segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Para jornalões, seqüestro de Santo André vai ser bom para oito famílias


Em janeiro deste ano postei aqui uma denúncia: No Jornal Nacional, cratera do metrô de São Paulo pariu um bebê. Leia a postagem ao final e veja se o mesmo não está sendo feito agora com o caso da menina Eloá, que foi seqüestrada e assassinada em Santo André, na semana passada.

Eis as manchetes de hoje dos três jornalões sobre o caso:

O Globo: Família doa órgãos de Eloá
Estadão: Órgãos de Eloá vão para oito pessoas
Folha: Família de Eloá aceita doar os órgãos para transplante

Logo teremos reportagens sobre os oito felizardos que tiveram suas vidas salvas pelos órgãos da menina. E é isso o que vai restar do episódio, uma coisa positiva. O seqüestro não terá terminado com a morte da menina, mas com a alegria da vida de oito pessoas e suas famílias. Nada da incompetência policial que deixou a jovem Nayara retornar às mãos do seqüestrador, após ter sido libertada uma primeira vez. Ainda sem se saber se o seqüestrador atirou nas meninas antes ou depois da explosão da bomba lançada pela polícia.

Pergunto: Seria assim se o governador de São Paulo não fosse José Serra?

Agora, repito a postagem que fiz sobre a cratera do metrô. Veja como o roteiro é igual.

Ontem publiquei uma postagem aqui mostrando como o JN critica o governo, mesmo quando ele baixa medidas que vão ao encontro das necessidades da população.

Hoje, para mostrar que isso não é uma coisa fortuita, mas fruto de uma estratégia política, vou comentar uma outra matéria, da mesma edição. Só que essa mostra como o JN trata o outro lado – o governo tucano de José Serra.

Naquele sábado a cratera do metrô de São Paulo completou um ano. Uma cratera que vitimou sete pessoas. Até hoje nem o laudo com as causas do acidente foi apresentado à população. E como o JN tratou o assunto?

Começou com uma homenagem, na cabeça, lida por Renato Machado:

As vítimas do desabamento de um trecho das obras do metrô de São Paulo, foram homenageadas hoje - quando o acidente completou um ano. [A vírgula entre o sujeito e o verbo está na página do JN mesmo]

Depois, algumas informações:

O acesso ao local do acidente continua interditado. Estão interditados 21 imóveis. O laudo técnico sobre as causas e os possíveis culpados não foi concluído. Deveria ter ficado pronto em outubro do ano passado, mas foi adiado para março.

Alguma sonora? Alguma entrevista com o governador ou responsável pelo desastre? Alguma cobrança? Por que até hoje nem o laudo ficou pronto? Por que a área continua interditada? Nada.

Em seguida vem o final:

Entre os veículos soterrados estava um microônibus que passava pelo local.

Nele estava o marido de Thays Gomes, o cobrador do ônibus. Grávida na época do acidente, ela esperava Cauã, hoje com quase um ano.

Revolta de Thays? Reclamação contra o governo? Nada disso, segundo a reportagem. Sobre imagens de uma alegre e inocente criança brincando, o repórter prossegue, antes da sonora de Thays:

Ela diz que guarda boas lembranças do marido apesar de tanto sofrimento.

“Uma coisa boa foi o meu filho, o nosso filho”, diz Thays.

Pois é, da cratera do metrô ficou uma coisa boa... O nosso filho: dela, do marido morto, da cratera do metrô e do Jornal Nacional.

(Confira a matéria completa do Jornal Nacional sobre o aniversário da cratera do metrô aqui.)

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3 comentários:

  1. para amenizar a situação o imprensalão está passando a idéia de que tudo bem, os órgãos da Eloá foram doados, sete vidas foram salvas pela Eloá,
    que lindo né gente.

    além do fato de que alardeiam por aí que a tragédia foi apenas um erro que servirá de aprendizado para que, nos próximos casos, polícia aja corretamente.

    é assim que a polícia de SP é treinada?

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  2. Zé Tavares20.10.08

    impressionante !

    ResponderExcluir
  3. Anônimo20.10.08

    MÍDIA ENTERRA ELOÁ PARA SALVAR SERRA

    Blog Cidadania

    Podem procurar nos grandes portais de internet: o caso Santo André saiu totalmente de evidência. Portais como o IG já nem noticiam mais o assunto na primeira página, e desapareceram as críticas ao trabalho da polícia.

    Enquanto isso, acumulam-se provas de que Lindemberg só disparou contra as garotas Eloá e Nayara depois que a polícia invadiu o apartamento onde ele as mantinha cativas.

    1 – vizinha “de parede” de Eloá disse que só ouviu tiros depois que a polícia invadiu o apartamento onde acontecia o seqüestro.

    2 – Lindemberg confirma essa versão em depoimento.

    3 – peritos afirmam que não houve tiro nenhum antes de a polícia explodir a porta do apartamento onde ocorria o seqüestro.

    4 – família de Nayara desmente comandante da PM e nega que pai ou mãe de Nayara tivessem autorizado sua volta ao cativeiro.

    Se ninguém fizer nada, tudo será abafado. Sobretudo depois que o governador José Serra elogiou a ação da polícia nesse caso.


    http://edu.guim.blog.uol.com.br/

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