sábado, 4 de junho de 2011

Palocci, PIG e Jack, o Estripador - O direito ao sigilo dos negócios e ao sigilo das fontes


O ministro Antonio Palocci deu uma longa entrevista ao Jornal Nacional ontem, reproduzida na íntegra na GloboNews.

Como sempre acontece nos debates em campanhas políticas ou em reportagens sobre temas polêmicos, a menos que haja uma grande mancada (que não houve) dificilmente defensores e críticos de Palocci mudaram de opinião a partir da entrevista. Embora Palocci tenha sido claro e assertivo, dentro dos limites (segundo ele éticos) a que se submete.

Vamos aos dados concretos (como diria Lula) na entrevista de Palocci, que podem derrubá-lo, caso tenha mentido.

Porque a entrevista de Palocci é uma tremenda pauta para quem quer realmente investigar seu trabalho. Porque:
  • Palocci declarou q não fez nenhum trabalho que envolvesse órgão do governo, empresas públicas, fundos de pensão. Provem que ele mentiu e peçam sua cabeça.
  • Palocci afirma que declarou tudo à Receita Federal. Provem que ele mentiu e peçam sua cabeça.
  • Palocci afirmou que não teve um real da campanha envolvido com sua empresa.Provem que ele mentiu e peçam sua cabeça.
  • Palocci disse que todos os trabalho executados por sua empresa estão registrados em contratos de prestação de serviço e para todos os pagamentos foram emitidas notas fiscais. Provem que ele mentiu e peçam sua cabeça.
  • Palocci disse que o grande volume de dinheiro que entrou no segundo semestre na empresa é fruto do encerramento dos contratos (muitos ainda com anos para vencer) já que ele abandonaria as consultorias porque assumiria cargo no governo da presidenta Dilma. Provem que ele mentiu e peçam sua cabeça.

O que não dá é pra ficar querendo que Palocci faça o trabalho para os jornalistas de uma imprensa, cuja presidente da Associação Nacional de Jornais e executiva do Grupo Folha afirmou:

- A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.

Mas, você, jornalista, tem que trabalhar, correr atrás da notícia e não ficar repetindo que o ministro teria que declarar os nomes das empresas e que tipo de serviços de consultoria prestou a cada uma.

Por que não investigam? Porque o jornalismo macunaíma (ai, que preguiça) só quer saber de vazar, não quer trabalhar. Nem incomodar os grandes anunciantes que, sempre segundo vazamentos, seriam os clientes de Palocci.

Vamos, meus bravos. Ao Itaú, ao Grupo Pão de Açúcar, à Sadia, à Gol, à Claro, à Volks (veja mais aqui), encham o saco deles como enchem o de Palocci para ver se eles revelam alguma coisa.

E por fim, alguém acredita que um sujeito que passou tudo aquilo pelo que o governo Lula passou em 2005 com a crise do mensalão, um sujeito ainda com o passado preso ao caso Francenildo, iria afirmar que declarou à Receita os milhões que recebeu, que emitiu nota fiscal para cada real, que foram feitos contratos para cada trabalho? Se tivesse algo a esconder, seria bem simples a Palocci receber a bolada no exterior, em paraísos fiscais, como tantos fazem.

E Jack, o Estripador, como entra na história? Calma, como ele fazia, vamos por partes. Jornalistas querem que Palocci quebre seu compromisso de sigilo e revele nomes de empresas, tipo de trabalho executado e quanto faturou com cada um.

Mas, jornalistas se recusam a revelar suas fontes. Por que a Folha não revela quem vazou o sigilo fiscal de Palocci? Com que interesses? Está ligado a quem? Pertence a algum governo ou partido político? É indicação de algum político para o cargo que ocupa?

Ah, isso não pode. O Palocci pode, mas eles, não. Exatamente como acontece com a Scotland Yard (aqui entre o Jack, finalmente), que se recusa a dar os nomes de seus informantes, mesmo passados 123 anos, como informei aqui.

Trevor Marriott, que trabalhou na polícia como investigador de assassinatos e é um dos mais destacados pesquisador sobre o caso do estripador, tenta há três anos ter acesso aos documentos, sem sucesso.

A Scotland Yard alega que eles contém nomes de informantes, e, mesmo passados 123 anos das cinco mortes atribuídas a Jack (várias outras estão ligadas mas não são confirmadas), há um compromisso de sigilo entre as partes que não pode ser rompido. Se o for, informantes de hoje não terão garantia de que jamais seus nomes serão revelados, e por isso não auxiliarão a polícia.

A íntegra da entrevista de Palocci divulgada na Globo News você assiste aqui.


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