quarta-feira, 9 de abril de 2008

O caso da menina Isabella


O caso do brutal assassinato da menina Isabella atrai as atenções do Brasil. E uma coisa que salta aos olhos é a incompetência com que a investigação vem sendo conduzida. Logo de cara saíram afirmando que o pai era o culpado, no outro dia já afirmavam que havia manchas de sangue no carro, no elevador do prédio, no corredor, na maçaneta, nas roupas do pai que estariam no apartamento da irmã, que fica no mesmo andar. Tudo furado. As manchas não eram de sangue e as roupas não eram do pai de Isabella, mas de pedreiros que faziam trabalho no apartamento vazio da irmã.

Eu, como não sou policial, penso o seguinte: matar, esganar uma criança de cinco anos é terrível. Mas, por que a essa barbaridade o assassino resolveu somar a crueldade de atirar o corpo da menina pela janela, tendo que se dar ao trabalho de cortar a rede de proteção etc? É coisa de quem definitivamente não bate bem de bola.

Paralela à investigação do presente, a polícia deveria requisitar um psiquiatra forense, e dar uma investigada no passado dos envolvidos...

Outra coisa que salta aos olhos é, mais uma vez, a cobertura mórbida da imprensa. Descem a detalhes na especulação do que teria acontecido, esganadura, menina lançada de cabeça para baixo, língua de fora... um horror! Em tudo semelhante ao que já fizeram anteriormente com a morte do pequeno João Hélio, que teve seu corpo arrastado por quilômetros, e a Veja se deu ao descaramento de ir contando, detalhe por detalhe, onde a cabeça do garoto teria batido, onde ele teria perdido massa encefálica etc.

Observação: Não sei por que, mas desde que comecei a ler sobre o caso da Isabella me vem à cabeça o do assassinato de Daniela Perez... Será que minha memória juntou os dois casos por causa da rima dos nomes? Sei lá. É uma intuição que divido com vocês.

E vocês, estão acompanhando o caso? O que estão achando?

Leia também:

» A morte e a outra morte do menino João (o caso Veja )

» A morte e a outra morte do pequeno João (2)

» TV Globo, Folha e a violência

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6 comentários:

  1. Mello: todo e qualquer conhecimento ou especulação que você, eu ou Zuenir Ventura, hoje no Globo, tivermos sobre este caso tem um denominador comum. É a mídia televisiva e jornalística. Foi por ela que formamos ou tentamos formar nossos juízos de valor e formular teorias sobre a morte da criança. Acontece que talvez premida por outros casos em que embarcou na emoção popular por um lado com o instuito de vender mais e pelo outro na senda da turba justiceira, a mídia apenas repete o que qualquer técnico da policia judiciária fale. Acontece que a própria polícia está focada no casal, a demonstração mais clara é a própria prisão temporária. Eles são os principais suspeitos e sobre eles se constrói uma verdade que precisa se encaixar nas "evidências" que existem para confirmar o pensamento focado. No futuro se o caso vier a ser esclarecido, a mída já embarcou, antecipadamente, numa versão e ela condena o casal. Nesta altura das coisas o esclarecimento é uma questão de justiça criminal, mas a injustiça social e familiar já foi perpetrada pela mídia do modo "malandro" como acusou sem explicitar nenhum momento. O noticiário parece ter sido conduzido sob o parecer de advogados das empresas. A polícia também está plena de explicações marotas, mesmo que o casal não tenha sido tecnicamente acusado à justiça, o casal já foi antropologicamente acusado e condenado para sempre.

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  2. Marcel9.4.08

    Você tem razão, mas tb não podemos desqualificar totalmente a polícia, que com os precários recursos que tem faz até milagres, embora a de São Paulo sejaq bem superior e instrumentalizada que qq outra do Brasil. Só uma coisa até agora me parece apontar para o casal: o promotor ( que é meio esquisitão ) tem insistido que a prisão dos dois não deve ser relaxada. Ele sabe alguma coisa que não sabemos. Ou é um completo idiota.
    Li que o pai tem um passado de violência, tendo já dois BOs na polícia, um por ter agredido, no trânsito, um sujeito que bateu em seu carro.
    É um caso estranho. Tudo aponta para o pai, o que seria um horror até imaginar, mas nenhuma prova que sabemos prova isto.
    Mas se aprofundarem na vida dele pode ser que apareça mais alguma coisa. Se ele é um psicopata a este ponto, esta não terá sido sua única manifestação patológica. Certamente haverá outras, por mais insignificante que seja.
    E a imprensa...ah a imprensa. Esta não sobrevive 24 horas sem a sua dose de psicopatia, irresponsabilidade, descompromisso e leviandade.

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  3. Ivan Moraes9.4.08

    Nao que eu esteja dizendo que o pai eh "culpado" ou "inocente", isso eh trabalho pra policia, certamente. Mas tem incompetencia sobrando pra todo lado. Em adicao aas suas perguntas: porque um pai deixaria sua familia no carro, subiria para sua casa com uma filha, tentaria estrangular la, jogaria a pela janela... e depois voltaria para a garagem pra subir o resto da familia? Isso faz o menor sentido pra voce, Mello?

    Como eu nao tenho cultura brasileira pra me basear (nao exatamente cultura, mas mindset) e voce tem, acho que voce esta mais perto do que eu: Daniela Perez foi morta por pessoas com as quais trabalhava e que prestavam mais atencao nela do que ela prestava neles. Se eh que a menina foi jogada janela afora, entao de acordo com a estrutura do seu pensamento recorrente, foi por parente ou amigo da familia. Nao saberia o que dizer daqui pra frente, mas tou so achando a historia meio sem pe nem cabeca como esta nos jornais.

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  4. Fiuza deu uma entrevista para a Folha lembrando do caso do seu filho (a sua ex-mulher estava com o bebê e primeiro filho de colo tropeçou na varanda e o bebê foi lançado). Fiuza foi linchado por vizinhos, imprensa, tudo igual, só que ele não tinha culpa, nem a mulher diante de uma fatalidade horripilante como essa perder o filho e ainda serem acusados.
    Quanta a história de Isabella, nada nesta história gruda, faz sentido de fato, não passa pela minha cabeça que alguém corte com tesoura a tela de proteção, lance um corpo e nada, ninguém viu nada, ouviu nada? ninguém entrou e saiu do prédio... porteiro não viu, ninguém viu?
    No estuário em Cubatão no ano passado ocorreu uma tragédia com uma criança da mesma idade de Isabella que foi violentada e morta sufocada no lodo do mangue. A culpa imediata caiu sobre os pedreiros de uma obra próxima, mas o responsável era um jovem filho do empreiteiro que viu a criança nascer. Foi o último a ser visto com a garota, parece que estava drogado, mas enfim, chocou sobremaneira a todos, porque era vizinho, viu a criança nascer, a criança confiava nele (casos de violência contra crianças em cerca de 9o% dos casos é feito por pessoas muito próximas delas, pela pouca mobilidade e autonomia que elas tem).
    Por outro lado é muito doido 5 horas antes a família com a criança andarem tranquilamente e calmamente em cena de cuidado e afeto para com a menina em um supermercado (com a mesma roupa que ele foi para delegacia sem sangue algum), enfim, como mãe eu torço pra que não tenha sido o pai e a madrasta, torço mesmo, é cruel demais o parricídio, torço que tenha sido um outro doido qualquer, não trará a menina de volta, não aplacará a dor da perda, mas a gente se sentirá um pouco mais humano, ou menos envergonhado diante de tanta crueldade.

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  5. Alvaro Andrade9.4.08

    Marco,

    É o tal shownarlismo. O drama real se converte uma trama de suspense e investigação, acompanhada em tempo real pelos abutres. Afinal, qual o interesse público que justifica esmiuçar dessa forma a tragédia? Só o interesse privado justifica: audiência e lucro.

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  6. Luiz Carlos13.4.08

    É grande a disputa da grande imprensa, pra ver quem fala mais do caso Isabella. Enquanto isso, vocês ouviram falar dos apagões que aconteceram em São Paulo essa semana? Foram quatro em menos de 48 horas. Primeiro, na quarta (9), ocorreram incêndios em duas subestações de energia, uma em Pirituba da CTEEP e outra em Guarulhos da Bandeirantes Energia, quase ao mesmo tempo e deixaram mais de 1,2 milhão de pessoas no escuro por horas. No outro dia, pela manhã, uma pane em outra subestação, dessa vez no Jaguaré, voltou a deixar outros mais de milhão no escuro por horas e nesse mesmo dia, à tarde, a subestação de Guarulhos voltou a pegar fogo, deixando novamente milhares de pessoas sem luz. Há pouco mais de um mês, ocorreu uma explosão em outra subestação que deixou mais de 2,5 milhões sem luz. Os responsáveis pela empresas, descartaram a possibilidade de sabotagem. Disseram que foi apenas coincidência. O pig, se limita a dar a notícia, como se fosse a coisa mais natural do mundo. A Globo, no SPTV, mostrou um tal de Aderbal de Penteado Jr., diretor-presidente da Arsesp, agência reguladora que fiscaliza as estações de distribuição em São Paulo, que disse: “Os equipamentos são falíveis. Vão ser tomadas medidas para que esses incidentes não ocorram com as mesmas bases, mas certamente a sociedade deve prever que novos incidentes vão ocorrer”. É mole? O presidente do Sindicato dos Eletricitários, diz que o problema é fruto da falta de manutenção preventiva, o que é mais econômico para as empresas. Mas quase ninguém ficou sabendo disso. Também, não se fala em outra coisa a não ser no casa Isabella.

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