. Aqui na cidade tem a principal faculdade de agronomia do País q é a Esalq-Usp. Meu irmão estuda lá e de 200 alunos da turma dele não há sequer 1 aluno negro. A Globo esta se mostrando cada vez mais reacionaria, racista e preconceituosa contra as etnias não-brancas e é claro os movimentos sociais. Ontem no Fantástico, passou uma matéria extensa e o título era : "Índios Violentos" e ficou passando e repassando a imagem de alguns índios q agrediram o engenheiro la no Xingú. Pelas reportagens da Globo tira-se a conclusão q a emissora é: contra cotas para os negros, contra os quilombolas, contra todos os índios e a homologação de terras para eles e é claro contra os movimentos sociais. Todos esses são criminalizados diariamente nos telejornais, jornal e programas do grupo.

    ResponderExcluir
  21. Raquel26.5.08

    Taí, nunca pensei que fosse concordar com a Míriam Leitão! Enfim...

    ResponderExcluir
  22. Nossa, pela primeira vez concordo com a Miriam.
    Sou totalmente a favor das cotas.

    ResponderExcluir
  23. Paulo26.5.08

    Não sou contra as cotas, mas sim contra o critério de escolha, que na minha opinião, deveria ser renda e não cor de pele. Será que cotas para negros também não é uma forma de racismo, às avessas?

    ResponderExcluir
  24. NEUSA26.5.08

    EM ALGUMA COISA ELA TEM QUE ACERTAR, MAS NÃO SE ESQUEÇAM QUE ELA TEM UMA UNIVERSIDADE, ACHO QUE EM MINAS, NÃO É? EXISTE ALGO MAIS NISSO.

    ResponderExcluir
  25. Concita27.5.08

    Sou a favor das cotas e também das universidades públicas. Apenas um detalhe: os alunos da classe A pagariam, mesmo que menos que as universidades particulares.

    ResponderExcluir
  26. Olá Mello,

    Realmente muito interessante a opinião da Miriam, algo inesperado até...

    Ainda não defini com certeza minha posição sobre o assunto. Entendo a posição de reconhecimento do racismo e de compensação sobre o passado, mas não acho que as cotas raciais sejam a política ideal em comparação a cotas "sociais", que atingiriam público semelhante (à exceção de que a última seria mais abrangente). Obviamente reconhecendo que o movimento negro teve importância fundamental na definição de políticas afirmativas, de uma maneira ou de outra.

    O que é realmente difícil de aceitar, e aí nos colocamos completamente de acordo, é que o racismo não existe hoje e passaria a existir com cotas raciais. Aí não...

    Expandi um pouco meu pensamento em um outro sítio, talvez não tenha colocado muito bem aqui: www.cabecanamao.blogspot.com.

    De seu leitor,
    Douglas

    ResponderExcluir
  27. Mello,

    As cotas raciais realmente são uma compensação, mas discriminam o branco pobre, que como disse Caetano, são também pretos. Sou a favor de cotas imediatamente para os pobres, em paralelo com a melhora da educação básica pública. No Brasil, os pobres são pretos e os pretos são pobres. Além disso, acho injusto que pessoas como eu, descendente de índios, pretos e senhores de engenho, que graças a Deus tiveram direito de estudar em boas escolas, tenham direito a cotas, enquanto um outro descendente de índios, pretos e senhores de engenho, que deu o azar de ter a pele mais clara e morar numa favela não tenha direita à mesma cota. É injusto!
    Apesar disso, concordo que o debate sobre as cotas faça bem ao país.

    ResponderExcluir
  28. Arthur27.5.08

    Caro Mello e demais leitores, queria registrar cá meu depoimento:
    Este ano ingressei no curso de direito de uma das maiores e mais tradicionais universidades públicas do sul do país, mesmo ano no qual foram implementadas as polêmicas ações afirmativas. Na minha opinião, promover o acesso ao ensino superior gratuito às populações historicamente marginalizadas é louvável. No entanto não é bem isso que está acontecendo. Tenho colegas que entraram através da reserva de vagas para escolas públicas oriundos de famílias com alto poder aquisitivo, alguns expantosamente já fizeram viajens à Europa. Outros faziam cursinho a anos. É relevante o fato de que os alunos do colégio militar local (considerado a melhor escola do estado) também são beneficiados com essa suposta política de inclusão social.
    Talvez o depoimento mais controverso foi o de um colega que, ao saber das cotas, e após repetidos fracassos, achou que ''finalmente tinha chance de entrar na federal'' muito embora sua situação financeira o permitia estudar em uma universidade particular. De fato este já estava cursando direito em uma instituiçao desse caráter. Grande inclusão social..
    Os cotistas de minha turma não são nem pobres nem afro-descendetes, pessoas que se aproveitaram de uma política de objetivos justos que, todavia, se mostra ineficiente e injusta, catalisadora da subversão da meritocracia do concurso vestibular.

    ResponderExcluir
  29. Arthur,
    mas aí o sentido das cotas está sendo desvirtuado.
    Você deveria denunciar a faculdade onde isso está ocorrendo.
    Se não quiser fazê-lo pessoalmente, envie-me por email o nome da faculdade e o desses estudantes trambiqueiros que eu os denunciarei aqui no blog.

    ResponderExcluir
  30. arthur27.5.08

    Mello,

    Talvez este seja o problema; eles não estão fazendo nada de errado. Tem direito às cotas o estudantes egressos do sistema público de ensino , o que não leva em consideração a real situação socio-econômica destes.
    Portanto, qualquer estudante de colégio público, por mais rico que seja, tem direito à reserva de vagas. E no fim as vagas ficam com quem não precisa. É um verdadeiro disparate.

    *Peço desculpas pelo grafia errada da palavra ''espantosamente'' do comentário anterior.

    ResponderExcluir
  31. Arthur,

    Qual é sua cidade? Provavelmente o nível da escola pública seja alto aí, o que leva a essa distorção. Mas essa está longe de ser a regra do Brasil.

    ResponderExcluir
  32. Conceição Oliveira28.5.08

    Para Mateus e Paulo:

    Caros,

    Grande parte da desigualdade social de nosso país foi produzida pelo racismo. E não retrocedo aos quase quatrocentos anos de escravidão, mas aos 120 pós abolição.
    Não é à toa que a expressiva maioria dos pobres, dos sem esgoto, dos que têm menos anos de estudo, dos que ganham menos e da chocante estatística de morte por violência policial ser a de jovens negros (80% dos jovens assassinados por arma de fogo entre 15 e 24 anos é negra, eu considero isso um extermínio).

    O fato de ascender socialmente não diminui de imediato os preconceitos relacionados ao fenótipos e muitas vezes, (como no caso das cotas vem acirrando a discriminação efetiva dos mais racistas e daqueles que estão embarcando no discurso conservador).

    Há alguns anos um dentista negro ao visitar sua irmã em um bairro pobre de São Paulo foi assassinado pela polícia a tiros. Seu assassinato teve alguma visibilidade o caso,não porque a polícia exterminou mais um homem negro, mas porque ele era um dentista. Sua irmã até hoje, que foi testemunha do assassinato, sofre ameaças dos policiais. No caso de Santana, o dentista, a ascensão não evitou a sua morte.

    Mas quando não for tão estranho aos olhos dos brasileiros negros dentistas, médicos, engenheiros, políticos, geneticistas, biólogos, desembargadores, diplomatas etc, muito, possivelmente, essa barbárie de uma violência sem precedentes, diminua muito em nosso país

    Historicamente em nosso país sempre quem foi discriminado duas ou até mais vezes em nosso país foram os negros pobres e é curioso que afora os próprios negros em movimento a sociedade brasileira ('pessoas de bem' como diria Kamel)não tenham mostrado até agora qualquer indignação contra o que qualquer estatística esfrega-nos na cara os negros são a maioria absoluta da população pobre e excluída deste país. Mas só atacar a pobreza com políticas públicas não basta. Já há muitos estudos que mostram que qualquer política de discriminação positiva se desconsiderar o aspecto racial não atinge a população negra,os últimos índices de IDH do Brasil estão aí para não me deixar mentir, o bolsa família e outras ações públicas de inclusão do governo Lula de fato conseguiu tirar da miséria 20 milhões de brasileiros, o IDH do país aumentou desde a última medição, mas... e sempre tem um mas: o IDH da população negra está estagnado desde a última medição. Percebem por que o critério racial não pode faltar quando se fala em ação afirmativa?
    abraços
    Conceição Oliveira

    ResponderExcluir
  33. Conceição,

    Também concordo com você que os negros são vítimas da herança escravista. Tambem concordo que esta herança é a causa da maioria da população pobre ser negra e da da maior parte da população negra ser pobre.
    Também concordo que só preto e pobre é preso, exterminado e desrespeitado no Brasil.
    Só não concordo que a discriminação racial positiva seja a solução.

    Também não vejo como uma ação social como o bolsa família ter discriminado os negros. Em minha visão, qualquer ação, positiva ou não, que atinja um grande número de pobres, estará ao mesmo tempo atingindo um grande número de negros. Assim como qualquer ação que atinja somente os mais abastados, atingirá uma grande parte de brancos.

    Mas eu sou um democrata- de verdade, portanto não sou DEMo- e como a maioria dos brasileiros é preta, se essa for a vontade da maioria, deve ser cumprida a vontade do povo.

    Apenas continuarei acreditando que é uma injustiça aos brancos pobres - também descendentes de escravos, senhores de engenho e índios-, que no Brasil são pretos, não terem acesso aos benefícios que os de pele mais escura terão.

    Não nego que haja racismo no Brasil, mas não acho justo trocar um preconceito por outro.

    ResponderExcluir
  34. Oi Matheus não é trocar preconceitos, é atacá-lo de frente.

    Talvez alguns dados no campo da saúde e educação o ajude a perceber isso.

    Ontem fui jantar com Fátima de Oliveira (ela veio para Sampa para um congresso). Fátima é médica especialista em genética, saúde da população negra, feminista... (a mulher é uma sumidade), que eu saiba seu trabalho tem tanto mérito que é a única brasileira a ter um estudo publicado pela OMS.

    Conversamos muito e cada dia que tenho o prazer de ouvi-la, aprendo mais e mais. Ela me contou que duas médicas choraram no Congresso de ontem, não de emoção, mas porque se consideravam boas médicas e ficaram chocadas/ ofendidas com os dados apresentados por Fátima em sua exposição.Os bons médicos não fazem deliberadamente tratamento diferenciado entre negros e brancos em prejuízo dos primeiros. Mas, não dá pra gente deixar nossos valores em casa quando entramos no consultório e nossos valores (socialmente falando) carregavam o peso de enxergar nos indivíduos de pele mais escura pessoas destituídas de direitos, afeitas ao trabalho braçal etc.... Mas se eles se dão conta do preconceito (o preconceito impede até mesmo pesquisas necessárias que apontam que negros e brancos tem maneiras diferentes de reagir a mesma doença e isso precisa ser considerado) eles poderiam ser médicos muito melhores.
    Vamos apenas a um dos dados levantados por Fátima, ele é bem cruel, mas é exemplar: as mulheres negras são as que mais morrem devido ao não tratamento da hipertensão na gravidez e, atenção, as mulheres negras têm maior incidência desta enfermidade que as brancas.

    Matheus, pense bem, elas fazem o pré-natal e muitos médicos não se dão ao trabalho de medir a pressão das gestantes negras!)

    O racismo opera nesse cotidiano miúdo e perverso, aí é que está o grande problema de políticas públicas que se negam a considerar o critério racial, elas acabam não sendo suficientes para transformar positivamente a realidade tão perversa a que historicamente foram submetidos os negros pobres.

    Uma das lutas das lideranças negras entre elas a Dr. Fátima foi a de que nos atestados de óbitos o critério cor/etnia fosse obrigatório (não havia creio eu até o início da década de 1990), depois disso o que se comprovou (dentre outras hipóteses que os poucos pesquisadores na área da saúde da população negra tinham) foi que as mulheres negras eram a maioria das que morriam por falta de cuidados mínimos no pré-natal (como medir pressão arterial). Enfim, parte desses dados e muito mais vc pode ouvir a própria Dr. Fátima. Recentemente Azenha fez uma longa entrevista com ela e publicou parte da entrevista em três blocos, acesse a radio vio o mundo (no www.viomundo.com.br) vale a pena, vc não irá se arrepender.
    Depois, no meu blog (tô na correria e não deu para parar) vou pôr as fotos do nosso jantar e falar um pouco do grande prazer que foi conhecer esta médica negra que faz uma enorme diferença pra ampliar a cidadania e combater o racismo e o sexismo neste país.

    PS1. Lula não excluiu os negros do bolsa- família, mas os problemas dos negros que precisam do bolsa são muito mais amplos, daí seu IDH não ter mudado: continuaram sem esgoto, continuaram com menos anos de estudo etc. etc.;

    PS2 Acompanho bem de perto as avaliações do SAEB (atual prova Brasil e os estudos decorrentes delas). Após a inclusão do critério cor/etnia no censo escolar por volta de 2002/2003.O o grupo dos 113 (contra as cotas) entre eles o Magnoli, a época, fez um escândalo danado para barrar, dizendo que isso era racismo etc. Pois bem, depois desta inclusão é possível acompanhar o desempenho na escola pública por cor/etnia.

    Matheus as crianças negras pobres tem pior rendimento do que as crianças brancas pobres, na mesma classe, na mesma escola, no mesmo bairro.

    Se nós acreditamos que as crianças negras podem aprender como as crianças brancas, por que diabos elas não aprendem, aprendem menos, têm sempre o menor rendimento?

    Somente o racismo pode justificar isso (e o professor muitas vezes não se dá conta de que tem muitas práticas racistas- ser racista não é apenas xingar o outro diretamente).

    Criança para aprender precisa desenvolver auto-estima, as nossas crianças negras vêem sua auto-estima, dia-a-dia, sendo minada em pequenos gestos, pequenas falas, pequenos objetos (as representações das crianças e da população negra nos materiais didáticos quase sempre estereotipadas); o famigerado lápis-cor-'pele' (que não é a cor delas); as sanções diferenciadas, os estímulos diferenciados- (abaixe no site do INEP uma pesquisa de fôlego, intitulada O Negro e a educação e nessa publicação leia um artigo sobre as relações raciais na creche, feita por uma pesquisadora que conviveu meses em uma creche em uma cidade do interior paulista, vc vai ficar escandalizado).
    Abraços
    ps final. Se eu achasse que vc não era um interlocutor de peso eu nem teria iniciado o diálogo, é que nesta questão as verdadeiras pessoas de bem (não as que Kamel denomina) se perdem diante de tanta contra-informação e de uma imprensa corporativa que quase nunca dá voz e vez para as Fátimas de Oliveira, mas não cansam de ouvir os Miranda e Magnoli da vida...

    ResponderExcluir
  35. Maria Fro,

    Seus argumentos são fortes, mas discordo de você me considerar um interlocutor de peso. Só se estiver se referindo aos meus mais de 100 quilos...

    Todos os dados que você me passou, eu acredito, não duvido, mas sempre achei que eram conseqüência dos negros formarem o maior percentual da população excluída.

    Pra mim, o raciocínio sempre foi esse: o negro é o patinho feio da das estatísticas porque o verdadeiro patinho feio são os excluídos e os excluídos são quase todos negros.

    Mas você me apresentou um dado novo, que eu não sabia e me impressionou: "crianças negras pobres tem pior rendimento do que as crianças brancas pobres, na mesma classe, na mesma escola, no mesmo bairro".

    Eu não sabia disso, não acreditava nisso. Na verdade, ainda não acredito. Mas, se esse fato for verdade, eu mudo minha opinião e passo a ser a favor das cotas pela cor da pele, porque é como você falou: só o racismo explicaria isso.

    Não acredito que a criança negra seja menos inteligente que a branca. Mas, esse fato poderia ser justificado por um favorecimento pela cor da pele por parte dos professores, sei lá.

    Enfim, confesso que estou chocado com esse dado e precisaria de um tempo para refletir sobre ele para formar uma opinião. Mas vou visitar seu blog, porque achei sua argumentação muito interessante devo encontrar coisa boa por lá...

    ResponderExcluir
  36. Oi Matheus, está sendo um prazer dialogar com vc neste espaço que preservo muito (Mello, nem sempre comento por aqui pela pura falta de tempo ou por não ter o que acrescentar, mas em relação à questão racial eu acho que tenho devido a longa experiência na educação e nas ações que venho desenvolvendo tanto nos materiais didáticos como nos cursos de formação).
    Prosseguindo, Matheus, meu comentário anterior era só pra reforçar que vejo em suas postagens uma real disponibilidade para o debate. Há comentaristas que não têm esta disposição, pois já construíram idéias calcadas em preconceitos, negam todo e qualquer dado exaustivamente analisado e muitos sequer reconhecem o viés racista presente em suas falas. Quando enxergo um discurso truculento e preconceituoso e também medroso em relação às mudanças inclusivas, eu realmente não perco meu tempo, porque eu concordo com Fátima de Oliveira quando ela afirma que o racismo é uma "fé bandida", e quando o sujeito resolve professá-lo não há o que discutir, não vale a pena gastar o latim na reza, a gente só tem de agir se ele explicitar o preconceito,já que essa fé bandida é crime inafiançável.
    Mas enfim, não é o seu caso. Percebo que está disposto a discutir.Por isso não deixe de ler o texto indicado, a autora é Fabiana de Oliveira e ela estuda as relações raciais na creche. Você pode abaixar este e outros artigos sobre a questão aqui:
    http://www.publicacoes.inep.gov.br/detalhes.asp?pub=4023

    Abaixo segue uma notícia especificamente sobre os dados do SAEB que comentei anteriormente. A notícia foi publicada pela agência Estado e reproduzida no link do informativo do MP de São Paulo. Há dezenas de outros pesquisadores que vêm analisando a questão, a matéria faz referência a dois deles.
    Grande abraço,
    Conceição Oliveira
    ps. estava trabalhando no blog para os professores, por isso o perfil (na postagem anterior, postei com o perfil do meu blog pessoal).
    "Apelidos, comentários discriminatórios, ofensas. Esse é o ambiente que crianças negras enfrentam em sala de aula nas escolas brasileiras, de acordo com nova pesquisa feita pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

    Um dos resultados mais claros disso é a diferença de pontuação entre brancos e negros. Um cruzamento com dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) feito nesse estudo mostra que a média de um aluno branco no 3º ano do ensino médio pode ser até 22,4 pontos mais alta de que um aluno negro (numa escala de 100 a 500 pontos).

    O estudo Relações Raciais na Escola: Reproduções de Desigualdades em Nome da Igualdade, feito pelas pesquisadoras Mary Castro e Miriam Abramovay, usou dados do Saeb 2003 para verificar as diferenças de resultado entre crianças e jovens brancos e negros. Ao mesmo tempo, foram entrevistados 500 estudantes e professores de 25 escolas em 5 Estados.

    “Do mesmo modo que a violência física, sem dúvida o preconceito tem impacto na aprendizagem. Em uma escola onde as relações são agradáveis, onde há diálogo, fica mais fácil para aprender”, explica Miriam Abramovay. A coleção de apelidos recolhida pelas pesquisadoras vai dos tradicionais “picolé de piche” e “nega fulô” até palavrões que as pesquisadoras se recusaram a reproduzir.

    O carioca Glauber Reinaldo, de 20 anos, conhece bem alguns deles: “exu do mangue”, “negrinho”. Todos foram ganhos na escola, onde ainda há quem diga que não há racismo. “É absurdo alguém falar que a sala de aula está livre de preconceito. Os nomes que colocam na gente são muito fortes. Chamar alguém de macaco, que é algo muito comum, não é normal, é discriminação”, desabafa. Aluno do pré-vestibular da ONG Educafro, Reinaldo sempre estudou em escola pública, onde foi alvo de racismo por diversas vezes. O episódio mais marcante ocorreu há pouco mais de dois anos, quando foi injustamente acusado de furto, junto com um colega. Os dois eram os únicos negros na turma de 40 adolescentes. “Ficamos chocados. Todo mundo foi em cima da gente, ficou olhando atravessado”, recorda ele, que pretende ser advogado.

    Apesar da humilhação, Reinaldo não pensou em abandonar o estudo. “Fiquei muito triste, mas nunca me passou pela cabeça sair da escola. Senti raiva, vontade de brigar, mas fiquei quieto. Mas se isso acontece com alguém totalmente despreparado, como uma criança, por exemplo, acho que o intuito é fugir, se esconder, querer mudar de escola.”

    ISOLAMENTO

    Loruama Pinto, de 18 anos, chegou a ter de fazer sozinha um trabalho do ensino fundamental que deveria ser elaborado em dupla porque nenhum dos colegas quis trabalhar com ela, única negra na sala. Já adolescente, não pensou duas vezes quando foi xingada por um colega. “Ele usou termos pejorativos. Decidi reclamar para a diretora.” A atitude resultou em algo que, segundo ela, “acontece 1 vez em 1 milhão”: a direção afirmou que não admitiria mais discriminação na escola.

    As situações vividas pelos dois jovens cariocas, dizem as pesquisadores, são corriqueiras no País e podem ser a causa de resultados escolares tão diferentes. A diferenças das médias, mostra a pesquisa, se amplia com o tempo. Na 4ª série, em matemática, a média dos brancos no Saeb é 12 pontos maior, mas se amplia para 22,4 pontos a mais no 3º ano.

    A proporção de estudantes negros com pontuação considerada crítica e muito crítica na avaliação também é maior: em matemática na 4ª série são 44,7% dos brancos, mas chega a 56% dos negros. Mesmo quando se leva em consideração a classe social, as diferenças, apesar de menores, se mantêm. Na classe A, 10,3% dos brancos tiveram avaliação crítica e muito crítica no Saeb. Entre os negros, mais que o dobro: 23,4%.

    Fonte: Agência Estado, extraído daqui

    ResponderExcluir
  37. Sem querer simplificar o problema,creio que qualquer tentativa de inclusão social é bem vinda.

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...