sexta-feira, 27 de junho de 2008

A compra do Estadão pela Globo, e uma proposta para a mídia livre


Segundo o Rovai, o negócio está fechado: o Estadão agora pertence às Organizações Globo. A concentração da mídia está cada vez maior. Cada vez maior também o poder das Organizações Globo.

Como reagirá a Folha a esta aquisição, que vai colocá-la no olho do furacão? Será que vai acontecer o mesmo que com o Jornal do Brasil aqui no Rio, que viu seus principais colunistas, um a um, baterem asas para O Globo?

Mas isso é problema deles. O nosso é descobrir como fazer frente à concentração cada vez maior da mídia corporativa.

Bernardo Kucinski escreveu um artigo, publicado na Carta Maior, em que mostra como a Globo montou no início do que veio a ser conhecido como o escândalo do mensalão uma “central de operações, em Brasília, unificando as coberturas de política da TV, CBN e jornal O Globo sob o comando de Ali Kamel, que para isso se deslocou para Brasília”. Imagine do que será capaz agora, como proprietária de um dos dois grandes jornalões paulistas.

É possível tamanha concentração? Como perguntei ainda outro dia aqui, quando a compra do Estadão pela Globo ainda era uma hipótese: A democracia resiste?

E a questão da distribuição de jornais e revistas em que a Abril, ao adquirir a Fernando Chinaglia, ficou simplesmente com 100% do mercado nas mãos, sem que até hoje o Cade tenha se manifestado?

Mas é o que escrevi na época, quando postei aqui Monopólio do Grupo Abril ameaça revistas independentes:

O pior é que quase não se lê nada sobre o assunto. Assim como aconteceu com a CPI da TVA, com a Curundéia, parece que uma bolha de silêncio envolve os negócios do Grupo Abril.

Culpa também nossa. Enquanto eles enchem o saco com tudo o que não lhes agrada, inundando jornais e blogs com cartas e comentários, ficamos conversando os mesmos e mal conseguimos juntar 1233 (confira) [a postagem é de dezembro de 2007] assinaturas para a CPI da TVA e das negociatas das telefônicas...

O mesmo vale para a aquisição do Estadão. Vamos ficar impassíveis assistindo à ampliação da ditadura da mídia? É legítima essa concentração de poder nas mãos das Organizações Globo? O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil.

Uma proposta para a mídia livre

Os blogs sobre política, redes, grupos, listas de e-mails devem responder a mais esse ataque da mídia corporativa. Mas, como enfrentar esse poder terrível? Criando um portal da mídia independente?

Não acho que seja uma boa idéia. O portal é duro, hierarquizado, centralizado – exatamente como a mídia corporativa. Devemos combatê-la com aquilo que temos de mais forte, a multiplicidade, a diversidade.

Talvez devêssemos partir para algo como o The Huffington Post, que ainda mantém uma primeira página, ou então para uma experiência ainda mais aberta, como a que o criador do Facebook, Chris Hughes, desenhou para Barack Obama. Clique aqui e veja o que ele fez e o que se pode fazer.

O que é que vocês acham?

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12 comentários:

  1. Mello,

    Tenho algumas sugestões a partir de uma série de autores que tenho lido para a minha dissertação:

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/25/avaaz-exemplo-ativista-pos-moderno/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/25/comunicacao-comparada-e-desconstrucao/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/21/projeto-palanque-do-blackao-2009/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/19/a-comunicacao-resistente/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/16/os-ultimos-dias-de-yeda/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/13/a-resistencia-inteligente-sem-tecnologia/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/06/13/politica-de-demandas-sem-tomar-o-poder/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/29/a-noticia-como-mercadoria/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/26/a-volta-ao-espaco-publico-presencial-passa-pela-internet/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/14/bioinseguranca-e-subdesenvolvimento-insustentavel/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/10/porque-a-pedagogia-tradicional-nao-funciona-na-era-digital/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/05/06/visitem-o-generacion-y/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/25/o-que-fazemos-em-nossos-blogs/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/16/resistencia-pos-moderna/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/17/resistencia-pos-moderna-no-brasil/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/19/os-movimentos-sociais-e-a-blogosfera/

    http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/15/jornalismo-politico-brasileiro/

    []'s,
    Hélio

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  2. Anônimo27.6.08

    Olá Mello. Se você fosse avaliar, que as organizações Globo não teria cassife para bancar essa compra, quem seria o fornecedor dos recursos?

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  3. Ivan Moraes27.6.08

    "Segundo o Rovai, o negócio está fechado: o Estadão agora pertence às Organizações Globo": elementar, meu caro Watson: se comprasse a Folha, todo mundo instantaneamnte a batizaria de "Folha da Puta"!

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  4. Ivan Moraes27.6.08

    Nao eh que um dos caras do JPMorgan disse, a respeito da compra da Bear Stearns, que eh melhor comprar uma casa que nao esta incendiando?

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  5. Alexandre Porto27.6.08

    Mello,
    Concordo com você que nossa maior força é a multiplicidade e diversidade. Eu só sinto falta de um portal que faça um elo entre essa diversidade.

    Não como substituto, mas como complemento; uma forma de facilitar o acesso às informações e opiniões relevantes para a "nossa" linha editorial, se é que posso dizer dessa forma.

    A diversidade não necessariamente deve significar dispersão.

    O Informante, que você deve lembrar, tinha esse objetivo, mas nunca foi possível colocar em prática por limitações práticas e financeiras.

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  6. Rebeca27.6.08

    Os dois modelos são muito bons. Em termos jornalísticos o Huffington Post é sensacional, e o modelo da campanha do Obama podia ser copiado por aqui na campanha presidencial do PT e aliados em 2010, livrando-se do financiamento de empresas.

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  7. Preocupante. Muito preocupante.

    A liberdade de expressão a cada dia tá sendo sufocada, pois poucos controlam os meios de comunicação.

    Na Internet ela ainda respira. Mas logo vão dar um jeito de controlar tudo.

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  8. Mello, em se tratando de PIG, que tem pensamento único, deveria mais é concentrar tudo na Globo mesmo. Acaba a hipocrisia de que aqui existe "liberdade de imprensa", pluralismo de opiniões, etc, essa coisa que sabemos pra lá de falsa. Então concentra logo. A Globo nos fará o favor de livrarmo-nos dos Mesquita, dos Frias... Teremos que lidar só com os Marinho. Aí quando houver a desapropriação popular e democrática, vai ficar mais fácil... hehehe...

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  9. Mariano Salinas27.6.08

    Lá se vai o PT da presidência. Em 2010 acaba. Isto se ninguém se mostrar engajado na campanha por mais um mandato do partido, como no exemplo do "My Obama" nos Estados Unidos.

    Do jeito que vão as coisas, a mídia vai trabalhando para eleger um tucano em 2010, o qual teremos que aturar até 2018 pelo menos e as políticas sociais vão por água abaixo, visto que a se a grande mídia quer eleger alguém, esse alguém não se importa nem um pouco com seus governados.

    Além disso a liberdade de expressão não pode ser sufocada pela monopolização dos meios de comunicação nas mãos dos Marinho e seus asseclas. QUE TAL UMA INICIATIVA POPULAR A RESPEITO DE LIMITES PARA CONTROLE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO???

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  10. joão28.6.08

    Se soubesse inglês poeria entender como não sei seria melhor você me explicar. Sou leitor assíduo de seu blog e do fazendo média, as vezes subtraio textos seu para o meu bloguinho dando os créditos para você. É uma maneira de colocar os meus blogamigos antenados com a política.

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  11. João,
    não é preciso entender inglês. É só perceber a montagem, a estrutura dos dois.

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  12. Anônimo22.4.09

    Walmor Marcellino
    Recebi apelo para “abaixo-assinar” a favor da cessação imediata das hostilidades na Faixa de Gaza, por uma iniciativa vinda da “Brett-Salomon Avaaz.org”, entidade que se estende por diversos países à procura de espaço para ações de “boa-vontade” e, neste caso, “em busca da paz na Palestina, tanto na ainda livre quanto na ocupada por Israel”.

    Surpreendente convite que nivela a usurpação militar e política das terras palestinas por Israel (Jerusalém, o Rio Jordão, Cisjordânia, fronteiras) com a reação patriótica dos palestinos agredidos, enxotados e espoliados. Mais chocante quando, a pretexto de propor-impor a paz e de salvar vidas humanas, nasce de evidente parti pris ao considerar os fatos e resultados da política colonialista israelense como fundamento para um “equilíbrio de forças” nas fronteiras palestinas (e em Gaza) e base para um “acordo do Hamas em cessar fogo” como condição de uma paz subseqüente (?).

    A má consciência de judeus dentro e fora de Israel tem levado muitos deles a defender a paz, só que a “lebensraum” anexatória imposta pelo sionismo e titulada no partido Likud, esquecendo até mesmo as fronteiras arbitradas pela ONU em 1947 (e que já significavam privilégio territorial), como parte de uma “justiça salomônica” para a Palestina.

    Ingênuos e ignorantes têm acolhido esse tipo de política “não-política” de entidades políticas defensoras de “direitos civis”, “da paz” e “humanitárias” em seus propósitos etnopolíticos, sem prestar-lhes atenção ao móvel e sentido. Neste caso a má-fé é patente, pois a “tarefa mediadora” assumida pela “Brett-Salomon Avaaz.org” alicia assinaturas (adesões) para o statu quo colonialista judeu, ademais “com a nobreza” de clamar pela cessação das hostilidades em Gaza, igualando assim responsabilidades políticas e nivelando ações e reações: sob conspurcação de direitos, opressão colonialista e o terrorismo de Estado praticados por Israel. Tudo resquiecat in pace, é o que nos pedem.

    Entrementes, apesar do controle norte-americano pró-judaico das notícias de guerra, crescem as manifestações políticas contra o genocídio na Palestina, a par das denúncias à complacência da ONU ante os vetos de Washington ao cumprimento das resoluções sobre as fronteiras de Israel. E sabemos, ainda, o que não esperar de Barak Obama, condicionado na Realpolityk ianque à diplomacia de seus interesses imperialistas.

    Apoiado nessa conjura político-militar e em seu noticiário de falsificações e distorções fatuais, o Estado nacional-socialista e enclave sionista-imperialista de Israel se atreve a desafiar decisões e consensos mundiais da consciência crítica dos povos com o seu assumido espólio do holocausto nazista.

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